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Capa do romance Enquanto Minha Filha Queimava, Ele Soltava Fogos de Artifício Para Ela

Enquanto Minha Filha Queimava, Ele Soltava Fogos de Artifício Para Ela

Elinor assistiu à morte agonizante da filha Cece enquanto o marido, Derick, celebrava o aniversário da enteada na Disney. Após ignorar o falecimento e a cremação da própria criança, ele ainda rotulou a esposa como louca. Traída e solitária, Elinor carrega apenas as cinzas da filha em um medalhão. Agora, ela busca o divórcio e justiça, decidida a punir Derick pelo abandono e a desvendar quem desviou o rim que poderia ter salvado a vida de Cece.
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Capítulo 3

"Eu tenho o direito legal a esses registros."

Elinor se inclinou sobre o balcão do escritório da administração do hospital, os nós dos dedos brancos contra a superfície laminada.

A administradora, uma mulher de cabelos grisalhos e postura rígida, não piscou. "Sra. Grant, eu já expliquei isso. A Lei de Privacidade HIPAA nos proíbe de divulgar dados de alocação de pacientes a indivíduos não autorizados. Mesmo para familiares do falecido."

"Eu sou a mãe dela", disse Elinor, com a voz se elevando. "E um rim de doador foi desviado da minha filha. Eu quero saber quem autorizou isso."

A expressão da mulher permaneceu impassível. "Se você tem uma queixa legal, precisa enviar o formulário 104-B para o departamento de conformidade. Segurança!"

Dois homens grandes em uniformes escuros deram um passo à frente, posicionando-se atrás de Elinor. Um deles gesticulou para a porta. "Senhora, está na hora de ir."

Elinor queria gritar. Queria estender a mão sobre a mesa e arrancar a presunção do rosto da mulher. Mas ela sabia que era inútil. O sistema foi construído para manter pessoas como ela do lado de fora.

Ela se virou e saiu para o corredor, seus saltos estalando contra o linóleo. Sentiu o medalhão balançar contra o peito a cada passo, um lembrete frio do porquê estava ali.

Ela quase colidiu com o Dr. Evan Cole.

Ele andava rapidamente, de cabeça baixa, com um tablet apertado contra o peito. Ele ergueu o olhar, a viu e congelou.

"Dr. Cole", disse Elinor, entrando em seu caminho. "Por que a cirurgia da Cece foi cancelada?"

Os olhos de Cole dispararam para a esquerda e para a direita, procurando uma rota de fuga. "Sra. Grant, sinto muito pela sua perda. Mas não posso discutir o cuidado de pacientes no corredor."

"Foi o comitê de transplantes?", Elinor insistiu, aproximando-se. "Outra pessoa pegou o rim dela?"

O rosto de Cole perdeu a cor. Ele deu um passo para trás, quase tropeçando nos próprios pés. "O comitê toma decisões com base na urgência médica e na compatibilidade. É tudo o que posso dizer."

"A Kamryn Turner pegou?", Elinor exigiu. "Ela usou as conexões dela para furar a fila?"

"Eu não sei do que você está falando", gaguejou Cole. Ele a contornou, começando a quase correr pelo corredor.

"Me diga!", Elinor correu atrás dele, mas ele desapareceu por um conjunto de portas restritas, a fechadura se trancando atrás dele.

Elinor ficou ali, respirando com dificuldade, os punhos cerrados ao lado do corpo. A raiva era uma coisa viva dentro dela, arranhando para sair. Ela se afastou das portas e caminhou em direção ao saguão principal.

Parou abruptamente.

O saguão estava claro, cheio com o sol da tarde que entrava pelas paredes de vidro. Na área de assentos central, Derick estava sentado em um sofá de pelúcia. Ele segurava a mão de uma garotinha — Kiana. Kamryn estava ao seu lado, o corpo inclinado em direção a ele, a mão dela repousando em sua coxa.

Kiana segurava um balão vermelho vivo. Ela estava rindo, as bochechas rosadas, os olhos brilhantes. Parecia saudável. Vibrante. Viva.

O estômago de Elinor revirou. O contraste foi uma agressão física. Cece em sua cama de hospital, azul e ofegante, contra esta criança, sentada onde Derick podia vê-la, tocá-la.

Kamryn ergueu o olhar. Seus olhos encontraram os de Elinor do outro lado da sala. Um sorriso lento e cruel se espalhou por seu rosto. Ela se inclinou para perto de Kiana, sua voz se projetando pelo saguão silencioso.

"Olha, querida", disse Kamryn, alto o suficiente para Elinor ouvir. "Aquela mulher louca está aqui de novo."

A cabeça de Derick se ergueu bruscamente. Seu olhar se fixou em Elinor. O calor em seus olhos de um momento atrás desapareceu, substituído por um olhar duro e de aviso.

Elinor caminhou em direção a eles. Suas pernas pareciam de chumbo, mas sua raiva a impulsionava para frente. Ela parou a alguns metros de distância, seus olhos queimando em Kamryn.

Kamryn se encolheu, pressionando-se contra o lado de Derick. "Derick, por favor. Ela está me assustando."

"Fique longe de nós, Elinor", disse Derick, sua voz baixa e perigosa. "Não faça uma cena."

"Você pegou?", perguntou Elinor, ignorando-o, seu foco totalmente em Kamryn. "Você roubou a chance da minha filha de viver?"

O rosto de Kamryn se contorceu em uma máscara de inocência ferida. "Eu não sei do que você está falando! Por que está fazendo isso?"

"Ela é sanguinária", rosnou Derick, levantando-se. Ele se posicionou entre Elinor e Kamryn, um escudo humano. "Você está atacando uma mulher inocente porque está amargurada."

"Inocente?", Elinor soltou uma risada áspera. "Ela não é sua família, Derick. Ela é uma mentirosa."

"Ela é mais família do que você jamais foi", Derick retrucou.

As palavras atingiram Elinor como um tapa. A frieza que se instalara em seu peito desde o crematório se espalhou, congelando suas veias.

Algumas enfermeiras e visitantes haviam parado, observando o confronto com curiosidade aberta. Sussurros se espalharam pelo saguão.

Kamryn espiou por cima do ombro de Derick. Ela olhou diretamente para Elinor e articulou duas palavras: Você perdeu.

A raiva explodiu. Elinor avançou, o braço se erguendo, um dedo apontando para o rosto de Kamryn. "Você roubou dela! Você a deixou morrer!"

Derick se moveu mais rápido do que ela esperava. Ele agarrou o pulso de Elinor antes que ela pudesse alcançar Kamryn, seus dedos se fechando ao redor do osso como uma morsa.

"Não toque nela", rosnou Derick.

A dor disparou pelo braço de Elinor. Seu aperto era forte, esmagador. Ela olhou para a mão dele com os nós dos dedos brancos, depois para o rosto dele. Não havia amor ali. Nenhuma preocupação. Apenas fúria e possessão.

Ela tentou puxar o braço de volta, mas ele o segurou com força, seus dedos cravando em sua pele, deixando marcas vermelhas e irritadas.

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