
Ashtar
Capítulo 3
Manhattan, E.U.A.
Edifício Ashtar Corporation.
Mosha anda pelos corredores do Ashtar Corporation, bem vestido de terno, entra sem bater na sala do seu amigo. Ao observar o seu semblante, percebe de imediato que ele está entediado.
- Que cara é essa meu amigo? - fala ao se sentar na cadeira à sua frente.
- Essa é minha última semana em Manhattan. - fala Ashtar com o olhar distante.
- Vai para onde? Não me diga que será fazendeiro?
- Quase isso. - fala olhando para o amigo de linga data.
Mosha senta empolgado:
- Me conta, o que vai fazer?
- Vou para o Brasil.
- Sério? - Mosha pergunta surpreso.
- Comprei um hotel fazenda em Goiás, ficarei por lá. Não aguento mais a cidade grande. Quero paz e sei que lá terei o que procuro.
- Eu não ligo, gosto da cidade grande, seus infinitos barulhos e tudo mais. E eu? Como fico por aqui? - Mosha pergunta sentindo-se excluído.
- Fica aqui no meu lugar. Pode ir me visitar quando quiser ou ficar por lá. Você escolhe.
Mosha se faz de difícil, mas Ashtar o conhece muito bem. Sabe que para onde for, Mosha o irá acompanhar.
- Vou pensar um pouco, mas ficarei por aqui por ora. - cruza os braços olhando para os lados meio sem jeito, afinal, Ashtar sabe que ele vai logo atrás dele assim que se ver nessa empresa enorme, sem ele para infernizar a cabeça.
Hotel fazenda...
À noite, Cíntia vê a apresentação dos funcionários ao redor da fogueira, a vasta mesa cheia de guloseimas, está tudo ao ar livre. O mistério das histórias contadas pelos funcionários a fascina, prende sua atenção de uma forma que não consegue desgrudar os olhos.
- Moraria aqui se pudesse. - Fala Cíntia sonhadora.
- Eu também querida, lindo lugar. - diz a mãe em tom sonhador.
- Quem sabe, um dia poderemos morar em um lugar lindo como esse? - comenta o pai. - Filha, pode ficar um pouco sozinha? Preciso conversar com sua mãe.
Cíntia concorda com a cabeça e volta a ficar distraída olhando as apresentações dos funcionários.
Os pais saem para andar um pouco, no caminho o marido suspira e diz:
- Querida, preciso te contar uma coisa muito importante, sobre nossa filha. Conversei com o psicólogo e nossa filha apresentou uma piora considerável em suas emoções. Ele disse que já conversou com ela, mas você sabe como me preocupo com a nossa menina desde que ela tentou... Bom, você sabe.
- Isso não é nada bom, querido. - aperta o braço do marido e nervosa não diz mais nada, apenas o escuta.
- Vamos precisar lhe dar mais atenção, a trarei mais vezes para cá, ela gostou muito desse lugar.
Estela escuta o marido cheia de preocupação, o abraça com muito carinho.
- Ela vai melhorar, tenha fé querida.
Cíntia sorri com as palhaçadas do grupo de dança.
Por um instante, ela olha seu pulso. A marca do corte que fez nele para tentar tirar a própria vida quando tinha seus dezessete anos, está lá para sempre, nunca se esquecerá desse dia.
Olha para o grupo e volta a sorrir, hoje seus dias são mais agradáveis, não sofre tanto "bullying" como antes, esse seu erro foi no auge de sua depressão.
Lembra desse dia como se fosse hoje, foi em 2012, sua mãe tinha terminado o almoço e pediu para o seu pai a chamar.
- Amor, chame a Cíntia para almoçar, por favor.
O pai subiu as escadas e ao olhar no chão, havia estranhado tanta água, olhou ao redor procurando.
"Vem do banheiro, muito estranho." - ele tinha pensado.
Tentou abrir a porta do banheiro, mas estava trancada por dentro, tentou outra vez, sentindo que tinha algo errado, empurrou a porta com mais força chamando a filha.
- Cíntia? Filha? Abra a porta.
Tentou abrir com mais força, empurrando com o corpo:
- Cíntia?
Tentou arrombar a porta e nada, para, olha para baixo, a água muda de cor a seus pés, está vermelha.
- Ah, Deus. Não! Cíntia! - grita desesperado.
Joga todo o peso do seu corpo na porta de madeira, machuca o ombro, mas consegue arrombar quebrando o trinco a mesma bate com força na parede.
Observa a filha desacordada na banheira e o pulso sangrando.
- Estela, chama a ambulância! - grita do banheiro.
O rosto da filha está muito pálido, tenta falar com ela, mas é em vão.
- Filha, querida. Acorde...
Temeroso que não dê tempo de esperar a ambulância, pega o corpo dela e desce as escadas correndo, Estela aparece no pé da escada vendo a cena mais chocante de sua vida.
- Ah, meu Deus! - A mãe entra em desespero ao ver a filha desmaiada nos braços do marido. - Minha menina...
- Pega a manta do sofá e cobre ela. Vamos para o hospital antes que seja tarde demais...
A levaram de carro para o hospital, por isso hoje, está aqui, vendo a apresentação dos funcionários do hotel fazenda. Seu pai a salvou, hoje pensa bem no que fez. Foi uma completa loucura, mas infelizmente estava fora de si.
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