
Companheiros de alma
Capítulo 2
Infelizmente para Beatrice, o tempo longe do envolvimento com vampiros iria durar pouco, afinal algo mais havia mudado depois de sua visita a mansão na Áustria, não com todos, mas com um vampiro especial, que ela mesma havia tido a chance de colocar os olhos, sentir a atração e virar as costas, indo embora como nada tivesse acontecido… diferente da realidade. Claro que a humana não tinha realmente culpa sobre isso, afinal somente vampiros sentem o puxão, a conexão de companheiros e se eles têm a sorte de conhecer seu companheiro, ou companheira no caso de Beatrice, ainda na forma humana… a conexão infelizmente demora um pouco mais para ser completada, ao menos para aqueles vampiros com honra, que preferem deixar seu companheiro ciente da situação e lhe dá uma escolha.
Talvez esse não fosse realmente o caso de Damian, se ele não tivesse visto a humana ao lado de um tipo de vampiro que ele tanto detestava. Teimoso, como só ele sabia ser, o vampiro não fez qualquer movimento para agir e declarar Beatrice sua. Na verdade, o vampiro escolheu viver pelos cantos da mansão, tentando ignorar a dor em seu peito, que depois de uma semana passou a ser constante, desde que Arvin, Layla e Beatrice haviam ido embora. Ele sabia que Beatrice Flowers era a culpada, ou ao menos suspeitava disso, se a súbita atração e a corda que pareceu puxá-lo para ela, ao encarar aqueles olhos verdes, fosse indicação suficiente. Ele relaxou ao encontrar seu olhos, seu coração pareceu acelerar ao vê-la sorrir para ele, o deixando surpreso e com uma vontade enorme de retribuir o sorriso. Ele não era de sorrir, então haviam indícios suficientes para ajudá-lo a entender.
- Damian, você está bem? - perguntou Alicia, parecendo realmente preocupada, ao ver um de seus melhores soldados se inclinar levemente, parecendo segurar um gemido de dor, ao mesmo tempo que segurava o próprio peito, como se o apertar fosse suficiente para fazer a dor sumir. Ela conhecia aquelas reações, mas acreditava que o homem não seria tão tolo em esconder o fato de ter encontrado sua companheira… ela estava errada.
- Eu estou bem mestre. O que deseja de mim? - disse Damian com mais esforço, do que pensou que realmente precisaria. Mas, a vampira havia lhe chamado para uma nova missão e tinha trabalho a ser feito, então não havia qualquer possibilidade de parar e refletir sobre o fato do desconforto e da dor estar se tornando cada vez mais presente, constante e forte.
- Temos fortes suspeitas de que um vampiro, com um talento peculiar, está rondando Seattle. Preciso que o elimine, o mais rápido possível, antes que cause ainda mais estragos.
- Dom peculiar? Como assim?
Com o interesse despertado, Damian conseguiu deixar Beatrice de lado, longe do centro de seus pensamentos, ao menos por um momento. Foi quase um alívio.
- Ele está transformando vampiros em humanos. O seu dom é trazer vampiros de volta à vida. Ao que parece, sem chances de volta.
Damian encarou sua mestre chocado. Não acreditava que aquilo seria algo possível, ou permanente. Era surpreendente.
- Mestre Alicia…
- Tenho fontes confiáveis Damian, e confio em você para eliminá-lo... se realmente estiver bem como está dizendo.
- Eu estou b... Ah!
Damian então desabou, sentindo como se seu peito estivesse se abrindo. Algo o puxava, o fazia sofrer pela distância e gritar de dor agora também.
- Damian, já chega! Você encontrou sua companheira, não foi? - disse Maurício, se aproximando e o ajudando a levantar.
Damian o encarou, nervoso, sabendo muito bem do que aquele vampiro era capaz, mas assentiu, desistindo de ser forte. A dor o estava consumindo, não podia mais segurar.
- Quem? - perguntou Gustave, curioso.
Todos se surpreenderam ao ver a emoção passar pelo rosto do mais velho dos irmãos Ventrue, aquele que perdeu a companheira a poucas décadas e ainda não havia sido capaz de se reerguer. Gustave era o exemplo perfeito do que perder um companheiro poderia causar.
- Eu acho que foi... Beatrice Flowers. - confessou Damian, não surpreso em ver o choque no rosto de todos ali.
- Por que não disse nada?! Eles foram embora a uma semana! - disse Alicia, irritada em ver um de seus melhores guardas sofrendo, por pura burrice, se ela fosse franca.
- Ela foi embora nos braços daquele vampiro mimado. Se ela veio até aqui por ele, então talvez seja como ele.
Ao dizer aquilo, Damian sentiu algo dentro dele se contorcer. Seu coração não concordava com suas palavras e talvez nem seu lado racional concordasse. Ele estava com medo, do que ter uma companheira humana poderia representar. Ele não desejava acabar como Gustave, mesmo que o respeitasse e admirasse.
- Podia estar apenas sendo enganada ou foi persuadida a vir. Eu vi sua mente Damian, e Arvin não foi bem recebido por ela. - disse Alicia, quase sorrindo ao ver um pingo de esperança aparecer nos olhos de seu guarda.
- Desculpe Alicia, eu não cheguei a pensar nesta possibilidade.
- Isso é porque a julga sem conhecer, sua própria companheira. Podemos ser considerados tiranos e insensíveis e, embora isso seja quase verdade, você precisa agir Damian, ou essa dor ficará pior, até não restar nada de você. - disse Gustave.
- Vá atrás da dela e pegue sua companheira e isso é uma ordem. - disse Maurício.
- Mas e quanto ao vampiro? - perguntou Damian, lembrando de sua missão inicial.
- Leve-a com você para pegá-lo. Ela será uma grande ajuda, vai facilitar seu trabalho. - disse Alicia, o fazendo rir ao vê-la voltar a ser a velha vampira que desejava os melhores ao seu lado e a defendendo, antes de assentir e se despedir de todos.
Mas, apesar das ordens e do desejo em seu coração, sabia que precisava inverter suas missões. Não se sentiria ele mesmo se não acabasse com o vampiro que estava prejudicando sua gente primeiro. Beatrice não podia ser sua prioridade naquele momento, não se quisesse mostrar que ainda era capaz de agir e cumprir com seus deveres.
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