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Capa do romance Deixada para Arder: A Traição do Meu Marido

Deixada para Arder: A Traição do Meu Marido

Durante dez anos, fui a esposa dedicada de Heitor Vasconcellos, aceitando ser apenas a substituta de seu antigo amor. Minha esperança ruiu quando um incêndio atingiu nossa casa. Em vez de me salvar, Heitor resgatou o cachorro e me abandonou nas chamas. Esse desprezo repetiu a dor de quando perdi nosso filho enquanto ele consolava outra mulher. Agora, desperta e divorciada, deixo o passado para trás rumo a Genebra. Decidi que, finalmente, eu sou a prioridade.
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Capítulo 1

Por dez anos, eu amei Heitor Vasconcellos, mesmo me casando com ele sabendo que eu era apenas uma substituta para seu verdadeiro amor, Isabela. Eu interpretei o papel da esposa perfeita e previsível, esperando que um dia ele finalmente me enxergasse. Essa esperança morreu na noite em que nossa mansão pegou fogo.

Ele invadiu nosso quarto cheio de fumaça, olhou diretamente para mim, pegou nosso cachorro no colo e correu, me deixando para queimar.

Foi um eco assustador do dia em que perdi nosso filho, gritando por ele enquanto ele consolava Isabela na casa ao lado. Ele não veio me socorrer naquela vez, e não veio agora.

Naquele inferno, vendo-o salvar o cachorro em vez da própria esposa, não senti dor nem raiva. Não senti nada. A garota ingênua que o amava estava finalmente morta, incinerada junto com meu último resquício de esperança.

Então, quando acordei no hospital e recebi uma mensagem confirmando que meu divórcio estava finalizado, não chorei. Comprei uma passagem só de ida para Genebra.

Desta vez, eu estava escolhendo salvar a mim mesma.

Vamos lá.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Celeste Menezes

O mundo estava embaçado, uma névoa fria e clínica, enquanto a enfermeira finalmente soltava meu pulso da cama do hospital. Eu estava livre, tecnicamente, mas a liberdade parecia uma piada. Meu peito doía, um eco oco onde antes havia uma vida, e eu não me dei ao trabalho de esconder o tremor em minhas mãos. O médico estava falando, explicando os procedimentos de alta, mas suas palavras apenas ricocheteavam no escudo invisível que eu havia erguido ao meu redor.

Heitor entrou no quarto.

Seus passos eram pesados, urgentes, mas eu não levantei o olhar. Ele disse meu nome, sua voz tensa com uma preocupação que tinha gosto de cinzas na minha boca. Eu apenas assenti, um movimento pequeno, quase imperceptível, e continuei a encarar a parede branca e estéril.

"Celeste, você está bem? Meu Deus, eu fiquei tão preocupado", ele implorou, sua voz falhando um pouco.

Uma risada amarga quase escapou de mim. "Preocupado?" Finalmente encontrei seus olhos, os meus desprovidos de qualquer calor. "Onde você estava, Heitor?"

Ele se encolheu. "Isabela... ela teve uma emergência. Uma crise de pânico. Ela me ligou, Celeste, eu tive que ir." Sua explicação saiu apressada, uma barreira frágil contra o oceano da minha dor.

Eu apenas o observei, meu rosto uma máscara. Não havia mais raiva, nem lágrimas. Apenas um espaço vasto e vazio.

Ele tentou pegar minha mão, seu toque hesitante. Eu a puxei de volta antes que ele pudesse fazer contato, um reflexo nascido do instinto. "Estou cansada, Heitor. Só quero ir para casa."

Seu olhar caiu para a minha barriga, depois voltou para o meu rosto. Um lampejo de algo – pena? Culpa? – cruzou suas feições. Ele se lembrava de mim antes, facilmente magoada, propensa a lágrimas, sempre exigindo sua atenção. A antiga Celeste teria se agarrado a ele, chorando. Esta nova Celeste era um fantasma, e isso o desestabilizou mais do que qualquer explosão.

O caminho para casa foi silencioso. Ele continuava me olhando de relance, os nós dos dedos brancos no volante. Ele queria perguntar. Ele queria saber o que havia mudado. Mas eu não lhe dei nada. Apenas o zumbido silencioso do motor e as luzes distantes da cidade.

Finalmente, ele não aguentou mais. "Celeste, por que você está tão... quieta? É como se você nem estivesse aqui."

Virei a cabeça, olhando para a frente. "O que você quer que eu faça, Heitor? Grite? Chore? Jogue coisas?"

Ele passou a mão pelo cabelo, um gesto frustrado. "Não, claro que não. Mas..." Ele parou, incapaz de articular o abismo perturbador que se abriu entre nós.

"Mas você quer a antiga Celeste de volta, não é?" Eu completei por ele, minha voz monótona. "Aquela que sempre perdoava, sempre entendia, sempre esperava."

Ele engoliu em seco. "Você mudou, Celeste."

"Sim", concordei suavemente. "Eu mudei. E não vou me desculpar por isso."

Naquele momento, o celular dele vibrou. Isabela. O nome dela brilhou na tela, uma interrupção chocante para a frágil trégua do nosso silêncio.

Ele hesitou, olhando do celular para mim. "É a Isabela. Ela quer saber se eu vou voltar para a casa dela hoje à noite. Ela ainda está abalada."

"Vá", eu disse, minha voz quase um sussurro. "Ela precisa de você."

Ele pareceu surpreso, até aliviado. "Tem certeza? Eu posso ficar, Celeste. Eu realmente posso."

Encontrei seu olhar, meus olhos frios e firmes. "Você nunca conseguiu, Heitor. Não quando importava."

Ele me observou, um lampejo de raiva em seus olhos, rapidamente substituído por uma necessidade desesperada de se explicar. "Celeste, eu sei que errei. Mas vou consertar as coisas. Eu prometo."

Eu apenas balancei a cabeça. "Está tudo bem, Heitor. Sério. Vá para ela."

Ele parecia dividido, mas a atração de Isabela sempre foi mais forte. Ele encostou o carro, estacionando abruptamente. "Eu volto mais tarde, ok? Nós vamos conversar."

Abri a porta e saí sem uma palavra, deixando-o com suas promessas vazias. Quando o táxi parou, meu celular vibrou no meu bolso. Uma mensagem do meu contato no Itamaraty.

"Sra. Menezes, sua transferência para o exterior, para Genebra, foi aprovada. Parabéns."

Eu sorri, uma pequena vitória particular. Assim que eu estava prestes a entrar no táxi, uma segunda mensagem chegou.

"Seu pedido de divórcio também foi oficialmente protocolado. Os papéis foram entregues esta manhã."

Olhei para trás, para Heitor, ainda parado ao lado de seu carro, falando animadamente ao telefone. Isabela. Sempre Isabela. Entrei no táxi, meu coração um bloco de concreto.

"Adeus, Heitor", sussurrei, embora ele não pudesse me ouvir. "Você finalmente está livre de mim."

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