
De Amada a Maltratada: O Seu Acerto de Contas
Capítulo 3
POV de Elisa Ferraz:
Minha mão, firme apesar do tremor em minha alma, escreveu duas palavras simples na promissória em branco: "Divórcio Imediato." Pressionei a caneta com finalidade, a tinta uma declaração escura e inflexível. Então, liguei para meu advogado.
"Eu quero o divórcio", disse a ele, minha voz tão calma e plana quanto um lago parado. "Eu tenho a promissória assinada. Quero que seja agilizado."
Ele pigarreou, um som nervoso. "Sra. Azevedo, há um período obrigatório de reflexão para divórcios neste estado. E então o processo em si pode ser demorado, especialmente com ativos da sua magnitude."
"Eu sei", respondi, meu olhar fixo na chuva que escorria pela janela do hospital. "Apenas faça acontecer. O mais rápido possível."
Ele saiu, seus passos ecoando no corredor estéril. Eu estava sozinha novamente, um vazio no peito onde meu coração costumava estar. O silêncio era ensurdecedor.
A porta se abriu com um rangido, quebrando o silêncio. Joyce. Ela estava ali, uma visão de mansidão em um vestido pálido, carregando uma pequena cesta coberta. Uma onda de repulsa, aguda e visceral, me invadiu.
"Elisa? Como você está se sentindo?" Sua voz era suave, tingida com uma preocupação fingida que irritava meus nervos em frangalhos. "O Caio me contou o que aconteceu. Eu sinto muito, muito mesmo."
Ela se aproximou, colocando a cesta na mesa de cabeceira. "Ele está tão arrasado, Elisa. Ele se culpa. Ele me disse que nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto. Ele só... ele me ama tanto, sabe, e perder nosso bebê, isso o quebrou." Ela enxugou os olhos com um lenço de papel impecável, mas seu olhar era estranhamente triunfante. "Ele disse que você era tão forte, tão independente, que conseguiria lidar com qualquer coisa. Ele nunca imaginou que você... passaria por isso."
Eu a interrompi, minha voz um rosnado baixo e perigoso. "Saia."
Ela se encolheu, um movimento ensaiado. Mas então, seus olhos endureceram. Ela pegou a cesta. "Eu trouxe uma sopa para você. Para sua recuperação", disse ela, sua voz enjoativamente doce. "É uma receita especial. Muito nutritiva."
"Eu disse, saia!", rosnei, me erguendo, meu corpo gritando em protesto.
Sua delicada fachada se estilhaçou. Seus olhos se estreitaram, brilhando com algo frio e afiado. "Você acha que pode simplesmente me dispensar? Depois de tudo que você fez?"
Antes que eu pudesse reagir, ela avançou. Sua mão agarrou meu queixo, surpreendentemente forte, e ela inclinou minha cabeça para trás. O cheiro doce e enjoativo da sopa encheu minhas narinas, então um líquido grosso e morno estava sendo forçado entre meus lábios. Engasguei, lutei contra ela, mas estava fraca, meu corpo ainda se recuperando do trauma. A sopa escorreu pelo meu queixo, queimando minha pele com seu calor perturbador.
Ela me soltou, observando enquanto eu tossia e vomitava, minha garganta ardendo. Ela limpou as mãos em um guardanapo, um pequeno sorriso satisfeito brincando em seus lábios.
"Qual o gosto?", ela perguntou, sua voz um sussurro arrepiante.
Meu estômago se revirou. Um pensamento súbito e horrível passou pela minha mente. "O que você colocou nisso, sua monstra?", ofeguei, minha voz rouca.
Seu sorriso se alargou, uma visão verdadeiramente grotesca. "Apenas algo para te ajudar a se recuperar, Elisa. Um lembrete do que você perdeu. Do que nós perdemos." Ela se inclinou mais perto, seus olhos brilhando com uma satisfação maníaca. "É o sangue e a carne do seu monstrinho, Elisa. A vingança do meu bebê."
Minha cabeça pendeu para trás. Uma onda de náusea, tão intensa que minha visão turvou, me invadiu. Tive ânsia de vômito, a bile queimando minha garganta. O horror de suas palavras, a depravação absoluta, revirou minhas entranhas. Esta não era apenas uma mulher; era uma víbora.
Lágrimas, quentes e raivosas, brotaram em meus olhos. Ela me observava, sua expressão uma paródia grotesca de pena, seus próprios olhos agora marejados.
"Você merece isso", ela soluçou, mas seus olhos estavam frios, cheios de algo antigo e venenoso. "Você tentou tirar minha família, meu futuro. Seu filho foi um castigo, Elisa. Uma dívida cármica."
Um grito furioso e primitivo rasgou minha garganta. Toda a dor, a traição, a humilhação, se uniram em uma única e explosiva fúria. Minha mão disparou, alimentada por uma adrenalina que eu não sabia que possuía, e a esbofeteei no rosto. O estalo agudo ecoou na sala silenciosa.
A porta se abriu com um estrondo.
Você pode gostar





