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Capa do romance Da Noiva Indesejada à Rainha da Cidade

Da Noiva Indesejada à Rainha da Cidade

Criada como reserva biológica para a irmã, a vida de Sete é marcada pela traição. Após salvar Dante Medeiros, o Don de São Paulo, ela vê Isabela usurpar seu mérito e o amor do mafioso. Dante, enganado, a despreza e permite que ela sofra abusos físicos brutais. No dia do casamento dele, Sete decide dar um fim ao martírio. Ela revela a verdade através de uma fita, renuncia ao nome da família e foge para Lisboa, deixando Dante com o peso de seu erro fatal.
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Capítulo 1

Eu era a filha reserva da família criminosa Almeida, nascida com o único propósito de fornecer órgãos para minha irmã de ouro, Isabela.

Quatro anos atrás, sob o codinome "Sete", eu cuidei de Dante Medeiros, o Don de São Paulo, até ele se recuperar em um esconderijo. Fui eu quem o amparou na escuridão.

Mas Isabela roubou meu nome, meu mérito e o homem que eu amava.

Agora, Dante me olhava com nada além de um nojo gélido, acreditando nas mentiras dela.

Quando um letreiro de neon despencou na rua, Dante usou seu corpo para proteger Isabela, me deixando para ser esmagada sob o aço retorcido.

Enquanto Isabela chorava por um arranhão em uma suíte VIP, eu jazia quebrada, ouvindo meus pais discutirem se meus rins ainda eram viáveis para a colheita.

A gota d'água veio na festa de noivado deles. Quando Dante me viu usando a pulseira de pedra vulcânica que eu usara no esconderijo, ele me acusou de roubá-la de Isabela.

Ele ordenou que meu pai me punisse.

Levei cinquenta chibatadas nas costas enquanto Dante cobria os olhos de Isabela, protegendo-a da verdade feia.

Naquela noite, o amor em meu coração finalmente morreu.

Na manhã do casamento deles, entreguei a Dante uma caixa de presente contendo uma fita cassete — a única prova de que eu era a Sete.

Então, assinei os papéis renegando minha família, joguei meu celular pela janela do carro e embarquei em um voo só de ida para Lisboa.

Quando Dante ouvir aquela fita e perceber que se casou com um monstro, eu estarei a milhares de quilômetros de distância, para nunca mais voltar.

Capítulo 1

POV Sofia Almeida

A mordida fantasma do bisturi que arrancou meu coração na vida anterior não doía nem metade do que o olhar nos olhos do meu pai agora.

Ele estendeu uma passagem só de ida para o Porto, essencialmente me dizendo para ir morrer em silêncio para que minha irmã pudesse brilhar.

Pisquei, e o fantasma de uma serra cirúrgica vibrou contra minhas costelas.

O cheiro forte de antisséptico e sangue acumulado desapareceu, abruptamente substituído pelo aroma sufocante de charutos caros e couro velho.

Eu não estava mais na mesa de operação.

Eu não estava assistindo minha própria força vital escorrer pelo chão enquanto Dante Medeiros trocava votos com minha irmã.

Eu estava de volta.

Olhei para minhas mãos.

Elas não tinham cicatrizes.

Minhas unhas estavam roídas até a carne — um hábito nervoso que eu havia superado anos atrás.

"Pegue a passagem, Sofia", disse meu pai.

Sua voz era um trovão baixo, do tipo que antes fazia meus ossos tremerem de medo.

Ele estava sentado atrás de sua enorme escrivaninha de carvalho, o Don da família criminosa Almeida, me encarando como se eu fosse uma mancha teimosa em seu tapete persa impecável.

"A festa de noivado de Isabela e Dante é no próximo mês", acrescentou minha mãe da poltrona de veludo no canto.

Ela não olhou para mim. Estava ocupada demais ajustando o enorme diamante em seu dedo, capturando a luz do jeito certo.

"Não podemos ter você aqui, criando... um climão", disse ela. "Você sabe como sua irmã é sensível. Sua presença a perturba."

*Climão.*

Essa era uma palavra educada para a situação.

Na minha vida passada, eu tinha implorado.

Eu tinha caído de joelhos bem neste tapete persa.

Eu tinha agarrado a mão do meu pai e jurado pela minha vida que fui eu quem salvou Dante.

Eu tentei dizer a eles que Isabela estava mentindo, que ela havia roubado meu codinome, "Sete".

Que ela havia roubado o homem que eu cuidei até se recuperar naquele esconderijo quando ele estava cego, sangrando e quebrado.

Eles me olharam com nojo naquela época.

Eles me olham com nojo agora.

Mas desta vez, o desespero em meu peito havia sumido.

Tinha sido arrancado de mim, junto com meus órgãos, em uma mesa de aço fria enquanto eles brindavam ao casal feliz.

Olhei para a passagem de avião.

Classe econômica.

Claro.

Isabela voava em jatinho particular. A reserva tinha sorte de não ser despachada no porão de carga.

"Porto", eu disse. Minha voz soou estranha para meus próprios ouvidos. Oca. Raspada.

"É para o seu bem", disse meu pai, seu tom final. "Você ficará lá até o casamento acabar. Talvez mais. Enviaremos uma mesada. Não volte até que a chamemos."

Eu me lembrava deste momento.

Eu me lembrava de gritar que amava Dante.

Eu me lembrava do meu pai me batendo com tanta força que meu lábio se partiu, sentindo o gosto de cobre do meu próprio sangue.

Eu me lembrava de ficar, lutar, tentar provar meu valor, apenas para acabar como um banco de órgãos literal para minha irmã de ouro quando seus rins falharam.

Dante Medeiros.

O Capo do Comando de São Paulo. O homem que controlava metade dos vícios da cidade.

O homem que segurou minha mão no escuro e me prometeu o mundo, apenas para me olhar na luz e não ver nada além de uma mentirosa.

Peguei a passagem.

O papel parecia nítido e afiado contra meu polegar, me trazendo de volta à realidade.

"Ok", eu disse.

O silêncio na sala era ensurdecedor.

Meu pai piscou, sua máscara de indiferença escorregando por uma fração de segundo. "O quê?"

"Eu disse ok", repeti. "Eu vou."

Minha mãe finalmente olhou para cima. Seus olhos se estreitaram, desconfiada da minha súbita obediência.

"Você não vai fazer uma cena?", ela perguntou. "Não vai correr para o Dante e espalhar suas mentiras de novo?"

*Mentiras.*

Era assim que eles chamavam a verdade aqui.

"Não", eu disse. "Não vou correr para o Dante."

Porque Dante Medeiros estava morto para mim.

Ele morreu no momento em que deixou que me arrastassem para aquela sala de cirurgia.

Ele morreu no momento em que escolheu a mentira bonita em vez da verdade feia.

Virei-me e caminhei em direção às pesadas portas de madeira.

"Sofia", meu pai chamou.

Parei, minha mão pairando sobre a maçaneta de latão.

"Não perca seu voo", ele avisou.

Eu não olhei para trás.

"Não vou", sussurrei.

Saí do escritório e desci o longo corredor de mármore.

Passei pelo retrato de Isabela pendurado no hall de entrada. Ela estava sorrindo, radiante, perfeita.

A Filha de Ouro.

Eu era apenas as peças de reposição.

Mas as peças de reposição tinham uma vantagem.

Ninguém notava quando elas paravam de funcionar.

Ninguém notava quando elas paravam de se importar.

Subi as escadas para o meu quarto, o fantasma da minha morte me seguindo.

Eu não ia mais lutar por um lugar nesta família.

Eu ia deixá-los apodrecer.

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