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Capa do romance Claire - Uma nova obsessão

Claire - Uma nova obsessão

Liam Stevens, um médico de prestígio, retorna ao trabalho acreditando estar curado de seus antigos dilemas. Contudo, ao conhecer Claire, uma psicóloga recém-formada no hospital da família, ele percebe que sua estabilidade é frágil. Fascinado, Liam mergulha em um sentimento intenso que beira o perigoso. Agora, ele enfrenta o desafio de transformar esse desejo em um amor saudável, evitando que sua nova obsessão destrua a chance de ficarem juntos para sempre.
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Capítulo 1

Claire – Uma nova obsessão

Capítulo 1 – Recaída

Liam Stevens

*Flashback on*

— Como assim eu não posso ver a minha filha? — Meu sangue ferve dentro de mim quando dois seguranças não me permitem entrar no prédio aonde eu costumava morar com Chloe e a mãe.

— Desculpe, senhor, mas não podemos deixá-lo entrar. — Afirmam novamente e viram as costas para mim. 

Imediatamente, pego o celular e seleciono o contato de Maureen esperando que a mesma me atenda. Parecendo esperar por tal ligação, minha recente ex-mulher atende a minha ligação.

— Eu te vi ontem. — Ela afirma antes mesmo que eu a questione. — Liam, você não está bem. Isso não é normal, como você pode ficar me perseguindo pelo hospital? Como acha normal ficar escondido atrás de pilastras me observando? Você está passando de todos os limites, Liam. 

— Eu não estou preparado para te perder. Você sabe que a nossa separação não está me fazendo bem, amor.... Maureen, eu te amo! Eu preciso de você, preciso da Chloe! Vamos, libera a minha entrada para que eu entre.

— Eu já contatei os meus advogados. — Ela sinaliza e eu escuto-a fungar, sei que ela está chorando. — Você não pode chegar muito perto de mim, Liam. É uma medida protetiva.

— Não, não, você não fez isso.

— É para o seu bem. — Afirma. — Liam, nós dois sabemos que isso não é de hoje. Você...

— Eu sou normal sim! 

— Eu não sou sua primeira mulher, não sou a primeira a sofrer com sua obsessão e tantas desconfianças. Nem todas mulheres são como a sua mãe. — Quando ela cita a mulher que me colocou no mundo, meu estômago dá piruetas de enjoo.

— Não fala dessa mulher.

A mulher que me abandonou, a mulher que abandonou meu pai para fugir com o irmão rico. A mulher que não pensava em nada além de si mesma e dinheiro. 

— Você não está psicologicamente bem. É por isso que não poderá ver a nossa filha daqui pra frente até apresentar equilíbrio emocional.

— Maureen, você não pode me impedir de ver Chloe. 

— Me desculpa, Liam, mas isso também é pro seu bem. — Maureen afirma. — Eu só aguentei todos esses anos com você, esses cinco anos de casado, por causa da nossa menina. — Afirma entre soluços. — Porque éramos amigos e eu queria te ajudar a talvez descobrir que o amor não precisa ser doentio. Mas eu cansei, Liam! Cansei de tudo! Você me machucou, agora eu tenho medo de tudo e de todos.

— Para... Isso não é verdade. Eu te amei da minha melhor forma.

— Não, você não amou. Você não sabe amar, Liam, você é doente!

— Para de falar que eu sou doente! — Grito na calçada da rua e chamo a atenção dos seguranças que, por precaução, permanecem de pé ao lado da porta principal da portaria. Respiro fundo, fecho os olhos e tento me recompor. — Por favor, eu só quero ver a nossa filha.

— Ela te ama. — Afirma.

— Eu não quero ouvir de você. Quero ouvir dela, deixa eu ver a Chloe.

— Eu não quero que ela veja o monstro que você se transforma quando está tendo aquelas terríveis crises de ciúmes. — Afirma. — Me desculpa, mas eu estou seguindo as ordens da justiça. Os meus advogados já enviaram para os seus, Liam.

— Eu não acredito que você foi capaz de fazer isso comigo. — Sento-me no chão sem saber como reagir diante de tal realidade. — Está me afastando da minha filha como se eu fosse um criminoso. 

— É para o seu bem... Eu já te amei, sabe que eu me sinto péssima em fazer isso, mas eu não tenho outra escolha.

— Não vem me falar de amor, Maureen. Você é a última pessoa que eu penso que me ama em todo o mundo.

— Você pode não acreditar, mas eu só estou cuidando de você. Liam, você é novo, não pode continuar vivendo assim, ou vai terminar amargo, sozinho e se suicidando, como o seu pai. 

— Eu não sou como ele... — As lágrimas descem pelo meu rosto, enquanto minhas mãos passam pelos meus cabelos em desespero. — Eu não sou...

— Mas se continuar nesse caminho, aonde acha que vai chegar?

— Eu posso melhorar. — Afirmo tentando convencê-la. — Tire a queixa, tire a denúncia, nós podemos fazer terapia para casais, podemos... — Busco por palavras. — Eu faço o tratamento que você quiser, mas nós não precisamos nos separar para isso, Maureen. Por favor, me dê mais uma chance.

— Não, Liam, me desculpa. — Ela me nega. — Você se trata, melhora e poderá voltar a ter contato com a Chloe. Mas o nosso casamento... — Ela respira fundo. — Acabou, Liam, ele acabou.

*Flashback off*

— Aqui está a sua liberação, Liam. — Doutora Liza me entrega o papel atestando minha ‘’melhora’’ psicológica. — Mas é importante que nos encontremos ao menos uma vez por mês, por favor. 

— Estou bem, Liza... Não vou mais me apaixonar por ninguém, agora eu só quero focar no hospital que meu pai deixou para mim e na minha filha. Vou ficar tão ocupado que não terei tempo nem de pensar em amar alguém. 

— Meu querido, eu preciso que você entenda que não há problema em amar. — Ela afirma com os seus olhos negros presos aos meus. — Você pode amar, agora você só precisa controlar a intensidade dos instintos que você desenvolveu como forma de defesa. Para o seu bem e para o bem dos outros.

— Eu sei... Mas acho que vai dar menos trabalho, entende? — Solto uma risada e me levanto. — Obrigado por todos esses doze meses de terapia. 

— Estarei aqui sempre que precisar, meu querido. — A mulher se levanta e me abraça forte. — Te espero no próximo mês e espero que venha com boas novidades.

— Eu também espero vir com novidades, Liza. Eu também espero...

Foram longos doze meses de terapia. Longas quatro semanas depois do incidente até que meus advogados recorressem e eu conseguisse voltar a ver minha filha, longos dois meses onde eu tive recaída ao descobrir que Maureen ia se casar com outro, tiraram novamente minha permissão para ver minha filha e, só então, eu me permiti cair de cabeça no tratamento.

Me machucaram de todas as formas possíveis. Me tacharam como maluco, me pintaram como o pior pai do mundo para a minha filha. Contudo, no final, tudo isso só me ajudou a ter forças para me reerguer e redirecionar meu foco. 

A partir de agora, sou um novo Liam Stevens. A partir de agora a minha vida se resume ao hospital que meu pai deixou para gerir e a minha filha. Serei o melhor profissional, o melhor médico que poderia dirigir o hospital que meu pai tanto lutou para erguer. Serei também o melhor pai que Chloe poderia ter, serei o seu orgulho. 

Sem mais distrações, sem mais machucados, apenas eu, minha filha e meu trabalho.

Do consultório da doutora Elizabeth Taylor até o hospital, eu tenho apenas que atravessar a rua. Com meu paletó em minhas mãos, minha maleta em outra, ando pelos corredores às pressas a fim de chegar à minha sala e iniciar os trabalhos do dia.

— O senhor tem uma cirurgia marcada para meio-dia. Outra à noite... — Susan, minha secretária sinaliza assim que entramos no elevador. 

Aperto o botão do último andar, as portas do elevador começam a se fechar, mas uma mulher corre em nossa direção e grita chamando minha atenção e fazendo Susan rir por tamanho desespero.

— Segura a porta, por favor! — É o que ela pede e me faz colocar a mão na frente para que as portas não se fechem.

A mulher nos alcança, entra no elevador e só então eu tiro minha mão da frente das portas permitindo que as portas se fechem.

— Bom dia e obrigada. 

Com um sorriso gentil em seus lábios vermelhos, tingidos por um batom, a mulher me olha com seus olhos, dotados de um intenso verde e brilhantes como duas esmeraldas, contrastam perfeitamente com a cor de seus cabelos, escuros como a noite. Ela é linda. Pequena, como uma fada, se me abraçasse, sua cabeça bateria facilmente no meu peito, mas isso só a torna ainda mais encantadora. Dona de lábios volumosos, sobrancelhas grossas, nariz levemente arrebitado e um sorriso cativante, a mulher ainda possui um perfume extremamente familiar. 

— Chanel nº 5. — Falo em voz alta o nome do seu perfume. — Suave e floral...

A mulher, um tanto quanto envergonhada, olha para Susan que está parada como um poste ao meu lado e digita freneticamente em seu celular. Depois, com o cenho franzido, ela olha para mim. 

— Já disseram que é estranho falar o nome dos perfumes alheios? E mais estranho ainda descrevê-los?

Seus olhos são instigantes como um mistério, me faz querer desvendá-lo, ou até mesmo sentar e ficar o admirando pelo dia inteiro.

O andar dela chega e eu não consego dar-lhe uma resposta.

— Bom dia, Doutor. — É tudo o que ela diz antes de virar as costas para mim e sair da grande caixa de metal que nos trouxe até aqui.

— Bom dia, doutora... — Aceno com uma das minhas mãos livres e a vejo voltar seu olhar para mim novamente e sorri.

Seu perfume lembra minha mãe. Ele é uma das poucas memórias boas que me remetem à mulher que me colocou no mundo. Seu perfume me lembra as vezes em que ela me colocava para dormir sobre o seu peito nas noites de tempestade, ou então às tardes chuvosas que passávamos juntos no sofá assistindo filmes enquanto meu pai não chegava do trabalho. Ele também me lembra de todas as vezes que ela ia me buscar na escola.

— Quem é essa garota? Eu nunca a vi por aqui. — Eu pergunto a Susan que deixa o celular de lado quando alcançamos nosso andar e as portas do elevador se abrem.

— Às vezes eu a encontro no refeitório. Ela começou como psicóloga há pouco tempo.

Psicologia...

— Trabalha lá na oncologia. — Completa a informação.

— Tem nome? — Debruço-me sobre a mesa de Susan quando a mulher para ali e senta.

— Claire, doutor. Claire Morris. 

Eu pensei ter controle sobre mim mesmo até vê-la. Mas não, agora eu sei que eu estava muito enganado... Enquanto o seu perfume permanece em minhas narinas e seu olhar ainda assombra minha mente, eu só consigo pensar no quão beijáveis os seus lábios pareciam ser. Eu pensava estar curado daquele sentimento doentio que eu costumava chamar de amor. 

Eu não tive culpa. Foi só a ver que tudo saiu do meu controle mais uma vez.

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