
Atraída Pelo Mafioso
Capítulo 2
Mariana não conseguia parar de pensar em Alessandro Ferraro. Após aquele encontro na cafeteria, sua mente foi tomada por pensamentos constantes sobre o homem misterioso que parecia ter surgido do nada, trazendo consigo uma sensação de perigo e atração incontroláveis. Nos dias que se seguiram, ela tentou manter a rotina de sempre, mas tudo parecia fora de lugar. Era como se, de repente, sua vida comum tivesse se tornado enfadonha, desprovida do brilho e da intensidade que ela experimentou na presença de Alessandro.
A obsessão por Alessandro começou a se infiltrar em sua vida de maneiras inesperadas. No trabalho, Mariana se pegava distraída, pensando no breve momento em que os olhares deles se cruzaram, no tom grave e hipnótico da voz dele. Seus colegas de trabalho começaram a notar sua falta de concentração, mas Mariana dava desculpas, tentando mascarar o que realmente estava acontecendo.
Uma tarde, enquanto revisava um manuscrito, ela foi interrompida por sua amiga e colega de trabalho, Luísa. Luísa era o oposto de Mariana: extrovertida, cheia de energia e sempre pronta para uma aventura. Elas se conheceram na faculdade e desde então se tornaram inseparáveis, apesar de suas diferenças.
— Ei, Mariana! — Luísa chamou, inclinando-se sobre a mesa de Mariana com um sorriso travesso. — Você tem estado muito no seu mundo ultimamente. Algo aconteceu?
Mariana hesitou antes de responder. Ela e Luísa costumavam contar tudo uma à outra, mas por algum motivo, ela sentiu que deveria guardar Alessandro em segredo. Algo nela sabia que aquela era uma história diferente, algo mais profundo do que qualquer outra coisa que ela já havia vivido.
— Nada demais, Lu. Só um pouco cansada — mentiu, tentando sorrir de forma convincente.
Luísa, no entanto, não era fácil de enganar. Ela estreitou os olhos, observando Mariana com um olhar perspicaz.
— Você está diferente. Vamos, pode me contar.
Mariana suspirou, sabia que não conseguiria esconder nada de Luísa por muito tempo.
— Ok, talvez eu tenha conhecido alguém — admitiu, sentindo um leve rubor subir por suas bochechas.
Os olhos de Luísa brilharam de curiosidade.
— E quem é o sortudo? Conte-me tudo!
Mariana hesitou novamente, mas acabou cedendo.
— Ele se chama Alessandro. Nos conhecemos em uma cafeteria... ele é... diferente.
Luísa ergueu uma sobrancelha, claramente intrigada.
— Diferente como? Bonito? Misterioso? Ricos demais?
— Tudo isso — respondeu Mariana, mais para si mesma do que para Luísa. — Ele é bonito de um jeito que intimida, e tem algo nele que é... perigoso. Não sei como explicar, mas senti que não deveria me aproximar.
Luísa deu uma risadinha, balançando a cabeça.
— Perigo pode ser muito atraente, minha amiga. Mas você precisa ter cuidado. Não vá se meter em encrenca.
Mariana sabia que Luísa estava certa, mas algo em seu coração insistia em negar. Alessandro a havia marcado de uma maneira que ela não conseguia entender completamente, mas sabia que estava além de sua capacidade de resistir. Ela decidiu que deveria deixar o encontro para trás, focar em sua vida e esquecer aquele homem que parecia uma tempestade prestes a explodir em sua vida pacata.
Mas o destino parecia ter outros planos. Naquela noite, ao chegar em casa, Mariana encontrou um envelope discreto sob sua porta. Seu nome estava escrito à mão, em uma caligrafia elegante que ela não reconhecia. Intrigada e um pouco assustada, ela pegou o envelope e o abriu.
Dentro, havia um bilhete simples:
"Gostaria de vê-la novamente. Encontro amanhã, 20h. Restaurante La Perla. — Alessandro"
Mariana sentiu seu coração disparar. Ela releu o bilhete várias vezes, tentando compreender o que estava acontecendo. Como ele havia encontrado seu endereço? Por que queria vê-la novamente? Tudo nela gritava que ela deveria recusar, que se envolver com Alessandro Ferraro era um risco que ela não deveria correr. Mas ao mesmo tempo, havia uma parte de Mariana que queria desesperadamente ir, descobrir mais sobre o homem que havia invadido seus pensamentos.
Ela passou o dia seguinte em um turbilhão de emoções conflitantes. Durante o trabalho, não conseguia se concentrar em nada. Luísa percebeu sua inquietação e tentou tirar mais informações dela, mas Mariana se manteve evasiva, guardando o segredo para si.
À medida que o horário do encontro se aproximava, Mariana se viu lutando contra a vontade de ir. Ela passou horas em frente ao guarda-roupa, escolhendo e descartando várias roupas, tentando encontrar algo que não fosse chamativo, mas que a fizesse sentir-se confiante. Optou por um vestido preto simples, de corte elegante, que acentuava suas curvas sem ser excessivamente revelador.
Quando finalmente chegou ao restaurante La Perla, uma sensação de ansiedade a dominou. Era um dos restaurantes mais exclusivos da cidade, frequentado por pessoas ricas e poderosas. O ambiente era sofisticado, com luzes suaves e música ao vivo tocando ao fundo. Mariana sentiu-se um pouco deslocada, mas entrou, determinada a não deixar que o nervosismo a dominasse.
Ela foi recebida por um garçom que, aparentemente, já sabia que ela estava esperando por alguém. Ele a conduziu a uma mesa no fundo do restaurante, em um canto mais reservado. Quando se aproximou, viu Alessandro sentado, elegante como sempre, olhando-a com um sorriso discreto.
— Mariana — ele disse suavemente, levantando-se para puxar a cadeira para ela. — Estou feliz que tenha vindo.
Mariana tentou ignorar o frio na barriga ao se sentar. Havia algo na maneira como Alessandro a olhava, algo que a fazia sentir-se como se fosse a única pessoa no mundo. Ela tentou parecer despreocupada, mas sabia que ele poderia ver através de sua fachada.
— Confesso que fiquei surpresa ao receber seu convite — disse ela, tentando manter a voz firme. — Como conseguiu meu endereço?
Alessandro sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo sedutor e enigmático.
— Tenho meus meios. Mas não se preocupe, não é nada para se alarmar. Eu só queria vê-la novamente.
A resposta dele não acalmou as preocupações de Mariana, mas ela decidiu não insistir. Eles pediram o jantar, e enquanto esperavam, Alessandro começou a fazer perguntas sobre a vida dela: seu trabalho, seus estudos, seus interesses. Ele parecia genuinamente interessado em conhecê-la, mas Mariana não pôde deixar de notar que ele evitava falar sobre si mesmo.
— E você, Alessandro? — Ela finalmente perguntou, depois de responder a várias perguntas. — O que faz da vida, além de aparecer em cafeterias e enviar bilhetes misteriosos?
Alessandro riu, um som grave e contagiante que fez Mariana relaxar um pouco.
— Ah, Mariana, minha vida é complicada demais para explicar em uma noite. Mas vamos apenas dizer que eu cuido dos negócios da família.
Mariana não estava satisfeita com a resposta vaga, mas antes que pudesse pressioná-lo, Alessandro mudou de assunto, perguntando sobre os livros que ela gostava de ler. A conversa fluiu naturalmente, e Mariana se surpreendeu ao perceber que estava realmente se divertindo. Alessandro era um excelente conversador, sempre sabendo o que dizer para mantê-la interessada.
À medida que o jantar progredia, Mariana percebeu que havia algo de magnético em Alessandro. Ele era um homem de poucas palavras, mas cada uma delas era cuidadosamente escolhida, como se cada frase fosse parte de um jogo de xadrez intrincado. Ela não conseguia evitar a sensação de que ele estava sempre um passo à frente, guiando a conversa na direção que ele queria.
Quando o jantar terminou, Alessandro pediu a conta, insistindo em pagar apesar das tentativas de Mariana de dividir. Enquanto saíam do restaurante, ele a acompanhou até o lado de fora, onde a chuva havia parado e a noite estava clara e fria.
— Posso levá-la para casa? — Ele ofereceu, apontando para um carro preto estacionado na esquina.
Mariana hesitou por um momento, mas acabou aceitando. Durante o caminho, Alessandro foi novamente enigmático, evitando perguntas diretas sobre sua vida. Mariana notou que o carro era luxuoso, com bancos de couro e um cheiro suave de lavanda. Tudo nele gritava poder e riqueza, e mais uma vez, ela se sentiu deslocada.
Quando finalmente chegaram ao prédio de Mariana, ele parou o carro e se virou para ela.
— Gostaria de vê-la novamente, Mariana — disse ele, com um tom de voz que deixava claro que não estava fazendo um pedido, mas uma afirmação.
Mariana sentiu uma mistura de emoções. Por um lado, sabia que deveria recusar, que se envolver com Alessandro era brincar com o perigo. Mas, por outro lado, havia algo nele que a atraía como um ímã, uma força que ela não conseguia resistir.
— Talvez — respondeu ela, tentando manter uma expressão neutra.
Alessandro sorriu novamente, um sorriso que fez o coração de Mariana acelerar.
— Eu vou esperar por esse talvez.
Ele inclinou-se levemente para frente, e por um momento, Mariana pensou que ele iria beijá-la. Mas Alessandro apenas tocou delicadamente a mão dela, segurando-a por um momento, antes de soltá-la suavemente. Foi um toque breve, mas a sensação permaneceu na pele de Mariana como se fosse uma marca indelével. Ela saiu do carro, ainda sentindo o calor da mão de Alessandro na dela, e entrou em seu prédio sem olhar para trás, com o coração batendo descompassado.
Quando chegou ao seu apartamento, Mariana se jogou no sofá, tentando processar tudo o que havia acontecido naquela noite. Alessandro era um enigma que ela não conseguia desvendar, mas a atração que sentia por ele era inegável. Aquele homem despertava nela sentimentos que ela jamais havia experimentado: excitação, medo, curiosidade. E, ao mesmo tempo, algo lhe dizia que estar perto dele poderia significar se envolver em algo muito maior e mais perigoso do que ela poderia imaginar.
Nos dias que se seguiram, Mariana tentou voltar à normalidade, mas a sombra de Alessandro estava sempre presente, como se ele a estivesse observando de longe, aguardando o momento certo para reaparecer. Ela continuou com seu trabalho, mas sua mente estava constantemente distraída. Luísa, percebendo o estado da amiga, não perdeu a oportunidade de provocá-la, mas Mariana manteve para si os detalhes daquele segundo encontro.
Mas Alessandro não a deixou em paz por muito tempo. Uma semana após o jantar no La Perla, Mariana recebeu outro bilhete. Desta vez, ele foi entregue diretamente em sua mesa de trabalho, em um envelope igual ao anterior. Seus colegas olharam curiosos enquanto ela abria o bilhete com mãos trêmulas. Era uma mensagem curta, mas clara:
"Espero vê-la hoje à noite. 20h, mesmo lugar. — Alessandro"
Mariana ficou imóvel por um momento, encarando o bilhete como se ele fosse um aviso de algo inevitável. Ela sabia que deveria dizer não, que deveria se afastar de Alessandro antes que fosse tarde demais. Mas a verdade era que, desde o primeiro encontro, ela não conseguia parar de pensar nele. A ideia de vê-lo novamente a deixava ansiosa e, ao mesmo tempo, tomada por uma curiosidade insaciável.
E então, quase como se estivesse em transe, Mariana tomou a decisão. Naquela noite, ela se vestiu novamente com o mesmo cuidado, escolhendo um vestido que misturava simplicidade com elegância, e foi ao encontro de Alessandro.
Quando chegou ao restaurante, ele já estava lá, sentado na mesma mesa, esperando por ela com aquele olhar penetrante que parecia enxergar através dela. O jantar foi parecido com o anterior: conversas triviais, risadas ocasionais e o jogo constante de perguntas que nunca eram completamente respondidas. Mas desta vez, havia algo diferente no ar. Uma tensão, uma expectativa de algo prestes a acontecer.
Ao final do jantar, Alessandro a acompanhou até o lado de fora, onde o mesmo carro a aguardava. Mas, em vez de perguntar se poderia levá-la para casa, ele fez uma proposta diferente.
— Gostaria de dar uma volta comigo, Mariana? — perguntou, seu tom de voz mais sério do que antes.
Mariana hesitou. Algo dentro dela dizia que aceitar aquele convite significava cruzar uma linha, uma linha da qual não haveria retorno. Mas, ao olhar para Alessandro, seus olhos encontraram aqueles olhos profundos e enigmáticos que a puxavam como uma maré poderosa, e ela se sentiu incapaz de resistir.
— Sim — respondeu finalmente, quase em um sussurro.
Alessandro abriu a porta do carro para ela, e logo eles estavam dirigindo pelas ruas de São Paulo, iluminadas pelas luzes da cidade. Mas desta vez, não foi para a casa de Mariana que Alessandro a levou.
Depois de algum tempo, o carro entrou em um bairro mais afastado, onde as ruas eram menos movimentadas e as casas mais luxuosas. Mariana começou a se sentir nervosa, sem saber para onde estavam indo. Finalmente, o carro parou em frente a uma imponente mansão, cercada por altos muros e portões de ferro. Alessandro saiu do carro e abriu a porta para Mariana, oferecendo-lhe a mão para ajudá-la a sair.
— Onde estamos? — perguntou ela, olhando em volta.
— Minha casa — respondeu ele, com um sorriso enigmático. — Quero que veja algo.
Mariana o seguiu pelo caminho de pedras que levava à entrada da mansão, o coração batendo rápido. O lugar era deslumbrante, com jardins bem cuidados e uma arquitetura que misturava o clássico com o moderno. Alessandro a levou até uma sala grande e luxuosa, com móveis de madeira escura, uma lareira acesa e paredes adornadas com obras de arte.
Ele gesticulou para que ela se sentasse em um dos sofás, e então se afastou por um momento, apenas para retornar com duas taças de vinho. Ele entregou uma a ela e, depois de um brinde silencioso, sentou-se ao lado dela.
— Há muito que você não sabe sobre mim, Mariana — começou ele, olhando fixamente para o fogo na lareira. — Mas se você continuar me vendo, se continuar entrando na minha vida, chegará o momento em que precisará saber a verdade.
Mariana sentiu um calafrio correr por sua espinha.
— Que verdade, Alessandro?
Ele a olhou, seus olhos agora mais sombrios do que nunca.
— Que minha vida não é tão simples quanto parece. Que o homem que você vê não é apenas um empresário... há coisas em meu passado, em minha vida, que você talvez não queira conhecer.
Mariana não soube o que dizer. Ela sentiu a gravidade das palavras de Alessandro, a escuridão que parecia envolver aquele homem que a fascinava tanto. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela queria conhecer essa verdade, por mais sombria que fosse.
— Eu não tenho medo de saber — respondeu, com mais convicção do que sentia.
Alessandro a olhou por um longo momento, como se estivesse avaliando suas palavras. Finalmente, ele se levantou e caminhou até uma estante no canto da sala. Ele puxou um livro grosso e, para surpresa de Mariana, a estante se moveu, revelando uma porta secreta.
— Venha — disse ele, estendendo a mão para ela.
Mariana hesitou por um breve momento, mas o desejo de descobrir o que Alessandro escondia era mais forte. Ela se levantou e pegou a mão dele, permitindo que a guiasse pela porta secreta. Eles desceram uma escada estreita e mal iluminada, até chegarem a um porão amplo e frio.
O que Mariana viu a deixou sem palavras.
O porão era um verdadeiro centro de operações, com mesas cobertas de papéis, computadores, e mapas espalhados pelas paredes. Havia homens em trajes escuros, conversando em voz baixa, e todos pararam para olhar quando Alessandro entrou com Mariana ao seu lado.
— O que é isso? — sussurrou Mariana, com os olhos arregalados.
Alessandro a observou por um momento, antes de responder.
— Esta é a parte da minha vida que eu queria manter longe de você. Mas se vamos continuar nos vendo, é melhor que você saiba desde o início. Eu não sou apenas um empresário, Mariana. Sou um homem com inimigos, com responsabilidades... com uma vida que não é fácil de entender.
Mariana começou a perceber o que Alessandro estava tentando dizer. A maneira como ele se movia, como ele falava, o respeito que os outros homens lhe mostravam. Tudo fazia sentido agora.
— Você está dizendo que... você é um...?
Alessandro assentiu lentamente, sem desviar o olhar.
— Sim, Mariana. Eu sou um mafioso. E a vida que eu levo é perigosa, cheia de riscos que você não pode nem imaginar. É por isso que eu hesitei em me aproximar de você, mas agora é tarde demais. Eu não posso mais ficar longe de você.
Mariana sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Ela estava diante de uma revelação que jamais esperaria ouvir, e agora tinha que tomar uma decisão. Continuar ao lado de Alessandro significava se envolver em um mundo que ela não compreendia, um mundo onde o perigo estava à espreita a cada esquina.
Mas, ao olhar nos olhos de Alessandro, ela soube que já havia feito sua escolha.
— Eu quero ficar, Alessandro. Eu quero conhecer tudo sobre você, sobre sua vida, por mais perigosa que seja.
Alessandro a olhou com uma mistura de alívio e apreensão. Ele sabia que, ao permitir que Mariana entrasse em sua vida, estava expondo-a a riscos que ele jamais desejaria para alguém que amava. Mas, ao mesmo tempo, ele não conseguia resistir à força que os unia.
— Então você vai ficar, Mariana — disse ele suavemente, antes de se inclinar para beijá-la, um beijo cheio de promessas, de perigos e de uma paixão que apenas começava a se revelar.
E, naquele momento, Mariana soube que sua vida jamais seria a mesma novamente.
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