
De Esposa da Máfia a Mulher Livre
Capítulo 3
Ponto de Vista: Elara
Na manhã seguinte, fingi uma dor de cabeça, uma desculpa plausível depois do "chá de ervas". Dante já tinha saído. O silêncio que ele deixou para trás era minha chance.
Usei o tempo para investigar. Eu sabia a senha do laptop dele — a data em que seu pai foi assassinado, um lembrete constante do trono que ele havia herdado. No fundo dos arquivos criptografados, eu o encontrei. Um chat em grupo privado chamado 'O Canil'.
Minhas mãos tremeram quando cliquei para abrir. Os membros eram seus homens mais próximos. O assunto da discussão era eu.
Eles me chamavam de 'A Égua'.
Rolei por meses de mensagens, meu estômago se revirando. Havia fotos minhas dormindo. Havia comentários avaliando meu corpo. Havia um calendário grotesco detalhando meu ciclo de ovulação, com apostas sobre em que mês ele "teria sucesso".
'A Égua parece fértil hoje.'
'Já domou ela, chefe?'
'Ouvi dizer que ela finalmente está grávida. Hora de cobrar minhas apostas.'
Esta galeria representava minha vida — minha alma — reduzida a piadas grosseiras entre homens violentos. Eles me viam como gado.
Minha repulsa foi interrompida por um bipe do meu celular. Era uma mensagem de grupo de Isabela.
'Você está cordialmente convidada para celebrar o terceiro aniversário do meu irmão, Dante, e sua adorável esposa, Elara. Vamos brindar ao futuro deles e ao legado que está por vir.'
Anexada estava uma foto de Dante e eu no dia do nosso casamento. Ele parecia poderoso. Eu parecia apavorada.
Uma premonição fria desceu pela minha espinha. A festa de aniversário. Este era o palco para a humilhação que ela havia planejado. O champanhe.
Agindo por puro instinto, encaminhei cada arquivo, cada captura de tela de 'O Canil' para uma conta na nuvem sob um nome falso. Fiz backup duas vezes. Evidência era poder.
Assim que terminei, a porta do quarto se abriu. Dante estava lá, segurando uma caixa de veludo. Meu coração martelava contra minhas costelas. Empurrei o laptop para debaixo das cobertas.
"Pensei que você tivesse saído", eu disse, tentando manter minha voz firme.
"Eu voltei. Por você", disse ele. Ele se sentou na beira da cama.
"Um presente. Pelo nosso aniversário", disse ele, abrindo a caixa.
Dentro, aninhado em um leito de cetim preto, havia um colar de diamantes. Era uma coleira de pedras brilhantes que gritava posse.
"É lindo", menti, as palavras com gosto de cinzas.
Ele o tirou e o prendeu em volta do meu pescoço. Seus dedos estavam frios contra minha pele. "Você vai usá-lo esta noite."
Não era uma pergunta.
"Não estou me sentindo bem, Dante", tentei, minha última tentativa de fuga. "A dor de cabeça..."
"Você vai ficar bem", disse ele, seu tom endurecendo. "Você estará lá. Você vai sorrir. E você será a esposa perfeita e dedicada. Você me entende?" Sua mão moveu-se do fecho para minha garganta, seu polegar pressionando levemente meu pulso. Era um aviso.
Eu assenti, a palavra 'sim' presa na minha garganta.
Ele se levantou, satisfeito. "Vou mandar a estilista em uma hora."
Quando ele saiu, coloquei a mão sobre minha barriga ainda lisa. Eu tinha que suportar isso. Pelo meu filho. Eu interpretaria o papel da esposa perfeita e dócil uma última vez. E então nós estaríamos livres.
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