
Casando com o Pai Poderoso do meu Noivo Fugitivo
Capítulo 2
O corredor que levava ao lounge VIP estava silencioso, um contraste gritante com a energia frenética do andar de cima. O carpete aqui era mais grosso, a iluminação mais fraca, projetada para acalmar os nervos dos bilionários antes de suas aparições públicas.
Estella saiu do elevador. Dois homens de ternos escuros, com porte de jogadores de futebol americano, estavam parados em frente às portas duplas de mogno no final do corredor. Eles cruzaram os braços enquanto ela se aproximava, seus fones de ouvido espiralando por seus pescoços.
"Área privada, Srta. Holcomb", um deles resmungou. "O Sr. Holland não deve ser incomodado."
Estella não diminuiu o passo. Não piscou. Ela caminhou diretamente na direção deles, o vestido branco esvoaçando ao seu redor como uma nuvem de tempestade.
"Diga a ele que sua carteira de ações depende da abertura desta porta", disse ela. "Ou saiam do meu caminho. Não tenho tempo para músculos."
O segurança hesitou. Naquela fração de segundo de indecisão, a maçaneta da porta de mogno girou por dentro. Um assistente com aparência frenética, agarrando uma pilha de arquivos, abriu a porta para sair.
Estella não esperou. Ela virou o ombro e empurrou o assistente para o lado, passando pela fresta antes que os seguranças pudessem agarrá-la.
A sala cheirava a couro envelhecido, cedro e uísque caro. Era uma caverna masculina, isolada da histeria do casamento lá fora.
Fletcher Holland estava sentado em um profundo sofá Chesterfield. Ele lia um documento, com um copo de cristal com um líquido âmbar pousado na mesa ao seu lado. Ele usava um smoking, mas o paletó estava desabotoado, e ele parecia menos o pai do noivo e mais um rei exilado em sua corte.
Ele não levantou o olhar quando ela entrou de rompante.
Estella bateu a porta atrás de si e girou a tranca. O clique ecoou no silêncio.
Ao som da tranca, Fletcher finalmente levantou a cabeça.
Seus olhos eram de um cinza-ardósia escuro. Frios. Impassíveis. Eles percorreram seu estado desalinhado — o véu ligeiramente torto, o rubor em suas bochechas — sem um pingo de preocupação.
"Jameson não está aqui", ele afirmou. Não era uma pergunta. Sua voz era um barítono profundo, suave e desprovida de emoção.
Estella avançou. Suas pernas pareciam gelatina, mas ela as forçou a se mover. Ela colocou o iPad na mesa de centro à frente dele, a foto em preto e branco do aeroporto ainda brilhando na tela.
"Ele está em Paris", disse ela.
Fletcher olhou para a tela. Sua testa se franziu — um movimento microscópico, o único sinal de que ele estava processando o colapso de um evento multimilionário. Ele não suspirou. Não gritou. Apenas enfiou a mão no bolso e pegou o celular.
"Vou pedir ao jurídico para redigir a anulação dos contratos", disse ele, com o polegar pairando sobre a tela. "E o RP cuidará das consequências."
Estella estendeu a mão e cobriu a mão dele com a sua. Sua pele estava gelada contra o calor dele.
Fletcher parou. Ele olhou para a mão dela, depois para o rosto dela. Seu olhar era pesado, um peso físico pressionando-a. Era um aviso. Tire sua mão.
Estella recuou a mão, mas não se afastou. Ela respirou fundo, sustentando o olhar dele.
"Case-se comigo", disse ela.
As palavras pairaram no ar, absurdas e pesadas.
Fletcher a encarou por um longo momento. Então, o canto de sua boca se contraiu para cima. Foi quase imperceptível, mas aconteceu. Um escárnio.
Ele se levantou. Era alto, com mais de um metro e oitenta e oito, e se agigantou sobre ela, bloqueando a luz. Seu tamanho imponente era intimidador, uma muralha de músculos e lã sob medida.
"Você está histérica", disse ele com desdém. "Você é um ativo danificado, Estella. Não tem poder de barganha. Seu pai é uma fraude, seu noivo é um fujão, e você está atualmente tendo um ataque de histeria no meu lounge privado."
"Não estou histérica", Estella rebateu, sua voz se firmando. Ela começou a recitar os números que havia memorizado das páginas financeiras. "Se você cancelar este casamento, a fusão com o Kensington Group fracassa porque depende da cláusula de imagem da família. As ações da Holland caem pelo menos oito por cento na segunda-feira. Isso é uma perda de... quanto? Quatrocentos milhões em valor de mercado?"
Os olhos de Fletcher se estreitaram. Ele estava ouvindo agora.
"E ainda tem o escândalo", ela insistiu, aproximando-se. "A imprensa dirá que Jameson é instável. Vão investigar suas festas. Vão questionar sua aptidão para herdar. O conselho já está inseguro em relação a ele. Se ele fugir agora, eles vão apoiar o Pierce."
Ela gesticulou para a porta. "O Pierce está lá em cima agora mesmo, tentando entrar no meu vestido. Você quer aquele idiota sentado no seu conselho? Porque se eu não entrar naquela igreja, meu pai vai me vender para o Pierce só para pagar as dívidas dele. E então o Pierce terá uma linha direta com o fundo fiduciário da família."
Fletcher caminhou até a janela, virando-lhe as costas. Ele olhou para o Central Park, com as mãos unidas atrás das costas. A tensão em seus ombros era o único sinal dos cálculos que passavam por sua mente.
"Você está propondo uma transação comercial", disse ele para o vidro.
"Estou propondo uma solução", Estella corrigiu. "Você precisa de uma imagem estável. Precisa bloquear o lado da família que quer usurpá-lo. E precisa limpar a bagunça do Jameson."
Ela respirou fundo. "E eu preciso de proteção. Preciso de um nome que assuste as pessoas."
Fletcher se virou lentamente. Ele a olhou com outros olhos. Não estava mais vendo uma nora. Estava avaliando uma parceira em potencial.
"O que você quer, Estella?", ele perguntou suavemente. "De verdade?"
"Dignidade", ela respondeu instantaneamente. "E o poder de fazer Jameson se arrepender do dia em que nasceu."
Fletcher ficou em silêncio. O ar-condicionado zumbia. Ele parecia estar pesando o custo de uma esposa contra o custo de uma quebra na bolsa.
Então, uma batida forte soou na porta.
"Fletcher!" Era a voz da Grande Dama. "Abra esta porta imediatamente."
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