
Atraída pelo Lobo do Morro
Capítulo 3
Kiara Narrando
Meu nome é Kiara Lemos, tenho 17 anos e sou herdeira de uma das maiores redes de hotelaria do Rio de Janeiro. Meu pai, sem dúvida, é um dos melhores no ramo, e isso nunca foi segredo para ninguém. Todos conhecem César Lemos, o nosso sobrenome é um sobrenome de peso, com os nossos empreendimentos em todas as áreas turísticas do Rio, eu tenho muito orgulho do meu pai. Tudo isso foi ele que conquistou. Cresci cercada de luxo, com tudo ao meu alcance. Nunca me faltou nada, e, graças a Deus, sou filha única. Não que eu tenha algo contra irmãos, mas gosto da minha liberdade e do meu espaço, e de ser a única, princesinha do papai.
Minha vida, entretanto, não é tão perfeita quanto parece. Há pouco mais de um ano, minha mãe foi embora. Foi um choque para todos nós. Descobrimos que ela estava tendo um caso com um dos sócios do meu pai. Nem sequer tive tempo de processar direito; quando percebemos, ela já estava fora do país com ele. Desde então, não mandou um cartão, uma mensagem, nada. O silêncio dela foi doloroso, como se ela tivesse decidido apagar nossa existência.
Chorei muito, me senti traída e abandonada. Não foi fácil. Mas, no final das contas, foi escolha dela, não é? Fiz o que podia para seguir em frente. Decidi ficar com meu pai, até porque sempre tivemos uma conexão muito forte. Ele é minha base, meu porto seguro, e não sei o que seria de mim sem ele.
Desejo que a minha mãe seja feliz, mas que ela encontre felicidade na dor, do fundo do meu coração desejo que esse homem faça com ela, o que ela fez com meu pai.
Se um dia ela voltar, e pedir perdão, vou perdoar, mas o acesso à minha vida ela não terá mais, Eu Não confio Em pessoas que traem. Se me traiu uma vez, se me abandonou, Quem me garante que não vai fazer isso novamente. Perdão sempre, acesso nunca mais.
Agora estou cursando faculdade de Nutrição. Sempre fui completamente apaixonada pelo tema. Acho fascinante entender como os alimentos influenciam nosso corpo e nossa mente. sempre cuidei de mim. Faço yoga regularmente, natação na nossa piscina aquecida e tenho uma rotina na academia de casa. Manter meu corpo e minha saúde em dia é uma prioridade para mim.
Apesar de toda a minha liberdade, ainda sinto que sou limitada por algumas coisas. Por exemplo, já pensei em me emancipar, mas meu pai não concordou. Então, estou esperando ansiosamente pelos meus 18 anos. Quero poder sair mais, ir para baladas e aproveitar minha juventude sem tantas restrições. Não que ele me prenda completamente, mas há coisas que ele simplesmente não permite.
Mesmo assim, minha vida social não é tão ruïm. Vou para a faculdade, saio com minhas amigas e, a cada seis meses, viajamos juntas nas férias. Antes, essas viagens eram em família, mas desde que minha mãe foi embora, fiz as duas últimas com minhas amigas e, em uma delas, com meu ex-namorado, Natanael.
O Natanael foi um capítulo que prefiro esquecer. No começo, parecia o namorado perfeito, mas, com o tempo, ele começou a ficar chato, controlador e desleal. A gota d'água foi um jantar em que o peguei dando em cima da garçonete. Ele estava bêbado, mas isso não é desculpa. Se teve coragem de fazer isso na minha frente, imagina o que não fazia pelas minhas costas. Aquilo girou uma chave em mim. Percebi que confiança é o mínimo que se deve ter em um relacionamento. E, sinceramente, mereço muito mais do que ele poderia oferecer.
Agora estou de férias e vim para Nova York com minha melhor amiga. Viemos no jatinho do meu pai, é claro. Nova York é perfeita para renovar o guarda-roupa, explorar tendências e me sentir parte do mundo. Mas, logo hoje, meu pai me ligou pedindo para voltar ao Brasil. E o mais estranho: pediu para eu não gastar tanto. Achei inusitado, porque ele nunca ligou para dinheiro. Sempre foi um homem generoso, adora me mimar, nunca ligou para o quanto eu gasto.
Essa ligação me fez refletir um pouco. Talvez ele esteja preocupado com algo que não quer me contar. Ou talvez seja só o cansaço de lidar com a ausência da minha mãe. Ela, com certeza, nunca foi um exemplo de economia. Minha mãe sempre viveu como uma verdadeira Barbie. Tudo nela era impecável, mas muito artificial. Lentes, procedimentos estéticos frequentes, roupas caras. Ela sempre viveu assim, cercada de luxo e aparência.
Não nëgo que cresci nesse mesmo universo. Adoro um bom chocolate quente em Aspen ou esquiar em Bariloche. O frio me acalma, me faz sentir viva. Mas, diferente dela, não sou movida apenas por aparências. Gosto de cuidar de mim porque isso me faz sentir bem, não para agradar os outros.
Minha melhor amiga, aliás, é a melhor companhia para essas aventuras. Estamos explorando a cidade juntas, entrando e saindo de lojas, provando roupas que talvez nunca usemos e tirando fotos que, com certeza, vão bombar nas redes sociais. Nova York tem essa energia que me inspira. É como se, por alguns dias, eu pudesse ser quem eu quisesse, sem julgamentos.
Mas, mesmo aqui, sinto falta de casa. Meu pai e eu criamos uma rotina confortável, e ele é a pessoa em quem mais confio no mundo. Ele sempre diz que, apesar de todas as dores, devemos seguir em frente e construir nossa felicidade. E é isso que tento fazer todos os dias.
Aos 17 anos, ainda tenho muito a aprender e viver. Quero viajar mais, conhecer novas culturas e talvez, um dia, assumir a rede de hotéis da família. Sei que tenho potencial e quero fazer meu pai se orgulhar de mim. Apesar de tudo que aconteceu, somos uma boa dupla, e juntos podemos superar qualquer coisa.
Por enquanto, vou aproveitar o resto das minhas férias, renovar meu guarda-roupa e, quem sabe, trazer um pouco da energia de Nova York para o Brasil. Afinal, a vida é feita de momentos, e eu quero que os meus sejam inesquecíveis.
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