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Capa do romance Arábia Saudita

Arábia Saudita

No coração da Arábia Saudita contemporânea, Said enfrenta um cotidiano complexo e repleto de desafios emocionais. O protagonista se vê em um constante dilema pessoal enquanto tenta equilibrar as demandas e os sentimentos de suas quatro esposas. Este romance moderno explora as nuances da convivência sob o mesmo teto, revelando as tensões e os sacrifícios necessários para gerir uma dinâmica familiar tão intensa e multifacetada em meio às tradições.
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Capítulo 3

Pov's Layla.

Quarto.

—Não sei o que habibi viu nessa Zafira. Tanto ela, como outra, o enganaram.—penteio o meu cabelo, enquanto reclamo— Ele consumou os dois casamentos.

— Você não parece preocupada, Layla.— minha irmã conclui.

— Daqui a três meses ele jogará elas no vento. É questão de tempo.

— E se não acontecer?

— Terá que engravidar antes.— aconselho.— Não podemos perder nossas posições nessa casa.

– Said nem olha para mim, sou invisível para ele, Layla.

****************************************

Algumas horas depois...

Pov's Zahra.

O que vai ser de mim? Com os meus joelhos encolhidos, choro baixinho.

Serei devolvida. Nenhum outro homem vai me querer!

Escuto a porta se abrindo e temo pro pior.

O encaro receosa, de que volte a me humilhar de novo, igual que fez nesta manhã.

— Poderia dançar para mim?— pede inesperadamente, e o meu coração dispara.

— Dançar?

— É.— responde.— Igual aquela vez que te vi dançar a primeira vez.— relembra.

O próprio liga o som atrás de si e me levanto, encabulada. Começo a remexer os meus quadris, gesticulando com os braços. Enquanto rodo e giro; me assiste dançar, estando hipnotizado. Suas pálpebras nem piscam.

Ele se junta a dança, estalando os dedos.

Nos olhamos por vários minutos, é algo tão duradouro, enquanto dançamos um pro outro. Sou puxada, indo de encontro aos seus braços. Por mais que seja algo tão íntimo, ele toma os meus lábios para um beijo.

Nunca beijei alguém, é algo tão inexperiente para mim. É a primeira vez que estamos nos beijando. Ontem ele disse que não me beijaria, porque havia prometido a sua primeira esposa, mas hoje está quebrando essa promessa.

— Eu não vou te devolver.— Said sussurra.— Habíbti— pronuncia, deixando claro que me aceita.

Abro um largo sorriso, sentindo que poderei ser amada pelo meu esposo.

*************************

Pov's Layla.

Arábia Saudita.

Na manhã seguinte...

— Salamaleico.— cumprimento-a, sorridente.

—Alaikum as-salam.—responde de volta.— Onde vai assim tão arrumada?

Latifah questiona com curiosidade, preparando o café.

— Para mesquita, com Said.— digo, animada.

— Ah, é mesmo. Todos os domingos vocês vão para mesquita juntos.

— Na' am, é o único dia que saio de casa.— olho para escada, esperando-o descer.— Falando nisso, Said está atrasado.

— Será que devo ir chamá-lo?

— Lá.— a interrompo. — Não é prudente.

Respiro ansiosa, ao vê-lo descer em seguida assim que termino de falar. Porém, não desce sozinho, logo atrás, há a presença da terceira esposa. Fecho a cara, com o sangue quente.

— Ele não deveria está com a quarta esposa.— minha irmã cochicha ao meu lado.

Observo a cena, sentindo um nó na garganta. Ambos sorriem um pro outro. Achei que habibi não queria nem olhá-la, muito menos ter companhia dessa falsa muçulmana.

— Já está pronta, Layla?— pergunta, ao se deparar comigo, desfazendo a "alegria".

— Sim.— assinto, olhando-o magoada.— Vamos.

— Não precisa ir.— paro, ao ouvi-ló me barrar.— Combinei com Zahra de levá-la para conhecer a cidade.— fecho a minha mão.— É melhor que você fique em cada cuidando do almoço.

— Claro, habibi.— forço compreender, mas por dentro, estou cheia de ressentimento.— Pode ir com sua terceira esposa.— retiro o hijab, assim como as joias que coloquei.

Me arrumei toda, para nada.

— E se isso for para, Zafira.— menciona a outra, ao ver Latifah preparar a bandeja.— Jogue no lixo. Ela não vai beber água, e nem usufruir de nenhuma comida desta casa.

— Como quiser, habibi.

Estou me corroendo por dentro. Evidencio a reação da mulher que está ao seu lado, que parece se incomodar com o pedido.

— Vamos, Zahra.— ele a chama.

Após saírem, explodo, jogando as panelas no chão. É uma afronta grande o que está fazendo!

— Eles estão recém-casados, Layla, tenta entender.— minha irmã ameniza, lançando-me um olhar de pena.

Vou para janela, espia-lós saindo. Na hora presencio, ele abrindo a porta do carro para ela. Sinto ódio, inveja, ciúmes e frustração, pois habibi preferiu levá-la, ao invés de mim.

— Ele está as colocando acima de mim, Latifah. — concluo.— Irei perder habibi.— sôo arrasada, derramando algumas lágrimas.

— Não diga isso, Layla.

– Mas é verdade! Não viu a maneira de como ele olhou para ela? Habibi nunca olhou para nós duas assim. Ela vai virar a favorita dele, assim como a outra.

**************************************

Pov's Zahra.

Andar pela mesquita, é uma realidade nova para mim. Meu pai não me permitia sair de casa, eu fazia as cinco orações no quarto.

— Está gostando?

— Sim, muito.— admiro o templo sagrado, onde os muçulmanos fazem as orações.

— Quando terminar me espere aqui.

Said avisa, e nos despedimos, sem nenhum contato físico. Há um lugar separado, para os homens e as mulheres, não podemos ficar no mesmo ambiente.

Realizo a minha oração, agradecendo a Allah por tudo. Rogo também por Zafira, para que Allah a proteja.

Ao finalizar, o aguardo vim. Sorrio fraco, ao avista-ló.

— Podemos ir.

— Sim.— o acompanho.

— Te mostrarei a cidade.

— É sério?— me alegro.— Shukran— o agradeço, timidamente.

Seguimos lado a lado, ele me mostra vários pontos turísticos. Fico encantada com tudo; porque para nós mulheres, não podemos sair pelas ruas sozinha, temos que sempre sairmos acompanhada.

— Said.

— Oi?

— Se eu te pedisse algo, você faria?

Seu semblante fica pensativo.

— Depende.

— Eu sei que é um pedido estranho, mas você é o meu tutor agora e eu preciso da sua autorização. Meu sonho é aprender a ler, gostaria muito de poder estudar numa escola.

— Não sei se posso permitir, porque não é adequado para uma mulher casada.— ele nega de imediato, e me entristeço.

— Eu sei que foge dos costumes, mas eu não sou como as outras muçulmanas tradicionais. Quero muito fazer uma faculdade um dia.

— Vou pensar, habíbti.

Aquilo me faz abraçá-lo, emocionada.

— Shukran. — sorrio.— Me desculpe, não podemos.— me afasto, constrangida.

— Sim, principalmente em público.

Ele apenas toca em minha mão, acariciando-a.

Suspiro, em sua presença. Seus olhos brilham tão forte ao olhar-me.

**********************************

Pov's Layla.

Casa.

— Abra a porta.— exijo.— Yalla, Latifah!

— Você ouviu Said, sem água e sem comida.

— Ele não está aqui.— tomo as chaves, contrariando as ordens.— Ande, rápido, não fique aí parada. Ela está pálida.— averiguo, vendo-a desmaida.

— Não acha melhor chamar uma médica?— minha irmã sugere, preocupada.

— Yalla! Yalla! Ligue. Que eu cuido dela.

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