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As idas e vindas do destino

Anna é uma mulher de meia-idade que cria seus filhos sem perder a esperança de viver um grande amor. Contudo, ao encontrar esse sentimento, sua vida vira de cabeça para baixo. Enfrentando um destino implacável, ela precisa se reerguer diversas vezes diante de reviravoltas inesperadas. Esta obra de ficção narra uma trajetória de superação e resiliência, apresentando uma protagonista humana com a qual muitos leitores vão se identificar em sua busca por felicidade.
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Capítulo 2

Anna entrou pensativa. Porque aquele homem tinha

mexido tanto com ela? Mexeu com sentidos que ela havia

a muito se esquecido. Seu corpo se arrepiava a cada vez

que pensava como seria ser tocada por ele! Não

conseguia entender. E foi pensando nele que ela pegou

no sono.

No dia seguinte, era domingo e ela não tinha planos de

sair, pensava em apenas ficar deitada no sofá vendo

televisão e descansando, afinal era para isso os finais de

semana. Se levantou e fez como de costume: Tomou um

banho quente, escovou os dentes, pois uma roupa bem

leve. Ainda pensava em Paulo. Será quando vou vê-lo

novamente? Será que vai me ligar? Espero bem que sim.

— Aff… que pensamento era aquele? Eles nem tinham se

dado bem. Ela não estava interessada, apesar do seu

corpo dizer o oposto.

Foi a feira como de costume. Lá ela conhecia todos os

feirantes, porque todo final de semana lá estava ela

fazendo compras de verduras, frutas e tudo mais que

fosse necessário para ter uma alimentação saudável, ela

sabia que não tinha mais idade para exageros, por isso

era bem comedida com sua alimentação. Enquanto

caminhava pela feira o seu celular tocou. Era um número

que ela não conhecia, mas atendeu assim mesmo.

— Bom dia!?

— Bom dia! Sabe quem está falando?

— Não. Quem é?

— Adivinha.

— Olha, se você não se identificar, vou desligar.

— Credo, quanta seriedade... E o Paulo. Anna ficou sem

ação.

— Você ainda está aí?

— Claro, que surpresa! Como você esta?

— Bem! Não pensou que pedi seu telefone apenas por

pedir né?

— Não. Claro que não.

— Então? Pensei em nos encontrarmos mais tarde para

um passeio no Bosque da barra. O que você acha? Anna

ficou atônita, não sabia o que falar.

— Anna?

— Claro, a que horas?

— Às 15 horas passo na sua casa para te pegar. Tudo

bem? Ela ainda estava muito surpresa, por isso demorou

a responder.

— Ok. Até logo!

— Até logo! Durante um tempo ficou ali. Parada no meio

da feira. Tentava assimilar aquele telefonema. Não é que

ele também ficou interessado. Ela sorri e vai embora. Ela

não sabia porque, mas ficou feliz com aquele telefonema.

Anna voltou da feira cheia de sacolas, colocou tudo em

cima da mesa e ficou a pensar: “O que era aquilo? ” Eles

nem tinham se dado bem. Bom ela iria sair com ele para

ver no que dava. Colocou tudo no lugar

Preparou o

almoço com muita ansiedade seu coração estava

acelerado. Porque ela estava assim? As 13 horas

começou a se arrumar. Não tinha ideia do que vestir.

Olhou para seu armário e não encontrava nada que a

agradasse. Até, que se deparou com um conjuntinho de

blazer e short e uma blusinha transparente branca.

Apesar de ser uma coroa, ainda tinha um corpo esbelto e

quase tudo lhe caia muito bem. Já passava das duas e

meia quando Paulo chegou. Ele apertou a campainha, ela

logo veio atender.

— Quem e?

— E o Paulo, já está pronta?

— Você está adiantado. Entra. Ela abriu a porta e ele

entrou sorrindo. Aquele sorriso. Os dentes brancos, os

lábios carnudos e rosados. “Aquela boca foi feita para ser

beijada”. Meu DEUS, que pensamento e esse? Se

contenha Anna.

— Me desculpa chegar adiantado, estava

ansioso pelo nosso encontro, afinal ontem pareceu ter

ficado um mal-entendido no ar.

— Não tem problema, estou terminando. Senta aí. Paulo

ficou encantado com aquela bela mulher, arrumada,

discreta e perfumada. Também ele não sabia dizer o que

estava sentido. Ele era um homem que nunca deu muita

importância a relacionamentos. Desde, que a sua esposa

faleceu não encontrara ninguém que o

interessasse, mas aquela mulher era diferente. Quando

ela voltou a sala, já estava pronta.

— Podemos ir?

— Podemos sim. No caminho os dois estavam em silêncio.

Olhavam pelo canto dos olhos certamente para tentar

entender porque eles estavam tão tímidos. É ela que

quebra o silêncio.

— Então? O que você faz mesmo?

— Sou advogado.

— Em que área?

— Criminalista. Mas se precisar outras áreas também.

— Então se eu matar alguém posso contar com você?

Disse sorrindo. Seu sorriso era iluminado, tinha uma

boca bonita, pensou ele.

— Você não seria capaz disso. Parece-me ser uma boa

pessoa.

— E sou mesmo. Você parece ser bom em julgar.

— Trabalho a muito com pessoas de todos os tipos:

Pessoas boas, outras ruins, umas nem tanto, enfim o ser

humano e poço de reações e emoções.

— Você e solteiro, casado?

— Viúvo.

— Oh! Me desculpe.

— Não se preocupe, já faz muito tempo.

— Não quis se casar de novo?

— Não encontrei ainda ninguém que valesse a pena,

minha esposa elevou muito o nível de mulheres que

poderiam me interessar. Assim não conheci ninguém que

se igualasse a ela.

— Tem filhos?

— Não e você?

— Sou divorciada, tenho dois filhos adultos, um é casado o

outro solteiro, moro sozinha, eles vêm de vez quando me

ver, mas não é sempre. Acho que deixei de ser útil,

então… Eles chegam ao bosque da barra e continuam

conversando como se conhecesse um ao outro a muito

tempo. Paulo fica maravilhado com a inteligência de

Anna e ela adora como ele explica as coisas para ela. Ele

pensa que ela poderia ser muito mais que uma operária.

Não que ser uma operaria seja algo ruim, mas ela parece

ter estudado muito. O tempo passa sem que eles

percebam e logo já e noite, ele vai levá-la em casa, ela

se sente como uma adolescente,

Na porta ela pergunta?

— Quer entrar?

Ele responde como se esperasse o convite.

— Posso?

— Claro, vamos tomar um café com torradas. Eles entram

e ela vai preparar o café, ele se senta na cadeira em

volta da mesa e fica observando ela se movimentar na

cozinha. A casa não é grande: Sala, cozinha, quarto e

banheiro. Mas é aconchegante e cheirosa, ele gosta de

estar ali. Apesar de a casa dele ser bem diferente, ele se

sente bem. Acolhido!

O café fica pronto e as torradas também, ela o serve e

eles comem em silêncio. Anna o olhava por baixo sem

saber o que dizer. Terminaram e foram para a sala de tv.

Ele se sentia em casa, só ela estava um pouco

desconfortável. Desde, que se separou nunca levara

ninguém na sua casa. Ele foi o primeiro a quebrar o

silencio.

— Gostei muito do nosso passeio. Podemos

repetir.

— Claro! Quando quiser, também gostei muito.

Ele olha no relógio e já passa das 22 horas e resolve ir

embora.

— Bom, a conversa ta boa, mas tenho que ir,

tenho uma audiência logo cedo.

— Eu também pego cedo no batente, foi um prazer de

verdade.

— Eu ligo para marcamos de sair novamente. Tchau! Ele

se vira e diz:

— Tem uma coisa que estou querendo desde

que nos encontramos!

— É? O que é? Ele se aproxima e a beija longa e

carinhosamente. Ela sentiu seu corpo desfalecer, ficou

quente e não teve como disfarçar o quanto estava

gostando daquele beijo, seu rosto estava em brasa. Ele

percebeu e sorriu veladamente. Ele foi embora deixando

ela ardendo de desejo por ele. Como era possível?

Reacender desejos a tanto tempo esquecido? Demorou

muito para dormir. Pensamentos pecaminosos passavam

por sua cabeça, esses pensamentos não a deixava

dormir. Foi preciso tomar um banho frio. Quando

conseguiu pegar no sono já era quase de manhã.

Como todos os dias, levantou, tomou seu banho, pôs o

uniforme, fez seu café e saiu. O ônibus da empresa como

sempre passou as 7:30 horas. Sua amiga estava lá,

sentada na última poltrona. — Bom dia! Amiga!

— Bom dia! Como foi o seu final de semana? Perguntou

Anna toda animada.

— Melhor impossível. Passei o final de semana todo com o

Miguel. Ai amiga, acho que estou me apaixonando.

— Mulher! Foi o quê? O terceiro encontro? Está muito

cedo para isso, tem que o conhecer melhor.

— Você e suas desconfianças, tem que se entregar, não

estamos mais na idade de ficar se privando das coisas ou

dos desejos. Se quer vai lá e faz.

— Não pode ser assim, olha o tanto de feminicídio. Temos

que nos cuidar!

— Eu não sou assim, me entrego quando estou gostando.

Acho até que vou chamá-lo para dormir lá em casa, só

dormir, vou dizer-lhe que não quero morar junto,

mas quero que fiquemos mais íntimos...KKK

— Você e louca mesmo! Então me encontrei de novo com

o Paulo ontem.

— Serioooooo? Conte-me tudo, não me esconda nada.

Quero até os detalhes mais sortidos.

— Fomos passear lá no bosque da barra. Ele e um homem

muito interessante.

— Não te falei, o Miguel me disse que ele e muito

reservado. Lembrei logo de você.

— Ele ficou de me ligar de novo, vamos ver. Elas chegam

a fábrica as 7:55 horas, batem o ponto e vão para seus

afazeres. A manhã corre como todos os dias sem

grandes acontecimentos. O alarme da fábrica toca

sinalizando que já e hora do almoço, as amigas almoçam

juntas. Durante o horário de almoço seu celular toca, era

Paulo.

— Olá! Está tudo bem?

— Tudo bem e você?

— Pensando muito em você, gostei muito do beijo. Anna

sente seu rosto queimar. Mas não deixou que ele

percebesse que ela estava tendo uma atitude de

adolescente, ela agradece a DEUS não ser uma chamada

de vídeo.

— Eu também gostei muito, já fazia bastante

tempo que não me sentia assim.

— Assim, como?

— Você sabe. Não me faça responder. Morro de vergonha,

já não tenho idade para esses arroubos.

— Quero ti, ver de novo. Marca o dia e a hora. Vou ficar

esperando ansioso.

— Pode ser quarta-feira. Jantar lá em casa.

— Para mim, está ótimo. Quer que eu leve algo?

— Só se quiser beber algo. Eu não sou de beber.

— Está bom, vou levar um vinho. Até lá.

— Até lá. Beijos! Oh! Me desculpe, acho que não temos

intimidade para isso ainda né?

— Não tem importância, vamos chegar lá. Ela desliga e diz

para a amiga: — Era o Paulo.

— Mentira! A coisa ta ficando seria hein? Quem diria?

...kkkk

— Séria demais. O dia passa que Anna nem vê. Fica as

voltas com seus pensamentos no jantar de

quarta-feira. Ela fica pensando nas coisas que podem

acontecer. “Será que vamos fazer amor? ”. Que

pensamento e esse? Fica vermelha. Mas admite para si

mesma que pode acontecer. Tinha tanto tempo que ela

não se relacionava com ninguém que pensava ter

esquecido como é. Melhor ficar preparada diz para si

mesma. Vou me depilar, fazer as unhas. Acho que vou

num salão de beleza e fazer tudo que for necessário, não

quero passar vergonha. Na terça-feira é como todos dias,

se arruma, faz seu café e sai. As 7:55 chega a empresa e

vai direto falar com seu chefe. — Bom dia! Pedro.

— Bom dia! Posso ajudá-la? Pedro era um homem de meia

idade, era bondoso e tentava ajudar a todos.

— Só vim avisar que amanhã não vou poder vir trabalhar,

tenho algumas coisas para fazer e gostaria de ser

liberada.

— Precisa de ajuda?

— Não. São problemas corriqueiros mesmo. Ela não quis

entrar em detalhes.

— Você sabe que é uma funcionária exemplar, então não

vou impedir. Você pode faltar que eu ti abono.

— Muito obrigada! Pedro… fico feliz em fazer o meu

trabalho a contento. Ela vai para os seus afazeres, Divina

por vezes passa por ela e com uma cara muito

cínica e brincando diz: “Amanhã tem”... A hora do almoço

chega e elas vão conversar. Anna está muito ansiosa e

pergunta a amiga o que ela deve fazer para o jantar?

— Amiga, qualquer coisa que fizer vai ser bom, você e

ótima na cozinha. Não faz nada muito pesado, para

não atrapalhar. Kkkk

— Você não presta, acho que vou fazer um estrogonofe o

que acha?

— Boa... E simples e rápido.

— E de sobremesa acho que torta de maça.

— Hummmm… delicia!

— E isso. Já tenho o cardápio do jantar.

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