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Capa do romance Brincando com Fogo

Brincando com Fogo

Jayden enfrenta o risco de expulsão da faculdade e de casa devido às notas baixas. Sua única salvação é aceitar a ajuda da garota nerd que ele sempre atormentou. Para convencê-la, ele propõe um acordo: transformará seu visual e a ensinará a seduzir o rapaz que ela ama. Contudo, ao instruí-la na arte da conquista, Jayden começa a cair em sua própria armadilha. Será que ele resistirá aos encantos da jovem que ele mesmo ajudou a florescer?
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Capítulo 2

Eu estava cheio de ódio, mas pensaria em uma vingança mais tarde. Agora eu precisava correr para o banheiro mais próximo e limpar ao máximo a minha roupa para que a diretora não perceba que estou todo sujo. Após muito esforço acho que consegui tirar a maior parte da sujeira e sai dali, indo direto para a sala da Sra. Clark. Cheguei lá com alguns minutos de atraso, graças aquela insuportável da Rachel e logo a secretária avisou que eu podia entrar. 

 — Atrasado como sempre, né Sr. Park? — A diretora provocou, sem tirar os olhos do computador.

Dei um sorriso sem graça e ela sinalizou para que eu me sentasse em uma das cadeiras em frente a ela. A Sra. Clark estava sempre séria, ela usava o mesmo conjunto social cinza todos os dias, com sapatos pretos sem salto, tinha cabelos grisalhos que estavam sempre presos em um coque. Ela analisou a ficha com as minhas notas mais uma vez. 

— É, Sr. Park a sua situação está difícil. Eu diria quase impossível. Mesmo que por um milagre o Sr. conseguisse uma segunda chance para refazer as provas, acha que teria conhecimento para obter a nota máxima em todas as matérias? 

— Claro! 

— Sozinho, sem nenhuma ajuda e sob a minha supervisão, agora mesmo? 

Eu arregalei os olhos engolindo em seco. 

— Foi o que eu pensei. Infelizmente parece que eu não vou poder te ajudar. 

O desespero tomou conta de mim e quando percebi estava praticamente implorando à mais velha uma segunda chance. 

— Sra. Clark, por favor eu faço qualquer coisa! 

— Por mais que eu queira ajudar é impossível que você aprenda a matéria do semestre inteiro, são oito matérias, sem contar que o Sr. está devendo horas extracurriculares obrigatórias. 

— O quê? 

— Todo aluno tem que cumprir no mínimo sessenta horas extracurriculares e o Sr. não tem nenhuma. 

— Por favor, Sra. Clark eu estou implorando. — Insisti e ela me olhou parecendo não saber o que fazer. 

— Para ser aprovado teria que fazer no mínimo quatro horas de monitoria por dia, sete dias por semana com a nossa tutora para poder pegar a matéria e teria que comprometer todos os seus finais de semana até o final do verão para poder cumprir as horas. Seria algo muito puxado e mesmo assim, não é certeza de que você iria conseguir. 

— Não tem problema! Eu quero tentar assim mesmo! 

Ela me observou como se estivesse medindo o meu nível de desespero e logo apertou um botão no telefone. 

 — Mary, chame a Srta. Jennings aqui por favor. 

— Sim, Sra. só um minuto. 

— Se existe alguém que pode te ajudar é a Srta. Jennings. Ela é a mais experiente em monitoria de alunos, além de ser capitã da nossa equipe de debates. Ela também é responsável pelas atividades extracurriculares dos alunos, então pode conseguir as aulas que você precisa para completar suas horas. Com a ajuda dela talvez o Sr ainda tenha uma chance. 

Aquela possibilidade me encheu de esperança, mas logo a minha paz acabou quando uma voz irritantemente conhecida invadiu a sala da diretoria. 

— Sra. Clark? A senhora me chamou? — A ruiva perguntou com um sorriso gentil.

— Sim, Srta. Jennings, tenho um aluno aqui precisando de monitoria urgente além de horas complementares. 

Rachel sorriu, mas quando colocou os olhos sobre mim seu sorriso se desfez. 

— O caso dele parece impossível à primeira vista, mas acho que com a sua ajuda ele consegue escapar da reprovação. — A diretora comentou e vi um sorriso diabólico se formar no rosto da ruiva, como se ela esperasse por aquele momento a muito tempo e travei ao perceber que estava nas mãos da minha maior inimiga. 

— Poxa, eu queria muito poder ajudar, mas perdi o emprego hoje e estarei ocupada demais procurando outro para poder dar aulas. 

O semblante da Sra. Clark que antes estava esperançoso, agora parecia ter aceitado a derrota. 

— É Sr. Park a Srta. Jennings era a sua última esperança. 

— Não é possível! Tem que ter outro jeito. 

— Não consigo pensar em nenhum! 

— Bem, se a Sra. não precisa mais de mim eu tenho que ir para a aula agora. — Rachel interrompeu a discussão.

— Sim, Srta. Jennings tenha uma boa aula. 

— Obrigada! 

Ela saiu dali e a Sra. Clark deu de ombros. 

— Não é possível.  Deve haver algum outro jeito. 

— Pois não tem, sua melhor chance agora é tentar convencer a Srta. Jennings a te ajudar, ela nunca se recusou a ajudar alguém antes. 

A mais velha aponta para a porta, evidenciando que não havia mais nada que ela pudesse fazer e saio dali, caminhando desanimado pelos corredores do prédio antigo. Eu tinha que dar um jeito de convencer aquela insuportável a me ajudar. Apesar de odiá-la eu sabia que ela era a única ali inteligente o suficiente para realmente me salvar de uma reprovação. Decido procurar por ela, mas percebo que não tenho a menor ideia de onde encontrá-la, então volto à diretoria para perguntar. Algum tempo depois, entro sorrateiramente na sala onde ela assistia concentrada a aula de economia e percebo sua surpresa quando me sento na cadeira ao lado dela, pela forma que suas orbes esverdeadas se arregalam. 

 — O que você está fazendo aqui, idiota? — Ela sussurrou entre dentes, tentando não chamar atenção.

— Olha, eu sei que você me odeia e tem razão para isso, mas eu preciso muito da sua ajuda. Eu não posso reprovar. 

— Isso não é problema meu! 

— Por favor Rachel! 

— Ah, você sabe o meu nome? Porque até onde eu me lembro você sempre me chamou de água de salsicha, cabelo de espantalho, sardenta… — Ela lista e sabia que se fosse citar cada apelido com o qual a perturbei, ficaríamos aqui até o fim da semana.

— Tá, olha me desculpa. 

— Desculpas não vai fazer eu ter o meu emprego de volta. 

— Qual é? Era só um empreguinho ruim em uma lanchonete suja. 

— É, mas era trabalhando naquela lanchonete suja que eu conseguia pagar meu aluguel e as minhas contas. Nem todo mundo tem família rica, algumas pessoas precisam trabalhar para ter um teto sobre a cabeça. 

Por um minuto ela parecia o meu pai falando, apesar de estarmos falando baixo já estávamos chamando a atenção do professor que vez ou outra me encarava por trás dos óculos de armação metálica. 

— Olha eu posso te pagar pelas aulas. 

— Nem por todo o dinheiro no mundo. 

— Qual é Rachel? 

— Você não tem mesmo noção do quanto me fez mal hoje, não é? 

Ela deu uma risada debochada como se não estivesse acreditando na minha atitude. 

— Olha eu já pedi desculpas. 

— Eu já disse —

— Eu sei, desculpas não vai trazer o seu emprego de volta. Mas eu posso te pagar muito bem se você me ajudar. 

— Garoto, coloca uma coisa na sua cabeça. Eu quero distância de você! 

Ela elevou um pouco a voz e o professor nos encarou, dessa vez a voz dele ecoou pela sala. 

— Algum problema Srta. Jennings? 

— Sim Professor, esse aluno não faz parte dessa turma e está me importunando. 

— Sr. faça o favor de se retirar. 

A encarei sentindo meu rosto queimar de ódio e saí dali pisando firme. Quando estava passando pelos corredores da universidade ouvi o Finn me chamando, mas estava nervoso demais para conversar agora então passei direto. 

— Ei! Ei, pera aí cara! O que foi?

— Aquela água de salsicha dos infernos. 

— Ah não, o que houve agora? 

Eu tentei me acalmar contando tudo para o Finn, que me encarou preocupado ao saber que eu poderia ser reprovado, ele conhecia bem o meu pai e sabia como ele era rígido. 

— Cara o que você pretende fazer agora? 

— Não tenho a menor ideia. 

— Você tem que dar um jeito de convencer a Rachel a te ajudar. 

— Mas eu já fiz de tudo, já pedi desculpas, ofereci dinheiro. A desgraçada me odeia! 

Finn parou um tempo parecendo estar pensando um pouco. 

— E se ela não te odiar? 

— Como assim Finn? 

— E se esse ódio todo for só porque na verdade ela é apaixonada por você? 

— O quê? 

— Pensa bem? Dizem que o amor e o ódio andam de mãos dadas. 

— É, mas no nosso caso é só ódio, sem amor. 

— Você não sabe o que se passa naquela cabecinha sardenta. 

— Mesmo que você esteja certo, o que você está sugerindo? Que eu saia com ela, para ela me ajudar? Credo, que nojo! 

— Não tô falando nada disso. Tô falando que se for isso, se você tratar ela bem pode acabar convencendo a pimentinha a te ajudar. 

Eu paro para pensar e Finn tinha razão, mesmo que ela não gostasse de mim, não existia mulher que não se rendesse aos meus encantos. 

— É, acho que não custa nada tentar, mas como vou chegar nela? Quando ela me vê só falta erguer um muro para fugir de mim. 

— Que tal na festa de hoje à noite? Ela sempre vai nas festas que o pessoal que estuda música vai. Ele me encarou e acabei sorrindo. É, parece que eu tinha uma missão e teria que usar todas as minhas armas para poder convencer aquela bruxa a me ajudar. 

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