
Casado com uma rainha requintada
Capítulo 2
Noite adentro, no clima abafado da Boate Nightscape, as luzes baixas criavam o ambiente perfeito. O bar fervilhava de vida, a atmosfera pesada com uma mistura de música e conversas murmurantes.
Eliana entrou no reservado e avistou uma figura familiar já com uma bebida na mão.
Ela bateu os nós dos dedos levemente na mesa. "Brenna."
Fazia anos que Eliana se casara com Johnny, anos de silêncio entre ela e Brenna. Apesar da distância, Brenna sempre fora a pessoa que cuidava dos negócios de Eliana, administrando os assuntos dela como uma guardiã de confiança.
Assim que Brenna a viu, levantou-se de um salto e a envolveu num abraço forte. "Finalmente você está largando aquele cretino. Esperei por esse dia a vida toda."
A voz de Brenna saiu embargada, uma mistura de excitação e emoção, as lágrimas quase transbordando. Quando Eliana anunciara de repente seu casamento anos atrás, Brenna tivera certeza de que era uma piada.
Afinal, Eliana era famosa — uma prodígio da medicina, uma designer talentosa, uma jogadora, uma agente de primeira linha e uma hacker mestre. A lista de identidades dela era infinita. No entanto, no auge da juventude e do sucesso, escolhera desaparecer nas sombras, para viver em silêncio como esposa.
"Você está deslumbrante. O Johnny deve ser cego para não ter visto quem você é. Mas ele nunca a viu assim, não é?", disse Brenna, examinando os traços impecáveis de Eliana.
O rosto de Eliana era uma maravilha — delicado, com olhos que brilhavam com inteligência e fascínio. Um rosto capaz de cativar qualquer um, mas Johnny nunca a vira daquela forma.
Eliana balançou a cabeça levemente. "Não, não viu. Quando ele partiu, eu estava envenenada — feia, gorda e quase irreconhecível. Só depois de me livrar do veneno é que voltei a ser quem realmente sou."
Brenna inclinou-se para a frente, a voz séria. "Então, o que vem agora? Todos os nossos negócios estão parados, à espera do seu retorno."
Fez uma pausa antes de continuar: "Você não imagina quantas pessoas estão desesperadas para encontrar a Night, a médica lendária, todos esses anos. Ofereceram fortunas pela sua ajuda. Até o Phantom na dark web ficou em silêncio, e todo mundo está à sua espera."
Eliana girou o vinho no copo, os pensamentos dela vagando. O que tinha acontecido com ela nos últimos três anos? Foi como se estivesse sob um feitiço, contente em ignorar a carreira e esperar por um homem que não queria saber dela.
"Não se preocupe. Estou de volta", disse Eliana.
"E já descobriu quem a envenenou?"
"Sim. Foi a Hallie", respondeu Eliana, a voz plana, sem emoção. Hallie Brown, sua meia-irmã, fora a arquiteta do seu sofrimento.
Os olhos de Brenna estreitaram-se. "O que vai fazer quanto a isso? Vai simplesmente deixá-la escapar?"
Diante da pergunta, o olhar de Eliana ficou frio como aço. "Claro que não. Ela vai provar do próprio veneno em breve."
Eliana e Brenna discutiram então trabalho enquanto tomavam uma bebida. Ambas bonitas e com uma presença marcante, chamaram a atenção de vários homens nas proximidades.
Um grupo de homens se aproximou, e um deles, sorridente, falou: "Ei, gatas, que tal uns tragos com a gente?"
A resposta de Eliana foi gelada. "Sumam daqui."
O homem riu, sem se intimidar. "É corajosa. Gosto disso. Qual é o problema? Ninguém para fazer companhia? Por que não passa a noite comigo?"
A paciência de Eliana estava no limite. "Não vou repetir. Deixem-nas em paz."
Sem perceber o perigo, o homem insistiu: "E se não deixarmos? Vocês vêm para um lugar desses, vestidas assim, e acham que não vamos notar? Devem estar aqui atrás de atenção. É para ficarem felizes por eu — ah!"
Antes que pudesse terminar a frase, o pé de Eliana atingiu o peito dele, mandando-o ao chão.
"Você... como ousa me bater? Pessoal, peguem essa!", ele gritou, tentando reunir os amigos.
Mas quando a segurança do bar chegou, chamada pelo barulho, os homens já estavam todos no chão, gemendo de dor.
Todos no bar ficaram atônitos, enquanto murmúrios se espalhavam pela multidão. A forma rápida como Eliana derrubou os homens foi impressionante.
Ela limpou as mãos e olhou para os homens que ainda gemiam no chão. "Vamos para uma sala no segundo andar", disse a Brenna, a voz calma e serena. "Podemos continuar a conversa sem ser incomodadas."
Entretanto, no segundo andar, dois homens observavam a cena desenrolar-se a partir do corrimão.
Carl Jones soltou um assobio baixo, ainda a processar o que vira. "Essa mulher é impressionante. Ela derrubou todos eles antes mesmo de eu perceber o que aconteceu."
Johnny, ao lado dele, permaneceu impassível. "Pois é."
Carl tomou um gole do copo e acrescentou com um sorriso: "E é linda também. Muito mais bonita que a sua esposa." Ele ainda imaginava a ex-mulher dele como a mulher gorda com o rosto cheio de manchas, aquela de quem ouvira falar de passagem.
"Ex-esposa", corrigiu Johnny, o tom neutro mas firme.
Carl acenou com a cabeça, erguendo o copo para um brinde casual. "Certo. Vocês divorciaram-se hoje."
Depois de outro gole, continuou: "Mas se ela anda com a Brenna, não deve ser nenhuma santa."
Brenna era rival de Carl nos negócios, uma concorrente feroz com quem já se cruzara mais vezes do que gostaria.
Eliana estava de mau humor, os pensamentos dela a girar em torno dos acontecimentos da noite. Brenna insistira que bebessem bastante para celebrar a liberdade recém-conquistada, e Eliana aceitara, talvez mais do que devia. O álcool começava a fazer-se sentir, e uma tontura invadia-a.
Quando Brenna foi à casa de banho, Eliana decidiu sair para o corredor, na esperança de que o ar fresco lhe clareasse as ideias. Mas ao sair, os passos vacilaram. Ali, parado à porta, estava Johnny.
Por um instante, Eliana piscou, sem saber se estava a ver coisas, a mente turva pelo álcool a pregar-lhe peças. Mas não. Era ele.
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