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Capa do romance Contrato de casamento Bruno e Eduarda

Contrato de casamento Bruno e Eduarda

Eduarda aceita um casamento arranjado com o bilionário Bruno Lester para realizar o último desejo de sua mãe doente e proteger sua irmã. Bruno, visando silenciar boatos e focar nos negócios, propõe um contrato de três anos até ela se formar. No entanto, a convivência desperta uma paixão obsessiva e ciúmes incontroláveis. Enquanto enfrentam conflitos internos, o retorno de uma ex-noiva vingativa e as investidas de um chefe charmoso ameaçam o futuro do casal.
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Capítulo 3

ATENÇÃO !

GATILHO: VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Depois de ver minha mãe naquele estado eu me pego pensando em tudo o que perdi durante esses anos eu não sabia como ela estava o que havia passado depois que me mudei para a Coreia mal conversamos pelo FaceTime e eu não vinha em nenhum feriado e nem nas férias odiava a ideia de conviver com tio Victor novamente. E sempre que eu pensava na minha mãe e na saudade que sentia eu imaginava como seria se meu pai estivesse vivo eu tenho certeza que nunca nos separaríamos o que me faz sentir raiva dessa cidade mas vou precisar voltar aqui para ver minha mãe com mais frequência. Tento fechar os olhos mas sempre volto para aquela noite e revivo os meus traumas da infância com meu padrasto.

Lembrança on:

Meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos, estávamos em um restaurante jantando em família eu, minha mãe, meu pai e meu tio Victor que ficou viúvo a quase três meses e como ele não tinha filhos estava morando com a gente  porque se sentia muito sozinho na fazenda onde morava com sua esposa. Quando saímos do restaurante meu tio pediu para darmos uma volta no parque já que ele e sua esposa sempre foram lá quando vinham nos visitar meus pais e eu sempre fizemos tudo que o deixasse feliz, estávamos muito triste com sua perda recente eles foram casados por apenas três anos e ela veio à falecer.

O parque onde estávamos caminhando era lindo ainda mais a noite era possível ver as pequenas luzes em algumas árvores que indicavam o caminho havia muitas árvores e flores e um pequeno lago à frente. Quando me viro para meu pai ele está rígido e faz um movimento para olhar para frente mas antes de me virar vejo dois homens caminhando em nossa direção meu pai logo comenta.

- Eu quero que fiquem calmos mas tem dois homens vindo atrás de nós a algum tempo entreguem tudo o que eles pedir para sairmos bem disso e ir para casa. 

Vi nos olhos do meu pai que não era brincadeira, senti autoridade e confiança ele sabia que seríamos assaltados por esses bandidos. Não demora muito para que eles nos alcancem eles apontam uma arma para nossas cabeças e nos fazem entregar tudo de valor meu pai e minha mãe entregam sua carteira, bolsa, relógio e pulseiras quando eles viram para mim não fazem eu dar nada acho que nem viram meu colar que ganhei alguns meses atrás de aniversário ele tinha uma esmeralda linda da cor dos meus olhos como dizia meu pai. Quando um deles mirou a arma para meu tio pedindo para ele entregar tudo o que tinha meu tio entregou a carteira e o bandido pediu a sua aliança mas ele se recusou o homem segurava a arma apontando para a cabeça do meu tio e o meu tio sacou sua arma e depois desse movimento dele tudo aconteceu em câmera lenta meu pai pulando na frente do meu tio e a bala saindo da arma daquele bandido e meu pai caindo no chão com o peito cheio de sangue. 

Os bandidos fugiram com nossas coisas meu pai estava no chão, minha mãe segurando sua mão suplicando e pedindo a ele se forte que ajuda iria chegar meu tio estava com a cabeça do meu pai em seu colo e eu estava em pé parada não tinha reação eu estava vendo a vida do meu pai se esvaindo junto com sua força em cada suspiro que ele dava. Ele me olhou com aquele olhar de afeto que sempre me dava antes de um beijo na testa e um "Até logo, te amo." antes de eu ir dormir ou ir para a escola ele estava me dizendo Adeus e eu covarde disse eu te amo em um sussurro mas sem sair do lugar e sem pedir a ele para ficar. Meu pai olha para minha mãe que chora cada vez mais ela entende que ele quer se despedir ela se desespera e diz o quanto o ama depois disso ele sussurra para meu tio alguma coisa no ouvido e ele assentiu dizendo que vai cuidar de nós e meu pai perdeu sua vida naquele momento dando seu último suspiro.

Depois do enterro do meu pai meu tio assumiu suas responsabilidades na fábrica e na nossa casa minha mãe o agradeceu pois ela nunca lidou com as demandas da fábrica logo que casou com meu pai ela engravidou e depois cuidou de mim e da casa.

Um ano se passou e meu tio Victor pediu a mão da minha mãe em casamento nos dizendo que era a coisa certa a se fazer e seu irmão ficaria feliz e minha mãe como se sentia muito sozinha acabou aceitando já que meu tio queria que fosse só no papel o casamento não queria nenhuma outra aproximação com ela. Eu no começo relutei e fui contra mas sabia como ela se sentia e como minha mãe era jovem ainda preferia que ela casasse com meu tio do que com um estranho e acabei aceitando. 

Mal eu e ela sabia o que iríamos sofrer depois do seu sim. Minha mãe casou apenas no civil e não fez questão de festa nem nada, meu tio aceitou e então foi tirado apenas algumas fotos com os meus avós por parte de mãe sendo que os pais do meu pai faleceram uns dois anos depois do meu nascimento. O primeiro ano passou e as atitudes do meu tio estavam começando a nos assustar, ele demitiu todos os empregados da casa dizendo que precisava cortar gastos e também para não me mudar de escola já que meu pai sempre quis o melhor ensino para mim e me avisou que eu teria que ajudar a minha mãe nas tarefas  da casa pelo menos até nós sairmos dessas dívidas que segundo ele meu pai havia deixado na fábrica antes de morrer.

Passou alguns dias desde que ele demitiu todos os funcionários, ele começou a discutir com minha mãe dizendo que ela deveria dar um filho para ele, sendo que ele sempre cuidou tão bem de nós depois da morte do meu pai eu vi que muitas vezes minha mãe o negava até que um dia vejo ela sair do quarto dela durante a noite e depois de um tempo eles começam a dormir no mesmo quarto isso me entristeceu muito como se não respeitassem a memória do meu pai.

Depois de começar a dormir juntos minha mãe começou a aparecer com hematomas no corpo e usava roupas sempre largas e compridas mas as vezes eu conseguia ver os roxos em seu corpo eu não entendi bem certo o que era aquilo até que um dia minha mãe ficou na cama o dia inteiro e eu cuidei das tarefas da casa sozinha quando meu tio  chegou ele estava bêbado foi até a sala de jantar e mandou eu servir a janta para ele eu tinha feito apenas uma sopa já que minha mãe estava doente e servi isso para ele que no mesmo instante jogou tudo no chão quebrando o prato e vindo na minha direção gritando.

- Eu pago as coisas nessa casa, e quando quero comer você faz sopa, será que vou ter que te ensinar uma lição Eduarda. 

E assim ele me dá uma bofetada fazendo meu ouvido zumbir depois disso minha mãe desceu as escadas correndo e veio até mim chorando.

- O que fez com ela.

Ela  grita desesperada com ele, meu tio volta a si e depois disso se ajoelha e pede desculpa desesperado ele me pega no colo e me leva para meu quarto minha mãe o segue chorando e eu fico novamente petrificada como no dia da morte do meu pai. Ele me deixa lá e sai.

- Mãe, ele te bateu né por isso dos hematomas e por causa disso que você estava na cama.

- Filha eu não vou negar que isso aconteceu mas foram poucas vezes e ele estava irritado com alguma coisa que fiz mas isso acabou eu fiquei de cama por que estou grávida descobri faz uma semana e hoje estava muito mal. 

- Sério mãe?

Fico chocada com minha mãe e o misto de sentimentos que tenho entre raiva e felicidade sempre quis uma irmã mas não do meu tio com minha mãe. Então eu faço o que a minha imaturidade naquele momento pede e  grito com minha mãe.

- Sai agora do meu quarto. Como pode trair meu pai e ter um filho com esse monstro. Odeio você, você tinha que ter morrido no lugar do meu pai.

- Eduarda, por favor minha filha eu te amo não diga isso faço isso para nosso bem. 

Ela fala chorando e vejo a tristeza em seus olhos, mas também sinto em mim um ódio dela por aceitar tudo isso.

- Sai daqui agora. 

Ela sai chorando e me olha da porta uma última vez e assim logo depois a fecha. E depois que ela sai eu permito que minhas emoções tomem conta do meu peito e dos meus olhos chorando até dormir. No outro dia acordo cedo e arrumo minha mochila para ir a escola desço e vejo que a mesa do café está posta e tem tudo o que gosto de comer.

- Filha, vem comer seu tio Victor contratou uma empregada para nos ajudar nas tarefas. E agora vou ter mais tempo para me dedicar a você meu amor.

 - Vejo que estão os dois na mesa me aproximo e vejo ele sentar na cadeira que era do meu pai e minha mãe ao seu lado aquilo me enoja. Até que meu tio começa a falar.

- Eduarda sobre ontem eu peço desculpas a você, nunca mais voltarei a ser o que fui ontem. Eu amo você como minha filha e agora que a família está aumentando por que não deixamos tudo no passado e podemos nos chamar de pai e filha.

Eu não acredito no que ouvi, olho para ele e para minha mãe que está de cabeça baixa sentados na mesa do meu pai na casa do meu pai e não acredito realmente nisso.

- Você acha mesmo que um dia eu vou te chamar de pai ou que algum dia você será pai de alguém? Você não tem capacidade para isso, deve ser por isso que meus avós deixaram tudo para meu pai e nada para você. Eu espero que esse bebê nem nasça. Vai para o inferno os dois.

Saio de lá batendo a porta e pude escutar ele gritando meu nome.

- EDUARDA.

Vou para o único lugar em que posso ter paz no cemitério junto com meu pai passo o dia todo lá. Quando volto para a casa minha mãe está na sala chorando.

- Eduarda, onde esteve? Estava tão preocupada com você minha filha.

Minha mãe fala enquanto me abraça chorando. Eu a acalmei.

- Mãe, estou aqui. Desculpa se te ofendi hoje quero que o bebê nasça bem.

Abracei ela e continuamos ali por um tempo. Fomos dormir e no meio da noite escuto minha mãe e meu tio gritar um com o outro eu entro no quarto e ele está em cima da minha mãe com as duas mãos agarrando o pescoço dela ele iria matar ela eu nem penso e me jogo em cima dele e ele me joga contra o guarda-roupa e vou ao chão depois disso não vejo nada.

Acordo no hospital com a cabeça doendo, minha mãe dorme em uma cadeira. Eu chamo ela e ela acorda.

- Minha filha como está? Dói muito à cabeça? 

- Estou bem e você como está?

- Estou bem. Eduarda precisamos conversar sobre o que aconteceu. Tem pessoas que querem falar com você e preciso que diga que caiu da escada filha não conte o que aconteceu.

- Ficou maluca mãe? Ele ia te matar e ele me agrediu duas vezes. Eu vou denunciar ele.

- Filha pense nesse bebê como vou criar ele e pense na fábrica como vamos administrar ela. Ele me jurou não fazer mais isso.

Penso no que minha mãe disse e vejo como ela é tão dependente de uma figura masculina mesmo que a machuque minha mãe permitiu que ele fizesse coisas que meu pai nunca faria com ela. Eu tomei uma decisão.

- Mãe, chame o tio Victor.

- Eduarda, pense bem. 

Eu a encaro e ela entende e sai logo depois que meu tio entra.

- Duda como está?

- Poderia estar melhor se você não tivesse me batido.

- Duda me desculpa, eu não sou esse monstro, não sei o que aconteceu comigo.

- Eu sei bem quem você é e vou te dizer uma coisa. Vamos fazer um acordo, eu tenho relatos e fotos dos hematomas da minha mãe em uma nuvem e pode ser que eu enviei alguns desses relatos para o jornal hoje sem nomes claros mas eles podem tentar entrar em contato sabemos como são essas coisas. Enfim a proposta é a seguinte: não haverá um arranhão mais em minha mãe, vocês vão dormir em quartos separados já que ela já vai te dar um filho que tanto quis. 

- Eduarda, eu não vou mais ser aquele homem que fui. Mas não posso deixar de dormir com sua mãe, somos casados.

Ele fala gaguejando e a raiva o consumido.

- Tio vocês são casados com comunhão total de bens vai ser tudo dividido e nós vendemos nossa parte e viveremos bem. E sem contar que quando denunciar você o que fez com a minha mãe é considerado tentativa de homicídio seria preso na hora.

- Meu tio me encara, bufa e solta uma risada sarcástica se volta pra mim olhando nos meus olhos.

- Você é que nem ele. Como seu pai é sabe de uma coisa eu o odiava como odeio você. Mas vou fazer isso porque não quero ficar longe do meu filho e fazer sua mãe sofrer. Mas você vai sair daquela casa e vai para um colégio interno. 

- Não vou mesmo. Não sei o que vai fazer com minha mãe quando eu estiver longe.

- Você tem que acreditar e vai ter que pagar o preço por me desafiar. E se não aceitar eu não perco nada matando eu, você e sua mãe.

- Tudo bem eu aceito.- Ganho alta do hospital, vou para casa e logo arrumo minhas malas antes de ir eu converso com minha mãe nos despedimos e isso acaba comigo e dentro do carro e choro até chegar ao aeroporto de lá eu vou para a Coreia onde vou ficar até me formar.

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