
Contrato bilionário
Capítulo 3
JONAS
Abro os olhos e volto a pensar na minha amiga, em tudo o que vivemos.
Depois daquele dia, Kat e eu nos aproximamos e nos tornamos melhores amigos. Passamos a sentar um ao lado do outro na aula, já que descobri que ela estudava na mesma sala que eu, e no intervalo, lanchávamos juntos, tanto que a mãe dela mandava sanduiches a mais, já que se tornaram os meu preferidos, e minha mão passou a mandar mais suco, que minha nova amiga simplesmente amou.
As idas à escola passaram a ser mais agradáveis e passei a contar os minutos para encontrar minha nova amiga todos os dias.
Minha mãe fez amizade com a mãe de Kat e descobrimos que morávamos perto um do outro.
Assim começamos a passar o dia todo juntos, de manhã íamos para a escola e à tarde, após o almoço e fazer a lição de casa, nos encontrávamos e brincávamos a tarde toda.
Kat não gostava de brincar de boneca, como de costume as meninas gostavam, já que cresceu no meio de cinco meninos, seus primos.
De quem eu tinha ciúmes pelo simples fato de estar ao lado dela.
Passávamos a tarde brincando de bola, estilingue e subir nas árvores para tacar bexigas com água nos meninos que passavam por nós.
Apanhamos muito de nossas mães por essas traquinagens, mesmo um não entregando o outro.
Éramos confidente e totalmente fiéis um ao outro.
Assim como eu, ela era filha única e vimos um no outro a chance de ter alguém para sempre ao nosso lado.
Era capaz de fazer de tudo para proteger a minha amiga, assim como ela por mim.
Apesar que ela era a valentona entre nós dois e com o tempo ela ficou conhecida por todos como Kat pinscher.
Pequena, mas que faz barulho e impõe medo a todos que se aproximavam.
Ninguém ousava mexer com ela e como consequência comigo, tanto que passei até a ser respeitado na escola por terem medo da minha melhor amiga, que para mim, sempre foi a pessoa mais doce que já conheci.
Um anjo em forma de menina.
Durante as quatro primeiras séries estudamos na mesma sala e era uma alegria só a cada ano quando víamos nossos nomes na lista da mesma sala.
Mas essa alegria durou pouco quando na quinta série caímos em salas diferentes. Implorei para minha mãe me mudar de sala, assim como a Kat fez o mesmo e não adiantou a diretora não quis nos juntar.
Ela até falou que seria bom para que pudéssemos fazer novas amizades.
Passamos aquele ano em salas diferentes e para os trabalhos em grupo ou em dupla precisei encontrar novos parceiros.
Kat ficou enciumada quando comecei a andar com Klaus e James, assim como fiquei enciumado com ela andando com Margareth e Marjorie.
Prometemos um ao outro que eu não teria uma outra amiga e ela não teria outro amigo.
Mesmo com novos amigos, o nosso horário do intervalo era sagrado e um esperava o outro para poder dividir os lanches.
Nem preciso dizer que com o passar do tempo passaram a rir de nós, falando que erámos namorados.
Eu nunca liguei para isso até porque seria maravilhoso ter a Kat como namorada, já ela ficava vermelha e falava com todas as letras que eu era o seu melhor amigo.
Ela sempre deixou claro que eu era seu amigo e isso reprimiu o que eu sentia por ela.
Sim, como o tempo passei a ter uma admiração muito maior do que amizade por ela.
Eu sonhava com ela, sentia meu coração bater forte e morria de ciúme de qualquer menino que se aproximava dela.
Na minha cabeça, seria perfeito ter a minha melhor amiga como namorada.
Mas cada vez que ela falava que não sentia nada por mim, apenas amizade, eu guardava esse sentimento dentro de mim.
Minha mãe desconfiava que sentia algo a mais por Kat e até torcia por nós dois, mas eu não tinha coragem de dizer o que sentia, mesmo demonstrando em gestos como cartões feitos por mim, no Dia dos Namorados; bombons, chocolates e florzinha que eu pegava do jardim dos vizinhos.
E mesmo que Kat gostasse do que fazia por ela, na frente dos outros ela ainda continuava afirmar que eu era seu melhor amigo e nada mais.
Lembro quando os meninos começaram a se aproximar dela, já que Kat do dia para noite se transformou em uma linda mulher.
Aquela menina franzina, com os dentes faltando, sarda e duas trancinhas vermelhas como o fogo, se transformou em uma menina com lindos dentes brancos alinhados, as sardas se tornaram um charme especial, as trancinhas deram lugar a um penteado mais modernos e seu corpo ganhou curvas.
Ela simplesmente se tornou a menina mais bonita e popular da escola.
Já eu continuava magrelo e alto, meio desengonçado, confesso, mas por fazer parte do time de beisebol e sem um bom rebatedor, passei a ter um fã clube.
As meninas passaram a se jogar em cima de mim e Kat morria de ciúme de todas, mesmo que não confirmasse isso.
— Essas meninas não se tocam não? Você é magrelo, desengonçado... Só seus olhos são lindos.
— Eu me resumo a olhos lindos?
— E cabelo, claro, esse seu cabelo jogado de lado é um charme.
— Então você me acha charmoso?
— Não falei isso, Nah, para tá! Já tá se sentindo.
Ela era a única que me chamava de Nah e amava aquele gesto de carinho vindo dela.
Com o tempo, as brincadeiras foram mudando e Kat já não jogava mais bola, nem subíamos em árvores. Tinha dias que se isolava e depois fiquei sabendo que foi porque ela se tornou uma mocinha e não podia mais ficar como um moleque pelas ruas do bairro.
Os shorts folgados deram lugar ao jeans mais apertados e curtos, assim como as camisetas folgadas viraram camisetas justas que marcavam seus seios que começavam a tomar forma.
A única coisa que não mudou foi o All Star em seus pés.
Meu corpo também mudou e os pelos começaram a crescer, assim como a barba rala que eu cultivava com todo carinho. As espinhas começaram a aparecer e os hormônios começaram a ganhar vida, tanto que passei a ficar mais horas no banheiro, vendo revistas de mulheres peladas.
Inclusive uma vez vi Kat com uma saia curta, coisa que nunca tinha visto e meu corpo reagiu aquilo.
Fiquei com tanta vergonha que dei uma desculpa qualquer e corri para casa.
Eu simplesmente estava numa fase que não tinha controle sobre meu corpo.
Para falar a verdade tem momentos que ainda não tenho, já que hoje não consigo ver um rabo de saia que já quero me enfiar entre suas pernas.
A maioria do meninos já tinham beijado com seus treze anos e eu ainda não.
Kat me contava tudo, mas esse assunto de beijo nunca tínhamos falado até porque eu nem queria imaginar minha melhor amiga beijando outro que não fosse eu.
Teve um dia em que eu estava no quintal de casa, olhando o céu estrelado quando Kat chegou e se deitou do meu lado, na grama.
— Nah, sei que nunca falamos sobre isso, mas eu queria saber se você já beijou alguém.
Olhei para ela assustado com a sua abordagem.
— Eu... Eu... Não, Kat, eu nunca beijei.
Ela virou para mim, animada demais.
— Eu também não. Por que a gente não tenta? Sabe somos amigos e sei que você nunca me magoaria como um moleque idiota qualquer.
Sorri na expectativa de me aproximar mais da minha amiga e então aquele sonho de infância se concretizar.
— Eu concordo.
Ela então se aproximou e encostou seus lábios nos meus de forma suave.
Duas pessoas inexperientes experimentando o primeiro beijo, claro que foi uma péssima coisa.
Eu não sabia o que fazer e muito menos ela, então ficamos parados de olhos fechados com os lábios encostados um no outro.
Eu queria muito mais, mas ela assim que se afastou disfarçou e limpou a boca com a mão.
— Eca, é só isso? Não senti nada. Acho que teremos que ver alguns vídeos e treinar mais para quando acharmos a pessoas certa não fazer feio.
Confesso que fiquei chateado com suas palavras, mas decidi guardar aquilo para mim, afinal amava a Kat e a queria do meu lado, mesmo que fosse apenas como uma amiga muito querida.
— Vou ver uns vídeos e prometo que da próxima vez será melhor.
— Assim espero, porque senão os nossos crush irão rir da gente.
— Você tem um crush, Kat?
— Não, mas quando eu tiver não quero passar vergonha.
Em seguida, ela se levantou e foi embora, me deixando ali pensando no que tinha acabado de acontecer.
Eu tinha beijado a minha melhor amiga e tinha gostado.
Claro que depois passei a ver vídeos sobre como beijar e treinei na mão para não passar vergonha.
O problema é quando criei coragem para falar com a Kat, eu a vi beijando o meu amigo, Klaus.
Klaus até já tinha falado que achava a Kat linda, mas eu pensava que ele gostava da Margareth.
Fiquei tão triste que pedi para ir para a casa da minha vó no Texas, já que estava de férias escolares, para a minha mãe.
Nos dia seguinte, eu fui para a casa da minha avó e fiquei por lá por quinze dias.
Os quinze dias piores da minha vida, já que fiquei longe da minha melhor amiga e mais entediosos, já que não tinha mais amigos na cidade em que nasci.
Ainda saí alguns dias e até beijei uma menina, da forma certa.
Porém, não senti nada parecido com o que havia sentido com o selinho que troquei com Kat.
Quando voltei, descobri que Kat estava namorando com Klaus e decidi me afastar.
Eu não podia interferir na relação deles já que era apenas o amigo dos dois e nada mais.
Kat ainda tentou se aproximar, mas eu sempre dava um desculpa para não estar onde os dois estavam. Foi então que comecei a namorar a Jessica, a líder de torcida de escola, uma menina linda, mas ela não era Kat.
Éramos considerados o casal do ano, o rebatedor principal do time de beisebol e a linda líder de torcida.
Jessica era vaidosa, fútil e vivia olhando sua imagem no espelho.
Ela me deixava de lado para ficar se olhando nos espelhos por onde passávamos.
Confesso que aquilo me incomodava, mas era uma maneira de estar perto de Kat sem ficar um clima chato, já que tanto eu quanto ela, estávamos namorando.
Foi assim por um tempo, íamos nos lugares em casais e eu morria de ciúme de Kat, mesmo não tendo direito. Isso até Jessica perceber que tinha algo errado e me dar um ultimato.
Ela queria que eu escolhesse entre ela e Kat, e claro que escolhi a Kat, mesmo minha amiga estando namorando. Em seguida, Klaus e Kat terminaram por algo que nunca soube, pois, eles pareciam ser feitos um para o outro.
Eles nem brigavam.
Klaus depois que terminou com Kat se afastou da turma e deixou de ser meu amigo, algo que nunca entendi o motivo, confesso.
Ali eu tinha a minha chance de me declarar para a minha melhor amiga, era a minha chance.
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