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Capa do romance CASADA COM O CEO CULPADO

CASADA COM O CEO CULPADO

Após perder os pais em uma tragédia e ser traída por um amigo da família que roubou sua herança, Maria Júlia aceita um casamento por contrato com um desconhecido. Um ano depois, ela se apaixona por Jhonny, seu novo chefe. Em meio a um romance proibido e secreto, verdades sombrias emergem: Jhonny é o responsável pelo acidente fatal dos pais dela. Entre segredos fatais e as armadilhas de rivais, o casal enfrenta um destino marcado por culpa e perigo.
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Capítulo 2

Maria Julia passou toda a semana sem conhecer o novo chefe. Jhonny ainda não tinha voltado. Sheila disse que ele faz essas saídas a cada dois ou três meses, pra passar mais do que um final de semana com a esposa, que mora em um condomínio de luxo em Mairiporã. Embora a licença dele se estendeu mais do que o costume, pois ele sempre volta pra fechar a semana do escritório.

No seu segundo dia, conheceu Eleanor, que não disfarçou seu descontentamento em ter uma moça nova e bonita trabalhando na mesma sala que Jhonny. Sua mãe a repreendeu e disse pra ela não se esquecer que Jhonny era um homem casado.

Patrícia depois lhe contou que ela nunca aparecia no escritório enquanto o senhor Paulo Gustavo era vivo, mas depois se aboletou lá e vivia grudada em Jhonny. Todos acreditavam que a noiva nunca viria da França e eles acabariam por se casar mesmo. Maria Júlia não gostava de fazer perguntas e se envolver nas fofocas da secretária, mas não conseguiu evitar de perguntar se eles não eram irmãos.

— Não. Dona Sheila engravidou muito nova e o pai da Eleanor a abandonou. Ela era a secretária do senhor Paulo, que era um homem muito bom e a ajudou. Ele criava Jhonny sozinho e os dois acabaram se envolvendo e se casaram. Quando isso aconteceu, Jhony tinha 12 anos e Eleanor 10. Foram criados juntos, praticamente, mas não são irmãos. Quando Jhonny terminou o ensino médio, foi fazer faculdade na França e um estágio na filial francesa Global. Lá ele conheceu a noiva que não sabemos nem o nome e fixou residência. Mas o Sr Paulo teve Covid na primeira leva e ele teve que voltar. Quando reabriram as fronteiras, a noiva dele veio e eles se casaram numa cerimônia muito simples para evitar aglomerações e não fizeram nenhuma comemoração.

Quando chegou em sua cobertura depois da faculdade na sexta-feira, Maria Júlia não conseguiu deixar de pensar nessa história, e em como o seu casamento aconteceu do mesmo jeito.

Se obrigou a tentar se lembrar de tudo o que aconteceu nos últimos dois anos em sua vida...

Ela era filha única. Viviam em Mairiporã, interior de São Paulo, e tinham uma vida confortável. O pai era dono de uma empresa de programação e um homem extremamente inteligente. Dona Lúcia e Sr Geraldo se conheceram na faculdade, e o pai então desistiu da vida desregrada que vivia. Ele e seu melhor amigo Thomas eram hackers e tinham o costume de fazer algumas coisas ilegais. Geraldo conheceu Lúcia e resolveu se afastar disso, dar sequência na faculdade e montar sua própria empresa de software e convidou Thomas para fazer parte.

Thomas achava que trabalhar e pagar impostos era uma grande besteira. Como resultado, foi preso quando Maria Júlia tinha 5 anos e Geraldo deu assistência para ele nos 6 anos que cumpriu. E quando saiu, lhe deu um emprego de confiança na empresa. Maju se lembrava do tio Thomas por toda a sua vida. Quando entrou no ensino médio, teve sua fase de rebeldia. Vivia de baladas, bebia. Estava deixando os pais de cabelo em pé, e tio Thomas até ajudou algumas vezes com isso. A buscou, a socorreu e era até um bom amigo. Lhe ensinou a pilotar e dirigir com 16 anos.

Quando estava terminando o ensino médio, decidiu fazer faculdade na capital e os pais lhe compraram aquela cobertura. Até passaram as festas de final de ano com ela na capital , mobiliaram o apartamento e seu pai lhe deu um carro de presente de Natal, mesmo que ela só poderia começar a se habilitar dez dias depois, quando faria 18 anos.

Mal começou a universidade e a pandemia começou. Como teria que fazer a distância, voltou para casa e fizeram isolamento social juntos.

Depois de um ano, começou semipresencial, então voltou pra capital. Na mesma semana que voltou, os pais fizeram uma chamada de vídeo contando a novidade.

Durante o Lockdown, ele teve tempo de trabalhar em um grande projeto. Desenvolveu o software da vida dele, e iria vender para uma empresa poderosa. Mas não quis dar detalhes até que tudo estivesse resolvido. Eles estavam tão felizes! Se fechassem o contrato como esperavam, deixariam de ser uma microempresa para serem tops e estava até cogitando se mudar para a capital para gerenciar tudo o que estava por vir.

Não que eles não tivessem dinheiro. Sempre tiveram uma vida muito confortável e a empresa saiu muito melhor do que eles esperavam. Mas a mãe dizia que ela seria grande, muito grande, e uma empresa familiar de pequeno porte não comportaria o tamanho que ela teria.

Maju achava os pais dois fofos. Se amavam tanto, contaram para ela as coisas ilegais que o pai fazia, para lhe mostrar que não precisaria fazer nada parecido. Lhe deram boa educação, foram descolados, foram amigos e estavam sempre lá pra ela. Ela nunca se envolveu com ninguém, justamente porque esperava uma relação igual a dos pais. De parceria e cumplicidade e muito, muito amor. Então ela às vezes dava uns beijos, mas nunca se envolvia com ninguém. Não via sentido em namorar se fosse pra ter menos do que os pais tinham.

Pela criação que teve, tinha total devoção a eles. Por isso estava torcendo muito pelo negócio do pai. Se desse certo e ele viesse pra capital, poderiam viver juntos de novo. Marcou um final de semana com alguns colegas de faculdade no clube, mas na sexta feira recebeu a visita surpresa deles.

Contaram que teriam uma reunião na segunda, na hora do almoço com o chefão da empresa que não quiseram lhe contar o nome e resolveram passar o final de semana com ela e não permitiram que ela cancelasse o final de semana com os amigos.

— Tem certeza, mãe? Eu só consigo voltar na segunda de manhã...

— Vai, filha, você tem todo o direito de se divertir. Vou ajudar você a arrumar a mochila. Coloque aquele seu biquíni pink maravilhoso que deixa seu corpinho magnífico.

E ela foi! Despreocupada e feliz, gastando o dinheiro deles, sabendo que quando voltasse sua mãe teria congelado várias refeições pra ela e ajeitado mais um monte de coisas em seu apartamento.

Curtiu mais uma manhã de sol com sua amiga Laila e entregaram o chalé ao meio dia, pararam pra almoçar e depois seguiram de volta pra casa. Eram as únicas duas que não trabalhavam, por isso se deram a esse luxo.

Quando iam começar a dirigir de volta, resolveu ligar pra mãe pra avisar, depois de duas tentativas sem sucesso, achou que a mãe ainda estava na reunião importante deles e desistiu.

Estava dirigindo há uns 15 minutos quando seu telefone tocou, Laila viu que era "mamãe", baixou o som e atendeu, toda sorridente. De repente, fechou a cara, desligou o celular e mandou ela encostar.

Maria Júlia não entendeu, mas quando encostou, perguntou o que estava acontecendo.

— Desce. Eu vou pro piloto. - Laila já foi tirando o cinto e descendo. Maria julia tirou o cinto e quando abriu sua porta, só perguntou:

— Eles estão vivos?

— Não sei. Disse apenas que houveram quatro vítimas no local e todas foram encaminhadas para o hospital.

Laila dirigiu enlouquecida, devem ter conseguido pelo menos umas duas multas de trânsito. Mas quando chegaram, receberam a notícia de que o acidente foi grave demais. Seus pais morreram no local, tinha uma moça jovem em coma e o outro motorista estava com escoriações.

E Maria Júlia foi obrigada a crescer, de uma hora pra outra, sem nada.

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