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Capa do romance Coração Quebrado, Alma Restaurada

Coração Quebrado, Alma Restaurada

Traída por Kael e Lira sob o olhar do Primordial, Alina tem seu Núcleo Celestial roubado e é deixada para morrer. Contudo, ela desperta no passado, antes da queda, com seu poder intacto e sede de vingança. Ao reencontrar a falsa amizade de Lira, Alina decide não ser mais ingênua. Fingindo submissão ao sistema, ela planeja usar o conhecimento sobre seus algozes para confrontar o Primordial, o verdadeiro arquiteto de sua ruína, e mudar seu destino cruel.
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Capítulo 2

A consciência retornou como uma onda de gelo, afogando-me em uma dor que eu conhecia muito bem. A memória final da minha vida passada queimava atrás dos meus olhos. O rosto de Kael, distorcido por um triunfo cruel, flutuava sobre o meu. Suas mãos, frias e impiedosas, arrancaram o Núcleo Celestial do meu peito. A dor não foi apenas física. Foi a dor da traição, da quebra de confiança, do universo inteiro se despedaçando. Eu vi Lira ao lado dele, seu rosto coberto de lágrimas falsas, sussurrando palavras de consolo enquanto meu poder era roubado. E, no fundo, a presença silenciosa e aprovadora do Primordial, a autoridade máxima que deveria ter me protegido, selou meu destino. Eles me deixaram para morrer, um ser divino esvaziado, uma casca inútil.

Abri os olhos.

Eu não estava no vazio gelado da morte. Eu estava nos meus próprios aposentos no Empíreo, a luz suave das estrelas eternas filtrando-se pela janela de cristal. Meu corpo estava inteiro. Em meu peito, o calor familiar do Núcleo Celestial pulsava, estável e forte.

Eu estava viva. Eu tinha voltado.

Voltei ao ponto de virada, o momento exato antes da minha queda. O ar ainda não estava pesado com a traição. O silêncio ainda não estava cheio de mentiras. Mas para mim, a ferida estava aberta e sangrando. O ódio era uma brasa viva dentro de mim, um fogo que eu escondia sob uma calma forçada.

Passos suaves se aproximaram da minha porta. A porta se abriu sem uma batida. Era Lira.

Seu rosto estava cheio de uma preocupação que, uma vida atrás, eu teria achado reconfortante. Hoje, era nojento.

"Alina? Você parece tão pálida" , disse ela, sua voz um melrodoce venenoso.

Ela se aproximou, seus olhos fixos no meu peito, onde a luz do Núcleo brilhava suavemente através das minhas vestes.

"O alinhamento cósmico está se aproximando. As energias estão instáveis. Deve ser perigoso para você segurar o Núcleo sozinha."

Ela estendeu as mãos.

"Deixe-me ajudá-la a protegê-lo. Eu posso guardá-lo para você até que a turbulência passe. É o que as amigas fazem, certo?"

Era a mesma fala. As mesmas palavras exatas que me levaram à ruína. Na minha vida anterior, eu aceitei. Eu confiei nela. Entreguei-lhe o meu poder, a minha alma, e ela o entregou diretamente a Kael.

Desta vez, um sorriso frio tocou meus lábios, mas eu o contive. Eu mantive meu rosto neutro, um espelho de tranquilidade. Por dentro, eu revivia a sensação de ter meu espírito rasgado. A raiva era um vulcão prestes a explodir.

"Não, Lira" , eu disse, minha voz firme e clara, sem qualquer traço da hesitação que eu sentia antes. "Eu agradeço a sua preocupação."

Retirei-me um passo, um movimento sutil que a fez parar.

"Mas o Núcleo está seguro comigo."

A surpresa brilhou nos olhos dela por uma fração de segundo antes de ser substituída por mais preocupação fingida.

"Mas Alina, você não entende o perigo…"

"Eu entendo perfeitamente" , eu a cortei. "Eu entendo tudo."

Meus olhos encontraram os dela. Por um momento, eu deixei a frieza do meu ódio vazar, apenas o suficiente para que ela sentisse um arrepio. Ela recuou instintivamente.

Ela forçou um sorriso trêmulo.

"Como quiser. Apenas saiba que estou aqui por você."

Ela se virou e saiu, seus passos um pouco mais rápidos do que antes. A porta se fechou, deixando-me no silêncio.

Eu não iria cometer o mesmo erro. Confiar em amigos, em aliados, em hierarquias... isso me matou. Desta vez, eu não entregaria meu poder a ninguém. Eu faria o oposto. Eu buscaria a mais alta autoridade, a única entidade supostamente acima de toda a corrupção.

Eu iria apelar diretamente ao Primordial.

Eu sabia, no fundo da minha alma renascida, que ele era o arquiteto da minha queda. Mas eles não sabiam que eu sabia. Eu usaria a fé cega deles no sistema contra eles mesmos. Eu iria até o trono do tirano e pediria por justiça, forçando-o a desempenhar seu papel de juiz justo. O primeiro passo da minha vingança não seria um ataque, mas um ato de submissão calculada.

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