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Capa do romance Cinquenta Trepadas de Pobre

Cinquenta Trepadas de Pobre

Nesta obra, a rotina de trabalhadores comuns se entrelaça em tramas de desejo e superação. De um casamento azarado a uma jovem mãe que abandonou os estudos, cada relato expõe as marcas do machismo e do descaso educacional. Entre viagens de trem e os jogos de um político corrupto, emergem romances intensos e críticas sociais afiadas. Com humor e realismo, o livro explora a vida íntima de classes desvalorizadas que buscam amor em meio às injustiças do cotidiano.
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Capítulo 2

Eu estava exausta e não era apenas um cansaço físico, era psicológico também. Aquelas mulheres não queimaram sutiãs para que hoje eu estivesse lavando as fardas do meu marido, enquanto ele descansava do trabalho assistindo à televisão.

Sabe Amélia? Eu era uma Amélia com jornada dupla, uma Amélia do século XXI. Eu trabalhava fora, assim como o meu marido que estava vendo tv, e dentro de casa. Ele achava que as meninas tinham que me ajudar no trabalho doméstico. Teve filhas para quê? Claro! Homens têm filhas com o propósito de criarem Amélia, para que os homens, das próximas gerações, tenham empregadas quando saírem da casa dos pais. Minhas filhas, não! Com certeza elas teriam uma vida melhor do que a minha, era para isso que eu trabalhava, era por isso que elas estudavam até não poder mais. Estava cansada daquela vida e daquele homem que eu não admirava mais.

Casei-me jovem, nem tinha dezoito ainda. Quando fiquei grávida, meus pais só me deram duas opções: casava e iria morar com o Zeca ou iria para a rua. Não tinha como me sustentar, estava cursando o último ano do ensino médio e era apaixonada por ele. Por que não? Casei!

Zeca era legal, trabalhador, porém, machista! Concluí o ensino médio na raça, por ele nem isso eu faria. Faculdade? Só agora, depois de as filhas crescidas. Prometi a mim mesma que com minhas duas filhas seria bem diferente.

Eu trabalhava fazendo faxina, apesar de Zeca ser contra. Ele dizia que o SEU salário era suficiente para sustentar a nossa família. E era! Mas queria que minhas filhas tivessem coisas que para ele eram supérfluas. Em casa, elas cuidavam apenas de suas coisas e pequenos afazeres domésticos, passavam​ a maior parte do tempo estudando. Com o meu salário, as meninas tinham oportunidade de fazer um curso de inglês, a mais velha o pré-vestibular e ainda pagava minha faculdade EAD.

Com o tempo, o machismo de Zeca foi aumentando, não era agressivo, mas começou a exigir as camisas mais bem passadas, a comida do dia, a casa sempre limpa. Comecei a perceber que isso foi depois da faculdade, não sei se era insegurança ou pirraça mesmo, mas estava acabando com o nosso casamento. Para completar, Zeca começou a me negar sexo, só fazíamos quando ele queria, quando ele procurava. Se eu tomasse a iniciativa, sempre vinha com um: tô cansado hoje, trabalhei além da conta. Definitivamente, tinha algo errado com nós dois.

Estávamos em casa, no domingo, quando a nossa vizinha, do final da rua, apareceu pedindo que Zeca fosse ajudá-la a consertar a tubulação da máquina de lavar. Não era a primeira vez que Darlene aparecia para pedir alguma coisa ao Zeca, não era ciumenta, mas já estava cismada com aquilo. As coisas na casa dela só quebravam quando o marido estava trabalhando? Ela não sabia consertar sozinha? Acho que dona Hermínia não queria apenas fazer fofoca quando me pediu para abrir os olhos. Pois bem, eu os abriria bem, a partir de agora.

Zeca voltou uns trinta minutos depois, estava todo suado, alegou que foi o esforço do trabalho e o dia quente. Perguntei alguma coisa? Não! Mas quem tem culpa, se explica demais. Nosso casamento não estava bem, ok, mas traição eu não aceitaria, de jeito nenhum! Aproveitei que colocara os jeans na máquina e coloquei o short que ele havia acabado de tirar. O que era isso no bolso? Uma chave! De onde? Aposto que eu descobriria! Aguarde-me, seu traste!

Não dormi direito e teria um dia péssimo se não resolvesse logo isso, então não fui trabalhar. Tomei banho e me vesti, como se fosse para o emprego. Assim que todos saíram, peguei a chave e me encaminhei até o fim da rua.

Ainda era cedo, mas quem tinha de trabalhar já havia saído e as fofoqueiras de plantão só sairiam depois de colocar o feijão no fogo. Aproveitei o sossego e enfiei a chave na porta, não foi surpresa ela ter entrado e girado com a maior facilidade. A porta abriu, mas não tinha porque eu entrar, já que eu descobri o que queria. Mesmo assim, eu entrei e, silenciosamente, fechei a porta atrás de mim. Darlene era babá, saía cedinho de casa, o marido trabalhava em dias alternados e ela havia dito que ele não estava em casa, pelo menos, não no dia anterior.

Não sei por qual motivo, mas comecei a olhar tudo. Observei que ela era muito organizada e muito limpa, a casa estava impecável. Tudo muito simples, móveis básicos de departamento, porém, arrumados com primor. Fui até o único quarto e como era muito escuro, acendi a luz. O quarto era simples, continha uma cama de casal bem forrada, um armário médio e um espelho de corpo inteiro.

Tomada por uma curiosidade mórbida, eu abri suas gavetas. Queria descobrir o que tinha de especial nela para que meu marido me traísse. Éramos muito parecidas fisicamente, tínhamos praticamente o mesmo peso, altura e tonalidade de pele. Os vizinhos brincavam que éramos gêmeas e que fomos separadas na maternidade. Por que me trair com uma pessoa parecida comigo?

Mexi em todo o seu quarto, mas não encontrei nada que a ligasse ao Zeca. Decidi que olharia a última gaveta e logo depois iria embora. Nossa! Quantas fantasias eróticas ela tinha? Eram fantasias de várias cores, personagens e tecidos diferentes.

Fechei a gaveta e resolvi ir até a cozinha só para beber água, estava com a boca seca, não sei se de sede ou de ansiedade. Enquanto me refrescava, olhei para o quintal e vi, lá no varal, o que tanto procurava: uma cueca do Zeca pendurada. Era muita safadeza mesmo. Sentei na cadeira e chorei, me lembrei de uma vida dedicada a um casamento, que nos últimos anos, se tornou péssimo. Acalmei-me e disse a mim mesma que tudo isso teria um fim. Larguei o copo sujo de batom bem em cima da mesa, ela que se virasse para descobrir de quem era.

Voltei ao quarto para pegar a chave que deixei sobre a cama, olhei para a gaveta de fantasias e não resisti. Depois de remexer nas peças, escolhi a fantasia de enfermeira e a vesti. Como tínhamos o mesmo corpo, caiu como uma luva. Nunca havia usado uma fantasia antes, ficou linda! Zeca dizia que eu tinha bunda de passista de escola de samba. Nos últimos anos, ele já não dizia mais nada. A fantasia não só realçou as minhas curvas como deixou-me muito mais atraente. Nem parecia que era a dona de casa que vivia com o rosto cansando. Para finalizar, coloquei a touca e a máscara, que deixava apenas os olhos à mostra.

Olhei-me em um imenso espelho e vi o quanto ainda era bonita. Fui até o armário e peguei um perfume dela, usei um pouco no decote e atrás das orelhas. Voltei para o espelho e os questionamentos vieram à tona. Por que ele me traiu? Por que nosso casamento esfriou tanto? Agora nada disso tinha mais importância. Era o fim, não tinha mais volta. Acordei de meu momento de princesa e resolvi tirar a fantasia e voltar para casa. Mal coloquei a mão no top apertado e ouvi barulho na porta da frente.

Ai, meu Deus! Será um assalto? Apaguei a luz do quarto e não sei como, já que as pernas tremiam mais que gelatina, consegui sair do lugar e escondi-me atrás das cortinas.

A porta se abriu e fechou com facilidade, ouvi um barulho de algo sendo jogado sobre sofá, depois ouvi o som de tênis sendo jogados no chão. Os passos chegaram até o quarto, não conseguia ver quem era por causa da cortina de tecido grosso e de cor escura, mas ouvi um barulho de cinto sendo arrancado da calça, depois a calça sendo atirada ao chão e de um corpo sentando na cama. Quem tiraria a roupa para assaltar uma casa? Meu coração estava tão acelerado, que fiquei receosa de ele ser ouvido pelo estranho. De repente, senti algo andando em meu braço, bati a mão com nojo, mas acho que fui ouvida. Um silêncio precedeu o tapa barulhento, mas a respiração parecia ter mil decibéis.

— Quem está aí? Darlene? — Era o marido dela, reconheci aquela voz.

Ele levantou-se e, bem devagar, foi até a cortina. Fechei os olhos, suplicando ajuda divina, já que não conseguia imaginar como iria explicar aquilo tudo. Estava escuro e ele não me reconheceu.

— Amor! Que surpresa boa! Não sabia que folgaria hoje. — Agarrou minha cintura, puxando-me para mais perto e cheirou meu pescoço, com toda vontade. — Adoro o seu perfume!

Aquilo não estava acontecendo! Como ele não reconheceu que não era a esposa dele? Senti algo pressionando minha virilha e abri os olhos, ele estava completamente nu, completamente armado e duro. Pressionou-me contra a parede e começou a falar coisas obscenas.

— Enfermeira, acho que tem uma farpa no meu pau. Olha pra mim, por favor!

Fiquei sem ação e, no desespero, resolvi fingir ser Darlene. Um pouco sem jeito, toquei em seu membro e apalpei todo aquele volume. Por que Darlene o trocaria pelo Zeca? Não tinha comparação! Ele sentou-se na cama e pediu-me para molhar antes de tirar a farpa, para não doer. E agora? O que eu faço? Resolvi que seria melhor continuar fingindo do que ter que explicar o porquê eu estava ali. Ajoelhei-me e fiz um boquete nele, era muito grande, mas ainda lembrava como fazia. Chupei como se nunca tivesse chupado um homem na vida. Queria que ele gozasse logo para eu poder fugir dali.

— Enfermeira, que chupada gostosa da porra! Agora é a minha vez.

Não, isso não podia estar acontecendo. Como fugir disso agora? Ele me levantou pelos cotovelos e me atirou na cama, logo depois arrancou a minha calcinha e caiu de boca, lá. Há quanto tempo o Zeca não fazia isso! Ele chupava, lambia, enfiava a língua, depois chupava de novo. Eu não queria, não era certo, mas estava quase gozando quando ele parou, tirou uma camisinha do mesa de cabeceira e colocou no pênis dele. Não tinha mais como voltar atrás, agora só me restava continuar. Ele me penetrou com toda a força, era muito rápido, muito gostoso, não demorou muito e comecei a gemer de prazer, tentei me controlar para não gritar, mas era bom ao extremo, de repente comecei a me contorcer. Há quanto tempo não sentia aquilo? As ondas de prazer chegaram com a mesma velocidade com que me penetrava.

— Ah... ah... perdoa, Senhor! — Gozei como há muito não fazia.

Ele continuou se movimentando dentro de mim, ainda não tinha gozado. Acho que eu tive um orgasmo muito rápido por estar na seca há tempos.

— Ainda tem mais, gostosa! — Ele tirou o pênis de mim e me puxou para a ponta da cama. Depois virou-me e empinou o meu quadril, posicionando-me de quatro. — Se prepara para as estocadas, gata!

Ele ficou em pé no chão e eu, de quatro, na ponta da cama, olhei para trás e vi quando o seu dedão foi até a sua boca e depois entrou com tudo em meu ânus. Gemi e prendi o seu dedão, com força, ele voltou a penetrar-me novamente. Não tinha como resistir àquilo.

Senti um puxão e a parte de cima de minha fantasia foi arrancada, enquanto ele continuava me penetrando. Os bicos dos meus seios passavam pelos travesseiros, aumentando a excitação com a constante fricção. O meu corpo era chacoalhado para frente e para trás e eu senti que teria outro orgasmo. Ele era ótimo no que estava fazendo, não tinha como negar.

— Ah... socor... ro... ah! — Gozei de novo e dessa vez não consegui controlar o tom da voz. Fiquei com receio dele me desmascarar, mas ele parecia muito concentrado.

Quando achei que estava tudo acabado, ele saiu de mim novamente, sentou-se na cama, encostando-se à parede e me colocou em cima dele. Subi e desci naquele pau como se fosse o último da terra, ele aproveitou a posição e chupou meus seios com desespero, fui ao céu e voltei, gozei pela terceira vez e ele gozou junto comigo. Assim que acabamos ele foi para o banheiro, aproveitei e vesti minhas roupas na maior rapidez. Ele começou a conversar.

— Amor, cê tava mais gostosa hoje. O que aconteceu?

Eu não respondi. Como poderia?

— E por que tá tão calada? — Esperou por uma resposta. — Te dei uma canseira, né?

Terminei de me vestir e saí correndo daquela casa. Olhei para os lados, mas ao que parecia, ninguém me viu saindo de lá. Cheguei em casa e quase não consegui abrir o portão, estava trêmula, não sabia se de nervoso ou de tanto gozar. Entrei em casa, tomei um banho e esperei o Zeca chegar. Com certeza não o tinha traído já que decidi terminar nosso casamento quando descobri a sua traição, mesmo assim a minha consciência me acusava. Não importa mais, chumbo tocado não dói.

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