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Capa do romance CAÇA E CAÇADOR

CAÇA E CAÇADOR

Karen Reinmann vê seu destino mudar drasticamente após um banquete comum. Seu caminho cruza com o de Connor Schaeffer, um homem prepotente que decidiu encontrar uma esposa a qualquer custo. Contudo, ao escolher Karen como seu alvo, ele não imagina ter encontrado uma adversária à altura. Determinada e longe de ser uma presa fácil, ela lutará para inverter o jogo e dominar quem tentou capturá-la. Um romance moderno repleto de humor e embates instigantes.
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Capítulo 3

“Olhe com cuidado, você gosta do que vê?”, ele me pergunta de novo.

“Finalmente entendi”, eu bufo com um sorriso incrédulo.

“Um reprodutor? É isso?”, eu não tenho como não perguntar.

Ele me olha e seu olhar é profundo e frio.

“Se é assim que você vê, não me importo. Na minha cartilha o que interessa é o resultado”, ele diz sem rodeios.

“E como sei que você pode cumprir com sua parte do acordo?”, pergunto por costume, porque ele está me propondo um negócio. Um negócio esquisito, mas que talvez pudesse por a salvo o legado do meu pai.

“O que você precisa saber?”, ele olha me perfurando.

“Tudo que eu quiser ver, tenho que ter acesso”, eu digo e duvido que ele consinta, então daremos essa conversa maluca por encerrada.

“Joe”, ele toca o interfone.

Joe entra na sala rapidamente e olha esperando instruções do homem sem camisa com um olhar estranho, mas não diz uma palavra.

“Coitado, deve estar acostumado ao chefe louco”, eu penso rindo interiormente.

“Acompanhe a Sra Schaeffer e lhe dê acesso ao que ela precisar”, ele diz olhando diretamente para mim.

A frase me atinge.

“Ainda não concordei com nada”, eu digo de uma vez cerrando as sobrancelhas.

“Concordou a partir do momento em que me fez tirar a roupa para você, Sra Schaeffer”, ele diz como se não fosse nada.

Quero responder, mas Joe segura meu cotovelo e me leva para fora.

“Posso sentar, Joe?” pergunto.

“Claro, Sra Schaeffer, tudo que quiser”, me diz Joe obsequiosamente.

Eu o olho cansada. Estou em um pesadelo, é só esperar, uma hora vou acordar.

“Quero um capuccino Joe”, olho para ele fazendo olhos de cachorrinho.

Na verdade quero um jantar completo de dez talheres. Estou morta de fome. Mal tomei café e estamos no final da tarde.

Que dia louco. Me sinto incrédula com os últimos acontecimentos.

Joe volta com o café.

“Joe sente aqui comigo”, peço.

Joe senta e parece hesitante.

“Tudo que eu quiser, lembra?”, digo sem cerimônia.

“Sim, Sra Schaeffer”, diz Joe sentando.

“É seguro falarmos sem ser ouvidos aqui Joe?”, eu pergunto.

Joe ergue as sobrancelhas de espanto.

“Sim”, diz ele.

“Seu chefe Joe... tem gente que é esquisita, dizem que são excêntricos, mas o seu chefe... ele tem problemas sérios, não é?”, insinuo, esperando ansiosamente para saber no que estou me metendo.

Joe dá um suspiro e ri.

“Não Sra Schaeffer, ele não é louco. Ele só quer uma esposa e não está disposto a ter um relacionamento, então por isso que ele propôs à senhora dessa forma”, ele suspira. “Eu sei que não é convencional raptar as esposas hoje em dia, é meio Neanderthal, não é?”, seu olhos claros em mim, pedindo que eu aceite bem suas palavras.

Engulo por ouvir ‘Sra Schaeffer’ de novo, e não sei se rio ou choro.

Olho para Joe e acho que sou boa em julgar pessoas e me sinto à vontade de metralhar Joe com minhas dúvidas, porque não acho que ele poderia me enganar.

“Joe, quem é o seu chefe?”, pergunto iniciando minha pesquisa.

Os olhos dele se arregalam de espanto.

“A senhora não conhece o Sr. Schaeffer? A senhora não é daqui?”, ele me devolve a pergunta.

“Sou daqui, mas fiquei muito tempo fora nos estudos, depois fui para uma subsidiária da R&R no exterior”, digo levantando a sobrancelha devolvendo a pergunta.

“Bom... O Sr. Schaeffer herdou a maior empresa do país e agora estamos em 24 países. A senhora tem certeza que não conhece a holding SC Corporation?”, ele diz me olhando incrédulo.

SC Corporation eu sei muito bem quem é. O que eu não sabia era sua relação com esse homem.

“Quero ver os livros”, olho inocentemente para Joe.

A cor dele vai embora.

“Eu sei que estou esticando a corda, Joe”, eu penso, “vamos ver aonde isso vai”, estou rindo por dentro.

“Vou ver com o chefe...”, ele se afasta e liga para o Connor Schaeffer.

Vejo Joe voltar com olhos arregalados.

“A senhora pode ver tudo, vamos à contabilidade e a senhora pode ver o que quiser, me acompanhe”, diz ele de uma vez.

Eu também tenho que admitir o espanto. Esse Connor nasceu ontem? Me deixar acessar a caixa preta? Ver o que quiser nos livros e na contabilidade, saber os negócios da empresa?

De repente a realidade me atinge com força. “Droga”, deixo escapar baixinho. Eu acho que sou a tal Sra Schaeffer e não tem como dizer não para esse homem.

Já sei que ele pode fazer pela R&R o que disse e agora ele pretende que eu faça o que ele quer. Nem preciso abrir um livro para saber que ele pode, qualquer idiota sabe que o CEO da Holding SC pode fazer o que quiser. Esse homem não é muito visível, mas é óbvio que é implacável ou não estaria nessa posição.

“Joe, mudei de ideia, quero ver o Connor”, digo sem respirar.

Olho para Joe e sinto pena.

Na minha cartilha negócios são negócios e vida pessoal é à parte. Não sou uma prostituta que vou pagar com o corpo pela minha empresa, mesmo que seja o legado do meu pai.

Esse homem presunçoso pelo visto não vai me deixar ir, então...situações extremas exigem medidas extremas.

Joe liga para ele e parece espantado em me avisar que posso entrar de novo no escritório.

“Connor, eu estive pensando... porque você me escolheu para essa tarefa?”, pergunto com curiosidade genuína, mas forçando uma intimidade, o que ele não gosta certo?

Me posiciono ao lado de sua cadeira de trabalho.

Ele me olha desconfiado.

“Qual a relevância disso?”, devolve.

“Existe um motivo, não é? Estamos pondo às claras, então me responda o porquê”, claro que insisto.

“Não há um motivo específico. Ambos podemos nos ajudar”, ele diz sem mover um músculo e volta seus olhos para os papéis, a caneta funcionando ao assinar os documentos.

Eu acreditei nele. Um homem como ele não ia querer uma mulherzinha chorona incomodando.

“Há! Espere e veja Connor Schieffer”, pensei.

Na contramão dessa realidade, me aproximei e sentei no colo dele, pondo meus braços ao redor de seu pescoço, meu nariz quase grudando no dele.

Fiz o meu melhor olhar de cachorrinho, inclinei a cabeça e lancei a frase de efeito: “Então, quando se apaixonou por mim Connor?”

Suspirei em expectativa. “Poderia receber o Oscar agora mesmo”, pensei comigo.

Vejo a surpresa estampada por todo o rosto dele, até a máscara fria caiu por um momento.

Escuto atrás de mim a porta abrir e uma voz de mulher: “Filho, posso entrar?”

Sinto braços fortes que me apertaram inesperadamente com força e lábios sobre os meus, a língua se forçando dentro da minha boca, a mão na minha nuca impede a fuga. Quero resistir, mas a força dele supera muito a minha. Penso por um momento e vejo que não tenho saída. Vou permitir e ser pegajosa até ele implorar ajoelhado para se livrar de mim.

O beijo se aprofundou até que ofeguei por ar, enquanto a mulher nas minhas costas pedia desculpas embaraçada pelo flagrante involuntário.

Connor me beijou na testa e se levantou, me levando com ele.

Pegou minha mão e me levou à frente da mulher recém-chegada.

Admito que fiquei com vergonha, mas a esta altura todas as coisas loucas do mundo estavam acontecendo comigo!

“Mãe, esta é Karen Reinmann, minha esposa”, ele disse sem nem tremer.

“Que mentiroso miserável!”, pensei e olhei para ele inconscientemente.

Imediatamente olhei para o chão, para ter tempo de respirar e me recompor. A mulher à minha frente é ou será minha sogra? “Droga, droga, droga, mil vezes droga!”, urrei por dentro. As coisas agora se complicaram muito. “Inacreditável, em um dia fui sequestrada e agora sou nora e esposa? Pare o mundo, eu quero descer! Por favor? Hã? Alguém?”, estou petrificada.

Me recomponho o melhor que é possível nesse momento e olho para a mulher à minha frente.

Ela tem alguns traços do Connor, lembram levemente as feições dele, parece jovem, somente algumas pequenas rugas ao redor dos olhos denunciando a maturidade.

“Joan, não a Crawford”, ela ri.

Entendo a piada e o bom humor dela ao lembrar vagamente que há uma atriz antiga com esse nome. Ao que parece ela é bem-humorada e é fácil lidar com ela, mas todo baú tem bagagem não é? Veremos.

Sorrio e estendo a mão: “Prazer em conhecê-la Sra. Schieffer”, digo educadamente.

Ela sorri amplamente e replica: “O prazer é meu Sra. Schieffer”.

Meu sangue gela ao mesmo tempo que o sorriso no meu rosto. Ela fez piada, mas não sabe o tamanho da piada.

“Vou sair agora e não atrapalhar mais, quero um neto o mais breve possível. Trabalhem crianças e foco na criança!!!”, ela pisca um olho e ri com seu próprio trocadilho e sai feliz como o cachorro que roubou o peru da ceia de Natal.

Me digo e repito para respirar. “Respire. Respire. Karen, você é uma mulher forte você é poderosa, você consegue, você sai dessa, está tudo bem. Tudo bem, garota, tudo bem...”, me sentei no sofá sorrindo para melhorar e ficar bem e estou no meio da minha auto sessão psicanalítica interna para poder me recompor, quando o sofá afundou ao meu lado.

“Então você gosta de mim?”, Connor levantando uma sobrancelha me encara.

“Hã?”, foi o que saiu da minha garganta, o cérebro fugiu faz um tempo, horrorizado coitado...

Encarando o olhar dele e a atmosfera ambígua, levei meu tempo para responder, olhando para ele e pensando nas palavras que ele disse. “O que ele disse?”, vasculho o cérebro.

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