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Capa do romance Conquistadores de Marte

Conquistadores de Marte

Diante do colapso da Terra e da hostilidade de Marte, cientistas criam corpos biológicos adaptados para transplantes cerebrais. A trama explora o desespero de quem não pode pagar pela migração antes do fim do mundo, além dos dilemas morais dessa nova existência. Entre reflexões filosóficas e pitadas de humor, acompanhamos romances inesperados que florescem em meio ao caos social e à luta pela sobrevivência da consciência humana no Planeta Vermelho.
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Capítulo 3

- Não é possível que você não tenha conseguido arrumar um carro melhor. Nós vamos nisso? - O espanto de Stewart era justificável. O carro de Jack era do início do século, estava batido em vários pontos e era uma surpresa ainda andar.

- Ninguém está vendendo carros, Stew. Eu fiz ofertas que achei que eram loucura em carros pouca coisa mais novos que o meu. Todo mundo que ainda tem carro tem medo de precisar fugir num momento de catástrofe. Você sabe que há muitos anos não se produz mas carros e, agora, nem lojas de usados se encontra mais. Talvez mais perto do centro do país, ultrapassando as barreiras, consigamos comprar outro. - Jack explicou-se.

- Eu espero não pegar tétano nessa ferrugem toda - Carol ironizou.

- Parem de reclamar! Meu carro está super conservado e é um guerreiro. Só faz tempo que não ando com ele. É vocês nem podem imaginam o quão difícil foi achar gasolina. Mas ele ligou e funcionou muito bem. Ainda bem que eu tinha tirado a bateria e deixado segura. Esses tutoriais de preservação de antiguidade sempre valem a pena - Jack falou orgulhoso.

- Um carro movido à gasolina. Não vai nos explodir não, né? - Carol continuou com o que pareciam comentários irônicos.

- Vocês não sabem de nada. Antigamente é que se faziam carros bons, seguros e resistentes. Esses carros mais novos eram todos descartáveis. Por isso que quase não se vê por aí, as safras intermediarias, de 15 anos atrás, dos carros elétricos e voadores. Viraram tudo sucata. - Jack ainda estava no clima saudosista.

- Isso é um mito. Esses carros foram destruídos para que ainda houvesse compra das últimas produções, antes do fim da indústria de automóveis - Stewart contrariou Jack.

- Em todo caso, é o Big Phil que vai nos levar.

- Minha nossa, ele deu um nome para o carro. Não vai se desfazer dele de jeito nenhum. Você sabe que não vamos conseguir entrar em Nebraska nessa lata velha, não sabe? - Carol ficou temerosa.

- Eu sei, Carol, eu sei! Não precisa falar assim - Jack ficou todo sentimental.

- Vamos logo, vai. Stewart, você vai atrás! Eu que não vou ficar com um monte de mala em uma de mim, só porque o porta-malas do "Big Phil" é minúsculo - Carol já deu às ordens.

- Mas quem trouxe mais malas foi você! E seria mais indicado um ônibus, assim.

- Pessoal, eu tenho muito dinheiro, vamos ter que comprar roupas novas! Porque tanta mala? Estou levando apenas uma mochila - Jack ficou chocado ao ver aquelas malas todas.

- Duas daquelas malas são de armas e acessórios de sobrevivência. Não podemos sai por aí desprotegidos. Ou você acha que só no seu discurso de malandragem, a gente vai conseguir alguma coisa? - Carol se justificou.

- Ok, mas você tem outras três malas. - Stewart endossou.

- Olha, por que ao invés de reclamar, você não arruma direito aí, se organizar, cabe tudo e você ainda fica confortável - ela falou brava.

Tudo pronto, partiram.

- Vocês chegaram a andar nos carros voadores, quando eles ainda existiam por aqui? - Stewart fez a primeira pergunta da viagem. Ambos responderam com negativa.

O silêncio se seguiu por um tempo, até que Jack resolveu colocar música.

- O que é isso? - Carol perguntou.

- Um clássico. Meu avô adorava. É música de viagem para mim. É uma banda britânica era um tipo de rock alternativo. Sim eles chamavam isso de rock. Mas eu acho a melodia tão prazerosa. Você acredita que eles começaram a tocar em 1996? - Jack explicou e os dois ficaram surpresos.

- Não acredito que você está ouvindo algo do século passado - Carol exclamou como se fosse um crime.

- As mais famosas que eu coloquei são do início do século. Já tinham até vídeo, olha ali. Jack jogou a imagem holográfica para o lado do parabrisa do passageiro.

- Que conceito estranho, ele ta fazendo uma cena ao contrário? - Stewart perguntou.

-Isso é arte pura! - Jack estava em êxtase.

- Mentira, a companheira dele morreu? Estavam sem sinto? Ele tava vagando esse tempo todo, em choque? - Carol estava aos prantos. - Música não pode ser algo assim não. Minha nossa!

- Cara, estou numa confusão de sentimentos e já começou outra música, nos vamos assim nessas horas de viagem? - Stewart perguntou.

- Será uma das experiências mais incríveis da vida de vocês. - Jack estava radiante.

Era incrível como o movimento de carros era baixo. O que ainda existia de transporte era coletivo, mas muito raro e o uso de bicicletas era enorme. Ainda assim, tendo em vista o tamanho da população, o fluxo não era alto.

A maioria das pessoas trabalhava de casa e permanecia fixada em seus bairros, saiam para perímetros curtos e por poucos momentos do dia. Quase sempre, apenas pela recomendação publicitária do banho de Sol.

- Viajar realmente é uma experiência incomparável. Ver as coisas passarem rapidamente pela janela, a sensação de mudança de um local para outro, de clima, de visual, é muito interessante. - Stewart nunca tinha saído da cidade onde nasceu.

- Realmente, Stew, é algo único - Jack concordou. - E eu faço tudo ficar mais especial, né?

Continuavam se surpreendendo com músicas e clipes, fazendo análises, até que chegaram na primeira barreira.

- Boa tarde! - O policial cumprimentou o grupo, de fora do carro. - Vamos fazer um reconhecimento do carro, certo?

Instantaneamente, uma luz atravessou todo o veículo e uma imagem apareceu para uma tela que o oficial carregava.

- Vocês estão armados? Ah, sim, eram também da força de segurança! Apareceu aqui. Mas consta que não estão mais a serviço do Big M. Qual o motivo da passagem? - Ele inquiriu.

- Desculpe, oficial. Vou ter que pedir que confira o seu sistema de autorização ultra-secreta - Jack falou deixando todos, inclusive Stewart e Carol espantados.

O homem chamou um outro policial que parecia ser mais graduado na hierarquia, pela roupa, que eram diferentes das quais eles estavam habituados. Ele fez o que com certeza seria um reconhecimento ótico para acessar dados seguros e verificaram a autorização.

- Sinto muito pelo atraso, Sr. Jack! Espero que tenha sucesso em sua missão - Ele se despediu do sorridente motorista que passou lentamente em seu maravilhoso carro barulhento.

- O que você fez? - perguntou Carol muito curiosa.

- Eu tinha amigos no setor de tecnologia da empresa. Pedi que incluíssem os dados de missão secreta. Conseguiremos passar das duas primeiras barricadas dessa forma. Fiz apenas uma pequena contribuição para o fundo deles - Jack explicou.

- E se eles descobrirem? - Stewart, o mais preocupado deles, perguntou.

- Se algo der errado, eles me avisarão. Mas eles são muito bons no que fazem - Jack tranquilizou-os.

- E as outras 3 barricadas? - Carol quis saber.

- Já tenho planos para duas e a última, ainda está em construção - Jack pareceu menos confiante nessa fala.

- Em construção parece muito com: Não faço a mínima ideia - foi a constatação de Carol.

Passaram sem maiores sustos pela segunda parada, apesar de uma leve estranheza extra, dessa vez, em relação ao carro de Jack.

A continuidade dependeria agora da troca do carro e, em pouco tempo, a solução, nessa nova localidade, já se apresentou diante deles.

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