
Cura-me
Capítulo 3
⚜ Luísa Manoela Bergantine ⚜
Chegando em casa encontrei Alessandro com todas as nossas malas prontas enquanto ele falava ao telefone
de maneira alterada
Alessandro - Não posso pai, não posso! Estou saindo do Brasil hoje mesmo com Luísa Manoela (...) Ok! Eu volto para a tal reunião, já que o senhor diz ser tão importante para mim - Virou-se dando de cara comigo e desligou
Luísa Manoela - O que você está fazendo Alessandro? Eu disse que eu não iria!
Alessandro - Mas iremos, você deve ir onde seu marido esteja e é para lá que irei - Disse enquanto colocava as malas no carro - Não tem com o que se preocupar, eu levo sua obstetra para lá, é isso que te aflige?
Luísa Manoela - Não podemos sair assim Alessandro, tenho minha irmã aqui com vários problemas
Alessandro - Mandaremos um gordo cheque para ela e tudo resolvido - Me empurrou para o carro
Eu não fazia ideia de onde Alessandro estava me levando, tentei mandar uma mensagem para Maitê, contudo, Alessandro logo tratou de tirar o celular de minhas mãos
Alessandro - Não será necessário meu bem - Me deu um selinho - Sua mãe estará lá para lhe amparar caso você necessite de algo na minha ausência
Ausência? Ele não iria ficar comigo e por que diabos a Blanca ficaria comigo, já que a mesma não apareceu nem quando eu soube da minha gravidez e lhe avisei pelo telefone?
Luísa Manoela - Para quê? Não irá ficar comigo?
Alessandro - Chega de perguntas, Luísa, meu Deus!
O mesmo dirigiu até o aeroporto sem dar uma palavra se quer e eu só soube o destino que estávamos indo quando ele me entregou o passaporte com as passagens
Luísa Manoela - México?
Alessandro - Sim, teremos uma nova vida lá e inclusive já aluguei uma casa com contrato de um ano, se você não se sentir bem nesse primeiro ano, aí nós voltamos
Luísa Manoela - Mas e Maitê? Ela precisa de mim Alessandro, ela está com dívidas e sozinha
Alessandro - Eu não a deixaria desamparada Luísa Manoela - Virou o celular mostrando-me a transferência de R$50,000 para conta de Maitê
Eu estava achando tudo muito estranho, por que Alessandro quis sair do Brasil assim tão rápido? E sem contar que ele nunca ajudou Mai com R$1,00 se quer, por que ajudou agora? Quando a escola é demais, o santo desconfia! Nem o enxoval da Pérola ele me deixou trazer, dizendo que compraria tudo novo e teríamos uma vida nova
Durante a viagem eu cochilei e me despertei com Alessandro falando ao telefone, pelo que consegui ouvir ele não havia avisado a quase ninguém, apenas ao pai que não entendia o motivo da viagem tão repentina e para dizer a verdade nem eu, me entreguei novamente ao sono até chegarmos ao nosso destino. Blanca estava lá no aeroporto assim que pousamos
Blanca - Você realmente engravidou Luísa Manoela Maria? Tanto lhe alertei para que não ficasse com o corpo pior do que já era e de nada adiantou. Não sabe quantas plásticas precisei para conseguir chegar a esse corpo ao qual estou
Luísa Manoela - E continua um esqueleto maltratado, do que adiantou as plásticas? Daqui a pouco esse tamanquinho da senhora sai andando pela rua - Revirei os olhos
Alessandro - Não briguem, não briguem! Vem meu amor, vou lhe mostrar os cômodos da casa - Me trouxe pela mão - Aqui é o quarto, aqui o banheiro, cozinha, lá nos fundos é a lavanderia e tem também um belo quintal para quando Esmeralda crescer
Luísa Manoela - É Perola!
Alessandro - É isso, meu amor, é isso! - Descemos uma escadinha que parecia ser o sótão
Luísa Manoela - Credo, que lugar escuro! - Notei que ali havia uma cama
Alessandro - Benzinho, você sabe que aqui no México há muito terremoto, não?
Luísa Manoela - Claro, inclusive por isso que não queria vir - Observando onde ele gostaria de chegar com aquela conversa
Alessandro - Por isso eu acho mais seguro lhe deixar aqui, pressa! O furacão passa e vocês vão estar seguras - Disse já subindo as escadas e claro que eu não conseguiria acompanhá-lo já que eu estava próxima do nono mês de gestação
Luísa Manoela - Alessandro, volta aqui! Está um calor danado aqui, eu vou acabar passando mal e eu estou faminta
Alessandro - Qualquer coisa sua mãe abrirá para você! Eu vou precisar voltar ao Brasil para uma reunião a qual meu pai no convocou de família e é perigoso você voltar com esse barrigão, sua mãe cuidará de você meu bem! - Senti a voz do mesmo ficando cada vez mais distante
Diabos! Eu não acredito nisso, agora tudo está muito claro aos meus olhos. Ele nunca aceitou que eu estivesse gravida, ou melhor, que minha filha fosse especial. O que estava acontecendo com ele? É claro que eu também fiquei em choque quando descobri, por ser algo que eu não entendia tão bem, mas mudei meu foco de pesquisa de "Mãe de primeira viagem" para "Qualidade de vida para uma criança com Síndrome de Down" porque apesar do espanto, era MINHA FILHA e nada mudaria, não iria permitir que minha filha sofresse preconceito da própria família
Luísa Manoela - Blanca - Gritei - Me tire daqui, está muito calor
E de nada adiantou, sentei-me na cama, pois meus pés estavam inchados diante da viagem que foi longa, onze horas sentadas intercalando entre banheiro e acento do avião. Foi amanhecendo e eu estava faminta, soando frio e meus pés cada vez inchando mais, eu precisava de um banho, eu precisava me alimentar e principalmente descansar
Ali foram se passando minutos, horas e dias. Eu já estava me sentindo mal pelo calor, a fome, a sede, eu devia estar ali por uns dois dias e não aguentava mais, procurei incansavelmente alguma ferramenta que eu conseguisse abrir o basculante que tinha no sótão, contudo, era muito alto e eu não alcançava; Joguei a chave de grife que achei no chão pelo basculante, mas devido à força que eu havia feito comecei a sentir contrações
Luísa Manoela - Não filha, por favor não! Não está na hora de você vir ao mundo - Implorei segurando minha barriga - Blanca!
Gritei incansavelmente e era como se não tivesse ninguém naquela casa, aquilo que Alessandro fez foi de caso pensado! De tanto gritar, ouvi alguém que escutou meu lamento
- ¿Hay alguien ahí? (Tem alguém aí?)
Luísa Manoela - Droga! Eu não sei falar na língua deles, capaz de morrer aqui igual uma lagartixa arreganhada - Pensei alto
- Eu sei falar português, o que está acontecendo?
Luísa Manoela - Estou entrando em trabalho de parto, não está na hora da minha filha nascer, mas ela quer - Chorei sentindo mais uma contração - Me ajude por favor!
- Fique tranquila! Eu sou médico e estou ligando para ambulância para que você tenha sua filha tranquilamente, você está sozinha aí no quarto?
Luísa Manoela - Não, na verdade, isso é um porão, o meu marido me prendeu aqui dizendo que estava tendo furacão e eu ficaria mais protegida aqui
- Vou tentar chamar para ver se tem alguém em casa, caso não tenha eu irei arrombar a porta e entrar
Luísa Manoela - Não, não me deixa aqui não! Por favor - Eu precisava sentir que tinha alguém ali comigo, eu não queria morrer e principalmente perder minha filha
- Fica calma! Os estágios iniciais das contrações, usualmente ocorrem em intervalos de quinze a vinte minutos e duram entre trinta e quarenta e cinco segundos
Luísa Manoela - Eu também sou médica, eu estou calma - Respirei fundo - Só me tira daqui por favor!
Ouvi o moço ligar para alguém, talvez estivesse ligando para ambulância... As contrações cada vez aumentavam, já estavam a 12 minutos e isso era sinal de que eu estava longe do nascimento da minha filha, contudo, a dor só aumentava
- Olá, eu já liguei para ambulância! Eu tentei abrir a porta, mas está impossível... liguei também para o marceneiro para conseguirmos tirar vocês daí, não fica nervosa não que eu estou aqui e vou estar até o fim
Eu não sei porque, mas me senti segura com aquele desconhecido, mesmo que ele estivesse do outro lado da vidraça. A ambulância levou uma vida para chegar, entretanto, chegou mais rápido que o marceneiro para abrir a porta e as contrações vieram cada vez mais forte
Luísa Manoela - AAAAAAAAAAI - Perdi os sentidos e não me lembro de mais nada
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