
Apaixonada pelo meu melhor amigo
Capítulo 3
*Alguns Dias Depois…*
Não consegui ficar me divertindo com o pessoal, o que Carl disse não sai da minha cabeça, Ayumi não iria embora com outra pessoa sem nos falar e muito menos o trair, ela não é assim! A conheço como a palma da minha mão! É um absurdo, tem algo aí e descobrirei.
Chego no meu apartamento após mais um dia cansativo na empresa e subo direto para o meu quarto, preciso de um banho e assim o faço, depois visto uma calça do conjunto do pijama e desço as escadas indo direto para a cozinha e encontro um bilhete da dona Hávah na geladeira.
“Oi, querido! Tem macarrão com queijo na geladeira, salada e filé de peixe grelado. Coma! Saberei se não comer e descanse.
Beijos da mamãe… Te amo!”
Sorrio para o bilhete, abro a geladeira e pego o macarrão, coloco a travessa no micro-ondas e o ligo. Assim que está pronto, pego a travessa colocando em cima da mesa, a destampo e o cheiro é maravilhoso! Pego um prato limpo no armário, os talheres, um copo e me sirvo. Não irei comer o peixe, ela sabe que não sou muito fã, pego a salada e o suco de laranja, coloco tudo em uma bandeja e sigo para o meu escritório particular, me sento na minha cadeira e ligo para MK, preciso ver com ele como anda a busca pela Ayumi. Ele atende no segundo toque…
— Oi! Bobão, como está?
— Estou bem, babão — só Mayke para me fazer rir em um momento desses. — Porém, preocupado com a Ayumi! Alguma notícia?
Que ele diga sim! Por favor, diz que achou algo.
— Não, mas estou fazendo tudo o que posso para achá-la, porém o número de telefone que você me deu está dando inexistente — assim que ouço desisto de levar o garfo a boca.
— Liguei várias vezes também e por um tempo eu ouvia a sua mensagem do correio de voz, mas agora é a mesma coisa que você disse.
— Mas, estamos refazendo os últimos passos dela e falando com quem a viu antes do sumiço, falamos com o Carl e ele disse que a Ayumi o traiu e assim fugindo com um cara que trabalhava com ela. Fomos a empresa onde ela trabalhava e disseram que nenhum homem que trabalha lá pediu demissão ou sumiu á não ser Ayumi, nem mesmo para dizer que não trabalhará mais ela foi. Fora isso o quadro de funcionários que trabalharam lá ou trabalham continua sendo o mesmos, sem nenhuma demissão… só admissões.
— Isso está muito estranho Mk!
— Quando chamamos Carl para o interrogarmos, ele chorou e disse que ama muito a Ayumi, que até saiu do apartamento dele por que tudo lá o fazia lembrar dela, que mesmo ela fugindo e o traindo com outro, ele ainda a ama.
— Mk, isso está muito estranho! Porque o Carl não estava aparentando sofrimento quando o vi, por que ele estava agarrando com uma estranha na boate — Mayke começa a rir e o porquê? Eu não sei!
— O que você está rindo?
— Nunca nesses 19 anos que lhe conheço ouvi ou vi, você maldizer de alguma mulher, o que há com você?
— Vai catar coquinho no deserto de marte, sargento.
— Olha o desrespeito, meu rapaz, posso te prender por desacato.
— Ah! Isso eu quero ver, até por que se você me prender conto os seus podres para a delegacia inteira.
— Isso é golpe baixo, jogo sujo.
— E alguma vez eu disse que jogaria limpo?
— Não!
— Esse delegado é um menino esperto! — Sorrimos juntos e depois ele diz:
— Mas, eu estou fazendo de tudo para achá-la Léo e você será o primeiro a descobrir quando acontecer.
— Eu não posso perdê-la Mayke, ela é a minha amiga, minha protegida. É o meu anjo dos olhos castanhos — digo isso olhando para o porta retrato que tem na minha mesa onde está nós dois, quando éramos crianças.
— Eu sei cara, sei que você e a Ayumi tem uma ligação incrível e única, são como irmãos! Farei o máximo para achá-la.
— Obrigado meu amigo e já ia me esquecendo… A dona Hávah falou que se você me ligasse ou eu te ligasse, era para dar um recado.
— Xi! Que lá vem bomba!
— E se não desse o recado teria meu bem mais precioso arrancado — digo rindo e ele gargalha, pois, sabemos que a minha mãe é doida!
— Dona Hávah não muda nunca! E qual é o recado? Já tenho até medo.
— Que se você não aparecer lá, ela vai à delegacia te buscar pela orelha e que você é um rapaz ingrato, por abandoná-la.
— Eita! É a rainha do drama mesmo, fui vê-la na semana passada.
— Mas você sabe que semana passada para ela é quase uma década.
— Sim, verdade. Me lembro no dia em que você chegou na casa dela, ela faltava soltar fogos.
Hávah e Jhon não são meus pais biológicos, fui para o orfanato quando tinha 3 anos, minha mãe foi morta pelo meu padrasto que só não me matou por que ela me escondeu no porão da casa onde morávamos, mas eu vi tudo pela fresta que tinha no piso de madeira. A polícia só achou a mim e minha mãe por que uma vizinha achou estranho não me ver brincando no quintal, até porque minha mãe me levava todos os dias para brincar no parquinho improvisado que ela mesma fez no quintal.
Sou tirado dos meus devaneios com o Mayke me chamando:
— Kaléo, está aí?
— Oi!
— Te chamei várias vezes, mas você não respondia.
— Me desculpe é que eu estava me lembrando do dia — Minto, pois, essa parte meus amigos não sabem e os únicos são os meus pais e irmãos.
ㅡ Ah! Cara, eu me lembro da minha mãe dizendo que a sua ia acabar indo parar no hospital de tanto ansiedade — acabo rindo e conversamos mais um pouco e depois desligo, pego a foto à frente e fico a olhando, me lembrando do dia que a Ayumi chegou no orfanato.
*Lembranças… 23 Anos atrás*
Hoje está frio e cinzento, gosto desta cor cinza no céu é tão linda! Sempre que a saudade dela aperta, venho até a janela e fico admirando o começo do anoitecer, as outras crianças maiores sempre encrencam comigo por que gosto de ficar aqui na janela do segundo andar, admirando a rua e observando as pessoas passarem.
Gosto de olhar a paisagem, mesmo ela não mudando. Gosto de ver as pessoas passando pela rua, mesmo com seus carros, motos, bicicletas, a pé, abraçadas, empurrando um carrinho de bebê, de mãos dadas ou até mesmo com crianças. Sinto falta dela e queria poder sentir de novo os carinhos que ela fazia em meus cabelos, seus bolos, beijos, abraços, as boas noites com cócegas, até mesmo quando ela gritava comigo! Sinto falta do cheiro dela, do eu te amo, minha vida; mamãe te ama muito.
Sinto tanta falta dela que o meu peito doí, por isso venho aqui observar o mundo e tentar preencher o meu coração com o carinho que vejo os outros receberem. Anoiteceu e ainda estou aqui na janela abraçado aos meus joelhos, vejo quando uma moça colocar uma caixa de papelão no portão da casa e fico a olhando, não consigo ver o seu rosto porque estou muito longe e depois de um tempinho, ela beija a sua mão e coloca a mão na caixa. Olha para a nossa casa e depois novamente para a caixa, então se levanta e sai correndo.
Acho isso muito estranho, será que ela colocou algum animal ali dentro? Saio da janela e vou correndo pelo corredor, desço as escadas e Tia Carmem grita para que eu não desça correndo, mas desta vez eu não paro e saio da casa indo até o portão, passo minha mão pelo vão da grade e levanto a Tampa da caixa para eu conseguir ver.
Quando faço isso levo um susto! Tem um bebê dentro dela, ela está dormindo enrolada numa manta e tenho certeza que essa manta não está esquentando ela, porque está muito frio. Tia Carmem me chama e não me levanto, me viro e a vejo se aproximando de mim com uma jaqueta na mão; desde o dia em que cheguei aqui eu não disse uma palavra a ninguém, não quero falar para não apanhar. Tento ser obediente e aguento tudo o que as outras crianças me fazem quieto, mesmo quando a tia Carmem me diz que posso contar quem foi que me empurrou, bateu ou ofendeu! Mas, eu não falo nada e fico quieto.
A tia se aproxima e quando ela chega perto de mim, colocando a jaqueta em meus ombros, eu falo.
— Tia Carmen, tem um bebê aqui dentro — na mesma hora ela para e seus olhos se enchem de lágrimas, tia Carmem é bem legal! Gosto dela.
— Tia tem um bebê aqui e está frio, coloque a jaqueta nela — tiro minha jaqueta lhe entregando, tia Carmem olha para a caixa e põe a mão na boca, depois pega o molho de chaves que fica no seu bolso e abre o portão para sairmos, ela se ajoelha e abre a caixa, pega a bebê que resmunga. Parece estar num sono bem pesado, ela não acorda de jeito nenhum e a tia Carmem se levanta dizendo:
— Kaléo pega para tia tudo que você achar na caixa e traz para mim — faço o que ela pediu, pego o papel que está lá dentro e ela entra, vou atrás dela e ela fecha o portão. Caminhamos para a casa, vou em todo momento olhando para a bebê nos braços da tia Carmem, ela não tem ninguém igual a mim, entramos na casa subindo as escadas e fomos para o seu quarto; ela coloca a bebê na cama e mexe nela.
Coloca vários travesseiros em sua volta, se levanta e faz um carinho em meus cabelos, depois sai correndo, não demora muito e a tia Carmem aparece de novo no quarto, estou no mesmo lugar e sinto uma coisa estranha… tenho que ficar do lado da bebê para ninguém brigar ou fazer mal para ela.
Tia Carmen diz que ela está limpinha, se levanta da cama, vindo na minha direção e se abaixa na minha frente igual à mamãe fazia, me pergunta o que tinha na caixa e entrego o papel, ela começa a ler e presto bastante atenção.
— Esse bebê é uma menininha, ela se chama Ayumi Clark e tem 2 meses — ela fala e a bebê começa a resmungar acordando, tia Carmem se levanta e vai até à cama pegando aquela bebê que mais se parece um pacote de tão pequena que embrulhada na manta, ela se senta com a Ayumi no colo, não sei o porquê, mas quero ficar perto dela.
— Eu vou proteger ela tia, igual a minha mamãe fazia comigo, não vou deixar que ninguém a machuque — tia Carmen me olha e sorri, a bebê me olha e seus olhos são azuis iguais ao céu, sorrio porque gosto de admirar o céu.
*Fim das Lembranças.*
Saio dos meus pensamentos com um barulho me avisando que um e-mail chegou, abro o meu e-mail e vejo ser do Mayke, tem alguns vídeos do Carl e uma ficha com seus dados, endereço, numero de telefone… Abro o video e ele está chorando dizendo que a Ayumi não poderia ter feito o que fez com ele, consigo ver que as lágrimas são forçadas, tudo nele é forçado. Olho mais uma vez para aquele porta retrato em minha mão, eu a Ayumi não nos largamos mais dede aquele dia que a encontrei, a tia Carmen a adotou e assim foi até o dia em que fui adotado; eu tinha 10 anos e Ayumi 4.
Prometi a ela que não a deixaria sozinha e assim fiz, todo final de semana eu ia vê-la e foi até Ayumi completar 18 anos… ela resolver ir cursar faculdade de engenharia civil, tia Carmen deu um apartamento para ela quando estava viva e Ayumi conseguiu um emprego assim que terminou a faculdade, ela cresceu muito profissionalmente. Tia Carmen conseguiu ver Ayumi conquistar tudo, porém hoje ela não está mais conosco, ela faleceu já faz 4 anos, Ayumi deu a sua parte no orfanato para a Amora, a filha legítima de Tia Carmem.
Sou tirado dos meus pensamentos com o meu celular tocando e vejo ser um número desconhecido e rejeito a chamada, mais essa pessoa é insistente, quando vou rejeitar novamente olho para a ficha do Carl e o número que está me ligando é o dele, o que será que ele está querendo agora? Será que quer uma segunda rodada?
ㅡ O que você quer Carl? Como conseguiu o meu número? Os socos que te dei não bastou não? Quer mais?
— Kaléo! — ouço a voz da Ayumi, é como se a minha armadura estivesse caído aos meus pés! Como pode ser ela?
— Ayumi…
— Léooo… — a voz dela some e só escuto silêncio, não acredito que é ela.
— Ayumi, meu Deus!
— Sou eu… — ela para de falar e só ouço o som da sua respiração, ela está ofegante.
Escuto um barulho e alguém diz algo que não entendo, logo depois a ligação cai, ligo várias vezes e só está caindo na caixa postal, não sei o que fazer.
Ayumi estava esse tempo todo com o Carl!
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