
CASADA COM O MEU EX-CUNHADO - PARTE 1
Capítulo 2
O sol da manhã de outono, mesmo escondido pelas nuvens, espreita pelas janelas da encantadora casa de campo em Hallstatt, pintando o quarto com tons suaves e dourados. O dia tão esperado finalmente chegou: a entrevista no Museu de Arte Lockwood, em Viena. Minhas mãos tremem de nervosismo. Sento-me enquanto observo as roupas cuidadosamente escolhidas espalhadas na cama, mas continuo em dúvida sobre qual vestir. Passei dias planejando cada detalhe, e agora é o momento de me preparar para enfrentar a jornada até a cidade grande. Esta é uma oportunidade que não posso deixar escapar, e estou determinada a causar uma boa impressão.
Levanto-me da cama e caminho até o banheiro, onde um banho relaxante me aguarda. Tiro meu pijama - brega para alguns - preto com bolinhas rosa-choque, e o jogo no cesto de roupa suja. Adentrando o box, abro o registro e a água quente começa a escorrer pelo meu corpo, levando embora a tensão acumulada. Desde que me candidatei, venho estudando e revisando tudo que aprendi na faculdade, assim como nos cursos que fiz. Sei que preciso estar confiante para a entrevista, e a sensação de frescor após o banho me ajuda a acalmar os nervos.
Após sair do chuveiro, envolvo-me em uma toalha macia e atravesso o quarto, mas, ao olhar para a cama, percebo que nenhuma das opções me agrada. Vou até o meu guarda-roupa, abro-o, e meus olhos são imediatamente atraídos por ele: um elegante vestido azul-marinho que se ajusta perfeitamente ao meu corpo. Comprei-o especialmente para uma ocasião importante, e acredito que seja a escolha certa para este momento. Ao usá-lo, transmitirei profissionalismo e confiança.
Com cuidado, visto o vestido, sentindo-o se moldar a cada curva. Em seguida, passo algum tempo admirando minha imagem no espelho. Meus cabelos castanhos-avermelhados e encaracolados caem em cascata sobre os ombros; decido deixá-los soltos, apenas lhes dando um toque de definição com um pouco de spray. Faço uma maquiagem leve e natural, realçando meus traços sem parecer exagerada. Pego meu casaco e minha bolsa, onde já havia colocado uma cópia do meu currículo e algumas anotações importantes na noite anterior. Abro a porta do quarto, mas, antes de sair, meu olhar se volta para a paisagem deslumbrante que se estende além das janelas. Hallstatt, a pitoresca cidade às margens do lago, sempre será meu refúgio e minha fonte de inspiração. Sei que meu lar estará sempre aqui, mas, agora, preciso seguir em frente.
O relógio no criado-mudo anuncia que é hora de sair. Ajusto o vestido, verifico se tudo está nos devidos lugares e sigo para as escadas, passando pela sala de estar até a sala de jantar. Lá, um café da manhã simples já está preparado, mas meus nervos me fazem perceber que não estou com fome.
- Bom dia, minha princesa. - Vovó diz, entrando com um bolo nas mãos.
Olho para ela, sorrindo. Vou até ela e lhe dou um beijo. Desde pequena, quando me sentia triste, corria para os braços da vovó. Seu colo sempre me acalmava como ninguém.
- Bom dia, vovó.
- Sente-se para tomar um café reforçado antes de ir.
- Não estou com fome, vovó.
- Deixe disso, sente-se para comer. A viagem é longa.
- Tudo bem - digo, tirando minha bolsa do ombro e colocando-a em uma cadeira ao meu lado, juntamente com meu casaco.
Vovó coloca um pedaço de bolo no prato à minha frente. Pego um pedaço e começo a comer.
- Uau! - exclamo, tapando a boca. Ela me olha e sorri. - Está uma delícia, vovó - falo após mastigar.
- Fiz especialmente para você. - Sorrio, voltando a comer.
- E então, como será quando você chegar lá?
- Irei fazer a entrevista e, se tudo der certo, irei morar com a Leila.
- A filha da Melinda Mitchell?
- Sim, ela trabalha no museu e me ajudou bastante. A Leila disse que falou de mim para o dono do museu, sendo ele mesmo quem me chamou para a entrevista.
- Ela disse isso?
- Sim, mas é claro que também enviei vários currículos.
- Olha, você sabe que não gosto daquela gente. Essa menina não é de ajudar os outros. Sabemos que aquela família só faz algo querendo algo em troca, além de que ela gosta de sempre ficar com as suas coisas.
Flashback on.
O despertador toca, anunciando o dia tão aguardado. Mal posso acreditar que finalmente chegou a hora de pagar o curso pré-vestibular. Abro a gaveta onde guardava o dinheiro, fruto de minhas economias e da ajuda da vovó. Está tudo lá, contado e organizado.
- Hoje é o dia. Vou garantir minha vaga no cursinho - digo, sorrindo, e começo a tossir.
Respiro profundamente; já estou assim há alguns dias. Uma febre teimosa e persistente me abraça. Desço as escadas e vovó se aproxima, colocando a mão em minha testa.
- Que isso, menina, você está queimando! Vá tomar um banho e cama! Vou fazer algo quente para você tomar - diz, se virando.
- Vovó, hoje é o dia do pagamento do meu cursinho, eu preciso ir - falo e começo a tossir, me jogando no sofá.
- Não vai a lugar algum, princesa!
Ela insiste que eu fique em casa e cuide de mim mesma. Reluto, mas ela consegue me convencer.
- Vovó, por favor, cuide do dinheiro. Vou pedir à Leila para levar até o professor do cursinho. Não posso perder a inscrição. - Minha avó concorda, e me levanto, indo até o telefone para falar com minha amiga.
Assim que falei com Leila, ela se prontificou a me ajudar. Confio nela, afinal, somos amigas desde a infância.
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- Relaxa, amiga. Entrego isso lá e volto rapidinho. Você vai ficar bem - diz ela.
- Obrigada, Lê, não sei o que seria de mim sem você - falo, e ela sorri, se virando e indo em direção ao portão.
Entro e me jogo no sofá, me encolhendo enquanto ligo a televisão.
Dias depois...
Minha avó foi abordada pelo professor, cobrando o pagamento que, segundo ele, não foi realizado.
- Vovó, eu pedi para a Leila entregar. O dinheiro estava com ela! - falo, confusa.
Minha avó tenta me explicar, mas eu não entendo. Leila sempre foi confiável, pelo menos até agora. Vou até o telefone e ligo para Leila, que atende no quarto toque.
- Leila, o professor está cobrando a vovó. O que aconteceu? - pergunto, e a resposta não vem.
- Ava, eu... perdi o dinheiro.
- O quê? - incrédula, questiono, não acreditando no que estou ouvindo. - Como assim perdeu? Isso não é possível!
Leila tenta justificar, explicando que ficou com medo de contar, mas suas palavras não amenizam o impacto da revelação.
- Você não podia ter simplesmente me contado? Era meu futuro em jogo, Leila! - digo, furiosa.
- Me perdoe, amiga, mas fiquei com muito medo, por isso não contei.
- Leila, isso foi errado! Você me prejudicou! Por que não me contou antes? Teríamos dado um jeito de pagar. E agora? O que vou fazer?
- Eu sei, Ava. Estraguei tudo - fala, chorando ao telefone, e suspiro, desligando.
Minha avó, ao saber da verdade, com uma mistura de indignação e tristeza, me pegou pela mão e fomos para a casa de Leila, que fica a três casas da nossa. O dinheiro perdido não era apenas uma quantia; era meu sonho escorrendo pelos meus dedos.
- Como você pôde fazer isso, Leila? Confiei em você! - digo, triste e me segurando para não chorar. - Você deveria ter contado; iríamos saber de qualquer jeito.
- Se tivesse contado, Leila, eu teria pagado o curso - diz minha avó.
- Foi um erro, Ava e vovó. Eu devia ter contado antes - diz ela, entre soluços, mas suas palavras perdem força.
- Agora não adianta fazer mais nada; só me resta correr atrás do prejuízo. Essas coisas acontecem, até eu mesma poderia ter perdido o dinheiro - falo, suspirando.
- Me desculpa! - ela diz, e a abraço.
- Vamos passar uma borracha nisso e seguir em frente. - Leila sorri, limpando as lágrimas.
Após alguns minutos, eu e vovó voltamos para casa.
- Nada tira da minha cabeça que essa história está mal contada. Tenho certeza de que ela não perdeu dinheiro nenhum e que, por raiva ou inveja de você, ela não pagou o professor. Sabemos que ela queria fazer esse cursinho e, como não conseguiu e você, sim, ela fez isso por maldade.
- Claro que não, vovó! Leila é minha amiga.
- Só se for amiga da onça - fala, assim que entramos em casa, indo para a varanda dos fundos e me deixando sozinha na sala.
Flashback off.
Vovó sempre desconfiou de Leila, desde que sumiu o meu dinheiro quando eu era adolescente. Nunca esquecemos o pequeno prejuízo, mas relevei e entendi que ela poderia ter mesmo perdido o dinheiro e não o roubado, como a vovó pensa.
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