
Cartas Para Mudar Minha Vida
Capítulo 2
Fernanda e Silvia saíram do aeroporto, o motorista já estava esperando as duas na saída, com o carro.
Ele colocou as malas dentro do carro, e saíram em direção à mansão dos Negreiros.
Durante o percurso, Fernanda olhava pela janela, e lembrava do homem que viu no aeroporto.
As cenas se passavam em sua mente, como em um filme.
Ele despertou o interesse da mulher, que nunca havia se relacionado com um homem.
Nem tinha conhecido alguém que o toque da pele fizesse ela sentir o que sentiu com aquele homem.
"Mas foi só um toque, só um olhar. Porque mexeu tanto comigo?" Ela si perguntou.
-Você está bem, Fernanda? - perguntou Silvia, ao notar que a filha estava distraída a olhar pela janela do carro.
-Fernanda? - Silvia chamou a filha de novo, e pegou em seu braço. - Você está bem? - perguntou quando Fernanda olhou para ela.
-Oi, sim! Estou bem! - disse ela e sorriu para sua mãe.
O celular de Silvia começou a tocar.
-Oi, meu bem. - disse ela ao atender.
-Oi querida, já chegaram? - perguntou o homem do outro lado da linha.
-Sim, estamos indo para casa. - Silvia respondeu.
Fernanda a observava enquanto falava no celular.
-Ótimo, mais tarde eu chego em casa. - disse ele e desligou.
-Era seu pai, estava preocupado! - Silvia falou enquanto guardava o celular na bolsa.
As duas chegaram na mansão, o motorista ajudou as mulheres a carregar as malas.
-Vou descansar um pouco, mais tarde eu desço. - disse Fernanda e subiu para seu quarto.
Na casa dos Gonzalez,
Guilherme chegou na casa de seus pais em um táxi.
Entrou na casa, que tinha um jardim, com uma piscina enorme.
Ele observou aquele lugar onde nasceu e viveu por alguns anos antes de ir morar fora.
Ele foi estudar na Europa muito novo, seu pais queriam que ele tivesse uma boa formação.
Ele trabalhava nos Estados Unidos ultimamente, mas teve que vir para se casar com Fernanda, filha de Bernardo Negreiros.
As duas famílias firmaram um contrato anos atrás, para que quando os dois filhos completassem a maior idade casassem.
O casamento seria dali a seis meses, a família de Fernanda já estava preparando tudo para esse acontecimento.
Guilherme caminhou em direção a casa, uma das empregadas abriu a porta para ele, ao entrar falou.
-Onde estão todos?- perguntou ele para a mulher.
-Sra Marília está no quarto, sr Cosmo está na empresa e as meninas estão na escola. - disse a empregada.
-Mãe, cheguei! - disse ele falando alto, para que sua mãe ouvisse, entregou a mala para a empregada levar.
E se sentou no sofá, ficou observando a sala.
"Quanta saudades senti desse lugar," ele pensou, olhando para os detalhes da sala, que não tinham mudado nada, desde a última vez que ele viu.
-Meu filho, você já chegou! Porque não avisou para irmos esperar por você ? - a mulher falou descendo as escadas.
Veio ao encontro do filho, deu-lhe um abraço duradouro, ela guardou aquele abraço por anos, para dá nele.
Fazia anos, que eles dois não se viam, Marília estava muito feliz em ter seu filho perto dela de novo.
-Estava com saudades, quanto tempo! - ela disse ao abraçar o filho.
-Também estava com saudades, mãe! - ele disse.
-Você antecipou seu voo? - perguntou ela, porque o voo dele estava marcado para chegar só a noite.
-Deu um problema no sistema do aeroporto, e atrasou um dos voos, então colocaram todos em um mesmo voo quando o sistema foi normalizado. - ele disse voltando ao sofá.
-Ah, que bom então, que você já chegou, estava com tanta saudade. - ela disse olhando para o filho.
-O papai vai demorar pra voltar da empresa? - ele disse, olhando a hora no relógio.
-Ele chega na hora do jantar! - ela falou, se arrumando no sofá.
-Vou banhar e descansar um pouco, mais tarde eu desço. - ele se levantou, e foi até onde sua mãe estava, deu um beijo nela, e subiu para o quarto
Ao chegar no quarto, depois de muitos anos longe daquele lugar, ele tinha lindas recordações.
Ficou perto da janela, olhando para o horizonte, quantas noites ele sonhou com o dia que votaria, e ali estava.
"Como você deve está, Fernanda, quanto tempo sem te ver," ele pensou.
Ele era ciente da sua função nesse contrato, mas no fundo não queria unir-se com Fernanda em casamento.
Eles eram amigos na infância, mas foram afastados e só tiveram contato por ligação algumas vezes.
Seu celular começou a tocar, ele foi até a cama pegou e atendeu.
-Alô! - disse ele ao atender.
-Alô, Guilherme? Aqui é o Carlos! Como foi de viagem? - disse o homem, um dos amigos que Guilherme fez na Europa.
-Carlos, meu amigo. Cheguei agora! Foi tudo bem, graças a Deus! - Guilherme falou se sentando na cama.
-Que bom, vamos manter contato. - ele complementou.
-Ta bom, vou descansar um pouco, depois nos falamos mais. - ele disse e colocou o celular em cima da cama.
Ficou olhando para o teto, lembrou de um detalhe.
Pegou o celular outra vez e ligou para alguém.
-Alô, Guilherme? Ta tudo bem? - disse o homem que atendeu.
-Oi, meu amigo. Estou bem, cheguei agora em casa, aconteceu uma coisa inusitada. - ele disse e sorriu. - Conheci uma mulher hoje, que te juro como foi amor à primeira vista.
-Você tá louco? Já está comprometido, esqueceu? - o amigo de Guilherme o lembrou.
-Não esqueci disso, claro! Mas talvez nem a veja mais. Ela era linda, um sorriso encantador. Sério cara, nunca me interessei por alguém, como me interessei por ela. Mas fiz uma coisa errada. - ele falou, lamentando.
-Você nunca se interessou por ninguém, corrigindo. - disse o homem, num tom de brincadeira. - Qual a outra loucura, que você fez?
-Disse que me chamava Pedro, eu disse que meu nome era o teu. Mas talvez, eu nem a veja mais, ela deve nem ir atrás disso, claro. Não podia arriscar em falar quem eu era, vai que ela conhece Fernanda. Ela é daqui também. Não quis arriscar.- ele disse imaginando as cenas que teve com ela.
Guilherme não sabia como Fernanda reagiria, se soubesse que ele teve interesse por outra.
Ele também não queria ser o responsável pelo fim do contrato das duas famílias, ele não arriscaria.
-Você é louco, tomara que ela não vá atrás de você, se não taria em um problema grande. - disse Pedro, amigo de Guilherme, que trabalhava como capataz, na fazenda de café dos Gonzalez.
-Não trocamos contato, também nem sei, se ela se interessou tanto assim por me. Então, é provável que ela não me encontre. Vou pra fazenda daqui uns dias, vou te ajudar com a colheita. - ele disse, sorrindo como uma criança quando faz uma travessura.
Mesmo sabendo que nunca mais viria, Nanda, sonhava em beija-la.
Fernanda estava em seu quarto, sentada perto da escrivaninha.
Os pensamentos estavam no homem, que ela conheceu mais cedo no aeroporto.
Mas nem imaginava, que sua vida estava prestes a mudar.
E que seus sentimentos eram recíprocos, e do outro lado da cidade, ele também estava sonhando com ela.
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