
CASADA COM O MEU EX-CUNHADO - PARTE 2
Capítulo 2
Estou muito nervoso, tentando ao máximo me segurar para não invadir o apartamento desse desgraçado. Ava e eu tivemos que interromper nossa lua de mel, e, logo depois, precisei viajar para San Diego. Justo agora que ela estava se entregando… Como pude parar tudo o que estávamos vivendo? Ah, mas é claro! A culpa é desse maldito Jhon Smith.
— Vocês vigiaram este apartamento o tempo todo? — questiono Marco.
— Sim. Ele apenas sai para trabalhar e volta direto para casa, quase não sai. Descobrimos que ele mora com a mãe, que está acamada.
— Acho que já estamos demorando demais aqui! — comento, olhando para o relógio em meu pulso.
Abro a porta e desço do carro. Marco me acompanha, seguido por mais cinco homens. Não sabemos exatamente o que vamos encontrar.
Ao adentrarmos o prédio, percebo que a situação é precária. Sacos de lixo estão espalhados pela entrada e pelas escadas.
— Não me parece que ele esteja nadando em milhões — observa Fridek, franzindo o cenho diante da sujeira.
— Talvez ele esteja apenas esperando a morte da mãe para sair daqui e torrar a grana — sugere Willi. Todos o encaram, e ele dá de ombros. — Ué, só pensei como um assassino, ladrão e aproveitador.
— Ainda não sabemos o que realmente está acontecendo. Achamos o cara, agora vêm as respostas — pontua Marco.
Subimos a escada e chegamos a um corredor mal iluminado.
— Cara… que cheiro é esse! — Bernard resmunga, tampando o nariz.
— Tem certeza de que esse é o Jhon Smith que procuramos? — pergunto, em tom mais baixo, olhando para Marco.
— Sim, chequei várias vezes.
— Certo, então vamos lá — digo, aproximando-me da porta do apartamento.
Do lado de dentro, escuto uma música tocando baixinho. Parece blues.
Lanço um olhar para os rapazes, que discretamente posicionam as mãos na cintura, prontos para sacar suas armas. Bato na porta três vezes.
Após alguns segundos de suspense, ela se abre lentamente, revelando um homem caucasiano de estatura média. Seus olhos cansados são cercados por profundas olheiras, testemunhas de noites insones e preocupações. No entanto, apesar da expressão abatida, ele exibe um sorriso enigmático e levemente desconfiado.
— Pois não? Como posso ajudá-lo?
— Jhon Smith?
— Sim. Quem é você?
— Me chamo Ravi Lockwood e...
— Lockwood? — Ele estreita os olhos.
— Sim. Nós nos conhecemos?
— Esse sobrenome…
— Podemos entrar? Preciso tratar de um assunto sério com o senhor — olho para o corredor e noto algumas portas entreabertas. O homem faz o mesmo antes de voltar a me encarar. — Temos telespectadores por aqui.
— Claro, por favor.
Ele abre mais a porta, nos dando passagem.
O interior do apartamento é completamente diferente do lado de fora: tudo está limpo, organizado e bem iluminado.
— Sentem-se, por favor — ele indica o sofá, e eu me acomodo, analisando-o.
— Só um segundo, já volto — diz, afastando-se rapidamente até uma porta e entrando, fechando-a atrás de si.
Não demora muito e ele reaparece, agora vestido casualmente, com uma camiseta e calças confortáveis, sugerindo que estava apenas relaxando em casa. Seu olhar, de um azul penetrante, parece esconder segredos e mistérios. Há algo nele que desperta minha curiosidade e um certo alerta.
Quem é esse homem? Ele não tem o perfil de quem teria roubado uma obra de arte tão valiosa. Se realmente fosse culpado, já teria sumido desse prédio.
— Ah, claro. Lockwood… Zadock Lockwood é seu irmão!
Troco um olhar com Marco antes de voltar minha atenção para Jhon.
— Você conhece meu irmão?
— Sim! Estudamos no mesmo colégio interno. Nos encontramos algumas vezes quando ele veio a San Diego. Ele me ajudou muito há alguns meses.
Jhon faz uma pausa antes de continuar, e sua expressão se torna mais sombria.
— Minha mãe está em um estado avançado da doença… Ela tem esclerose lateral amiotrófica. Essa condição acabou com a nossa vida. É uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios responsáveis pelo controle dos músculos voluntários. Com o avanço, ela perdeu a capacidade de se mover, falar, comer e até respirar sozinha. Faço o que posso para cuidar dela. Durante meu expediente, uma enfermeira vem para ajudá-la… e isso só é possível graças ao seu irmão.
— Como assim? — questiono, já começando a conectar algumas pontas soltas.
— Há alguns meses, eu não sabia o que fazer… Me sentia perdido e havia acabado de receber o diagnóstico. Saí do hospital completamente desestabilizado. Minha mãe estava internada e, segundo os médicos, ela não teria muito tempo de vida, pois a doença havia avançado rápido demais. Eu também acabara de perder o emprego por faltar em vários dias.
Ele faz uma pausa e respira fundo antes de continuar:
— Então, o encontrei em um bar. Contei o que estava acontecendo, e ele disse que me ajudaria. Agradeci, mas, para ser sincero, não coloquei muita fé. No entanto, no dia seguinte, tudo já estava resolvido no hospital. Minha mãe passou a receber o melhor tratamento, médicos especialistas começaram a cuidar dela, proporcionando-lhe alguns dias a mais de vida. Quando voltamos para casa, tudo estava preparado para ela: um respirador de ponta e uma enfermeira disponível 24 horas por dia, caso eu precisasse. Além disso, ele até me arrumou um emprego, um que me permite encaixar os horários para que eu possa cuidar da minha mãe. Assim, posso retribuir ao menos um pouco de tudo o que ela fez por mim.
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