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Capa do romance CASADA COM O MEU EX-CUNHADO - PARTE 1

CASADA COM O MEU EX-CUNHADO - PARTE 1

Ava Radcliffe busca um novo começo no Museu Lockwood, mas o destino a coloca diante de Ravi Lockwood. Para salvaguardar o patrimônio de sua linhagem, ele propõe um casamento por contrato. O que era um pacto comercial mergulha em um turbilhão de segredos e disputas de poder. Entre rivalidades familiares e dilemas morais, o casal vê a fronteira entre obrigação e paixão desaparecer. Uma trama envolvente sobre escolhas difíceis e as complexas nuances do dever.
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Capítulo 2

O sol da manhã de outono, mesmo escondido pelas nuvens, espreita pelas janelas da encantadora casa de campo em Hallstatt, pintando o quarto com tons suaves e dourados. O dia tão esperado finalmente chegou: a entrevista no Museu de Arte Lockwood, em Viena. Minhas mãos tremem de nervosismo. Sento-me enquanto observo as roupas cuidadosamente escolhidas espalhadas na cama, mas continuo em dúvida sobre qual vestir. Passei dias planejando cada detalhe, e agora é o momento de me preparar para enfrentar a jornada até a cidade grande. Esta é uma oportunidade que não posso deixar escapar, e estou determinada a causar uma boa impressão.

Levanto-me da cama e caminho até o banheiro, onde um banho relaxante me aguarda. Tiro meu pijama - brega para alguns - preto com bolinhas rosa-choque, e o jogo no cesto de roupa suja. Adentrando o box, abro o registro e a água quente começa a escorrer pelo meu corpo, levando embora a tensão acumulada. Desde que me candidatei, venho estudando e revisando tudo que aprendi na faculdade, assim como nos cursos que fiz. Sei que preciso estar confiante para a entrevista, e a sensação de frescor após o banho me ajuda a acalmar os nervos.

Após sair do chuveiro, envolvo-me em uma toalha macia e atravesso o quarto, mas, ao olhar para a cama, percebo que nenhuma das opções me agrada. Vou até o meu guarda-roupa, abro-o, e meus olhos são imediatamente atraídos por ele: um elegante vestido azul-marinho que se ajusta perfeitamente ao meu corpo. Comprei-o especialmente para uma ocasião importante, e acredito que seja a escolha certa para este momento. Ao usá-lo, transmitirei profissionalismo e confiança.

Com cuidado, visto o vestido, sentindo-o se moldar a cada curva. Em seguida, passo algum tempo admirando minha imagem no espelho. Meus cabelos castanhos-avermelhados e encaracolados caem em cascata sobre os ombros; decido deixá-los soltos, apenas lhes dando um toque de definição com um pouco de spray. Faço uma maquiagem leve e natural, realçando meus traços sem parecer exagerada. Pego meu casaco e minha bolsa, onde já havia colocado uma cópia do meu currículo e algumas anotações importantes na noite anterior. Abro a porta do quarto, mas, antes de sair, meu olhar se volta para a paisagem deslumbrante que se estende além das janelas. Hallstatt, a pitoresca cidade às margens do lago, sempre será meu refúgio e minha fonte de inspiração. Sei que meu lar estará sempre aqui, mas, agora, preciso seguir em frente.

O relógio no criado-mudo anuncia que é hora de sair. Ajusto o vestido, verifico se tudo está nos devidos lugares e sigo para as escadas, passando pela sala de estar até a sala de jantar. Lá, um café da manhã simples já está preparado, mas meus nervos me fazem perceber que não estou com fome.

- Bom dia, minha princesa. - Vovó diz, entrando com um bolo nas mãos.

Olho para ela, sorrindo. Vou até ela e lhe dou um beijo. Desde pequena, quando me sentia triste, corria para os braços da vovó. Seu colo sempre me acalmava como ninguém.

- Bom dia, vovó.

- Sente-se para tomar um café reforçado antes de ir.

- Não estou com fome, vovó.

- Deixe disso, sente-se para comer. A viagem é longa.

- Tudo bem - digo, tirando minha bolsa do ombro e colocando-a em uma cadeira ao meu lado, juntamente com meu casaco.

Vovó coloca um pedaço de bolo no prato à minha frente. Pego um pedaço e começo a comer.

- Uau! - exclamo, tapando a boca. Ela me olha e sorri. - Está uma delícia, vovó - falo após mastigar.

- Fiz especialmente para você. - Sorrio, voltando a comer.

- E então, como será quando você chegar lá?

- Irei fazer a entrevista e, se tudo der certo, irei morar com a Leila.

- A filha da Melinda Mitchell?

- Sim, ela trabalha no museu e me ajudou bastante. A Leila disse que falou de mim para o dono do museu, sendo ele mesmo quem me chamou para a entrevista.

- Ela disse isso?

- Sim, mas é claro que também enviei vários currículos.

- Olha, você sabe que não gosto daquela gente. Essa menina não é de ajudar os outros. Sabemos que aquela família só faz algo querendo algo em troca, além de que ela gosta de sempre ficar com as suas coisas.

Flashback on.

O despertador toca, anunciando o dia tão aguardado. Mal posso acreditar que finalmente chegou a hora de pagar o curso pré-vestibular. Abro a gaveta onde guardava o dinheiro, fruto de minhas economias e da ajuda da vovó. Está tudo lá, contado e organizado.

- Hoje é o dia. Vou garantir minha vaga no cursinho - digo, sorrindo, e começo a tossir.

Respiro profundamente; já estou assim há alguns dias. Uma febre teimosa e persistente me abraça. Desço as escadas e vovó se aproxima, colocando a mão em minha testa.

- Que isso, menina, você está queimando! Vá tomar um banho e cama! Vou fazer algo quente para você tomar - diz, se virando.

- Vovó, hoje é o dia do pagamento do meu cursinho, eu preciso ir - falo e começo a tossir, me jogando no sofá.

- Não vai a lugar algum, princesa!

Ela insiste que eu fique em casa e cuide de mim mesma. Reluto, mas ela consegue me convencer.

- Vovó, por favor, cuide do dinheiro. Vou pedir à Leila para levar até o professor do cursinho. Não posso perder a inscrição. - Minha avó concorda, e me levanto, indo até o telefone para falar com minha amiga.

Assim que falei com Leila, ela se prontificou a me ajudar. Confio nela, afinal, somos amigas desde a infância.

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- Relaxa, amiga. Entrego isso lá e volto rapidinho. Você vai ficar bem - diz ela.

- Obrigada, Lê, não sei o que seria de mim sem você - falo, e ela sorri, se virando e indo em direção ao portão.

Entro e me jogo no sofá, me encolhendo enquanto ligo a televisão.

Dias depois...

Minha avó foi abordada pelo professor, cobrando o pagamento que, segundo ele, não foi realizado.

- Vovó, eu pedi para a Leila entregar. O dinheiro estava com ela! - falo, confusa.

Minha avó tenta me explicar, mas eu não entendo. Leila sempre foi confiável, pelo menos até agora. Vou até o telefone e ligo para Leila, que atende no quarto toque.

- Leila, o professor está cobrando a vovó. O que aconteceu? - pergunto, e a resposta não vem.

- Ava, eu... perdi o dinheiro.

- O quê? - incrédula, questiono, não acreditando no que estou ouvindo. - Como assim perdeu? Isso não é possível!

Leila tenta justificar, explicando que ficou com medo de contar, mas suas palavras não amenizam o impacto da revelação.

- Você não podia ter simplesmente me contado? Era meu futuro em jogo, Leila! - digo, furiosa.

- Me perdoe, amiga, mas fiquei com muito medo, por isso não contei.

- Leila, isso foi errado! Você me prejudicou! Por que não me contou antes? Teríamos dado um jeito de pagar. E agora? O que vou fazer?

- Eu sei, Ava. Estraguei tudo - fala, chorando ao telefone, e suspiro, desligando.

Minha avó, ao saber da verdade, com uma mistura de indignação e tristeza, me pegou pela mão e fomos para a casa de Leila, que fica a três casas da nossa. O dinheiro perdido não era apenas uma quantia; era meu sonho escorrendo pelos meus dedos.

- Como você pôde fazer isso, Leila? Confiei em você! - digo, triste e me segurando para não chorar. - Você deveria ter contado; iríamos saber de qualquer jeito.

- Se tivesse contado, Leila, eu teria pagado o curso - diz minha avó.

- Foi um erro, Ava e vovó. Eu devia ter contado antes - diz ela, entre soluços, mas suas palavras perdem força.

- Agora não adianta fazer mais nada; só me resta correr atrás do prejuízo. Essas coisas acontecem, até eu mesma poderia ter perdido o dinheiro - falo, suspirando.

- Me desculpa! - ela diz, e a abraço.

- Vamos passar uma borracha nisso e seguir em frente. - Leila sorri, limpando as lágrimas.

Após alguns minutos, eu e vovó voltamos para casa.

- Nada tira da minha cabeça que essa história está mal contada. Tenho certeza de que ela não perdeu dinheiro nenhum e que, por raiva ou inveja de você, ela não pagou o professor. Sabemos que ela queria fazer esse cursinho e, como não conseguiu e você, sim, ela fez isso por maldade.

- Claro que não, vovó! Leila é minha amiga.

- Só se for amiga da onça - fala, assim que entramos em casa, indo para a varanda dos fundos e me deixando sozinha na sala.

Flashback off.

Vovó sempre desconfiou de Leila, desde que sumiu o meu dinheiro quando eu era adolescente. Nunca esquecemos o pequeno prejuízo, mas relevei e entendi que ela poderia ter mesmo perdido o dinheiro e não o roubado, como a vovó pensa.

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