
De Paciente a Adversária: A Luta de Lia
Capítulo 3
Dois dias depois, recebi alta.
Ninguém da família Costa veio buscar-me.
Chamei um táxi e fui diretamente para a nossa casa. Ou melhor, a casa dele.
Estava vazia e silenciosa. Parecia abandonada, embora eu só tivesse estado fora por alguns dias.
Comecei a fazer as minhas malas. Roupas, livros, algumas fotografias.
Não havia muito que eu sentisse que era realmente meu.
Enquanto eu estava a fechar a segunda mala, a porta da frente abriu-se.
A minha sogra, a Dona Helena, entrou como um furacão.
"O que pensas que estás a fazer?" ela gritou, os seus olhos fixos nas minhas malas.
"Vou-me embora," disse eu calmamente.
"Embora? Para onde? Depois de tudo o que o meu filho fez por ti? Ele deu-te uma casa, uma vida. E é assim que lhe agradeces? Causando problemas num momento tão feliz?"
"Um momento feliz?" repeti, incrédula. "Eu acabei de perder o meu útero, Helena. Não posso ter filhos."
Ela encolheu os ombros, um gesto de total indiferença.
"Isso é lamentável, claro. Mas o Pedro agora tem um herdeiro. Devias estar feliz por ele. Uma mulher de verdade apoia o seu marido, não o abandona por ciúmes."
A sua crueldade deixou-me sem ar por um momento.
"Ciúmes? A amante dele acabou de ter um filho, e eu é que sou ciumenta?"
"Amante? A Sofia não é uma amante," ela corrigiu-me, com um sorriso desdenhoso. "Ela é a mãe do meu neto. Ela deu a esta família algo que tu nunca poderias dar. Devias saber o teu lugar."
O seu lugar. O meu lugar era, aparentemente, o de uma esposa infértil e obediente, que deveria celebrar a infidelidade do seu marido.
"O meu lugar já não é aqui," disse eu, pegando nas minhas malas.
Ela bloqueou o meu caminho.
"Não vais a lado nenhum. O Pedro precisa de uma esposa ao seu lado. A imagem da nossa família é importante. Vais ficar aqui e comportar-te."
"Sai da minha frente, Helena."
"Ou o quê? Vais chamar a polícia? Não me faças rir. És uma mulher fraca e doente. Ninguém vai acreditar em ti."
Ela tinha razão. Eu sentia-me fraca. A cirurgia tinha deixado o meu corpo dorido e cansado.
Mas a sua arrogância acendeu uma chama dentro de mim.
Empurrei-a para o lado com mais força do que pensei ser capaz. Ela tropeçou para trás, surpresa.
"Eu quero o divórcio, e vou tê-lo. E vou levar tudo o que me pertence por direito."
Ela riu, um som agudo e desagradável.
"Não tens direito a nada. O contrato pré-nupcial que assinaste garante isso. Vais sair desta casa sem um tostão. Boa sorte a tentar sobreviver sozinha."
O contrato pré-nupcial.
Eu tinha-me esquecido completamente dele.
Você pode gostar





