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Capa do romance Como Não Ser A Mulher Perfeita

Como Não Ser A Mulher Perfeita

Aos 29 anos e com cinco divórcios na conta, Maria Eduarda carrega a fama de ser a pior esposa do mundo. No entanto, sua vida sofre uma reviravolta inesperada ao aceitar um casamento de conveniência. Agora, Madu está unida a um homem deslumbrante, bilionário e extremamente astuto. Diante dessa união por contrato, surge o grande desafio que testará os limites do casal: será que esse marido perfeito conseguirá sobreviver ao temperamento de sua nova mulher?
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Capítulo 3

Vivian tentava subir o zíper do vestido da irmã, Eduarda estava na lista de convidados para um evento muito importante, ela trabalhava como professora em uma escolinha de ensino infantil do bairro e havia sido escolhida para representar os professores daquela escola naquele evento. Diga-se de passagem, Madu era uma professora muito querida entre os alunos, eles diziam que a mesma os lembrava de Uma Professora Muito Maluquinha, que haviam visto na TV.

Ela havia acabado de assinar mais um divórcio e queria relaxar um pouco, por mais que se sentisse solitária morando sozinha naquela casa, estava decidida a ouvir o conselho de Vivi e dar um tempo para si mesma, sem mais casamentos, sem mais maridos, sem mais brigas e nem tentativas de assassinato, estava na hora de sossegar.

— Olha, não bebe, qualquer coisa me liga. — dizia Vivian, Madu odiava quando a irmã fazia isso.

— Eu não sou mais uma criança, dona Vivian! — A de cabelos róseos se emburrou, não gostava de ser tratada daquela maneira.

Elas discutiam enquanto iam para o lado de fora da casa, o táxi já estava esperando pela professora, para a levar para o tal evento.

— Mas se comporta como uma! — Nisso, Vivian tinha toda a razão do mundo. — Vai nessa e tenta não arranjar nenhum outro casamento — foi a última coisa que a de cabelos cacheados disse antes de Eduarda se enfiar no banco de trás do táxi.

— Sim, senhora.

Talvez ela se casasse, só para mostrar quem é que manda.

No caminho, Eduarda ia pensando em tudo o que fizera até agora, em todos os seus fracassos matrimoniais, ela estava mesmo brincando de casinha, não podia passar o resto de seus dias assim, de casamento em casamento, trocando de marido como quem troca de meias, é, talvez o defeito estivesse mesmo nela.

Chegou ao local, pagou o motorista e desceu, estava muito bonita naquela noite, pena que não estava ali para arranjar um marido, bonita como estava, arranjaria um com muita facilidade.

Eduarda entrou no salão desacompanhada, via todas aquelas mulheres chiques e bem-vestidas andando pelo salão com seus maridos e namorados puxados pelo braço, era nessas horas que ela sentia falta de estar casada, passou tanto tempo pulando de marido em marido que já não se lembrava a sensação de estar sozinha de novo.

E do outro lado do salão estava Rafael Rocha, feito um gavião de olho em todas que entravam por ali, parecia um lobo buscando a presa perfeita, o que é claro, já estava fazendo Shin sentir vergonha.

— Dá pra parar de ficar olhando paras pessoas como se fosse atacá-las? — o japonês reclamou, ainda estava com aquele copo na mão, segurando-se para não jogar no amigo.

— Eu estou procurando a minha futura esposa, pare de ser tão chato. — Para ele, isso era totalmente normal.

Shin já estava se dando por vencido, se Rafael queria passar vergonha pedindo uma estranha em casamento, que passasse.

— Olha aquela ali de cabelo preto! — E mais uma vez ele apontou todo animado. — Ela é solteira?

Rafael realmente achava que Shin sabia da vida de todo mundo.

— Escuta, você realmente acha que eu sei dos relacionamentos de todo mundo que está aqui? — o japonês perguntou fazendo, o que para ele, era uma cara assustadora, Rafael nem se importou.

— É ou não é?

— Eu acho que é, ela não tá usando aliança.

— Vai ser aquela ali mesmo, vou falar com ela e apresentar o meu projeto! — O moreno já estava se levantando, ele podia até ser bonito, mas não era de fazer alguém querer se casar assim de primeira.

Talvez o problema do escritor fosse ter uma autoestima elevada demais.

— Você chama casamento de projeto?

— Chamo do jeito que eu quiser.

Depois disso, Rafael sumiu no meio das pessoas, indo atrás de sua “escolhida”, perseguiu ela por toda parte para saber aonde ela estava indo, não conseguia acompanhá-la por causa de todas aquelas pessoas. Quando finalmente conseguiu chegar perto da morena que havia visto entrar, a viu beijar outro cara. Shin estava errado, ela não era solteira, o moreno tinha fracassado em sua escolha, agora tinha que voltar para onde estava e continuar procurando alguém.

Triste pelo seu fracasso de escolha, ele estava voltando distraído para sua mesa, foi quando subitamente esbarrou em alguém, dessas esbarradas que só existem em filmes clichês adolescentes, a única coisa que ouviu foi o som de algo caindo no chão e o suspiro frustrado de uma mulher.

— Olha o que você fez! — disse ela enquanto apontava para a mancha em seu vestido vermelho de festa, aquela mancha estava com cara de quem tinha chegado para ficar.

Só faltou uma mala de lado.

— Ah, me desculpe, eu não tinha te visto. — Rafael até tentou se desculpar, mas a mulher não deu ouvidos a ele e saiu andando em direção ao lado de dentro do prédio, provavelmente procurando um banheiro onde pudesse se limpar.

Mesmo assim o moreno queria se desculpar e começou a segui-la por onde ela ia, nessa ele acabou entrando no banheiro feminino junto com ela. Por sorte não havia mais ninguém por ali.

— Olha, é sério, eu não queria mesmo derramar vinho no seu vestido — ele ia dizendo enquanto ela esfregava a mancha com água da torneira. — Olha, fica mais fácil se usar água quente, é melhor nesse tecido.

Mesmo sem falar com ele, a moça de cabelos cor de rosa acabou o ouvindo e ligando a torneira por onde saía a água quente, estava mais concentrada em limpar aquela mancha.

— Dá pra me deixar limpar isso em paz? — ela pediu, estava começando a ficar com raiva. — Eu já estou tendo uma semana ruim, não venha piorar as coisas!

— Quer desabafar? — De acordo com ele mesmo em um de seus livros, deixar uma mulher desabafar seus problemas melhorava o humor dela, ele queria que ela o desculpasse e achou que esse seria o caminho certo.

A de cabelos rosa o olhou meio confusa, nenhum dos homens de sua vida nunca tinha a deixado desabafar, na real eles fugiam quando ela começava a fazer isso mesmo sem permissão.

— Pra começar, me divorciei do meu quinto marido, descobri que a minha própria irmã estava dando comida a ele pelas minhas costas, ela mesma me disse o quanto sou uma péssima cozinheira, um dos meus alunos pregou um chiclete no meu cabelo e eu tive que cortar ele, descobri que meus casamentos duram tão pouco que meus vizinhos fazem bolão apostando em quanto tempo ele vai durar. Além disso, sou uma mulher de 29 anos, sem filhos e correndo contra o tempo para encontrar alguém que me ajude a ter um casamento feliz!

A essa altura ela já tinha começado a alterar a voz e a esfregar o vestido com tanta força que estava fazendo sua barriga doer. Mas ela estava se sentindo um pouco mais aliviada pelo desabafo, e ao mesmo tempo, se sentindo confusa com ela mesma.

Contar sua vida para estranhos no banheiro não era algo comum hoje em dia.

Já Rafael, a olhou como se olha para uma mina de ouro, ela era perfeita, se ele conseguisse ter um casamento feliz com uma mulher que já teve cinco maridos, podia tornar qualquer casamento feliz.

— Eu sei que parece estranho e até mesmo repentino, mas você se casaria comigo? — ele fez o pedido que mais queria fazer e estava com uma esperança enorme que ela dissesse que sim.

Já ela, fez uma careta e soltou um risinho nervoso antes de soltar:

— Depende, você sabe cozinhar?

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