
AS FACES DO AMOR
Capítulo 2
'Eu não posso fingir que essa jovem não precise de ajuda.’ David pensou em como ajudá-la. Como ele já havia estudado sobre psicologia forense, tentou analisar os sinais que ela emitia.
Ele observou seu desleixo com o autocuidado (sem interesse de se arrumar), pois a jovem estava com os cabelos descuidados e cuja aparência era como se tivesse acabado de acordar.
Seu olhar era triste e sem vida, com um ar de desespero. Ela tinha marcas de lágrimas por todo o rosto e seus olhos estavam vermelhos, o que indicava claramente que faziam horas que chorava. Mesmo que seu choro não fosse alto, era perceptível que ela estava sofrendo.
David aproximou-se dela e tentou iniciar uma conversa:
- "Com licença, desculpe incomodá-la, você poderia me ajudar a tirar umas fotos minhas aqui nesta paisagem, é que minhas selfies não conseguem pegar meu melhor ângulo”.
Annie assustou-se com a proximidade do jovem, deu um passo para trás e escondeu o telefone. Ela não acreditou que o jovem bonito falou com ela. Depois de seu transe, com um sorriso sem graça e abaixando o rosto, ela consentiu com uma voz baixa e doce.
- “Tudo bem”. Ela tirou algumas fotos dele e depois entregou o celular.
David ainda continuou;
- “Desculpe perguntar, você está aqui a passeio? Ou mora por aqui?”
- “Passagem". Annie respondeu sem olhá-lo.
- “Meu nome é David. E o seu?”
David queria instigar a garota a falar e obter mais informações sobre ela. Mas Annie ficou em silêncio. David tentou continuar conversando, mas logo a jovem disse:
- “Não quero conversar com estranhos. Com licença.”
Ela se afastou dele e procurou um lugar onde poucos pessoas estavam. Antes que ele tentasse algo mais, seu telefone tocou. Era um dos assistentes do escritório que chegou com o carro para buscá-lo.
David não saiu imediatamente, a uma certa distância, ele ficou observando aquela jovem. Passado alguns minutos, a jovem percebeu que o movimento de pessoas havia diminuído na ponte, então ela começou a subir no gradeado para pular.
Quando ela já estava sentada no gradeado, uma mulher, que percebeu sua atitude, tentou um diálogo com ela. Mas Annie apenas olhou pra mulher sem dizer um palavra e voltou a olhar para água.
Outras pessoas, ao perceberem o que estava acontecendo, ligaram para a emergência para informar sobre os acontecimentos e pediram ajuda médica.
David, que ainda estava no local, então se aproximou devagar para que ela não se assustasse. Annie estava de costa para ele e não percebeu sua aproximação.
David sinalizou para a mulher que estava falando com ela para continuar distraindo a atenção de Annie em sua direção, para que ela não pudesse vê-lo se aproximando pelas suas costas.
Quando a mulher tentou dar um passo para se aproximar, Annie disse:
- “Não se aproxime, senão eu pulo agora”. A mulher parou abruptamente, mas ainda continuava tentando conversar com ela. Quando a jovem fez um movimento para se levantar e pular, David já estava bem próximo dela.
Num movimento ágil e forte, David a segurou pela cintura e a puxou para a parte interna da ponte em segurança. Surpresa, Annie tentou se libertar dele com toda a sua força, mas ele a segurou com força nos seus braços.
Neste momento, ele sentiu o agradável aroma floral de jasmim que ela exalava, o que fez lembrar de alguém do seu passado. E ela, por sua vez, sentiu uma fragrância amadeirada penetrar em seu olfato, o que a fez lembrar do garoto que a ajudou algum tempo atrás. Mas, recordar do seu passado a fez desesperar-se ainda mais.
Aqueles que viram a cena e alguns curiosos que gravaram o ato, aplaudiram o ato heroico do jovem, enquanto Annie se desesperava em prantos.
David percebeu que Annie estava tremendo de frio, devido as suas roupas serem leves naquele clima gelado e ao seu péssimo estado de espírito.
–“O clima está frio. Use meu casaco para aquecê-la”.
Ele a afastou um pouco do seu peito, tirou o casaco com uma mão e, com a outra, segurou o pulso da garota firmemente. Quando estava preste a colocar um dos braços dela no casaco, ele percebeu uma cicatriz de um corte no seu pulso, que o fez arregalar os olhos, franzir a testa e pensar na situação daquela jovem.
‘O que aconteceu com ela para que se desesperasse tanto?’ Então ele suavemente disse:
-“Garota, não importa o que te aconteceu, nunca desista de viver por algo ou alguém. (...) As pessoas só se machucam quando se deixam machucar. (...) Tudo que te fere deixa uma cicatriz, a qual te lembrará de onde veio a dor e a deixará mais forte. (...) Ame-se primeiro e sempre! (...) Nunca mostre sua fraqueza a ninguém. Seja forte sempre!”
David continuou a segurando firme até os médicos chegarem. Eles a levarem para uma ambulância, aplicaram-lhe um sedativo para acalmá-la e a levaram para o hospital.
Quando David saiu, ele ficou curioso com aquela jovem menina e percebeu que não sabia seu nome e nem da sua família. Ele apenas percebeu que ela ficara com seu casaco cashemere personalizado, em que suas iniciais estavam gravadas na gola e que fora um presente do seu pai.
Depois daquele dia, David pensou que nunca mais veria aquela jovem.
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