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Capa do romance Confusões do Amor

Confusões do Amor

Mica tinha a vida perfeita até que o luto transformou seu mundo em caos. Após perder seu melhor amigo, Mickael, a jovem mergulha no desespero, mas uma viagem inesperada muda seu destino. Lançada em um perigoso jogo de vingança, ela precisa sobreviver a um homem desconhecido que a arrastou para a violência. Entre traumas e ameaças à sua família, Mica luta para recuperar a vontade de viver. Em meio ao perigo, será que um novo amor pode florescer e trazer sentido à sua jornada?
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Capítulo 3

Corro pela sala, em busca dos meus documentos. Não faço ideia de onde coloquei, e preciso deles para sair em viagem. Acho que não mexo neles a mais de um mês, mal lembro a última vez que os vi. Já estou estressada por não achar, minha cabeça dói, mas também não consigo achar minha caixa de remédios, nem o de insônia que estava em frente ao computador e nem os para dor.

Ontem, foi um dia atípico para mim. E mesmo sendo fora do comum, eu gostei. Cometi um ato impulsivo, mas não me arrependo, acho que já estava na hora disso.

Minha primeira vez foi esquisita, mas acho que todas são assim. Acho que não contar ao garoto que nunca havia feito aquilo, fez com que agisse como se eu fosse experiente e tentei ao máximo fingir isso. Tinha certeza que se ele soubesse, iria parar na mesma hora.

Não vou dizer que doeu muito, a ponto de não aguentar, pois não foi de fato assim. Senti um incomodo de início, mas depois até que foi suportável, e qualquer indício da antiga eu certinha, foi embora. Acho que o homem não percebeu nada, fui bem convincente, assisti muito filme e li livros, acho que a teoria nesse caso me ajudou na prática. O único ruim disso tudo, o que me fez sentir uma pecadora, foi pegar uma das camisinhas que Mickael guardava, parecia errado demais, porém estava tão excitada no momento que só recaiu a culpa após.

Ao findar o ato, o homem se apresentou e disse que se chamava Daniel, deixando o posto de desconhecido de lado. Tomei um banho, logo após ele e enquanto não voltava, cortei o bolo para comer. Foi tão divertido, não foi uma coisa estranha, pois parecia que éramos, realmente, namorados. Comemos, rimos e ele ainda assistiu a um filme comigo. Não nos despedimos, já que acabei dormindo no meio do filme e quando acordei, havia apenas um bilhete agradecendo pela noite e dizendo que nos veríamos em breve. Isso vai acontecer hoje.

Me senti tão viva, que a Solar que acordou ontem, não parecia a mesma que estava correndo pela casa de madrugada, para arrumar as malas e fazer a lista com dez coisas para realizar. Decidi que irei nessa viagem, aproveitar essa oportunidade que a vida está me dando, mesmo que a tristeza ainda esteja aqui, tentarei ao máximo viver, pelo menos no prazo estipulado na lista que fiz.

Duas das metas já foram preenchidas, perder a virgindade e viajar, restam mais oito e sinto que vão ser mais complicadas, demandando muito mais atenção e empenho. São elas: Conhecer novas pessoas; Pular de paraquedas; Saltar de bungee jumping; Superar o medo de altura antes; Escrever um livro; Me apaixonar; Me aventurar, ser feliz, rir mais, me divertir; Recuperar a vontade de viver. Dentro todas elas, creio que a mais difícil seja a última, mas tentarei ao máximo me esforçar, para que essa lista seja o motivo de minha redenção.

- Achei! - Meu grito sai tão alto que nem eu esperava, o que acaba me assustando.

Tudo bem que eu não estava quase abrindo a geladeira, mas em que momento eu coloquei minha carteira na porta? Eu realmente estava fora de mim, pois não percebi esse equívoco. Pego a folha que imprimi e coloco na mala, junto a carteira e fecho, finalizando minha preparação.

Olho em direção a porta quando escuto a campainha tocar. Solto um longo suspiro antes de chegar até a porta, me preparando mentalmente para ser sociável. Ao abrir, fico confusa, pois não esperava mesmo a visita que estou recebendo.

- Ah, oi.. você. - Leon, meu cunhado está parado e abre um sorriso grande assim que me vê.

- Anjinha. - Mal tenho tempo de reagir, pois o homem logo me abraça com força, demorando um pouco mais que o normal para me soltar. A linguagem de amor dele utiliza muito de toques, é engraçado às vezes, pois minha irmã e ele parecem que são grudados.

- O que faz aqui? - Pergunto ao me afastar, mas pelo que tem em mão, posso ter uma noção.

- Não é óbvio? Vim te desejar feliz aniversário!

- Foi ontem. - Lembro, mas ele já está entrando.

- Eu sei, mas não pude vir, estava em uma viagem de negócios. - Faço um som em entendimento com sua explicação. - Isso é para você. - Me estende uma carta e uma caixinha pequena. - Seus pais pediram a sua irmã para te entregar no dia do seu aniversário, antes de irem pra viagem. - Seguro no que me estende, agradecendo com um sorriso.

- Ela não me ligou. - Comento, ele faz careta. - Outro mês daqueles? - Ele assente, não precisando explicar. Minha irmã entrou em uma obsessão por engravidar, e mesmo após tudo, todo mês que fica naqueles dias, é como se estivesse morrendo, pois não está grávida. - Ela precisa parar, vai acabar enlouquecendo.

- Sabe como sua irmã é, quando põe algo na cabeça, não há quem tire. - Concordo com sua fala, desde criança ela é assim e em alguns momentos, esse lado pode ser muito prejudicial. - Como você está? - Diz segurando em meu ombro, afagando enquanto sorri calorosamente.

- Sobrevivendo.

- Você gostava mesmo daquele seu amigo, uma pena o que aconteceu. - Assinto, querendo mudar logo de assunto. - Soube como aconteceu? - Faço que não. - Ah, entendo. Foi trabalhando que aconteceu? Lembro que me disse que ele era segurança noturno.

- Não faço ideia, Leon. Sim, ele era segurança, mas não quis saber como aconteceu, seria ruim demais para mim. - Ele parece entender. - Olha, obrigada por trazer isso para mim, mas eu tenho de sair. - Aponto para a mala.

- Vai viajar? - Assinto, o que faz sua expressão se tornar confusa. - Para onde vai? - Se eu não conhecesse ele, pensaria que está querendo exercer alguma autoridade sobre mim, algo que não tem, mas ele sempre foi assim, por isso apenas respondo.

- Ganhei um sorteio. - Comento enquanto me afasto para segurar na mochila enorme e na mala pequena. - Na verdade, já estava saindo. - Completo.

-Hum. - Parece incomodado. - Seus pais sabem para onde você vai?

- Como contarei para eles, se estão em uma convenção, isolados do mundo e não tiveram tempo ao menos de me mandar felicitações? - Meu questionamento faz a testa do homem franzir. Acabo engolindo seco, pela grosseria e logo me retrato. - Iria mandar uma mensagem para minha irmã falando, mesmo que ela me esqueça, ainda lembro de algumas obrigações.

O homem se aproxima, como se pudesse sentir minha mágoa com sua esposa, tocando minha bochecha e abrindo um sorriso. Desde que eles estão juntos, minha irmã virou quase um fantasma para mim, mas ele me dá atenção demais sempre que estou por perto, às vezes minha irmã reclama e se irrita por isso, mesmo sabendo que não tenho maldade alguma em relação a ele, é como um irmão mais velho.

- Anjinha, sua irmã é complicada, mas nós te amamos. Não esqueça disso, faríamos de tudo por você, entendeu? - Sua fala vem repleta de um peso que não consigo decifrar. Pelo seu olhar, percebo que anseia por minha resposta, me dando um olhar de arrepiar os pelos.

- Sim, obrigada. - Abro um sorriso. - Preciso ir, a viagem vai ser longa. - Me afasto, indo olhar se as luzes estão apagadas e tudo está fora da tomada. Quando volto a olhar para ele, não entendo sua expressão, parece irritado, minha irmã deve ter torrado a paciência dele e por isso veio aqui, tentar conversar para extravasar. - Queria ficar mais, só que preciso mesmo ir.

- Vai com alguém? - Pergunta ao caminhar até a porta.

-Ah, meu pai mandou me vigiar, não foi? - Balanço a cabeça ao entender, sempre acontece isso. Quando os dois vão viajar, fazem parecer que Estelar e Leon são meus pais, mesmo que minha irmã não seja tão mais velha que eu.

- Você ainda é uma criança. - Faço careta.

- Não sou mais aquela menininha que conheceu, Leon. Agora sou uma mulher, em todos os sentidos. Não precisa me tratar como se eu fosse um bebê. - Toda essa conversa começa a me irritar, coisa que jamais aconteceu antes.

- Solar.. - Segura em meu braço quando passo por ele, sem colocar pressão, apenas para me parar. - O mundo é perigoso, anjinha. Cuidado com os lobos disfarçados de ovelha, eles podem te atacar e te tornar a presa que sequer vai perceber a armadilha que caiu. Você é muito inocente!

- Tomarei cuidado, cunhado! - Me solto de sua mão, fazendo um gesto para que saia e eu possa fechar a porta. - E sim, eu vou estar com alguém. Não precisam se preocupar, estarei segura. - Tento fazer que pare de me atazanar, e a preocupação exagerada dissipe um pouco.

Mickael odiava ele, ambos não se suportavam, na verdade. Acho que mais pelo Mick não deixar ele se aproximar de mim quando estava junto, sinto saudades do meu amigo ciumento e de como espantava os homens com apenas um olhar raivoso. Olhar esse que agora estampa o rosto do homem diante de mim, mas assim como apareceu, desaparece. Talvez, eu esteja sonhando, não dormi direito.

- Não esqueça de avisar quando chegar. - Se aproxima, dando um beijo delicado em minha testa. - Qualquer coisa pode nos ligar. Boa viagem! - Começa a andar para ir embora. - Ah, o porteiro pediu para te entregar. - Retira uma pequena caixinha do bolso. - Deixaram na recepção, mas não disseram o nome.

- Obrigada. - Abro um sorriso, mas ele não retribui. Apenas se vira e vai embora, me deixando sozinha no corredor. - Homens. - Balanço a cabeça negativamente. Guardo as coisas que ele trouxe em minha mochila, me concentrando em ajeitar tudo para poder aproveitar o melhor que puder essa viagem. - Certo, aí vou eu. - Sussurro confiante.

Ando em direção ao elevador, preciso ir até o estacionamento, pegar o carro e colocar gasolina. Sei que as lembranças vão ser fortes ao entrar no carro que compartilhava com Mick, mas também sei que farei o máximo para ser forte. Usarei essa saudade e toda a confiança que tinha em mim para viver, tentar ser feliz e cumprir todas as metas que estipulei na lista.

Mesmo que meus pais não estejam aqui, saber que lembraram de mim mesmo longe me deixou feliz. Do jeitinho doido deles, conseguem ser perfeitos. Só não faço ideia de quem deixou a caixinha na recepção, certamente não foi Daniel, ele teria entregado. Deve ser algum admirador secreto e .... deve ter sido meu ex-crush. O pensamento me faz ficar com um peso enorme no coração. Iludi o pobre homem e agora ele deve estar sofrendo. Céus, até quando penso que estou acertando, estou cometendo erros. Torço para que ele encontre alguém o mais rápido possível, para me esquecer.

Pego o celular e olho a hora, ainda está cedo e mesmo não dormindo durante toda a madrugada, me sinto energética. Talvez as duas latas de energético que tomei tenham a ver com isso, ou é minha animação por fazer algo sozinha depois de tanto tempo. Mando o endereço para minha irmã, explicando que irei viajar, mas logo voltarei, assim como disse a Leon.

- Ok, mundo. Estou com medo, mas preciso fazer isso. - Sussurro ao chegar no estacionamento.

Sinto vontade de correr de volta ao apartamento, mas ignoro essa sensação e dou o primeiro passo para fora. Preciso embarcar nessa para recuperar o controle de minha vida, consertar minha alma quebrada e descobrir como preencher esse espaço vazio que se abriu em mim.

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