
Área Restrita
Capítulo 3
Desde aquele encontro, Valéria não foi a mesma.
A rotina estava desmoronando em suas mãos, e seus pensamentos - todos eles - estavam escapando para o mesmo canto escuro e quente onde sua respiração havia parado e os beijos tinham gosto de perigo.
Elias.
Eu mal havia trocado duas frases com ele.
Mas seu corpo ainda se lembrava dele como se ela o conhecesse a vida toda.
E isso, por mais absurdo que parecesse, a deixava louca.
Ivan continuou escrevendo para ele. Ele era constante, divertido, um pouco insistente... e necessário. Ele era o único elo daquele uniforme que havia deixado marcas invisíveis em sua pele.
Então, quando ela concordou em vê-lo novamente, não foi por interesse romântico. Era por estratégia.
Eles se conheceram em um bar mal iluminado, com música suave e bebidas caras. Ivan chegou primeiro, tão sorridente quanto da última vez, embora com algo diferente nos olhos. Como se eu soubesse.
"Estou feliz que você veio", disse ele ao vê-la entrar.
Ela sentou-se naturalmente, cruzando as pernas, o vestido perfeito, o perfume ainda mais provocante do que na primeira noite.
-O que você fez desde o evento? - ele perguntou, tentando parecer casual.
Valéria sorriu, mas seus olhos não eram doces, mas penetrantes.
"Pense", ele respondeu.
-Pensar em quê?
-No que aconteceu naquela noite... e no que não aconteceu.
Ivan acomodou-se em seu assento, visivelmente desconfortável.
-Você quer dizer Elias?
Ela sustentou o olhar dele. Direto.
-Sim. Para Elias. Para você. Para o que parecia. Eu não esperava, mas aconteceu. E agora não consigo tirar isso da minha cabeça.
Ivan suspirou, como se algo pesasse sobre ele.
-Olha, não é que eu queira falar mal dele, mas... ele não é uma pessoa fácil. Não é mensurável. Ele sempre quer controlar tudo. Às vezes ele não sabe quando parar.
"E ainda assim... não parou", disse Valeria, sem nenhum traço de culpa.
Ivan olhou para ela em silêncio. O ar entre eles ficou carregado. Ela aproveitou aquele momento.
-E se isso acontecesse novamente?
-Que?
-O que aconteceu. Você. I. Naquela noite.
O rosto de Ivan ficou tenso. Ele desviou o olhar, esfregou a mão na nuca, sentindo-se extremamente desconfortável.
-Valéria, isso não foi algo planejado. Foi uma loucura. Ele apareceu, te beijou como um animal, e você... você não disse não.
"Porque eu não queria dizer não", ela o interrompeu. Não me faça fingir agora. Eu estava lá. Eu senti tudo.
Ivan olhou para baixo. Ele brincou com o copo nas mãos.
-Não sei se gosto da ideia. Ele e eu... não estamos bem. Nunca chegamos lá.
"Mas eu gosto da ideia", ela disse, quase num sussurro.
Ivan olhou para ela e viu algo em seus olhos que nunca tinha visto antes: determinação misturada com desejo. Uma mulher que sabia o que queria, mesmo que não conseguisse explicar. E isso, em vez de assustá-lo... o excitou.
-E se ele recusar? - ele perguntou com uma voz profunda.
-Então eu consigo encontrá-lo. Mas prefiro que venha de você. Que você... proponha isso a ele.
Ivan tomou um longo gole. Sua expressão era uma onda de orgulho ferido e curiosidade.
"Eu não prometo nada..." ele murmurou.
Mas Valéria já estava sorrindo.
Eu sabia que ele faria isso.
Porque quando uma noite deixa marcas na pele, cedo ou tarde, todos querem repeti-la.
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