Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Deixada para Morrer, Encontrada pelo Amor

Deixada para Morrer, Encontrada pelo Amor

No aniversário de namoro, o CEO Caio Menezes trocou nossa vida pelo retorno de Kiara, sua ex. O reencontro virou um show nacional, tornando-me a vilã. Fui torturada psicologicamente por Caio, que destruiu memórias de minha mãe e planejava me usar por status. Após ser incriminada por Kiara em um incêndio e abandonada para morrer nas chamas por Caio, o misterioso Heitor Monteiro surgiu entre os escombros para me resgatar, declarando ser meu marido.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

O som da porta do meu quarto se abrindo com um estrondo me acordou de um sono agitado. Era pouco depois do amanhecer, mas a força da invasão pareceu um golpe físico.

Caio estava na porta, o rosto uma máscara de fúria. Ele vestia um terno sob medida, parecendo ter acabado de sair de uma reunião de diretoria, mas seus olhos estavam selvagens.

"Onde você estava?", ele exigiu, marchando em direção à cama. "Eu te liguei a noite toda. Você não tem ideia de como a Kiara ficou preocupada."

Kiara. Não ele. Kiara.

"Eu estava aqui", eu disse, minha voz vazia. O homem na minha frente era um estranho. O homem gentil e amoroso que eu pensei conhecer tinha sido uma ilusão cuidadosamente construída. Em seu lugar estava este tirano.

"Não minta para mim, Aurora!", ele agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha pele. "Você deveria estar no evento de caridade comigo. Você me envergonhou. Você envergonhou a Kiara."

Seu aperto se intensificou, e eu recuei. Ele nunca tinha sido rude comigo antes. Zangado, sim. Desdenhoso, muitas vezes. Mas nunca assim.

Ele pareceu perceber que havia cruzado uma linha, soltando meu braço como se tivesse se queimado.

"Olha, eu sei que isso é difícil para você", disse ele, seu tom mudando para um de paciência forçada. "Mas a Kiara está frágil agora. Sua cena de ontem à noite a deixou com um ataque de pânico."

"Minha cena?", perguntei, minha voz se elevando. "Eu não fiz nada. Eu estava na minha própria casa."

"Exatamente!", ele retrucou. "Você deveria estar ao meu lado, mostrando a todos que somos uma frente unida. Que você me apoia nisso."

"Apoiá-lo em namorar sua ex-namorada na frente do mundo inteiro?", eu ri, um som oco e sem humor. "Você está delirando."

Seu rosto escureceu novamente, mas antes que ele pudesse responder, uma voz suave e chorosa veio do corredor.

"Caio? Está tudo bem? Ouvi gritos."

Kiara apareceu, envolta em um dos roupões de seda de Caio, o rosto pálido e os olhos vermelhos. Ela parecia uma boneca assustada.

"Me desculpe, Aurora", ela sussurrou, agarrando o roupão com mais força. "Eu não queria causar problemas. Eu só... fico com tanto medo quando ele não está comigo."

Todo o comportamento de Caio se suavizou em um instante. Ele correu para o lado dela, envolvendo-a em seus braços.

"Está tudo bem, meu bem. Não é sua culpa", ele murmurou, acariciando seu cabelo. "Não é sua culpa."

Ele me lançou um olhar venenoso por cima do ombro dela.

"Olha o que você fez", ele articulou silenciosamente.

Ele prometeu a ela que resolveria, que faria com que eu entendesse o meu lugar. Suas palavras eram uma ameaça envolta em uma promessa de proteção para ela.

"Ela precisa aprender uma lição", ele sussurrou para Kiara, alto o suficiente para eu ouvir.

Ele se virou para os dois seguranças enormes que haviam aparecido silenciosamente no corredor atrás de Kiara.

"Levem-na para baixo. Para a adega. Ela pode ficar lá até estar pronta para se desculpar."

Meu sangue gelou. A adega.

"Não", eu sussurrei, recuando contra a cabeceira da cama. "Caio, você não pode."

Ele sabia. Ele sabia sobre a adega. Sobre minha claustrofobia.

Meus guardas, inexpressivos e eficientes, moveram-se em minha direção. Eu lutei, chutando e arranhando, um animal selvagem e encurralado.

"Caio, por favor!", eu gritei, meus olhos fixos nos dele.

Mas ele não olhou para mim. Ele já estava se virando, seu braço protetoramente em volta de Kiara, levando-a pelo corredor como se a estivesse escoltando para longe de um monstro.

A última coisa que vi foi suas costas desaparecendo na esquina.

Os guardas me arrastaram pela escada em espiral até o porão. A pesada porta de ferro forjado da adega se erguia na minha frente. Eles me empurraram para dentro, o cheiro de terra úmida e vinho velho enchendo minhas narinas.

A porta bateu. A fechadura clicou, um som de finalidade que ecoou no pequeno e escuro espaço.

Escuridão. Escuridão apertada, sufocante.

Minha respiração engasgou. Meu coração martelava contra minhas costelas como um pássaro preso. As paredes estavam se fechando, o ar rareando. Eu era uma criança de novo, trancada em um armário pelo meu irmão adotivo como uma piada cruel.

Tinha sido meu décimo aniversário. Os Almeida deram uma festa luxuosa. O filho deles, Juliano, mais velho e sempre ressentido com a minha presença, decidiu que seria engraçado me trancar no armário de roupas de cama durante uma brincadeira de esconde-esconde. Ele se esqueceu de mim.

Fiquei lá por horas. A escuridão pressionava, o ar ficava viciado. Gritei até minha garganta ficar em carne viva, arranhei a porta até meus dedos sangrarem. Quando me encontraram, eu estava inconsciente, encolhida em uma bola apertada no chão.

A claustrofobia fazia parte de mim desde então. Era um terror físico, visceral - um aperto no peito, falta de ar, um suor frio que encharcava minha pele. Era minha fraqueza secreta.

E Caio sabia.

Anos atrás, em um de nossos primeiros encontros, ficamos presos em um elevador. Tive um ataque de pânico completo. Chorei em seus braços, envergonhada e aterrorizada, e contei a ele a história sobre o armário.

Ele me abraçou, acariciou meu cabelo e sussurrou promessas.

"Eu nunca vou deixar nada parecido acontecer com você de novo. Eu sempre vou te proteger. Serei seu porto seguro."

Agora, era ele quem havia trancado a porta. Ele era o monstro no escuro.

A promessa foi quebrada. O porto seguro era uma jaula.

Deslizei pela parede fria de pedra, envolvendo os braços em volta dos joelhos, tentando me fazer menor enquanto a escuridão me consumia. As lágrimas vieram, quentes e silenciosas, um rio de luto pelo homem que eu pensei que ele era e pelo amor que eu pensei que tínhamos.

Era tudo uma mentira.

Você pode gostar

Capa do romance A amante do CEO por acidente
8.1
Alex Davis é um bilionário que parece controlar o destino, mas sua vida pessoal é um paradoxo. Casado há dois anos com a cobiçada Marisol García por interesses comerciais, ele vive um matrimônio sem qualquer intimidade física. Tudo muda drasticamente durante sua festa de aniversário, quando Alex perde o controle e se envolve com sua secretária. Esse encontro inesperado desencadeia um verdadeiro inferno, provando que ele não manda no próprio futuro.
Capa do romance A Gaiola da Perfeita Mentira Deles
8.4
Abandonada na chuva por Heitor Dantas em prol de sua amante, descobri que meu casamento era uma farsa cruel. Traída pela minha família e roubada por Kenia, fui encarcerada em um porão escuro onde usaram meus traumas contra mim. Após ser usada como escudo para o romance deles, decidi incendiar tudo. Fugirei das cinzas para destruir quem me quebrou, mas Heitor agora me persegue, disposto a morrer para provar que seu amor, afinal, era verdadeiro.
Capa do romance A grande reviravolta da minha vida
8.3
Vindo de uma família humilde, divido meu tempo entre estudos e empregos exaustivos para sustentar minha rotina e mimar minha bela namorada. Após muito sacrifício para presenteá-la com um celular de luxo, flagro sua traição com outro homem. Humilhado e agredido pelo rival, chego ao fundo do poço em total desespero. Contudo, uma ligação inesperada do meu pai muda tudo: ele revela que sou o herdeiro de uma fortuna bilionária e minha vida sofrerá um choque.
Capa do romance A Segunda Chance Com O CEO
9.2
Elana Kingsley vive em Nova Iorque, frustrada por não realizar o sonho de ser escritora. Após postar impulsivamente suas cartas de amor antigas, ela viraliza e atrai a Editora Buzzy. O CEO é Gabriel, seu primeiro amor que ela deixou há quinze anos. Agora frio e profissional, ele a reencontra em meio a ressentimentos. Dividida entre o medo do passado e a chance de recomeçar, Elana precisa decidir se deve reescrever sua história de amor ao lado dele.
Capa do romance A Vingança da Mulher Invisível
9.6
Traída por Pedro e sua irmã Isabela, Marília vê sua vida ser roubada. Tratada como um amuleto de sorte descartável, ela perde seu bebê e sua liberdade após ser dopada e internada. O cárcere e a agressão de Pedro transformam seu amor em um ódio mortal. Ao ser trancada em um porão, ela incendeia o local e foge, deixando o império do marido em chamas. Agora livre, Marília ressurge das cinzas para garantir que seus carrascos paguem por cada humilhação sofrida.
Capa do romance Intenso Amor
7.8
Jullian Cavanagh construiu a Cavanagh Technology, um império de saúde, com apoio familiar. Diferente de um badboy, ele é um bilionário focado e reservado. Sua vida metódica colide com a de Lara Snow, uma audaciosa corredora de rua recém-chegada de uma missão na Turquia. Viciada em adrenalina e velocidade, a rainha de Miami vive perigosamente. Embora pertençam a mundos distintos, uma paixão avassaladora e arriscada promete unir esses dois destinos opostos.