
Contrato Perigoso com o Bilionário
Capítulo 3
Capítulo 3 – "Primeiros Confrontos"
(Narrado por Lara Torres)
Os primeiros raios de sol atravessavam as cortinas da cozinha principal do "Sabores da Terra", pintando as paredes em tons suaves de dourado. Era cedo demais para o movimento começar, mas o calor do forno já preenchia o ambiente. Eu amava esses momentos de silêncio, quando podia focar no que sabia fazer de melhor, criar algo com minhas próprias mãos.
Na bancada de mármore, um pedaço de massa descansava sob um pano limpo, esperando para ser modelado. O cheiro do pão recém-assado pairava no ar, misturando-se ao aroma sutil de café fresco que eu tinha preparado minutos antes. Era o tipo de conforto que eu precisava, um lembrete de que, no meio do caos, eu ainda tinha controle sobre algo.
Mas meu momento de paz foi brutalmente interrompido.
– Você chama isso de privacidade? – A voz grave e familiar cortou o ar, ecoando pela cozinha.
Me virei para encontrar Evan Montenegro encostado na porta, as mãos nos bolsos do terno perfeitamente ajustado. O brilho zombeteiro em seus olhos me irritou imediatamente, assim como a maneira como ele parecia deslocado e, ao mesmo tempo, completamente à vontade naquele espaço que era meu.
– O que você está fazendo aqui, Evan? – perguntei, cruzando os braços e me preparando para a discussão que, sem dúvida, estava por vir.
Ele deu alguns passos à frente, observando a bancada cheia de utensílios e ingredientes.
– Precisamos conversar.
– Sobre? – Minha voz era afiada, cortante, mas ele não parecia intimidado.
– Regras – respondeu simplesmente, pegando um pedaço de pão e examinando-o como se fosse um crítico.
Puxei o pão de volta de sua mão antes que ele pudesse fazer qualquer comentário.
– Regras? Você está no lugar errado para isso.
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente achando graça da minha resistência.
– Acredite, Lara, regras são exatamente o que precisamos. Se vamos fingir que somos um casal, precisamos estar na mesma página.
– Eu já deixei claro que não gosto disso – retruquei, com o tom carregado de exasperação.
– E eu já deixei claro que isso não é sobre gostar. É sobre necessidade.
Soltei um suspiro frustrado e passei as mãos pelo avental que ainda usava, tentando conter a raiva. Ele tinha o dom de me tirar do sério em questão de segundos.
– Se insiste tanto, venha comigo. Mas saiba que não tenho paciência para os seus joguinhos hoje.
Ele me seguiu pelo corredor estreito que levava ao meu pequeno escritório, um espaço que nunca tinha sido projetado para abrigar conversas tão tensas quanto as que estávamos prestes a ter. O ambiente era aconchegante à sua maneira, com prateleiras lotadas de livros de receitas e papéis espalhados pela mesa.
Eu me sentei na cadeira giratória desgastada e apontei para a cadeira do outro lado.
– Sente-se.
Ele ignorou minha sugestão, optando por encostar-se na mesa. A proximidade era desconfortável, ele estava perto o suficiente para que eu pudesse sentir o calor de sua presença.
– Vamos estabelecer algumas coisas – começou, cruzando os braços. – Primeiro, nossas aparições públicas. Precisamos parecer um casal genuíno, não dois estranhos obrigados a dividir o mesmo espaço.
– Isso é óbvio – murmurei, apoiando os cotovelos na mesa.
– Segundo, precisamos ensaiar uma história consistente. Como nos conhecemos, como começamos a namorar... você sabe, os detalhes que as pessoas vão querer saber.
– Você quer que eu decore mentiras agora?
– Prefiro chamar de... narrativa criativa.
O sarcasmo em sua voz fez meu sangue ferver.
– Você não tem ideia de como isso é ridículo, não é? – eu disse, levantando da cadeira. – Minha vida inteira foi virada de cabeça para baixo, e agora você quer que eu finja ser sua adorável esposa?
Ele inclinou a cabeça, como se estivesse analisando cada palavra que eu dizia.
– Não estou pedindo que você seja adorável, Lara. Só convincente.
– Bem, isso vai ser um problema. Porque eu não sou uma atriz.
O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de tensão. Ele parecia estar ponderando algo, os olhos fixos nos meus como se estivesse tentando desvendar algum segredo oculto.
Finalmente, ele deu um passo à frente, reduzindo ainda mais a distância entre nós.
– Talvez isso seja mais fácil do que você pensa – ele murmurou, a voz baixa e quase provocadora. – Se pararmos de fingir que odiamos tanto.
O tom em sua voz, a maneira como ele invadia meu espaço pessoal, tudo me deixou desconcertada. Meu coração disparou, mas eu me recusei a mostrar qualquer sinal de fraqueza.
– O que você quer dizer com isso? – perguntei, erguendo o queixo em desafio.
Ele sorriu, um sorriso lento e calculado que me deixou ainda mais irritada.
– Acho que você sabe exatamente o que quero dizer.
E, com isso, ele se afastou, deixando-me sozinha no escritório com mais perguntas do que respostas.
Quando voltei à cozinha para tentar retomar meu trabalho, percebi que minhas mãos ainda tremiam. Ele tinha um poder irritante de me desestabilizar, algo que eu detestava com todas as forças. Mas uma coisa era certa, se ele achava que podia me manipular, estava prestes a descobrir que eu era muito mais resistente do que aparentava.
Se Evan Montenegro queria jogar, eu estava disposta a jogar também. E faria questão de ganhar.
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