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Capa do romance Casamento arranjado com um CEO

Casamento arranjado com um CEO

Unidos por um contrato de conveniência, dois estranhos decidem selar um compromisso sem sentimentos. O que deveria ser apenas um casamento de fachada entre uma jovem e um poderoso CEO bilionário logo toma rumos inesperados. Presos a laços burocráticos e aparências sociais, eles jamais imaginaram que a convivência forçada despertaria emoções reais. Agora, precisam lidar com as consequências de um acordo que prometia ser frio, mas se tornou intenso.
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Capítulo 3

A caixa em cima da cama parecia um presente. Mas não havia cartão. Nem flores. Apenas a etiqueta de uma grife famosa de Bellanora e um bilhete escrito com a caligrafia impessoal de Adele:

"Senhora Leclerc, o Sr. Darian pediu que estivesse pronta às 19h. O carro a aguardará às 18h30."

Era o primeiro convite desde o casamento.

Elena permaneceu alguns minutos parada, olhando para a caixa como se ela pudesse, de alguma forma, dar respostas. Havia algo frio e prático naquilo tudo. Como se fosse uma peça sendo posicionada no tabuleiro. Mas também havia um quê de nervosismo novo crescendo em seu estômago.

Ela sabia o que esse evento significava: seria apresentada oficialmente como a esposa do CEO da Leclerc International. A mulher misteriosa por quem ele "teria se apaixonado" de forma discreta, depois de anos de especulações sobre sua vida privada. Os olhos do mundo estariam sobre ela.

O vestido era deslumbrante.

Negro como a noite, com recortes sutis nas costas e tecido que fluía ao menor movimento. Havia delicadeza no corte, mas também uma elegância que intimidava. Os sapatos, altos demais. As joias, frias ao toque. Nenhuma delas pertencia realmente a ela - tudo fora cuidadosamente escolhido por alguém da equipe de imagem da empresa.

Adele a ajudou a se vestir em silêncio, como uma mãe cuidadosa. Quando terminou de ajustar os brincos, recuou alguns passos para observá-la.

- Está linda, senhora Leclerc.

Elena apenas sorriu de leve.

Não se sentia linda. Sentia-se fantasiada.

Darian a esperava no saguão. Usava um terno sob medida escuro, gravata de seda e o ar de indiferença habitual. Quando a viu descendo as escadas, seus olhos a percorreram dos pés à cabeça, com a frieza de quem avalia uma peça rara.

Mas, por um instante, seu olhar vacilou.

Havia algo nela... algo que escapava de qualquer controle.

- Está apresentável - disse, sem emoção. - A imprensa estará presente. Lembre-se do que foi orientada.

Elena assentiu. Nada de contato físico excessivo. Nada de respostas improvisadas. Sorrisos contidos. Postura impecável.

No carro, o silêncio entre eles era quase sólido. Ela observava a cidade pela janela - luzes douradas, edifícios elegantes, ruas movimentadas. Era um mundo que sempre estivera ao alcance da família Ravintti, antes da falência, mas que nunca verdadeiramente fizera parte dela. Agora, mais do que nunca, era uma intrusa.

- Não precisa parecer assustada - ele disse, sem olhar para ela. - Eles vão farejar isso.

Ela respirou fundo.

- Estou apenas tentando não tropeçar com esses saltos.

Darian virou o rosto levemente, como se quisesse sorrir, mas não se permitisse.

O salão do Hotel Astoria estava lotado.

Empresários, investidores, políticos, herdeiros de sobrenomes pesados. A nata de Almaris, reunida para celebrar o novo ciclo econômico da cidade e, claro, para espiar Darian Leclerc com sua nova esposa.

Os flashes começaram assim que eles desceram do carro. Elena manteve o queixo erguido, lembrando-se do que Adele dissera: "Não olhe para as câmeras. Olhe para ele. Como se o mundo não importasse."

Mas era difícil fingir intimidade com um homem que mal a olhava.

Entraram no salão como uma pintura perfeita - ele, majestoso; ela, etérea. Os murmúrios começaram. "Ela é ainda mais bonita pessoalmente." "De onde ela surgiu mesmo?" "Será que o casamento é real?" "Não parece ter a ver com ele..."

Darian a conduziu com firmeza, como se ela fosse uma extensão do próprio braço. Apresentou-a a alguns investidores com frases ensaiadas. Ela sorria, apertava mãos, ouvia elogios velados e perguntas disfarçadas de educação.

Mas havia julgamentos em todos os olhares.

- Então esta é a nova senhora Leclerc? - disse uma mulher mais velha, com um sorriso polido. - Achei que fosse... mais experiente.

- A juventude de Elena é equilibrada pela inteligência e firmeza dela - Darian respondeu antes que Elena pudesse abrir a boca.

Foi uma defesa. Fria, mas ainda assim... inesperada.

A mulher arqueou uma sobrancelha e se afastou. Darian inclinou-se levemente em direção à esposa.

- Não se preocupe com ela. É uma cobra antiga.

- Estou me acostumando com o veneno - murmurou Elena, ainda sorrindo.

Ele olhou de lado, surpreso com a resposta.

Mais tarde, durante o jantar, Elena foi abordada por Vincent Hadler, um jovem herdeiro do ramo automotivo. Bonito, loiro, com um sorriso charmoso demais para ser inocente.

- Você está deslumbrante, senhora Leclerc - ele disse, enquanto se sentava ao lado dela, mesmo sem ser convidado. - Confesso que essa aliança partiu corações em Almaris.

Elena sorriu, desconfortável.

- Obrigada, senhor Hadler. A noite está bonita, não está?

- Ficou mais, depois da sua chegada. Espero que Darian saiba a sorte que tem.

Darian observava tudo a poucos metros, em conversa com membros do conselho. Mas seu olhar, mesmo enquanto falava, estava fixo em Elena. E na forma como Hadler se aproximava.

Ela percebeu.

E esperou, curiosa, o que ele faria.

Quando se afastaram do salão principal para irem ao terraço, Darian finalmente falou, com a voz mais baixa do que o habitual:

- Hadler é um idiota.

- E eu pensei que estava sendo gentil - ela disse, com sarcasmo. - Ao menos ele conversou comigo com mais de três frases.

Darian parou de andar, virando-se para ela.

- Você não está aqui para flertar.

- E você não está aqui para sentir ciúmes - ela rebateu. - Lembra? Esse casamento é um contrato. Nada mais.

Por um momento, os dois ficaram se encarando. A cidade brilhava abaixo, e o vento gelado bagunçava o cabelo dela. Havia raiva nos olhos de Elena. Mas também algo mais. Ferida. Vontade de ser vista.

- Eu não sinto ciúmes - ele disse, com a voz grave. - Eu apenas prezo pela aparência. E você faz parte da imagem que quero transmitir.

Aquelas palavras machucaram mais do que ela gostaria de admitir.

Mas ela sorriu, amarga.

- Então fique tranquilo, senhor Leclerc. Sua imagem está intacta.

E voltou para dentro sozinha.

Darian permaneceu no terraço.

Por dentro, algo começava a esquentar - um incômodo que não sabia nomear. Vê-la ali, sorrindo para outros homens, sendo observada com desejo, fazia com que algo dentro dele se contraísse.

Não era possessividade. Era algo mais sutil. Mais perigoso.

Ele estava começando a se importar.

E isso não fazia parte do plano.

Elena, por sua vez, terminou a noite com um gosto amargo na boca. Voltaram para casa em silêncio, como duas sombras sentadas lado a lado. Quando chegaram à mansão, ele foi para o escritório. Ela, para o quarto.

Mas antes de se deitar, escreveu em seu diário:

"Hoje descobri que sou um acessório valioso.

O anel no meu dedo não pesa mais do que o olhar dele.

E mesmo assim... por um segundo, eu queria que ele tivesse me defendido por mim.

Não pela imagem."

Na manhã seguinte, Darian passou pelo jardim. Viu as flores que Elena vinha cuidando começarem a desabrochar. Parou por alguns minutos, sozinho.

Lembrou-se da imagem dela no vestido preto.

Lembrou-se do modo como ela o desafiou com um simples olhar.

E, pela primeira vez desde o casamento, pensou:

Ela é muito mais do que imaginei.

Mas, ao voltar para dentro, manteve o rosto frio.

Porque admitir que estava sentindo... ainda era inaceitável.

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