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Capa do romance Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja

Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja

Caio Moretti domina o mundo corporativo através da riqueza e influência. No entanto, seu poder falha ao tentar adquirir a companhia de Helena Duarte, que o rejeita publicamente de forma implacável. Enquanto ele se recusa a aceitar a derrota, Helena luta para esconder a forte atração que sente pelo rival. Em meio a embates de ego e negócios, Caio percebe que o desejo é impagável e que enfrentar essa mulher pode custar seu orgulho e seu coração.
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Capítulo 3

O recinto privado do Jockey Club de São Paulo exalava um luxo atemporal: o cheiro de couro inglês, o aroma de tabaco envelhecido e o tilintar de gelo em copos de cristal que custavam mais do que o salário anual de um estagiário de nível médio. Caio Moretti entrou no salão com a fisionomia de quem carrega o peso de uma coroa de espinhos de ouro. Ele precisava daquele ambiente. Precisava estar entre os seus, no Círculo de Ferro, o grupo de elite que compreendia a linguagem da conquista e o sabor da hegemonia.

Sentados ao redor de uma mesa de carvalho maciço, seus três amigos mais próximos já o aguardavam. Cada um deles representava uma faceta diferente do poder masculino naquela selva de asfalto. Havia André, o herdeiro de uma linhagem de agronegócio que tratava o país como sua fazenda particular; Rodrigo, o tubarão do mercado financeiro que via a vida em gráficos de volatilidade; e Gustavo, o herdeiro de uma rede de hospitais que mascarava sua frieza com uma filantropia calculada.

- Vejam só se não é o homem do momento - disse Rodrigo, soltando uma gargalhada enquanto girava o líquido âmbar em seu copo. - O grande Caio Moretti, o colecionador de vitórias, foi colocado para escanteio por uma mulher diante de meia São Paulo. O vídeo do Transamérica já circulou mais que cotação de dólar hoje, meu caro.

Caio sentou-se, sentindo o estofado de couro abraçar seus ombros, mas não relaxou.

- Ela não me colocou para escanteio, Rodrigo. Ela apenas encareceu o espetáculo. Helena Duarte está fazendo um jogo perigoso de valorização. É estratégia, nada além disso - respondeu Caio, a voz tentando manter a neutralidade, embora a memória da postura ereta de Helena no palco fizesse suas têmporas latejarem.

- Estratégia? - André interveio, inclinando-se para a frente. O estilo de André era mais bruto, o tipo de masculinidade que resolvia problemas com força e presença física. - Aquilo não foi estratégia de preço, Caio. Eu vi os olhos daquela mulher. Ela te olhou como se você fosse um representante de vendas chato tentando empurrar um plano de telefonia. Ela não quer o seu dinheiro. O que é bizarro, porque todo mundo quer o seu dinheiro.

- Talvez você tenha perdido o toque, Moretti - provocou Gustavo, com um sorriso cínico. - Você está acostumado com CEOs que tremem diante do seu fundo de investimentos. Helena Duarte é de outra espécie. Ela pareceu... honestamente ofendida com a sua proposta. Isso é uma novidade no nosso meio, não é? Alguém que prefere a dignidade aos dígitos na conta.

Caio sentiu o sangue subir. As provocações dos amigos eram o rito de passagem habitual, mas hoje elas tinham um gume mais afiado. Pela primeira vez, ele não tinha uma réplica pronta que encerrasse o assunto com uma vitória esmagadora.

- Ela é obstinada, eu admito - disse Caio, aceitando a dose de whisky que o garçom serviu silenciosamente. - Mas a obstinação morre quando a fome aperta. Ela acha que a DuarteTech é uma fortaleza inexpugnável. Eu vou mostrar a ela que não existe castelo que resista a um cerco bem feito.

- É assim que se fala! - exclamou Rodrigo, brindando ao ar. - O modelo clássico. Se ela não quer o beijo, ela vai ter o braço torcido. Mas tome cuidado, Caio. Mulheres como a Duarte são como cavalos de raça; se você puxa demais a rédea sem saber o que está fazendo, elas saltam a cerca e você fica com as mãos vazias e o orgulho no chão.

- Eu não quero apenas a empresa dela - murmurou Caio, quase para si mesmo, os olhos fixos em um ponto invisível no horizonte da sala. - Eu quero entender de onde vem aquela marra. Eu quero ver o momento exato em que a armadura dela racha. Ela acha que é diferente de todo o resto deste mercado, que é feita de uma fibra que o dinheiro não corrompe.

- E se ela for? - perguntou Gustavo, a voz subitamente séria. - E se existir alguém que realmente não negocia o que acredita? Isso te assusta, Caio? Porque a ideia de que o seu poder tem um limite parece estar te deixando um pouco... instável.

Caio deu um gole longo, sentindo o whisky queimar a garganta. O comentário de Gustavo atingiu o nervo exposto. O desafio de Helena não era apenas empresarial; era existencial. Se ela pudesse dizer "não" e sobreviver, todo o sistema de crenças sobre o qual Caio construíra sua vida - a ideia de que tudo e todos são compráveis - começaria a desmoronar. Ele olhou para os amigos, os homens que representavam o topo da cadeia alimentar, e percebeu que todos eles, de alguma forma, estavam esperando para ver como ele lidaria com aquela anomalia.

- Ninguém é uma ilha, Gustavo. Nem mesmo Helena Duarte - Caio declarou, recuperando o tom de comando. - Ela tem funcionários, tem fornecedores, tem uma reputação a zelar. Eu vou isolá-la. Vou remover cada pedaço de terra sob os pés dela até que a única coisa que reste para ela segurar seja a minha proposta.

- O Círculo de Ferro apoia o cerco - disse André, levantando seu copo. - Mas não demore muito. O mercado sente o cheiro de sangue de longe. Se você não devorar a DuarteTech logo, outros tubarões vão achar que você ficou lento.

A conversa derivou para outros negócios, iates e as oscilações da bolsa, mas Caio permaneceu distante. Ele observava a dinâmica do grupo: a força bruta de André, a esperteza matemática de Rodrigo e a sofisticação fria de Gustavo. Ele sempre se sentira o líder natural daquele grupo, o alfa entre os alfas, mas a sombra do "não" de Helena pairava sobre ele. A masculinidade que ele exercera até ali era a de um conquistador que derruba muros; agora, ele se via diante de alguém que simplesmente ignorava a existência dos seus canhões.

Era uma sensação nova e amarga. Pela primeira vez, o dinheiro nos seus extratos não parecia uma arma, mas apenas um fardo de papel. Ele sentia a necessidade visceral de reafirmar seu poder, não apenas para o mercado ou para seus amigos, mas para si mesmo. Ao deixar o clube naquela noite, enquanto o manobrista trazia seu carro esportivo, Caio olhou para as luzes da cidade e imaginou a sede da DuarteTech em algum lugar daquela imensidão.

Ele não aceitaria a derrota, pois a derrota significaria aceitar que havia algo no mundo - um valor, uma ética, uma mulher - que era imune ao seu império. O cerco que ele começaria a montar no dia seguinte não seria apenas financeiro; seria um cerco invisível, silencioso e letal. Ele transformaria o mercado em um deserto ao redor dela, até que a DuarteTech fosse apenas uma miragem de independência. No entanto, enquanto acelerava o motor, a imagem dos olhos de Helena, desafiadores e limpos de qualquer ganância, permanecia queimando na sua retina, lembrando-o de que, desta vez, a caçada seria muito mais complexa do que qualquer transação que ele já houvesse assinado. A dignidade dela era o desafio supremo, e Caio Moretti estava disposto a queimar o mundo para provar que até a integridade tem um preço de liquidação.

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