
Apaixonada Pelo Idiota do Meu Chefe
Capítulo 3
— Está atrasada, Isis. – Minha amiga me aborda ao me ver passar correndo.
— Menina, depois te conto o que aconteceu. – Falei para Joana, que além de recepcionista é minha amiga do coração, tive uma semana infernal e para piorar ainda estou atrasada.
— Gata, onde você estava? O nosso novo chefinho chegou e já está se achando. Ele foi rude com a Veronica. Tinha que ver,a menina quase fez xixi nas calças, deu até pena.
— Gente, andem logo, recebi uma mensagem da Luciana e ela disse que o cara está gritando mandando todos irem para a sala de reunião – Yan me olha e faz sinal de cabeça sendo degolada.
— Mas o cara nem assumiu e já está nesse nível? – pergunto confusa e minha cabeça lateja mais uma vez.
— O inferno de Dante nos aguarda – Foi a vez de Lidiane dizer saindo não sei de onde — pessoal, andem logo antes que ele faça algo conosco.
Yan, Lidi e eu nos despedimos de Joana e fomos pegar o elevador, assim que adentramos meu amigo me indaga.
— Onde você se meteu no final de semana? Tentei te ligar e nada, por um momento cheguei a pensar que você havia sido abduzida.
— Amigo, bem que eu gostaria mesmo, seria bem melhor ter vivido uma experiência extraterrestre, do que viver esses dias. Preciso contar para vocês tudo o que aconteceu comigo, mas agora não vai dar tempo, na hora do almoço eu te conto.
— Eu também preciso te contar sobre a minha noitada com o Sávio. – Ele diz sorrindo.
— Que bom que alguém se divertiu. – Digo seca.
— Hei, minha deusa do amor! Ainda não sei o que aconteceu, mas ficar desse jeito não faz nada bem para a pele e no seu caso para a sua apetite. Assim que soubermos o que aconteceu, vamos te mimar até você nos mandar pra casa do cara…
Antes que ele completasse a frase a porta do elevador se abre e todos nos olham. Lanço um olhar fulminante em direção ao meu amigo e vou cumprimentando as pessoas que vejo ao longo. Tomamos os nossos acentos e o cara que tenho certeza que é o nosso novo chefe está nos fuzilando, quando olhei em seus olhos tive certeza que o conheço de algum lugar só não sei de onde, ele me encarava e sinto uma certa tensão, nosso clima é quebrado pela voz do senhor Arturo.
— Esta é a nossa gerente comercial de propaganda Isis Hernandez e esse é nosso gerente de qualidade do produto Yan Munhoz.
— Isis e Yan, da próxima vez que eu mandar vir para a sala de reuniões eu espero que sejam os primeiros. Estamos entendidos? – assentimos e, pedindo desculpa, meu amigo sussurra a palavra babaca e eu confirmo balançando a cabeça.
— Filho, uma equipe muito talentosa e competente cada qual em suas funções, aqui somos como uma família e…
— Bom. Pegando o gancho de meu pai já quero deixar bem claro que a partir de hoje não terá esse negócio de “somos uma família”, eu vou ser o chefe e como a pessoa que paga o salário de vocês quero ver excelência e também já quero deixar avisado que não tolero atrasos, brincadeiras em horário de expediente e também não será tolerado relacionamento íntimo entre funcionários, estamos entendidos? – observo ao meu redor e as pessoas estão meio que assustadas com a fala do nosso novo chefe.
— Mais e os que já namoram? – perguntou Priscila inquieta, pois ela namora um dos motoboys da empresa.
— O que vocês fizerem fora da empresa não é problema meu, mas aqui dentro vai ser do meu jeito. – Ele cruza os braços.
—Mais filho...
— Não, pai. A partir de hoje será do meu jeito ou rua. Todos entenderam? – Ele olha diretamente para mim e ergue a sobrancelha e eu não entendo o motivo disso, já que não tenho nenhum envolvimento amoroso com ninguém daqui.
—Sim! Falamos todos em uníssono como se estivéssemos na sala de aula sendo repreendidos pelo professor.
— Ótimo! Agora que estamos esclarecidos voltem para os seus afazeres imediatamente e mais uma coisinha: evitem deixar trabalho acumulado, funcionário preguiçoso me irrita.
Todos saem da reunião cabisbaixos. Quem esse babaca pensa que é? Ele é o chefe, Isis! Meu subconsciente ralha comigo.
— Ele é pior do que falam – Idril disse assustada.
— Ele é pior que o cão chupando mariola. – Emendou Lucas visivelmente irritado.
— Pessoal, acho melhor voltarmos aos nossos afazeres, pois se ele nos vir conversando é capaz de nos escorraçar e nos queimar em todas as firmas possíveis – Luana diz fazendo careta.
Rapidamente todos se dispersaram, fui para a minha sala e não levou meia hora para que minha secretária entrasse.
— Desculpa, Isis. Mas o senhor Sebastian lhe chama em sua sala nesse instante.
— O que o capeta-mor quer de mim? Obrigada Idril, já estou indo.
Idril é minha secretária e tem uma irmã gêmea chamada Indis. Elas são idênticas, lindas e simpáticas, o que não ajuda muito são esses nomes cafonas de elfas, mas quem sou eu pra falar de nomes cafona, não é? Que pais, em pleno século XXI, registra a filha de Isis Hathor? Caminho em direção à sala presidencial e dou três batidas, uma mania que adquiri assistindo Sheldon Cooper e assim que escuto um resmungo entro.
— O senhor deseja me ver? – nossos olhos se encontram e ficamos nos encarando por alguns segundos e ele desvia seu olhar quebrando o nosso contato visual.
— Não me chame de senhor já que não sou o meu pai, pode me chamar de você mesmo. – Ele diz seco e apático.
— Como quiser, senhor, há algo que possa fazer?
— Se não precisasse não a teria chamado.
Que cara escroto, reviro os olhos e ele me olhou com cara de poucos amigos.
— Revire os olhos mais uma vez pra mim e é rua! Não sou tão bonzinho como o meu pai. – Ele faz um gesto me indicando a cadeira.
Rezo aos céus para me dar calma e sabedoria, pois se me derem a força eu parto para cima dele e serei demitida. Reprimi a vontade de revirar os olhos mais uma vez, definitivamente o cara é maluco.
— Quero saber se você já criou o novo logotipo dos produtos anticaspa masculino?
— Estou em meio a um processo criativo. Creio que até a próxima segunda começaremos os testes.
— Você tem até quarta para me entregar o logotipo e até sexta para os produtos serem testados. E como está o comercial?
— Mas quarta é depois de amanhã, não terei tempo. – Ele me encarou por um breve momento e entrelaçou as mãos.
— Está dizendo não para o seu chefe? – ele ergueu a sobrancelha.
— Não foi bem assim, eu quis dizer que o prazo que me deu está curto, pois amanhã passarei o dia no estúdio gravando o comercial de cosmético para o dia das mães e...
— Não me importa! – ele grita e me desequilibro quase caindo da cadeira. — Se eu disser para fazer algo você diz “sim, senhor” e realiza imediatamente, entendeu? – Respirei fundo e engoli o que iria dizer e apenas afirmei.
Mais uma vez ele olha dentro dos meus olhos e sinto um medo tomar conta de mim, por Zeus, meu novo chefe é maluco, pirado, louco, insano, e muitos outros adjetivos que usarei em outro momento. Não demonstra medo,Isis, que a força e sabedoria de Nete esteja com você, digo a mim mesma me encorajando.
— Como quiser, senhor Sebastian. Farei o possível para entregar tudo o que deseja dentro do prazo estipulado. – Tenho que aturar esse cara, não posso ser demitida nesse momento.
— Ok. Agora me deixe fazer uma pergunta: Como conseguiu uma função de suma importância tão rápido? – Ele olha-me esperando a resposta e tudo que quero é sair correndo dessa sala.
— Por talento. – Digo a ele.
— Duvido muito – ele me olha sugestivo e nessa hora não consigo manter a calma me levantei batendo a mão na mesa.
— Olha aqui, você acabou de chegar, sei que é o novo chefe, mas, nem você e nem ninguém vai pôr em dúvida a minha capacidade e a minha honra. Trabalhei muito para chegar até aqui e não vou tolerar que um mimadinho faça tais acusações. – Digo com o dedo apontado para sua cara.
— Você me chamou de que? – seus olhos estão inflamados de ódio.
— MIMADINHO… MIMADINHO. Está satisfeito? Pois é isso que você é um MIMADINHO DE MERDA – olhei dentro de seus olhos — Se você me ofender, mais uma vez,o mínimo que seja, eu farei você engolir cada palavra. – Nossas respirações se misturam e sinto coisas que não deveria. Ele também por que começa a respirar com dificuldade e rapidamente me afasto da mesa.
—Vou ficar de olho em você. Não quero incompetentes na minha equipe. – O cretino pega uma folha de papel e sem se dar o trabalho de olhar para mim, manda que me retire.
— Espera e verás do que sou capaz, filhote de Cruela. – Digo baixo para mim mesma, enquanto me retiro de sua sala a passadas largas.
Como pode! Não tem nem vinte e quatro horas que conheço esse cara e já quero matá-lo, esquartejá-lo e enterrar o corpo.
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