
Bolo de Amendoim: Uma Traição Mortal
Capítulo 2
O meu filho, Leo, morreu no seu quinto aniversário.
O médico disse que foi por asfixia, causada por uma reação alérgica a amendoins.
Eu tinha repetido inúmeras vezes ao meu marido, Miguel, e à minha sogra, Sofia, que o Leo tinha uma alergia grave a amendoins.
Mas eles deram-lhe um bolo de aniversário de manteiga de amendoim.
Eu estava numa viagem de negócios naquele dia, uma que o Miguel insistiu que eu fizesse.
"É uma grande oportunidade, Inês. Não a podes perder. Eu e a mãe cuidamos da festa do Leo, não te preocupes."
Foram as suas palavras exatas.
Quando recebi a chamada, estava no aeroporto, a embarcar no voo de volta para casa.
O telefone caiu da minha mão.
Corri para o hospital.
O corpo pequeno do Leo estava deitado na cama, coberto com um lençol branco.
A sua pele estava azulada.
O meu mundo desabou.
A Sofia estava sentada num banco no corredor, a chorar alto.
"Oh, meu netinho! Como é que isto pôde acontecer? Eu não sabia! Eu juro que não sabia!"
O Miguel abraçava-a, a confortá-la.
"A culpa não é tua, mãe. Foi um acidente. Um terrível acidente."
Ele olhou para mim, com os olhos vermelhos.
"Inês, eu sei que é difícil..."
Eu não o deixei terminar.
"Onde está o bolo?"
A minha voz saiu fria, sem emoção.
O Miguel hesitou.
"Inês, agora não é a altura..."
"Onde. Está. O. Bolo."
Ele suspirou e apontou para um caixote do lixo no canto do corredor.
Caminhei até lá.
Lá dentro, por cima de lenços de papel ensanguentados e luvas de látex, estava a caixa do bolo.
"A Pastelaria da Clara".
A minha melhor amiga, a Clara, era a dona.
Eu sabia que a Clara nunca venderia um bolo de amendoim a alguém da minha família. Ela conhecia a alergia do Leo melhor do que ninguém.
Tirei o meu telemóvel e liguei-lhe.
A voz dela estava cheia de pânico.
"Inês! Eu soube! Meu Deus, eu sinto muito! Eu juro, eu disse-lhes! Eu disse ao Miguel e à Sofia que o bolo tinha manteiga de amendoim, eu perguntei cinco vezes se tinham a certeza!"
A chamada terminou.
Virei-me para o Miguel e para a Sofia.
Eles olhavam para mim, o Miguel com uma expressão de súplica, a Sofia com medo.
"Vocês sabiam."
Não era uma pergunta. Era uma afirmação.
"Foi um erro," o Miguel sussurrou. "Nós pensámos que ele talvez já tivesse superado a alergia. As crianças superam..."
"Superado?"
Ri-me, um som oco e feio.
"Vocês mataram o meu filho."
E naquele momento, eu soube que o meu casamento tinha acabado. E que a minha vida, como a conhecia, tinha terminado com o Leo.
A única coisa que me restava era a vingança.
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