
Da Ruína à Noiva Bilionária-再废弃
Capítulo 2
Passei a madrugada inteira com os olhos presos no teto, enquanto as palavras de Damien ecoavam sem parar na minha mente: "O casamento com ela será apenas o pagamento de uma dívida com o pai dela." Para ele, eu não passava de um negócio, uma conta a ser liquidada.
Mas eu não seria a esmola dele. Com meu sobrenome e minha herança, poderia escolher qualquer homem que desejasse. Não havia razão para implorar por migalhas de afeto de alguém que me tratava com desprezo.
Então fiquei de frente para o meu pai, com a decisão gravada em meu olhar. "Estou falando sério, pai. Vou me casar com Hunter. Eu confio nele, é o único que nunca me enganou."
"Mas os Bolsistas..."
"Os Bolsistas só são leais a você porque o futuro deles depende das suas ações", respondi com firmeza. "O respeito que demonstram por mim não passa de uma encenação." Engoli o aperto que queimava por dentro. Todos os anos que desperdicei, o amor que entreguei... tudo parecia uma farsa cruel. Mas ergui o queixo e disse: "Tenho alguns pedidos."
"Pode falar, filha."
"Bloqueie as contas deles. Todas, sem exceção. E corte a mesada de Eve McClain de uma vez por todas. Ela não faz parte dos Barron. Não tem nenhum direito ao nosso dinheiro."
Meu pai me olhou surpreso, mas acabou assentindo, devagar. "Se é o que você deseja, será feito. Ordenarei que todos deixem a propriedade depois do seu casamento."
Senti o peso sair do meu peito e saí do escritório com a cabeça erguida.
Encontrei Eve na grande escadaria. Ela usava um vestido claro, delicado, quase angelical, como se fosse a imagem perfeita da inocência. Ela correu até mim, enlaçando seu braço no meu. "Elena! Eu estava indo atrás de você! Hoje terá um torneio de polo beneficente. Você me leva? Por favor?"
Olhei para o sorriso doce estampado em seu rosto e um enjoo me tomou. Era esse rosto que havia roubado o homem que eu amava e zombado da minha dor.
Arranquei meu braço do dela com força.
Seus olhos se abriram em choque. Então, com um golpe de puro teatro, Eve soltou um grito agudo e se jogou pelos últimos degraus, rolando dramaticamente até o chão.
"Eve!" Um grito desesperado ecoou do pé das escadas — era Damien.
Quando olhei, lá estavam todos. Os sete Bolsistas, parados, fitando-me como juízes.
Kennith Boyle ergueu o dedo contra mim, o rosto vermelho de ódio. "Elena, sua piranha cruel! Como teve coragem de empurrá-la?"
Eve, já de pé, correu em minha defesa, com lágrimas escorrendo. "Não, não, não foi a Elena! Eu só escorreguei. Ela jamais me machucaria."
Mas suas palavras me tornaram ainda mais culpada. Seus olhos vermelhos, o lábio trêmulo... ela era a vítima perfeita.
Todos eles me encaravam com desprezo. Damien não disse nada. Apenas me lançou um olhar gélido e distante antes de erguer Eve nos braços, como se ela fosse feita de cristal.
Fiquei para trás, sozinha. Não tive chance de me justificar —e nem queria.
Mais tarde, fui para minha aula de equitação nos estábulos, na esperança de que o vento fresco clareasse meus pensamentos. E claro, lá estava ela.
Eve estava parada junto ao picadeiro, pálida e delicada, acompanhada de Damien.
"Elena", disse ela, a voz suave e doce. "Desculpe pelo que aconteceu de manhã. E, por favor, não se preocupe comigo e com Damien. Eu sei o meu lugar. Jamais atrapalharia a sua felicidade."
Ele não se afastava dela. Seus olhos não a deixavam, como se ela fosse a coisa mais valiosa do mundo. Com as próprias mãos, ele selou uma égua mansa para Eve, ajudando-a a subir com cuidado exagerado.
Ele então passou a hora seguinte guiando o cavalo com ela, suas mãos conduzindo as dela nas rédeas, sua voz baixa e calma, dita apenas para os ouvidos dela.
Quando Eve disse que estava cansada, ele levou o animal até o bloco de montaria. Mas, em vez de deixá-la usar o apoio, ajoelhou-se diante dela, oferecendo o ombro para que ela pisasse.
Eu congelei.
Minha memória me arrastou de volta ao meu aniversário de treze anos. Eu queria montar o garanhão mais indomável dos nossos estábulos, um animal selvagem que ninguém conseguia controlar. Damien, um cavaleiro habilidoso, era o único capaz de fazê-lo.
Meu pai sempre o havia ensinado que um homem só deveria se ajoelhar diante da própria esposa. Mas naquele dia, ele olhou para um Damien de dezesseis anos, hesitante, e ordenou: "Ajoelhe-se. Deixe que ela suba pelo seu ombro. Ela é o seu destino, Damião. Ela é tudo."
E ele obedeceu, com o rosto marcado por uma humilhação silenciosa.
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