
Depois de separa (continuação correta)
Capítulo 3
Quando foi até a sala Maurici não estava mais lá, Gisela sentou no chão e chorou. Estava se sentindo um objeto usado, chegou a pensar que era mais infeliz que uma prostituta, pois estava sendo usada apenas para sexo, sem ganho nenhum. Toda euforia da transa foi substituída pela tristeza da rejeição, estava sendo difícil de acreditar e aceitar que depois de tanto tempo juntos ele a estava tratando daquela forma. Aquilo precisava parar, é certo que ela estava se esforçando para recuperar seu marido, mas o nível de humilhação quando aqueles momentos passavam estava demais para ela. Ficou ali no chão indagando a si mesma, como se fosse possível receber alguma resposta “Como poderia possuí-la daquela forma e depois ir para os braços de outra? ”
Depois de alguns minutos, Gisela se recompôs cuidou de Noah e em seguida foi ligar para o Senhor Tércio, certamente ele estava abatido com a perda de sua cuidadora. Gisela lembrou que ele já havia comentado que era sozinho no mundo, nunca tinha sido casado e sua única irmã faleceu sem dar à luz a um filho. O velhinho simpático havia cultivado uma longa amizade com o avô de Gisela, especificamente 50 anos, até o avô dela falecer, os dois passavam horas jogando xadrez na pracinha do bairro, então Gisela tinha muito carinho por ele. Depois de três longos toques ela ouviu um alô meio roco do outro lado:
- Alô? Quem é? Gisela pensou em falar tudo em uma frase, assim evitaria desgastar o velhinho que certamente havia tido um dia difícil
-Alô? Senhor Tércio? É a Gisela, queria ver se o senhor está precisando de alguma coisa?
- Oi minha filha, estava esperando sua visita mesmo, que horas você vem?
Ela achou estranha a reação dele, parecia ter tanta certeza de que Gisela se preocuparia.
-Ah sim, eu não atrapalho se eu for daqui a pouco?
- Claro que não minha filha.
Apesar da rouquidão ele pareceu bem-disposto, Gisela desligou o telefone e foi se ajeitar para visita-lo. Passou na padaria com Noah no carrinho, pegou algumas quitandas e foram até a casa mais bonita do bairro. O simpático velhinho morava em um antigo casarão, logo após passar por um imponente portão de ferro, era preciso atravessar um extenso jardim para chegar até a porta principal. Ele estava esperando, sentado em uma grande cadeira de madeira que ficava no alpendre ao lado da porta. Os três passaram um fim de tarde muito agradável, ele parecia ansioso em tratar com ela de um assunto urgente, como ele mesmo definiu.
Já em casa, Gisela começou a pensar em Maurici e no banho que haviam tomado juntos, porém também lembrou da desfeita de sair sem ao menos se despedir, então espantou seus pensamentos e focou na proposta que o senhor Tércio havia feito. Ele pediu que Gisela fosse sua nova cuidadora, era um senhor de 84 anos, mas era muito ativo e não tinha nenhuma necessidade específica. Sem contar que estaria perto de casa, poderia sair daquele emprego horrível, também poderia levar o Noah, já que o senhor Tércio amava crianças além de ter oferecido um salário bem maior que o dela. Pronto decidida, seria uma nova fase, ela trocaria de emprego e se manteria firme em não ceder mais aos encantos de Maurici, pelo menos enquanto ele tivesse com aquela mulher.
O dia seguinte foi para organização de sua nova rotina, conseguiu pedir desligamento da empresa, o que foi bem mais fácil do que ela tinha imaginado. A empresa era grande e Gisela tinha um cargo simples, apesar de ser formada em administração, ela jamais teve uma oportunidade de crescimento, ao contrário disso, tinha uma rotina maçante e era quase invisível aos olhos da gestão. Depois foi para casa do senhor Tércio para conversar e ver se ele precisava de alguma coisa urgente:
- Minha filha, estive pensando, você me disse que está com problemas financeiros, não é?
Gisela tinha feito algumas confidências com o simpático senhor.
-Estou sim, mas vou tentar me organizar.
Ficou um pouco acanhada, mas era a pura verdade.
- Você paga aluguel da sua casa, acho que poderia ver com seu filhinho pra cá, seria um gasto a menos e eu teria companhia por mais tempo.
Nossa, senhor Tércio estava sendo um anjo para Gisela, realmente seria um grande alívio poder ficar livre do aluguel e estando na casa dele, Maurici teria que se controlar ou até mesmo poderia tomar uma atitude e acabar com toda aquela palhaçada de separação.
-Nossa Senhor Tércio, seria muito bom pra mim, mas o senhor não ficaria incomodado?
-Imagina minha filha, pra mim vai ser uma alegria!
Mais ares de mudança! Ela estava precisando daquilo, pediu o fim de semana para se organizar e preparar sua mudança. Gisela avisou Maurici, que não pareceu se importar muito, pelo contrário, parecia sentir alívio. A moça conseguiu ajuda de sua mãe, dona Miriam morava em um sítio na zona rural da região e raramente vinha até a cidade pois tinha que cuidar do esposo que tinha problemas no coração. Maurici estava morando com a nova namorada então fez questão de ficar com alguns móveis da casa, Gisela sentiu uma pontada no coração ao imaginar as coisas dos dois sendo usufruída por aquela “vagabunda”, mas não tinha como levar muita coisa para o novo lar, ela e Noah teriam um quarto com banheiro, então quanto mais rápido se desvencilhasse de tudo, melhor para ela.
Após a mudança Maurici sumiu, não tentou mais nada com Gisela e também não foi ver o filho. Gisela cuidava do filho e do senhor durante o dia e passava grande parte da noite chorando e se lamentando de tudo o que estava acontecendo. Na casa do senhor Tércio também morava Carlota uma senhora de estatura baixa, bem magrinha, de cabelos brancos e extremamente simpática que cuidava da cozinha, tinha também Rita, uma jovem senhora de cabelos louros esbranquiçados e um par de olhos verdes, que cuidava da limpeza. Além também de Joaquim, o jardineiro que vinha 4 dias na semana e um motorista que morava na edícula.Todos já trabalhavam com o senhor Tércio há mais de 20 anos. Gisela se aproximou ainda mais do senhor Tércio, ela já o visitava ao menos uma vez na semana, mas agora os dois passavam dia e noite pra lá e pra cá. Apesar da idade, claramente era ele quem estava ajudando a moça, conversavam e davam risadas e Gisela chegava a sentir mal, pois aquilo nem parecia trabalho. Senhor Tércio era extremamente gentil e vaidoso, nunca ficava sem uma camisa branca bem passada, uma calça de alfaiataria bege presa em um suspensório e quando iam para o jardim ele ainda botava uma boina para proteger sua careca do sol.
Já tinha quase um mês que Gisela e Noah haviam se mudado quando Maurici ligou avisando que viria visitar o menino, Gisela avisou ao seu simpático patrão que liberou a moça por toda manhã. Noah estava lindíssimo em um simpático conjunto, ele era muito parecido com o pai, e os olhos azuis que Gisela tanto admirava, haviam sido herdados pelo filho. Maurici deu 3 buzinadas e Gisela correu para o portão, ela estava louca de saudades, apesar de toda tristeza que havia passado no último mês, sempre que via Maurici reacendia a chama da esperança em recuperar e restaurar seu casamento. Ao chegar no portão viu que ele estava com um carro diferente, e para terror de Gisela a dita cuja estava sentada no banco do passageiro
-Eu tive alguns problemas e passei por uma mudança também, por isso tive que dar uma sumida.
Ele começou a se desculpar antes mesmo de cumprimentar Gisela.
-Nossa, mas nem mesmo uma ligação ou mensagem você enviou...
Reclamou Gisela. Maurici segurou o filho e o apertou em seus braços, Gisela estava vermelha de raiva, como ele pode sumir um mês e aparecer ali com “aquelazinha”.
-Você disse que se mudou?
Gisela tentava puxar assunto tentando disfarçar sua raiva.
-Sim, acabamos indo para nossa antiga casa. Amanda está usando uma das garagens como loja.
Aquela foi a gota d’água, ele era um cretino mesmo.
-Como pode levar essa vagabunda para casa que foi nossa por tantos anos? Casa que foi do seu filho?
Ouvindo aquilo a mulher saiu do carro, com as mãos na cintura e um ar debochado. Ela era de estatura baixa, cabelo escuro bem liso escorrido até a cintura, era magra, bem magra. Tinha uma boca larga e os dentes eram um tanto pra frente, o que deixava ela com um ar engraçado. Usava roupas muito curtas que marcava todo corpo, não era bonita, aos olhos de Gisela, mas chamava atenção dos homens.
-Minha filha, vê como fala comigo, não sou vagabunda!
Gisela não tinha condições mais de viver aquela situação, aquilo precisava de um fim. Ela se virou para Maurici na intenção de ignorar a moça.
-Precisamos conversar, você tem que visitar mais o Noah e não deve ficar expondo ele a essas situações!
A mulher continuava parada com a mão na cintura e Maurici tinha posto o menino no chão, senhor Tércio estava vendo tudo de longe e se aproximou quando viu que a mulher saiu do carro. Ela sentia muita pena de Gisela.
-Noah vem com o vovô ver os passarinhos.
Ele chamou e Gisela balançou a cabeça agradecendo, ela não queria que o menino ficasse ali no meio de tudo.
- Volto outra hora para ver meu filho.
Antes dele virar e entrar no carro Gisela quis continuar com a conversa.
-Você precisa ver ele mais, ele sente sua falta.
Amanda, a namorada de Maurici parecia querer confusão, e se adiantou para responder por ele.
-Você quer que ele fique vindo te ver, mas depois que ele ficou comigo, jamais vai querer ficar com você!
Ela era uma mulher ridícula.
-Fica tranquila que não tenho interesse nenhum nele.
Gisela respondeu e se virou para entrar pelo portão.
-Eu que não tenho interesse em você, eu que não te quis você é velha, quem vai te querer agora acabada e com um filho.
Gisela não se aguentou, voltou e esbofeteou aquele canalha. Amanda se aproximou para impedir Gisela, mas levou uns bons safanões também. Gisela ficou cega de raiva, nunca tinha brigado na vida e estava ali, naquela cena horrenda. Bateu naquela mulher, puxou-lhe os cabelos e entrou na casa de alma lavada.
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