
Aquele beijo
Capítulo 3
Cap. 2 Déjà vu
Dias atuais:
Diogo...
Acordo, abro os olhos com dificuldade, já passa das déz da manhã . Minha cabeça dói e meu corpo pesa, sinto a boca ressecada e estou suando muito. Um cheiro forte de álcool surge com a minha transpiração, como sempre bebi todas e exagerei.
Ao meu lado está uma mulher adormecida semi-nua, olho ao redor e tento lembrar onde estou, sinto uma resseca absurda. Levanto da cama e procuro minha roupa que está jogada por todo lado. Não sei como e muito menos o porquê, mais a calcinha da garota está no meu rosto tampando parte da minha visão.
Meus passos são minuciosos, pois aprendi depois de algumas noitadas, que a maioria das mulheres quer conversar pela manhã. Para poder evitar futuros tapas na cara é melhor sair sem ser notado. Afinal foi coisa de uma noite.
Saio do apartamento onde eu estava com a ... Na verdade não lembro do nome da garota, acho que era Amanda ou Tatiana ou Vanessa, tanto faz! Só lembro ser uma loiraça peituda que fez uma "espanhola" perfeita.
O importante é que hoje estou voltando para minha cidade. Depois de quase três anos sem sequer ir passar as férias na casa dos meus pais, estou voltando e pretendo ficar por um bom tempo.
Não sei se meu coração está preparado para rever todos... Na verdade, uma pessoa em especial, dona Alice, minha mãe.
Depois de passar quase duas horas dentro do avião e flertar com a comissária de bordo, chego na minha cidade natal.
Mal desço do avião e vejo a Dani me esperando no saguão do aeroporto. Ao me ver, ela abre um sorriso, joga umas sacolas pelo chão e corre em minha direção igual uma louca gritando por meu nome, fazendo com que todos ao redor olhassem para nós:
_ Diogo !!! Que saudade de você!
_ Oi "feiosa" !!! Não estava com tanta saudade quanto você, mas acho que também estava sentindo sua falta ...
Abraço minha irmã e dou um beijo em sua testa.Tanta demonstração de carinho não é um hábito é apenas cordialidade momentânea. Minha "baranguinha" também é um pesadelo para qualquer irmão mais velho.
Entramos no carro e me surpreendo por saber que é ela quem iria dirigir, Dani ainda era uma garota besta quando fui embora. Ela continua besta, isso não mudou, mas agora é uma garota com aparência mais forte e descontraída, menos impertinente e talvez um pouco mais inteligente. Talvez...
No trajeto até em casa a Dani não parava de tagarelar, fazendo um relatório da vida da cidade inteira e eu faço um sinal de silêncio, pois estava com dor de cabeça devido a ressaca. Porém ela não para e acaba por falar ainda mais animada:
_ Sabe Diogo, os nossos pais não estão em casa, só chegarão amanhã a noite, imagina a festa que dá para fazer hoje, para comemorar a sua volta? Acho que vou ligar para algumas das loucas que costumavam sair com você e avisar que está de volta. E então o que você acha?
_ Quer dizer que agora é você quem faz as festas? Gostei ! Só se for rolar a noite, tudo o que eu mais quero agora é chegar em casa, tomar um banho e me jogar na cama. Então por favor sem barulho.
Dani me responde com tom de sarcasmo:
_ Claro vossa majestade! Seu desejo é uma ordem! Você não quer que eu prepare seu banho, assim vossa alteza fica mais relaxado?
_ Já que você insiste, aceito, lacaia.
_ Idiota !!!
Começamos a rir dentro do carro. Eu precisava muito estar em companhia com a minha família e estava feliz como há meses não ficava. Essa vida de mochileiro é boa, mas ter um lugar seguro para repousar é melhor.
Chegamos em casa , " lar doce lar". Tantas saudades, tantas lembranças boas.
Subo para meu quarto, abro a porta e a janela está aberta, já deve ser umas "quatro da tarde". Meus olhos percorrem as ruas ao redor e param na casa ao lado. Está tudo calmo, sinal que a Manuella não está em casa.
Sabe aquela vizinha pequenina e gordinha desengonçada e cheia de espinhas na cara? É dela que estou falando.
Agora encaro o meu quarto e tudo está como deixei, minha mãe cuidou com carinho do meu espaço durante esses três anos, cada detalhe está como antes. Jogo minhas malas em cima da cama e sento em uma poltrona próxima a janela, fecho os olhos e encosto a cabeça na parede e tudo o que penso é na paz que estou sentindo e nada poderá acabar com essa sensação.
Até que meu momento de tranquilidade é interrompido por um barulho de batida de carro em algum tipo de lata no quintal ao lado.
Levanto para ver o que estava acontecendo e saber se alguém acabou machucado. Ao olhar pela janela vejo minha vizinha, Manu, saindo apressada de dentro de um fusca velho, verde neon que parece um atentado ao bom gosto, que está soltando uma fumaça escura e provavelmente altamente tóxica.
Onde essa maluca arranjou uma "lata velha" igual a essa? Onde estão o reboque para tirar essa máquina de circulação? O carro deve ter tanta ferrugem que é provável contrair tétano só em encostar nele...
A pequena saí apressada de dentro do carro do lado do motorista e junta uma lata de lixo que foi arremessada quintal adentro. Ela está gargalhando e falando no celular com algumas sacolas na mão, pega uma chave que está de baixo de um vaso de planta na varanda da sua casa e abre a porta derrubando algumas coisas da bolsa que estava aberta e entra na sala.
Acompanho com o olhar a movimentação na casa ao lado. Era curioso saber que a "tampinha" ainda era uma catástrofe, dava para ouvir barulhos de coisas quebrando dentro da casa, conforme ela subia as escadas. Algo divertido e ao mesmo tempo assustador de presenciar.
Como sempre, atropelando as coisas e destruindo algum patrimônio público ou particular. Manu é uma vandala e sempre será, velhos hábitos não mudam e a "patinha" continua desastrada.
Aquela cena é familiar, sei como a pobre lata de lixo estava se sentindo, essa sensação de ser atropelado não é fácil.
Antes ela atropelava as coisas andando, agora ela tem um volante para ajudar nos seus crimes.
Quem, em sã consciência, deu habilitação para essa garota?
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