Capa do romance APENAS UMA NOITE (MORRO)

APENAS UMA NOITE (MORRO)

8.5 / 10.0
Lorenna vê sua formatura virar pesadelo quando a irmã é presa por tráfico. Para libertá-la, a jovem aceita ir a uma festa exclusiva com empresários. Lá, ela vive uma noite ardente com um estranho misterioso, mas o destino os reúne novamente em um momento crítico. Encurralada pelas circunstâncias, Lorenna terá que lidar com esse reencontro inesperado, onde a atração irresistível pelo homem testará todos os seus princípios e mudará sua vida para sempre.

APENAS UMA NOITE (MORRO) Capítulo 1

Quatro anos depois e enfim estou me formando. Foram meses e meses de dedicação, empregos temporários, estágios enfim concluía o ensino superior. Para muitos era um curso tão desvalorizado. Afinal de contas, eu seria mais uma entre tantas pedagogas. Mais valia a pena, porque eu tinha um diploma, eu era uma futura professora primária e agora meu foco seria os concursos que muito em breve iriam acontecer.

Vejo meu visual uma última vez e estou tão diferente com essa roupa. Vestido comprado no brechó, cabelo feito no salão da comunidade e sapatos emprestados da minha melhor amiga.

Mamãe não parava de chorar de tanto orgulho da sua filha mais velha.

— Lorenna meu amor, não sei se vou conseguir acompanhar a cerimônia até o final.

Mamãe me diz enquanto me ajuda a arrumar o cabelo. Chorando desde a hora que acordou naquele dia.

—Cadê a Laisa que não chegou ainda?

Pergunto pela minha irmã caçula. Laisa era mais nova que eu quatro anos. Eu estava com 21 anos e ela completaria 17 anos em dois meses.

Morávamos em uma comunidade chamada Cristal Azul. Mamãe por anos trabalhou como doméstica em casa de ricos, criando minha irmã e eu com muita dificuldade. Meu pai faleceu de cirrose quando terminei o ensino fundamental e me preparava para entrar no ensino médio. Pensei que não conseguiria concluir os estudos, porém com dedicação, esforço e o maior de tudo força de vontade eu terminei o colegial, logo entrei na faculdade federal graças as notas altas no boletim escolar. Hoje receberia meu canudo, a colação de grau aconteceria numa casa de eventos, no bairro pertinho daqui.

—Sua irmã deve ter se perdido no caminho da escola para casa. É melhor você se apressar, porque a Juliana já avisou que está chegando para nos buscar.

Mamãe me apressa, percebo que sua voz tá diferente ao responder sobre o paradeiro da Laisa, contudo eu não dou muita atenção porque meu foco era a formatura esta noite. Juliana minha melhor amiga, trabalhava como massagista particular e acompanhante aos finais de semana. Morava três casas acima da minha. Ela era mais velha que eu 2 anos e não quis fazer faculdade. Dizia que o trabalho dela, era muito mais lucrativo que perder noites sentadas em uma cadeira de faculdade. Um som de buzina apita lá fora e olho a hora no relógio de parede. Quase sete horas da noite e nada da Laisa retornar para casa. Nossa relação não era das melhores, minha irmã dizia que eu era a queridinha da mamãe, que meu pai não gostava dela, que indiretamente a causa da aposentadoria precoce da nossa mãe foi sua culpa. Mamãe sofreu um acidente quando saiu cedo do trabalho para ir até a escola, conversar com a direção por conta do que a filha caçula aprontava e no caminho um carro acabou atropelando dona Carmem. Minha mãe faturou o joelho gravemente, por isso ficou impossibilitada de andar por meses e acabamos aposentando-a por invalidez já que ela não tinha a mesma força de antes na perna esquerda.

—Vamos! Não quero chegar atrasada, mesmo sendo uma celebração sem muito luxo é minha noite especial.

De braços dados com minha mãe, saímos de casa para esperar o Uber que nos levaria até o salão de festa.

Assim que fomos para frente de casa, o carro parou e Juliana desceu para me ajudar a acomodar mamãe no banco traseiro.

—Lô, como você tá linda amiga com essa roupa — me elogia e fico envergonhada com o comentário. Eu geralmente usava jeans, tênis e camiseta. Raramente me vestia com roupas femininas e essa noite era especial e não poderia fazer feio.

—Bora, que o carro não vai ficar esperando a nossa conversa acabar aqui.

—Fica tranquila bebê, que o motorista é um amigo e não motorista de aplicativo.

Não acredito que aquela maluca, apareceu pra me buscar junto de algum cliente que ela andou arranjando por aí. Entrei no carro, desejando boa noite para o desconhecido e notei como era realmente bonito.

—Juli, filha você sempre nos salvando — mamãe chamava minha amiga pelo apelido de criança. Juliana se vira de costas para nós duas, respondendo que não fazia mas do que sua obrigação como melhor amiga.

O desconhecido me parabeniza pela formatura, dá partida no carro e seguimos para o local entre risos e conversas. Por mas feliz que estivesse meu pensamento se encontrava na minha irmã caçula. Eu andei percebendo que Laisa andava chegando tarde em casa, respondendo para mamãe quando questionada por algo e eu precisaria conversar com aquela garota e dar limites sobre seu comportamento. O carro parou na entrada, repleta de gente entrando, carros e motos estacionados ao redor.

—Linda, deixo as três aqui e volto para te buscar quando me ligar! O desconhecido que até então minha amiga não apresentou para mim, dá um selinho em Juliana e novamente me parabeniza pela minha noite especial. Descemos do carro, eu retribuo o agradecimento e espero por Juliana na entrada, enquanto aos beijos se despede do homem. Ao sair do carro, com o cabelo bagunçado, não disfarço o riso ao ver o estado dela.

—Você é louca mesmo viu — brigo com ela, que tira um espelho da bolsa para limpar o borrado dos lábios.

—Não sou louca e sim inteligente meu amor. Já disse que comigo é assim, sem apego apenas vivendo um dia após o outro. Não é mesmo tia?

Mamãe rir do que ela disse, nós três entramos e somos recebidas pelos funcionários da organização. Pedi que Juliana encontrasse uma cadeira para minha mãe e ela, enquanto eu iria até meus colegas de classe.

Deixo as duas acomodadas e sigo para o lugar que as meninas me esperam.

—Amiga, nem acredito que enfim somos formadas e agora não vou precisar todo dia olhar para a cara da bruxa da Janaína.

Luciana era uma das minhas colegas de classe, filha de médicos, era a rica da turma e ninguém entendia o motivo dela estudar pedagogia quando poderia muito bem cursar medicina como os pais ou até mesmo direito.

—Hey, não fala assim também. A coitada da Jana é só certinha demais. E nem reclama que nosso TCC com ela foi supertranquilo. Imagina se tivéssemos pegado o João que esse sim era um carrasco.

Rimos ao relembrar as aulas e somos chamadas por uma das organizadoras pedindo para nos acomodar em nossos lugares. Mesmo feliz, me sentia nervosa e inquieta como se algum ruim estivesse prestes a acontecer.

**

Sentada ao lada da minha amiga Luciana, ouvíamos a oradora da turma discursar. De onde estava podia ver minha mãe e amiga emocionadas por me verem vestida com a beca e pronta para receber meu canudo. Para minha felicidade ser completa, desejava minha irmã caçula naquele momento. Porém Laisa andava rebelde demais e não sabia, mas o que fazer em relação as coisas que dizia para nossa mãe. O discurso acabou e logo começariam a chamar os alunos para receberem os diplomas. Em ordem alfabética, olhava cada colega de curso, emocionado recebendo o canudo das mãos do nosso professor. Logo chega na letra L e foi chamada primeiro. Ao me levantar e ir até o lugar receber o diploma, vendo Juliana tirando fotos com celular e mamãe batendo palmas emocionada com esse momento. Seguro o choro, para não borrar a minha maquiagem. Depois que todos recebem seus diplomas, é hora do momento de todos os formandos fazerem as fotos aos lados dos parentes e colegas. Minha mãe e Juliana fazem pose ao meu lado. Vamos para a parte da festa, indo sentar-se na mesa reservada para nós. Um lugar ficou sobrando já que o convite era para quatro pessoas, mas a minha irmã nem mesmo numa noite feliz como essa teve a coragem de comparecer.

—Lô. Sem cara de tristeza e tia Carmem, nada de ficar aí com esse olhar por conta daquela malcriada da dona Laisa. Deixa que ela se arrependa de ter perdido um momento especial da irmã.

Juliana diz e sei que minha amiga tem toda razão. Eu mesma estava cansada de tentar ser legal com uma pessoa que sabia apenas tratar as outras com ignorância e xingamentos. Aproveitamos a noite, rindo e comendo muito já que o buffet estava incluído até que meu celular toca e pego o aparelho vendo que se tratava de um número estranho. Com o barulho da música, peço licença indo atender a chamada do lado de fora.

—Alô! Digo e a ligação é baixa, me afasto para mais longe da música e a voz de um homem fala do outro lado da linha.

—Lorenna Vieira é você? Pergunta e respondo que sim

—Sou eu mesma. O que o senhor deseja comigo?

Questiono e ao ouvir do que se tratava a ligação, me encosto no poste para não desabar.

—Não é possível senhor; ela não teria coragem de fazer algo assim.

Respondo, porém o homem é firme nas palavras. Me passa o endereço onde preciso ir e desliga. Fico imóvel, sem saber o que fazer e o que dizer para minha mãe. Sem esboçar nenhum tipo de reação, me assusto ao ter alguém tocando meu ombro.

—Amiga que aconteceu?

Juliana é quem aparece, me tirando do transe em que me encontro.

—Amiga eu nem sei o que te falar, na verdade nem eu sei como dar essa notícia para minha mãe.

Respondo sem conseguir chorar.

—Garota, desembucha logo o que aconteceu?

Me pergunta, me sacudindo pelo braço. Nem mesmo me importo se está ou não me machucando.

—Laisa aprontou uma das grandes e agora não sei nem o que contar para a mamãe.

Respondo e Juliana indaga ao que me referia.

—Aquele idiota, foi pega vendendo drogas próximo da escola ao lado daquela filha da puta do Júlio. Cansei de falar para saber quem era as suas amizades, mas parece que entra num ouvido e saí no outro.

Respondo e Juliana fala um palavrão. Assim como eu minha amiga estava só o ódio pela irresponsabilidade da minha irmã caçula.

—Amiga presta atenção. Vamos deixar a tia em casa agora. Inventar uma mentira qualquer e juntas seguimos para a delegacia. O gostoso que me trouxe conhece gente importante, acredito que ele pode nos ajudar a resolver esse grande problema.

Ouço Juliana falando e concordo com minha amiga. Faria o que fosse preciso, para que minha irmã não passasse a noite na cadeia e nem a minha mãe sofresse tamanho desgosto com isso.

—Vou ligar agora mesmo para o bofe e você vai até a tia, diz que precisamos ir embora que a festa vai se estender para outro local.

Concordo e entro atrás da minha mãe. Ah Laisa, quando eu colocasse as mãos em você, se prepare porque eu encheria de tabefes seu belo rosto.

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