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Capa do romance Chefe da máfia

Chefe da máfia

Luca, o temido capo conhecido como o diabo das máfias, cria sua filha sozinho após ser abandonado. Preso a uma promessa feita ao seu implacável pai, ele enfrenta um dilema que ameaça seu futuro. No entanto, o destino intervém quando ele conhece Micaela Yeva, uma imigrante russa que sobreviveu a abusos brutais em Roma. Entre segredos sombrios e a rigidez da Famiglia Pasini, surge uma conexão inesperada que unirá essas duas vidas marcadas pela dor e violência.
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Capítulo 1

72 Capitulo 73 — Oi. — Cumprimento minha amiga doidinha. Ela é como uma irmã para mim. Kalita entra e me olha sorrindo, um doce de pessoa, sempre protetora, e, geralmente não se cala para ninguém, e isso vive colocando ela em encrenca. Mas, ela não faz isso por maldade, e sim porque fala tudo que vem na cabeça na maior naturalidade, muitas vezes parece não se dar conta. Percebo que apesar do sorriso ela está muito triste, Kalita sofre muito com a mãe que tem. Na verdade, nós duas passamos por mal bocados, e, infelizmente há muito tempo. Olho ela e acabo de pentear meus longos cabelos loiros, adoro ver as pontas perfeitas dos meus lindos cabelos tocar na minha cintura. Não pretendo cortar meus cabelos, isso jamais irá acontecer. Adoro ele apesar do tamanho, eles são tão leves e soltos. Acho lindo como eles brilham, e esse ressalta muito mais contra a luz o dia. — Já está pronta? — Kalita fala fazendo careta. — Eu estou amiga. — Chama isso de pronta? — Chamo, sua abusada. — Eu, né? — Pergunta debochada. Dou risada. Me olho, verificando a jeans puída e colada ao corpo, camiseta preta, nos pés meu único tênis, ou seja, meu velho e filho único. Como Kalita e eu costumamos chamar os nossos tênis. Desvio o olhar do meu pobre tênis e reparo no meu pobre skate, economizei muito para comprar ele. Segurando firme meu skate nas mãos. Suspiro triste ao pensar no que novamente estou passando, e na falta que minha mãe faz. Me pergunto o porquê ela que sempre some, e justo quando Jacques fica mais violento. Olha para Kalita e pisco para não chorar. Ela me tira dos meus devaneios... — E aí, seu padrasto tem enchido muito o saco? — Nem me fale dele. — Suspiro e de repente me pergunto. Que mal eu fiz para merecer um padrasto na minha vida?! Limpo a garganta antes falar. Na verdade, quero gritar chorando, mas me contenho. Sempre me contenho. — Amiga prefiro não falar no assunto... — Me calo e pigarreio evitando o pranto que de nada adiantaria. — Ele anda te batendo. Né? — Ela arqueia uma sobrancelha, isso é o mesmo que me mandar contar logo. — E como. Para piorar, minha mãe fugiu outra vez. E eu quem me ferro nessa merda toda. — Respiro fundo, lembrando do dia que minha mãe se foi. Minha mente voa na minha tristeza. Lembrando a conversa que tive com a minha mãe. Ou melhor a conversa que tentei ter.... — Filha quero me prometa que vai se cuidar. — Mãe, você vai embora outra vez? — Tenta entender... — Entender que sempre que ele fica mais violento a senhora foge e me deixa a mercê de um homem brutal? Que vai sei lá para onde, e eu me ferro? — Perdão filha... Sempre tenho a impressão que ela me esconde algo. Mais nunca pergunto... — Não peça perdão mãe, apenas fica. — Não consigo... — Mas consegue me deixa para trás... — Filha. Não tenho como te levar junto. — Junto para onde? — Porque pergunta tanto? Apenas não tenho a sua coragem, você é tão mais forte do que eu. — Não​sou​corajosa​como​pensa.​Mas,​de​uma​coisa​tenho certeza...nunca vou abandonar uma filha, ou filho. Sei lá. O que eu tiver. — Ainda é muito jovem. Vai ter filhos daqui uns dez anos ou mais... então vai me entender. — Não. Eu não vou. Saio da minha dolorosa recordação com Kalita falando algo.

 Sabe que na minha casa não é diferente. Ela não faz as malas, mas é como se nunca estivesse lá. Minha mãe sequer lembra que tem uma filha. — Amiga precisamos dar um rumo para a nossa vida. — Micaela e se nós fossemos trabalhar e morar sozinhas? — Kalita dá faz beicinho, dou risada. — Essa é a melhor ideia que já teve. Mas trabalhar onde? — Bom perdi meu trabalho na loja de sapados do seu Adamastor, tudo porque dei um tapa no ouvido dele. Abusado! Onde já se viu, me mandar embora por isso?! — Tadinha, não fez nada demais. — Hum, ele me mandou subir a escada na frente dele, eu fui. Quando vi no enorme espelho que ele se abaixou para ver minha bunda, virei acertei o ouvido do infeliz. — Fez o certo amiga. Bom também perdi meu trabalho e Jacques gastou o meu dinheiro na bebida, o pouco que sobrou, minha mãe além de me abandonar outra vez, pediu emprestado. Apesar de tudo, não tive como negar. — O meu pobre dinheirinho a minha mãe gastou. Escondi, mesmo assim ela achou. E eu só percebi que ela havia pego, porque... ela...você sabe. — Sei amiga. O que interessa é que a sua ideia é das boas. — Por onde vamos começar? Quer dizer somos imigrantes. E... Lembrei... Anúncios e agências de trabalho. — Ela grita empolgada e levo assusto, fazendo minha amiga rir. — Vamos procurar em classificados. — Então tá. — Vamos vaca. — Brinco com a minha amiga e juntas saímos porta fora. Neste momento que dou de cara com o bêbado do Jacques, meu infelizmente padrasto. Maldita seja a minha triste vida! Ele me olha com nojo. É triste ser sozinha nesse mundo, não ter ninguém, não ter proteção alguma...ferrada é pouca. Temo a surra que ele possa me dá. Olho a Kalita, noto ela encarando ele debaixo a cima. Gostaria de ter essa coragem. Tento passar por ele, mas o bebum segura meu braço com força esmagando a carne. Gemo de dor, e ele sorrir satisfeito. — Vai aonde, sua puta? Quase fico embriagada com o bafo de álcool que saí dele que ao falar cospe, o que é bem nojento. Pelo hálito forte, desconfio que o infeliz esteja bebendo álcool de posto de gasolina. Olho firme para ele, sei que não vou sair dessa ilesa, então tomo coragem e falo sem medo. — Na puta que te pariu, ver a senhora sua mãe. Levo uma bofetada como sempre. Kalita me dá a mão, para que eu consiga ficar em pé novamente. Já que, caí com a violência do tapa. Ele ri debochado. Kalita estreita os olhos para ele, temo que ela abra a boca e piore tudo. Pior é quando se cala, mas quando fala desafia tudo sem medo. Volto a prestar atenção do deplorável covarde antes que ele me bata novamente. — Vai vagabunda e vê se ganha algum dinheiro. Não volte tão cedo, hoje vou trazer umas putas aqui para casa. Irei fazer uma festinha, já que sua mamãezinha foi embora outra vez. Saio chorando, seco as lágrimas, pego meu skate e minha mochila. Pois nunca sei quando posso, e a que horas poderei dormir em casa, devido a isso me obrigo a sempre deixar algumas coisas dentro dela. Lembro o quanto é perigoso dormir nas ruas... sinto tanto medo quando a noite cai, e eu tenho que ficar perambulando pelas ruas frias de Roma. Como preciso de um milagre, e não importa de qual senhor será. Contudo, preciso de mudanças na minha vida. E logo, senão estarei perdida.

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