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Capa do romance Com quem me casei? O Golpe do Amor

Com quem me casei? O Golpe do Amor

Lisa vive sufocada por dívidas e pela irresponsabilidade do irmão. Quando Mike é jurado de morte por criminosos, ela se sacrifica em um casamento forçado com Mathew Volkov, um homem impiedoso. Em meio ao perigo, Andrew surge como seu único apoio, tornando-se o alvo principal da ira de Volkov. Agora, Lisa enfrenta um jogo cruel de vingança e ódio, onde a sobrevivência exige um preço alto e a lealdade de um amigo pode ser sua última esperança de salvação.
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Capítulo 1

- Merda... merda... merda!

Lisa pulou para a parte de trás do carro, passou apressada entre os bancos enquanto o irmão dirigia como um lunático. A curva a fez tombar. Arrancou a roupa do corpo com a agilidade de uma fugitiva da polícia.

O que, de certa forma, ela era.

O vestido branco alugado estava amarrotado. O zíper emperrou, e quando tentou passar o batom acabou manchando o rosto inteiro em vez de apenas a boca.

Ainda dava para ouvir as sirenes. A batida policial tinha feito um estrago e tanto. Agora, nem mesmo uma casa Lisa tinha para voltar.

- Eu vou dar um jeito, Mick. Acelera!

O irmão acelerou enquanto ela tentava calçar aqueles malditos sapatos e prender os cabelos.

Ele freou com tanta força que ela quase foi parar na frente do carro.

- Igreja de São José. É aqui!

Lisa ergueu a barra do vestido, desceu descalça. Os sapatos estavam menores. Largou os sapatos e foi sem pensar duas vezes.

Correu o mais rápido que conseguiu. Não podia falhar. A vida de Mick dependia disso.

O noivo parecia mais baixo do que na foto.

Mas o que importava?

Havia um altar e convidados. Flores ridículas e um homem em pé com o olhar tão perdido quanto o dela.

Tentou prender o brinco enquanto falava com o padre.

- Podemos casar de uma vez? Já estamos atrasados, né? Eu digo sim.

Olhou para o noivo.

Segurou a mão do homem. Sentiu a pele arrepiar.

Não esperava que ele fosse tão bonito. Os lábios grossos, o queixo angular, quase exótico. E por alguma razão ele tinha soltado a gravata borboleta.

Pretendia perguntar se ele também diria sim, apesar da óbvia resposta. Ele havia pagado vinte mil dólares por ela.

Andrew sorriu.

E o sorriso dele também parecia com o de um deus grego. Misterioso e sedutor.

- Tá bom. Por que não?

Se virou para o padre e ordenou com a voz firme.

- Siga com o casamento.

O padre ajeitou os óculos. Olhou em volta desconfiado. Tinha acabado de ouvir aquilo?

Nunca teria coragem de perguntar. Andrew Forts não era o tipo de homem que aceitava ser questionado, e todos naquela igreja sabiam disso.

O padre pigarreou e começou a cerimônia.

- Bom, se todos estão prontos, vamos começar.

Lisa puxou o ar. Tentou ajeitar o vestido. Alguma coisa estava pinicando. Pensou que deveria ter ido pessoalmente pegar aquela merda de vestido.

O tamanho estava errado. Só podia estar. Sentia as costelas serem esmagadas, e se aquela porcaria rasgasse, jamais teria como pagar.

A voz do padre parecia longe. Ela achou que estava prestes a desmaiar.

Um casamento devia ser demorado assim?

Ele dizia alguma coisa sobre união, compromisso, amor. Ela não ouviu os nomes. A visão estava embaçada, o rosto suando, os olhos ardendo pela maquiagem derretida.

O homem ao seu lado tinha uma presença forte. Se não fosse o fato de que ela era só um pacote caro que ele comprou para conseguir a cidadania americana, talvez ela pudesse se interessar por ele.

- Você, Andrew Forts, aceita esta mulher como sua legítima esposa?

Todos ficaram em silêncio, inclusive o homem ao seu lado, com um terno impecável.

Lisa franziu a testa. Andrew? Devia ser Andrew?

Pensou que talvez ele tivesse usado um nome falso para falar com ela da primeira vez. Mathew ou Andrew, tanto faz.

Ele olhou para o padre, depois para ela.

- Aceito.

Os convidados continuavam atentos, quase sem acreditar no que estava acontecendo.

- Você aceita este homem como seu legítimo esposo?

Ela aceitou. Claro que sim. Não era real. Jamais se casaria de verdade em meio a um acordo. Passaria três meses casada, pegaria o restante do dinheiro e sairia do país com o irmão.

- Aceito.

Ninguém se levantou. Não houve chuva de arroz. Lisa teve certeza de que os convidados também eram contratados.

Saíram da igreja e, como se não bastasse tudo o que ela tinha passado nas últimas vinte e quatro horas, a chuva caiu pesada.

Escorregou em uma das pedras, sentiu o pé cortar. O vestido colado nas pernas enquanto tentava manter a barra o mais longe da lama possível.

Andrew caminhava como se estivesse em uma espécie de desfile. A postura impecável, apesar da chuva. As mãos nos bolsos.

Passos firmes e lentos.

Pararam embaixo de um toldo amarelo tão ridículo quanto aquela situação.

Andrew olhou para ela de cima a baixo.

- O que esperava conseguir com essa palhaçada?

Para o empresário, as ações de Lisa só podiam significar uma coisa. Um golpe.

Ela queria dinheiro, e ele queria humilhar alguém.

- Os outros dez mil que me prometeu.

Andrew franziu a testa com um sorriso de lado que o fez ficar com uma covinha linda.

- Espera, você sabe que a minha noiva fugiu, né?

O coração da garota saltou no peito.

- Como assim, fugi? Eu não.

Lisa pensou que talvez ele estivesse se referindo ao problema que o irmão teve com a polícia. Mas como ele saberia?

Andrew continuou como se desabafasse.

- Entrou no carro do personal usando o vestido de noiva que eu comprei, mais ou menos uns cinco minutos antes de você chegar e se casar comigo.

Lisa arregalou os olhos, deu dois passos para trás e caiu sentada no concreto mofado.

- E você não é o...

Foi interrompida.

- Quem você pensa que eu sou? Estou louco para ouvir essa história. Você tem uma história para me contar, não tem? Algo bem triste, que acha que vai me derreter e te dar alguma grana.

- Eu... achei que você fosse. Qual é o seu nome?

Andrew gargalhou. Era no mínimo divertido que a esposa não soubesse seu nome.

Ela assentiu. Baixo. Engoliu seco.

- Eu ia me casar com um russo. Mathew. Espera. Você não é russo?

Andrew sorriu. Pelo menos achou a história criativa. Aquela menina achava mesmo que tiraria dez mil dólares dele o chamando de russo?

- Acho que não. Meus pais me dizem que nasci aqui mesmo na Virgínia.

- E agora? Mas era o meu casamento. Eu não cheguei tão atrasada assim. Quantos casamentos fazem por dia?

Começou a procurar o celular por instinto, porque sabia que estava no carro do irmão. Vestidos de noiva não têm bolsinho para o aparelho.

- Agora você é a senhora Forts. Qual o seu pedido para a nossa lua de mel?

Lisa o olhou brava e perguntou novamente.

- Qual seu nome?

- Andrew. E o seu?

- Lisa. Prazer em te conhecer, mas eu preciso muito do seu telefone.

O empresário soltou o ar, coçou a barba e achou que ainda havia espaço para se divertir.

- Lisa, esse foi o pior dia da minha vida. Mas você é engraçada. Quer um café?

Falou apontando para o bar do outro lado da rua.

- Quero um divórcio.

Nenhum dos dois teve o que queria, ao menos não naquela noite. Terminaram sentados em cadeiras de madeira velha, tomando café fervido.

Enquanto do outro lado da cidade, um homem segurava as grades escuras e enferrujadas da cela, gritando sem parar que mataria a todos.

O terno estava amarrotado. O cabelo, alinhado fio a fio.

Mas os olhos.

Os olhos mostravam do que Mathew Volkov era capaz.

- Eu iria me casar. Eu juro. Aquela...

Quase rosnou, mas não terminou a ofensa que Lisa merecia.

O policial respondeu como se falasse com um verme.

- Você está sendo deportado. Reclama com o consulado.

Mathew cuspiu no chão. Pisou em cima.

- Se eu sair daqui, juro por tudo o que sou... ela vai pagar. Cada pedaço dela.

E ele ia sair. Muito antes do que todos imaginavam.

Mas.

Lisa apertava o copo de café entre as mãos, tentando roubar o calor daquele líquido de sabor intragável.

Andrew pegou um dos donuts do prato e entregou a ela.

- Obrigada.

Ele balançou os ombros como se não se importasse.

- Casamento inclui benefícios. Disse que queria dez mil dólares, posso pagar por isso. E só isso!

- Você não vai me denunciar?

- Por quê? Por se casar comigo? Fica tranquila. Quem tinha dinheiro era a Georgina. Eu trabalhava de gogoboy até ela me tirar da noite.

Lisa o encarou sem saber se deveria rir ou chorar.

- Meu Deus.

Ele só mordeu o donut.

- O quê? À noite, com as luzes certas e uma cueca cavadinha, eu conseguia umas boas gorjetas.

Ela deu risada. Não tinha outra coisa a se fazer.

Mas enquanto Andrew brincava, outro homem, com o sotaque carregado e o peito cheio de ódio, usava uma linha clandestina para dar as ordens que selariam o destino de Lisa.

- Achar essa garota é uma questão de honra. Ela me deve um casamento. E não vai gostar disso

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