
De Repente Pai
Capítulo 3
Capítulo 03
Bryan O'Connell
Acordo com dois corpos minúsculos sobre o meu e abro os olhos um tanto assustado. Nunca dormi com ninguém antes, mas olhando para os lados, vejo que não se trata de qualquer pessoa. Ou melhor dizendo, pessoas.
Ontem depois de horas pensando, tomei um banho, coloquei o pijama e voltei para a cama onde me deitei entre os dois. Foi estranho pois sempre dormi sozinho e pelado. Tive que colocar uma roupa e ainda ter que tomar cuidado para não os machucar.
O sol que entra pela fresta da cortina diz que o dia já amanheceu, então, com cuidado tento me levantar sem acordá-los, mas eles acabam acordando mesmo assim.
— Bom dia. — Digo sentando-me na beirada da cama olhando os dois.
— Bom dia papai. — Eles falam e colocam a mão na boca ao mesmo tempo.
PORRA! Papai. Caralho eu sou pai. Será que um dia vou me acostumar com isso!?
— Tudo bem crianças. É isso que eu sou não é mesmo? — Eles balançam a cabeça, mas permanecem calados. — Ótimo. Agora que tal levantar e ir ao banheiro. Alguém aqui quer... fazer número 1?
— Fazer xixi, papai.
— Ah, foi mal. Alguém aqui quer fazer xixi?
Os dois fazem que sim é se sentam.
— Quem vai primeiro, Thomas ou o Theodore? — Fico de olho no que está de costas para mim calçando o chinelo.
— Eu vou primeiro, o Thedy vai depois.
Sorriu para mim mesmo pois agora já sei quem é quem. Theodore é quem tem o sinal atrás do pescoço, os cabelos quase cobrem, mais ainda consigo ver.
— Vamos organizar tudo aqui e depois descemos para fazer o nosso café. — Digo me alongando e depois começo a arrumar a cama com a ajuda do Theodore, que puxa de um lado, depois do outro e quando o irmão termina de usar o banheiro ele vai.
Termino de arrumar os travesseiros e deixo tudo no lugar. Quando Theodore sai é minha vez.
Vestidos ainda de pijama descemos nós três para o andar de baixo e vejo que pelo menos o pessoal juntou a bagunça antes de irem embora. Caio com certeza colocou todo mundo na linha.
Sento os dois meninos nas cadeiras que tem perto da bancada enquanto procuro o que fazer de café da manhã.
— Preciso da ajuda de vocês. — Digo para eles enquanto olho para dentro da geladeira. — O que vocês gostam de comer pela manhã?
— Panquecas, ovos, bacon, cereal com leite, torrada fruta mais ou menos...
Ok barriguinhas sem fundo.
Eles vão falando e vou pegando o que encontro na geladeira. Tiro uma caixa de suco de laranja e sirvo em dois copos para os dois enquanto preparo uma caneca de café para mim terminar de acordar.
Vou tomando o café e colocando as fatias de bacon para fritar. Por sorte sei fazer comida, então de fome não iremos morrer. Frito os ovos, faço umas torradas e vou colocando tudo na bancada. Corto algumas frutas, pego a geleia de morango que tem na geladeira e então me sento com minha segunda caneca de café.
— Que tal a minha comida? — Pergunto quando os vejo devorando as fatias de bacon.
— O bacon está gostoso. — Fala Thomas e sorrio com o seu elogio.
— Pode passar um pouco da geleia, papai? — Pede Thedy e não sei por que estou sentindo um orgulho danado ao ouvi-lo me chamar de papai.
— Claro filho. Você também quer Thomas? — Eles param de mastigar e me olham.
— Você acertou!
— Acertei? — Eles confirmam com a cabeça. — Vai ver é instinto de pai.
Falo na maior cara de pau, me achando o tal.
Os dois sorriem com a boca cheia de bacon e voltamos a comer, em meio a uma animada conversa já que agora que sei que eles são mesmo meus filhos... sim, eu tenho certeza. Depois de ler aquela carta e ver tantos sinais, eu sei que eles são mesmo meus. Não adianta eu ficar me contorcendo e tentando me esquivar. Para quê chorar o leite derramado, não é mesmo? Se ajoelhou, tem que rezar. Até porque se foi homem para fazer, tem que ser também para criar.
Quando terminamos eles me ajudam colocando seus copos na pia e meu celular começa a tocar.
Olho o visor e vejo que é o Caio.
— Fala, Caio!
— Bom dia para você também, putão. — Foda. — Como estão as coisas aí?
— Estamos bem. — Sorrio para os pequenos que não tiram os olhos de mim. — Terminamos de tomar nosso café agora.
— Olha, eu liguei para o laboratório de um amigo meu que é médico e falei sobre seu caso, ele disse que pode mexer uns pauzinhos, inclusive pode recolher o material hoje e fazer com que o resultado do exame saia segunda. Mas para isso vocês têm que estar lá hoje até às 9h00.
Olho a hora e xingo um palavrão mentalmente, pois já são 8h20. Merda.
— Me mande o endereço por mensagem que vou agilizar as coisas aqui. — Isso se der tempo.
— Certo. Eu vou encontrar você lá.
— Obrigado Caio. Realmente obrigado cara.
— Amigos são para essas horas também, mano. Não é só para a farra não. Sabe que pode contar comigo sempre.
— Eu sei disso. Obrigado mais uma vez Caio.
— Agora vá lá arrumar suas xerox. — Sorrio.
Desligando o celular, volto minha atenção para os meninos que me olham atentamente.
— Meninos, preciso conversar com vocês. — Eles me olham sérios me dando toda atenção. — Olha, eu já não duvido que sou seu pai, mas tem um exame que vai dizer 100% que vocês são meus filhos. Nós vamos fazer esse exame hoje e segunda sairá o resultado.
— E se.... Se não for, com quem eu e Thedy vai ficar?
— Eu já não tenho mais dúvida. Não precisam ter medo. Só... só vamos fazer, está bem? Precisamos cuidar porque se não, vamos nos atrasar.
Por sorte não tem muito o que fazer. Pego tudo que é documento deles, separei umas roupas para que ambos possam se vestir enquanto já os coloco embaixo do chuveiro.
— Vamos ser rápidos. — Tiro meu pijama e entro com eles para agilizar e assim não perdermos tempo. Eles me olham, se olham, depois me olha outra vez.
— Seu pipi é igual o meu. — Diz Thomas olhando para mim.
Merda! Esse assunto.
— É não Tomy, o do papai é grandão. — Responde Theodore.
— O meu vai ficar grandão papai? — Pronto, agora eu arranjei.
— Vai sim. Os dois. Agora vamos agilizar nesse banho se não vamos nos atrasar.
Banho tomado ajudo os mesmos a se secarem, vestirem a roupa, até porque escolhi uma calça comprida para cada um deles, o que deu um pouquinho de trabalho para ambos vestirem e precisou do meu apoio, mas foi rápido, depois ajudei eles a pôr a camisa e enquanto eles colocavam o tênis, vesti minha roupa e em 10 minutos estávamos prontos.
Sorte que somos homens!
Descemos as escadas e saímos trancando a porta atrás de mim, levando-os para minha Ranger Rover, onde me lembro que preciso comprar cadeirinha para os mesmos.
— Quando voltarmos da clínica vamos passar em uma loja e comprar cadeirinhas para vocês, certo.
— Certo, papai.
— Ótimo. Agora não tire o cinto.
Ajeito os dois e assumo meu lugar ao volante, dando partida no carro e seguindo para a clínica. Já li o endereço que Caio me enviou, então acelero, pois, estamos em cima da hora.
Faltando dois minutos para as 9h00 paro no estacionamento onde avisto Caio me esperando. Ele caminha até o carro onde me ajuda a tirar os pequenos.
— Cara, pensei que não fosse dar tempo.
— Eles são ágeis. Não foi muito difícil arrumar os dois.
— É, mas acho que esqueceu de pentear os cabelos deles. E aí galerinha eu sou o tio Caio. — E merda! Não é que esqueci mesmo! Até o meu.
— É só passar os dedos — Falo mostrando como é, passando meus dedos em meus cabelos e vejo eles fazendo o mesmo e rindo.
— Sou o Theodore, mas eu gosto de Thedy.
— Sou o Thomas. Pode me chamar de Tomy.
— E aí não vá fazer as coisas igual a esse cara aí não. — Caio faz graça apontando para mim antes de se exibir para meus filhos. — Aprenda com o Tio Caio, o gostosão aqui.
— Vai sonhando, Caio. — Os meninos riem e segurando em suas mãos, caminho para a clínica.
Entramos na clínica e por sorte Caio já tinha feito tudo antes de chegarmos. Logo somos levados para coletarem as amostras de sangue, saliva e também mechas de cabelo.
Peço para tirarem primeiro de mim, para que eles vejam e só depois tirem o sangue deles. Por sorte eles não choram, o que foi um alívio para mim.
— Tudo bem? — Pergunto para os dois quando terminamos.
— Tudo. — Thomas responde olhando o adesivo em seu braço.
— Nem doeu. — Diz Thedy todo faceiro.
— Eu posso fazer mais alguma coisa? — Caio pergunta quando já estamos saindo da Clínica.
— Cara eu sei que vou precisar ir a Nova York resolver umas coisas lá. Mas por enquanto vamos agilizar as coisas daqui primeiro. Preciso passar em uma loja e comprar umas coisas para eles. Vou ligar para David segurar as pontas para mim lá no clube por esses dias e vou trabalhar de casa. Preciso que você fique de olho em tudo por mim.
— Claro. Acho que se você fizer as compras pela Internet vai ser ainda melhor. Vamos para casa, eu te ajudo lá.
Faço que sim com a cabeça e seguimos para o estacionamento.
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