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Capa do romance Brincando com fogo!

Brincando com fogo!

Diana é uma publicitária focada que vê sua vida mudar ao cruzar o caminho de um poderoso magnata. Entre farpas e uma convivência explosiva, ela e Edward testam os limites da rivalidade profissional. No entanto, a rotina conturbada revela que a fronteira entre a aversão e a paixão é mais frágil do que imaginavam. Mergulhados em um jogo de sedução e conflitos, eles descobrem que o ódio pode ser apenas o prelúdio de um sentimento avassalador.
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Capítulo 3

É sexta-feira e eu acordo com uma dor de cabeça horrível, resultado da quantidade de vinho que eu tomei na noite passada, sinto minha cabeça girando ao me levantar da cama, eu ainda poderia estar bêbada? Creio que não.

Tomo um banho rápido e me arrumo para o trabalho, estou uma pilha de nervos e ansiedade, afinal eu assumi a responsabilidade de entregar no prazo uma campanha gigantesca. Mal consigo engolir o café da manhã, meu estomago embrulha só de pensar em encarar Edward Harris depois das mensagens que trocamos ontem, ele provavelmente ainda estava bravo pela forma como o abordei, e eu me arrependia do meu rompante movido à álcool.

Tento não pensar na noite passada enquanto dirijo para o trabalho, apesar de estar com medo, imaginar a felicidade do Charlie e de todos os meus colegas ao saberem que poderão curtir o feriado como haviam planejado me faz acreditar que fiz a escolha certa ao decidir cuidar do projeto sozinha.

Chego a agência um pouco mais tarde que o habitual, o transito de Los Angeles estava caótico essa manhã, passo pela recepção e vou direto a minha sala.

Paro abruptamente na porta ao ver o Senhor Harris sentado na cadeira de frente à minha mesa.

-Atrasada para o trabalho, senhorita Allen? É com esse comprometimento que pretende finalizar o projeto do Bruce James? -ele mantinha uma postura desafiadora, os olhos demonstrando o interesse na minha resposta.

Caminho até a minha mesa e me sento, depositando a bolsa no móvel ao lado. Sustento seu olhar enquanto respondo de forma breve e direta.

-Não creio que o meu breve atraso irá impactar na minha produtividade, vou compensar esses minutos trabalhando até mais tarde hoje.

Ele se aproxima, os cotovelos apoiados na minha mesa, uma das mãos segurando seu maxilar másculo e recém barbeado.

-Eu não sei se você realmente entendeu a situação, caso não conclua esse projeto no prazo, haverá consequências desastrosas para a agência. -ele encara intensamente meus olhos e dá ênfase à próxima frase.

-E para você também, senhorita Allen.

Eu engulo em seco ao ouvir essas palavras, é evidente que eu sabia da complexidade do projeto, mas eu não havia cogitado a possibilidade de fracassar, mas Edward Harris deixou bem claro que isso poderia acontecer, e parecia que era exatamente o que ele achava que fosse acontecer.

Antes que eu pudesse responder sua provocação, ele se levanta e sai da minha sala, me deixando ainda mais nervosa do que estava ao acordar essa manhã.

Diferentemente de ontem quando ele havia me obrigado a dar a má noticia para os meus colegas, hoje Edward resolveu que seria ele o portador das novidades. Alguns minutos após a minha chegada na empresa, sou convocada a comparecer no refeitório, meu chefe havia reunido todos os funcionários ali para anunciar que eu e ele resolveríamos sozinhos o problema com o projeto do Senhor James, e que assim eles poderiam aproveitar os seus feriados como planejado inicialmente.

Durante seu comunicado ele evitou dizer palavras encorajadoras ou agradáveis, era nítido o seu desconforto e descrença na minha capacidade de resolver isso sozinha, mas então porque ele tinha concordado com essa ideia?

Evitei encarar seu rosto enquanto ele falava, eu me impressionava com sua frieza e indiferença, tudo o que tentei fazer foi deixar todo mundo feliz, me ofereci para resolver a situação, mas o babaca não parecia satisfeito.

No fim do seu breve discurso, todos ao redor estavam radiantes, um contraste interessante em comparação à cara de poucos amigos que Edward Harris ostentava. Depois de receber alguns agradecimentos pela minha nobre atitude de me sacrificar pela equipe, eu pego um café na cafeteira e volto pra minha sala. Eu tinha muito trabalho pela frente, e quanto antes eu começasse seria melhor.

Passei toda a manhã refazendo o esboço da campanha, eu me lembrava muito bem dos detalhes e isso facilitou muito o meu trabalho. O clima na agencia era festivo, a alegria dos meus colegas exalava pelo ar, o que me deixava mais confiante por ter feito essa escolha.

As horas passavam mais rápido que o normal enquanto eu lutava contra a pilha de papeis e arquivos ao meu redor, a minha cabeça doía depois de tanto tempo sentada na frente do meu computador, o horário de almoço foi completamente ignorado por mim enquanto eu revisava o esboço e parâmetros do projeto.

Eram 14h quando a Mia bateu na minha porta, me tirando do caos que havia se tornado minha mesa, e me arrastando até Starbucks do outro lado da rua.

Mia era uma das poucas amigas que eu havia feito em Los Angeles, nós duas nos conhecemos na faculdade e participamos da seleção de novos talentos da EHpublicity há alguns meses, estudar e trabalhar com uma mulher como a Mia era um privilegio, além de ser uma amiga excepcional ela também era uma profissional impecável. Ela era intimidadora e nós tínhamos orgulho de sermos tão parecidas nesse quesito.

Nós duas gostávamos de sair e conhecer caras, mas desde que nos formamos e começamos a trabalhar para Edward, essas saídas se tornaram raras. O nosso foco na carreira era o mesmo.

Nos sentamos em uma mesinha no canto da cafeteria e pedimos nosso cappuccino diário.

-Eu não acredito que aquele idiota tá te obrigando a trabalhar sozinha no feriado, o que você fez pra ele? -Mia parece inconformada com isso.

-Ele não me obrigou, quer dizer, não obrigou só a mim. Mas você tinha que ter visto a cara do Charlie por ter que cancelar seus planos, eu não podia permitir que isso acontecesse com ele. Então eu me ofereci para concluir o projeto sozinha.

Ela me encara atônita.

-Você enlouqueceu Ana? A equipe toda passou semanas fazendo o projeto para que ficasse pronto à tempo, você não pode fazer isso sozinha, eu também virei trabalhar no feriado.

Eu nego veementemente.

-Claro que não, você planejou essa viagem para visitar os seus pais há muito tempo, esse é um dos motivos para eu ter me oferecido, eu quero que você aproveite o seu feriado.

Ela tenta contestar, mas eu mudo de assunto rapidamente.

-O Marc me ligou ontem a noite, queria saber quais os meus planos para o feriado.

Mia me olha com curiosidade e interesse.

-E então?

Eu bebo um pequeno gole do meu cappuccino e respondo sem muita importância.

-Bom, eu não estou muito interessada em falar sobre os meus planos com o meu ex paquera da faculdade, até porque eu não tenho planos mesmo.

-Mas era isso que ele queria, fazer planos com você.

-Duvido muito, o Marc não é do tipo de cara que toma iniciativa, e eu não estou procurando nenhum relacionamento agora, tô focada apenas no trabalho.

Ela concorda com a cabeça, nós duas tínhamos os mesmos objetivos no momento.

Passamos os minutos seguintes falando sobre besteiras e caras da faculdade, quando termino meu café eu corro de volta para minha sala.

Apesar de estar atolada de trabalho, eu estava muito bem por estar fazendo aquilo, a minha vida social era quase inexistente á aquela altura, então não seria um problema passar o feriado e o fim de semana trabalhando em prol da felicidade dos meus colegas.

Quando o expediente se encerrou e as pessoas começaram a sair de suas salas e irem embora, eu olhei para o relógio e constatei que havia passado o dia todo dedicada ao projeto e mal havia comido ou tomado água decentemente, então quando a Mia apareceu na minha sala com uma caixa de rosquinhas e suco de pêssego, eu a agradeço um grande sorriso.

-Você tem certeza de que vai fazer isso sozinha? Eu posso ficar e ajudar você, posso visitar me- eu a interrompo antes que ela termine a frase.

-Não precisa se preocupar, eu tenho tudo sob controle. Aproveite seu feriado e dá um abraço nos seus pais por mim.

Ela sai da sala depois de muito relutar, essa era uma das maiores qualidades da Mia, ela faria de tudo para ajudar um amigo, mas naquele caso eu não poderia aceitar sua ajuda, tudo o que eu queria era que ela tivesse um ótimo feriado junto com os pais.

-Você jura que vai me ligar se precisar de alguma coisa? - eu concordo imediatamente e abraço.

-Não se preocupe comigo Mimi, eu vou me virar bem, prometo.

Depois de se certificar de que eu realmente ficaria bem, ela sai da minha sala e vai em direção à saída do prédio.

Quando estou finalmente sozinha no silencio da sala, eu olho ao redor e tento traçar uma estratégia para sobreviver ao fim de semana e entregar o projeto no prazo, além de imaginar como vai ser passar todos esses dias trabalhando sozinha com Edward Harris.

Bom, sem dúvidas seria um fim de semana interessante.

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