
Cansada de Ser Invisível
Capítulo 3
A dor de cabeça da minha mãe não era só uma dor de cabeça. Uma hora depois da chamada com o Diogo, ela tentou levantar-se e quase caiu, o seu rosto estava sem cor.
"Mãe, vamos para o hospital."
Ela protestou, dizendo que era um exagero, mas eu não a ouvi. Chamei uma ambulância.
Enquanto os paramédicos a examinavam, eu tentava ligar ao Diogo outra vez. O telemóvel dele estava desligado.
Liguei ao meu padrasto, Ricardo. Ele era o marido da minha mãe, afinal. A chamada tocou, tocou, e depois foi para o correio de voz.
"Ricardo, é a Ana. A mãe está a caminho do hospital, não sei o que se passa. Por favor, liga-me."
Deixei a mensagem, a minha voz a tremer.
Fui na ambulância com ela, segurando a sua mão fria. As luzes a piscar lá fora pintavam a rua de azul e vermelho, mas tudo o que eu sentia era um vazio cinzento. Estávamos sozinhas nisto.
No hospital, as horas arrastavam-se. Os médicos fizeram exames, tiraram sangue, fizeram perguntas que eu não sabia responder completamente. Disseram que parecia ser um pico de tensão arterial perigoso, que ela precisava de ficar em observação.
Sentei-me na cadeira desconfortável da sala de espera, o cheiro a antisséptico a encher os meus pulmões. Olhei para o meu telemóvel. Nenhuma chamada perdida. Nenhuma mensagem.
O silêncio deles era mais alto do que qualquer grito.
Eles não se importavam. Era tão simples quanto isso. A minha mãe, a mulher dele, a minha namorada, não éramos uma prioridade. Éramos um incómodo.
Quando o meu telemóvel finalmente vibrou, quase saltei. Era o Diogo. Atendi na esperança de ouvir preocupação, talvez um pedido de desculpas.
Enganei-me.
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