
Defendendo o Amor: Um Advogado e uma Mulher Ferida pela Traição
Capítulo 2
Luna blackwood:
Sorrio fracamente para Agatha, mas por dentro estou despedaçada. Ouvir minha história contada por ela me fez sentir uma dor profunda, uma ferida que parece não ter fim. E a perspectiva de voltar para o mesmo teto que aquele que mais me destruiu... é um peso insuportável sobre meus ombros. Meu irmão era tudo o que eu tinha. Eu o amava com toda a minha alma, confiava nele mais do que em mim mesma. Mas ao ver sua verdadeira face, o medo tomou conta de mim como um fogo devorador.
Tenho medo de voltar para casa, mas sei que preciso encontrar coragem para enfrentar essa situação. A humilhação já é grande demais. Ter medo? Já não é mais o caso. Fui roubada, traída por aqueles que deveriam me proteger. Internamente, estou em pedaços. Ao escutar meu irmão dizer que nunca me amou, que eu era apenas uma bastarda que veio para roubar tudo dele, meu coração se despedaçou em mil pedaços. Ele sabia dos meus planos, das minhas esperanças, e deliberadamente os destruiu. Disse que eu teria que me humilhar para ter as coisas, que teria que trabalhar porque assinei um termo entregando a ele tudo que meus pais tinham deixado para mim. Ele nunca aceitou minha adoção, me viu como um erro, como uma ameaça à sua vida perfeita. Como pude ser tão cega, tão ingênua?
E Liam... Oh, Liam... Ele foi meu segundo amor, mas também minha segunda decepção. A dor de ser usada, descartada como algo sem valor, é como uma ferida que sangra sem parar. Ele foi meu refúgio em meio ao caos, mas no fim, revelou-se um predador disfarçado de príncipe encantado. Fui roubada de mim mesma, da minha inocência, da minha fé no amor.
Agatha me tira dos meus pensamentos, mas a dor continua lá, como uma sombra que me segue onde quer que eu vá.
— Luna vamos embora, meu irmão falou que vai acionar um advogado, vai dar tudo certo! Vou te deixar em casa, vamos!
— Eu agradeço, Agatha. Preciso descansar um pouco. Queria só entender como minha vida deu esse salto de cabeça para baixo. Eu achei que tinha encontrado meu príncipe, mas no fim ele era o Lawrence da princesa e o sapo, sabia? Aquele barrigudo que fez truques para parecer um príncipe.
Rimos um pouco, e logo o riso deu espaço para o choro ao relembrar minha desgraça.
Agatha coloca uma mão gentilmente em meu ombro e diz: – Eu sei, Luna. É difícil aceitar que alguém em quem confiamos tanto possa nos fazer tanto mal.
— [suspiro pesadamente] É, é difícil mesmo. [forço um sorriso] Mas pelo menos no caminho até aqui, conseguimos nos distrair um pouco, não é?
Agatha assente – Sim, foi bom podermos conversar e rir um pouco juntas. Mas agora temos que enfrentar o que vem pela frente.
[ao chegar em frente a minha casa olho para os sacos de lixo no portão, com uma expressão de confusão e tristeza] — É, parece que as coisas estão longe de serem fáceis. Obrigada por estar aqui comigo, Agatha.
Agatha me abraça Luna com carinh0 — Sempre estarei ao seu lado, Luna. Vamos dar um jeito nisso juntas. [ Descemos do carro juntas e fomos até a entrada quando fomos barradas].
O ar parou por um momento quando Matheus, o porteiro que sempre foi uma presença constante em minha vida, pronunciou aquelas palavras. "Desculpa, Senhorita Blackwood, mas o Senhor Blackwood deu ordens para não deixá-la entrar, e pediu pra lhe entregar esses sacos e essa carta, sinto muito." Senti como se o mundo ao meu redor tivesse desmoronado em um instante. Matheus, com seus olhos marejados de pena, testemunhou minha infância, me viu crescer, brincar no jardim da mansão. E agora, ele estava aqui, na minha frente, com uma ordem que me excluía da minha própria casa.
Minha voz falhou ao agradecer a ele, enquanto lutava contra as lágrimas que ameaçavam transbordar. Peguei a carta das mãos dele, sentindo um peso opressivo em meu peito. Agatha colocou gentilmente uma mão em meu ombro, como se quisesse compartilhar o fardo da dor que eu carregava. E ali, diante da minha casa, eu me vi obrigada a enfrentar mais uma prova de minha vida, desvendando os segredos que aquela carta guardava.
‘’Luna,
Espero que já tenha arranjado um lugar para se esconder, porque, como lhe disse, não há mais lugar para você aqui. Não quero mais você sob o meu teto. Na verdade, você nem deveria ter o meu sobrenome, só serviu para enlameá-lo.
Sempre esperei ansiosamente pelo momento em que você seria expulsa desta casa. Tive que suportar ver meus pais te idolatrando, enquanto a mim só restavam olhares de reprovação e desdém. Você sempre foi o motivo do meu tormento, Luna. Todos os olhos estavam sempre em você, recebendo atenção e cuidado, enquanto eu era relegado ao segundo plano. Decidi, finalmente, que você não vai mais morar aqui. Tudo isto é meu, e você não passa de uma intrusa, um estorvo.
Ordenei às empregadas que jogassem todas as suas coisas dentro desses sacos de lixo, onde pertencem. Porque é assim que você é vista: como lixo.
Arthur’’
Caí no chão em prantos e desespero, incapaz de conter a corrente de emoções que me consumia. Arthur, meu próprio irmão, havia lançado suas palavras venenosas sobre mim como se fossem facas afiadas perfurando minha alma. Gritei seu nome com toda a minha dor, desafiando-o a enfrentar-me de frente com suas acusações covardes.
Ao olhar para a janela, vi sua expressão de satisfação, seus lábios curvados em um sorriso cruel enquanto me via sendo humilhada na rua. A imagem dele, desfrutando da minha miséria, só intensificou minha agonia.
Agatha, minha amiga fiel, testemunhou tudo incrédula, seu olhar carregado de fúria direcionado ao meu irmão. Mas assim que ele desapareceu da janela, ela se virou para mim, estendendo os braços em um gesto de consolo. Chorei em seus braços como uma criança, desabando sob o peso avassalador da traição e da dor.
Juntos, reunimos minhas poucas posses, agora relegadas a sacos de lixo, com a ajuda do motorista de Agatha. Enquanto as lágrimas continuavam a rolar, eu me sentia grata por ter Agatha ao meu lado, um raio de luz em meio à escuridão que se abatia sobre mim.
— Agatha, não tenho para onde ir! — Disse sem emoção, minha mente já absorta em pensar no que faria em seguida.
— Luna, você vai para minha casa. Nathan está sempre viajando e só vem uma vez ao mês; o quarto dele está vazio, e meus pais não vão se importar em recebê-la. Depois a gente vê o que fazer.
Chegamos à casa de Agatha, e fui recebida pelos olhares calorosos e fraternos do Senhor e da Senhora Ryder. Eles me envolveram em abraços reconfortantes, fazendo com que as lágrimas que eu tentava conter finalmente escorressem livremente. O calor do afeto familiar me atingiu em cheio, e tudo o que pude fazer foi deixar-me levar pela emoção.
A Família Ryder sempre foi um porto seguro para mim. Composta por quatro membros, minha mãe e a Senhora Ryder eram amigas desde a infância, e o destino quis que engravidassem no mesmo ano. Assim, nasceram Arthur e Nathaniel, seguidos mais tarde pela chegada de Agatha. No entanto, um acidente impediu minha mãe de ter mais filhos, e foi então que uma empregada me abandonou, com apenas alguns dias de vida. Fui acolhida por essa família amorosa, tornando-me a melhor amiga de Agatha ao longo dos anos.
Mas a rivalidade entre meu irmão e Nathaniel sempre esteve presente. Quando Nathaniel foi aceito na faculdade de Direito em Harvard aos 18 anos, meu irmão não lidou bem com a notícia. Ele optou por estudar na Universidade Federal de São Paulo, ao lado de Lian, e a partir daí, distanciou-se dos almoços em família. Não suportava ouvir os elogios a Nathaniel, alimentando assim um ressentimento que só crescia com o tempo.
Assim que me recompus, dirigi-me ao quarto onde iria ficar. O quarto de Nathaniel tinha uma atmosfera rústica, revelando pouco sobre sua personalidade. Ele nunca foi muito de tirar fotos, então minhas memórias dele eram vagas, limitadas aos raros encontros durante os almoços de fim de semana. Sempre o via imerso nos livros, com aqueles olhos azuis marcantes absorvendo cada palavra. Sorri ao lembrar desses momentos. Nathaniel era o tipo de pessoa que despertava interesse em todas as garotas, e por sua causa, muitas delas se aproximaram de Agatha, e por consequência, de mim.
Quando eu tinha apenas 12 anos, ele partiu para os Estados Unidos. Durante os anos que se seguiram, ouvia falar dele apenas ocasionalmente, sempre envolto em elogios e histórias de suas conquistas acadêmicas. Havia uma aura de mistério em torno dele, que me deixava curiosa sobre o que ele havia se tornado. Há cerca de três meses, ele voltou por conta da doença do Tio Miguel, Sua fama como advogado excepcional se espalhou rapidamente, e logo ele se estabeleceu em Gramado, um município no Rio Grande do Sul, onde foi contratado pela melhor empresa do país. Desde então, ele vem aqui apenas uma vez ao mês, e nunca tive a oportunidade de revê-lo.
Após o dia difícil que tive, decidi que era hora de relaxar. Preparei uma banheira com todos os luxos possíveis e me entreguei ao relaxamento por horas a fio. Finalmente, deitei-me na cama e sucumbi ao sono, deixando para trás as preocupações e tristezas que me assombravam.
Meus pensamentos vagavam para longe enquanto eu me entregava ao sono, buscando uma fuga temporária da realidade que me cercava.
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