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Capa do romance Anton Arhus

Anton Arhus

Engenheiro talentoso e criador de armas, Anton Arhus luta contra injustiças. Sua vida cruza com a de Cora Reed, que fugiu de uma rede de prostituição após ser vendida pelos pais. Um breve encontro entre eles reacende os sonhos esquecidos dela. Anos depois, o destino os reúne. Cora agora é mãe e está mudada, enquanto Anton perde a paciência com a mulher sombria que um dia habitou sua cama. Segundo livro da série Os Dinamarqueses, focado em redenção e paixão.
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Capítulo 2

ANTON

Um tempo depois

Não imaginei que a veria novamente, claro que procurei por ela para devolver seu colar, não tive sucesso, o colar com um topázio azul ainda permanece sobre meu domínio.

Não nego que fiquei balançado por ela, como se fosse uma paixão avassaladora, que da mesma forma que abalou meu coração, também se dissipou como uma fumaça, só deixando o aroma de sândalos e cassis, pois o cheiro dela ficou impregnado em mim que não sosseguei até encontrar um perfume igual.

Hoje a soturna tem nome.

Cora Reed, a irmã mais velha da Erin.

Jamais passou pela minha cabeça que aquela mulher que mexeu com os meus pensamentos, a mesma que ainda não havia sentido um orgasmo verdadeiro, seria a irmã desaparecida da Erin.

Entendo que o mundo é gigante, existem muitas pessoas, mas penso que o destino esteja entrelaçados para acontecer da maneira certa e no tempo devido, o que realmente tem que acontecer.

Quando vi sua foto, eu sabia que era ela. Seus cabelos estavam curtos e pretos, ela usava óculos, mas reconheceria aqueles olhos avelãs em qualquer lugar, meu coração descompassou por um momento, mas logo tratei de domá-lo.

Não sabia o que tinha acontecido com ela. Já havia passado mais de um ano que nos despedimos em meu apartamento, e talvez agora eu terei chance de devolver seu colar, e eu espero que a Erin não demore para procurar pela irmã.

Meu celular começa a tocar, o nome do Knut surge na tela, atendo imediatamente.

— Iremos na casa da Cora. — Ele anuncia, e esse momento não podia ter vindo em um dia melhor, eu preciso vê-la pessoalmente. — Erin acha melhor que esteja presente.

Knut, o homem que disse que jamais estaria acompanhado, hoje se tornou um homem apaixonado pela namorada, que em breve se tornará sua esposa, meu amigo deveria morder a própria língua por dizer a palavra nunca, hoje ele está de quatro pela Erin, que mudou totalmente sua vida, assim como o pequeno Valentin.

— Erin já está bem? — Questiono, pois ela passou por momentos tensos nos últimos dias e estava no hospital, onde também descobriu sobre a irmã e acabou ficando agitada.

— Sim, ela teve alta mais cedo.

— Que bom. — Paro por um segundo. — Eu vou com vocês na casa da Cora.

— Estamos te esperando no hospital. Vamos direto para Christiania. — Ele informa, e eu entendo o desespero da Erin em encontrar a irmã.

— Eu estou indo. — Desligo, sentindo uma pontinha de emoção.

Pelo jeito eu a encontrarei hoje. Isso parece bom, mas não posso afirmar nesse momento.

Anton, não pense muito, já se passaram um tempo.

Assim que os dois entram no banco de trás do meu carro, porque Knut não deixa a mão da Erin um momento. Eu olho para a minha amiga, que está muito feliz, e seu semblante parece muito melhor.

No começo, fiquei meio receoso com a presença da Erin no Complexo, mas a menina de sorriso gentil me conquistou pela boca, ela é uma ótima chef de cozinha, e eu sou um degustador nato, não reclamo de nenhuma comida, apenas aproveito a sensação que elas proporcionam.

Enquanto me aproximo da casa da Cora, eu vou pensando em tudo que ela pode dizer ao me encontrar, e quando paro próximo a cidade livre, pois lá não circulam carros, eu desço com uma sensação estranha.

Cumprimentamos algumas pessoas conhecidas. Eu e meus amigos ajudamos aqui, principalmente porque esse foi o lar do Storm desde o seu nascimento e do Knut quando veio morar aqui.

Há pinturas em todos os lugares. Sempre fico admirado com a cultura daqui.

Caminhamos pelo um caminho de terra, e logo seguimos uma estrada estreita até uma casa colorida que eu conheço bem.

— Essa era a casa do Storm, brincávamos muito naquela grama. — Knut conta a namorada.

— E o Anton? — Ela questiona, e eu coloco a mão no bolso.

— Eu não morava aqui, conheci o Knut na escola, depois o Storm. — Explico, lembrando do momento que conheci os meus amigos.

— Meu amigo era um riquinho. — Knut deboche e dou de ombros como se não fosse minha escolha.

— Trocaria minha infância rica por isso aqui. — Informo, pois talvez eu seria mais feliz, e não precisaria passar por tudo que passei, teria minha mãe e irmã ainda comigo.

— Erin? — Knut a chama, e aponta a casa com o queixo.

Erin parece tremer um pouco, mas segura sua mão e caminha na direção da casa, Knut passa a mão pela cintura dela, e sigo um pouco atrás.

Ela bate na porta, é como estivesse batendo em meu coração, sinto todas as vibrações, estou tão ansioso.

A porta se abre, meus olhos recaem sobre ela, mas ela logo desfaz nosso contato. Continua linda, diferente, mas ainda a mesma mulher deslumbrante que entrou em meu apartamento.

Ela olha séria para a irmã, como se estivesse com ela o tempo todo e não que estão se encontrando depois de um tempo separados por uma crueldade.

— Entre, Erin. — Ela fala, sua voz não parece a mesma daquele dia, ela está mais grave e feroz.

— Eles...

— Você sozinha, acho que não precisamos de plateia em nossa conversa. — Cora corta a irmã, séria.

Seu olhar para mim é como uma espada atravessando um coração, e ela não parece animada com a minha presença.

— Esperamos aqui fora, Erin. — Knut aperta a cintura da namorada que dá um sorriso gentil, se desfazendo dos seus braços protetores, sei que meu amigo está se esforçando para deixá-la ir, mas ele sabe que ela precisa de um momento a sós com a irmã.

Cora fecha a porta forte assim que Erin entra, olho para o Knut que parece muito preocupado.

— Vamos nos sentar um pouco. — Bato em seu ombro e seguimos em direção a um banco. Me sento e espero que ele faça o mesmo.

— Ela nos odeia. — Ele fala, sua voz parece tensa.

Não falo nada, pode ser que seja isso, mas parecia que ela estava esperando pela visita da irmã, o que deixa mais evidente que ela sabia que a Erin estava conosco, mesmo assim não procurou por ela.

Ficamos um tempo em silêncio, apenas observando um pouco da natureza ou conversando sobre o Valentin e como meu amigo está lhe dando com a responsabilidade de ser pai.

— Se eu soubesse que ela tinha sido sequestrada, eu teria ajudado naquela noite. — Falo, e ele bate no meu ombro, confirmando com a cabeça.

Matamos homens que sequestram mulheres para prostituição, eu teria o maior prazer de matar quem tirou a Cora de perto da sua família, assim como Knut matou o homem que tirou a Erin dos Estados Unidos.

Knut se levanta depois de um tempo, ele não está confortável com essa situação.

— Eu vou ver como a Erin está. — Ele informa.

— Vou com você.

Ele bate na porta, e esperamos um segundo até a porta ser aberta por Erin, ao seu lado está a Cora, mas a minha atenção vai toda para o bebê em seu colo.

Ela tem um filho?

— Estava preocupado. — Knut revela.

— Não matei minha irmã! — Cora resmunga, Knut desvia a atenção para ela, se surpreendendo por vê-la com uma criança, eu também estou surpreso.

— Essa é a Cora, minha irmã, e o Hero filho dela. — Erin apresenta quando o clima começa a ficar pesado.

Encaro a Cora, que não abaixa a cabeça e mantem seu filho ao seu lado como uma mãe protetora.

— Oi, Cora. — Cumprimento, mas ela não me olha e dá as costas.

— Não quero vocês em minha casa. — Ela informa, e caminha para longe

— Ela parece um pouco zangada. — Knut fala, tocando o rosto da Erin.

— Estou bem, me busque depois, temos muitas coisas para conversar. — Erin informa.

— Te ligo quando sair da empresa. — Ele avisa.

Olho para casa com esperança que a veja mais uma vez, e que consigo pedir mais uma vez desculpa por aquele dia.

Erin acena, e fecha a porta, me deixando sozinho novamente com o Knut.

Seguimos para o carro, enquanto isso penso no bebê que vi em seu colo.

Será que ela ainda é uma acompanhante de luxo?

— Ela está tão diferente. — Falo, quando o Knut se senta ao meu lado no carro.

— Ela teve um filho, pintou os cabelos, usa óculos. — Ele dá de ombros como se não fosse importante.

— Sim, ela teve um filho. — Falo, pausadamente.

— Sentiu algo ao vê-la? — Ele pergunta, e dou de ombros.

— Não. — Minto, ligando o carro.

— Viu como ela parece uma fera? — Ele questiona, e revira os olhos.

— Ela odeia a gente, principalmente eu. — Concluo.

Seguimos para a empresa, onde vou direto para minha sala, porém meus pensamentos estão na mulher que achei que havia esquecido, mas agora vejo que não, queria muito tocá-la, saber da sua vida, dizer que foi coincidência nosso reencontro, mas por muito tempo desejei que algo assim acontecesse.

Tento concentrar no trabalho, mas não consigo nem ligar o computador. Então apenas fico olhando pela enorme parede de vidro, enquanto penso nela e em tudo que fizemos.

Pego minhas coisas, e vou para casa. Enoch, um dos meus seguranças pessoais, me acompanha até em casa e depois aviso que pode ir embora já que não irei sair hoje, mas se precisar a Vicki pode me acompanhar.

Entro na sala, e a única mulher capaz de me tirar um sorriso depois de um dia cansado, se encontra no sofá mexendo no computador. Na verdade, a Erin também me deixa muito feliz quando me convida para comer em sua casa, mas não posso falar isso com a Vicki.

Vicki me faz lembrar da minha irmã. Camille morreu jovem, mas morreu lutando contra o mal, e a Vicki é assim, ela perdeu a mãe cedo e o pai ela não conheceu, mas ainda continua lutando por seus objetivos. Knut vivia implicando, falando asneiras, mas o meu carinho por essa mulher é somente de um irmão, e acho que ele entendeu isso, porque parou de implicar.

— Salma precisou ir embora cedo, mas eu fiz nosso jantar. — Ela avisa, deixado o computador de lado.

— Eu estou morrendo de fome. Aceita beber uma taça de vinho comigo? — Pergunto, seguindo para meu bar no canto da sala, onde tem uma pequena adega com meus vinhos preferidos.

— Está angustiado? — Ela pergunta, me seguindo.

— Não, apenas com vontade de beber vinho com você. — Falo, colocando as taças no balcão.

Dobro as mangas da minha camisa branca, revelando algumas da tatuagem que tenho nos braços.

Não uso camisa de manga longa porque quero me esconder de uma sociedade preconceituosa, eu me acho mais elegante e confortável usando roupas sociais. Knut é mais sério nesse quesito, ele acha que devemos estar mais formais na empresa e todos os dias usa um terno. Storm é o espírito livre da empresa, todos os dias o veremos de calça jeans, uma camiseta simples e uma jaqueta preta, corre das reuniões como uma presa que entende que é uma comida fácil para seu predador e não deseja ficar por perto.

Temos personalidades diferentes, mas somos como irmãos, eu não tenho apenas um melhor amigo, os dois são meus melhores amigos.

— E como foi com a irmã da Erin? — Ela pergunta, preocupada.

Vicki sabe que a irmã da Erin é a mesma que esteve em meu apartamento naquele dia.

— Ela não deixou que eu e Knut entrassem, mas o que importa é que a Erin está com ela. — Falo, servindo nossas taças com um vinho chileno.

Vicki dá de ombros, sei que ela não gosta da Erin, mas já conversamos sobre isso, ela aceitou que a namorada do Knut faz parte do Complexo agora.

— Talvez ela se sinta envergonhada por ser uma garota de programa. — Ela dá de ombros, provando o vinho.

Sei que não é isso, mas não irei ficar falando da vida da Cora.

— O que fez de bom para o jantar?

Pego minha taça, e caminho na direção da cozinha.

— Seu prato preferido. — Ela diz, me seguindo.

As panelas já estão na mesa, e o cheiro delicioso invade o meu nariz, dizendo que fiz a melhor escolha em gostar de comida.

— Tudo? — Pergunto, me sentando,

— Sim, um pouco de cada coisa, depois do banho posso fazer aquela massagem que você gosta, que tal? — Ela pergunta, me ajudando a arrumar a mesa.

— Você é ótima!

Ela se senta, aproveitamos o jantar com um delicioso vinho e uma conversa boa.

Vicki não morava aqui, mas ela é minha segurança pessoal, não como o Enoch que cuida da minha proteção, ela vai além, cuida de toda minha agenda porque não tenho secretária, então a convidei para morar aqui, e é bom ter uma companhia de alguém que me faz bem.

Ela ocupa um dos quartos do segundo andar, enquanto eu fico no último, que apenas tem meu quarto, um escritório e uma sala de vídeo.

As casas dos Complexos têm um padrão, nos três preferimos assim, mas cada um com sua personalidade. Não posso falar privacidade, porque isso tiramos do Knut, vamos em sua casa sempre que possível, principalmente o Storm que gosta de provocá-lo.

Depois do banho, visto uma bermuda confortável e desço. Vicki já me espera na sala do segundo andar, a maca como sempre já está posta perto da janela, se ela não fosse segurança, seria massagista, ela tem muito talento para isso.

— Deite e relaxe. — Ela pede.

Me acomodo para receber a melhor massagem que já estive na vida. Enquanto deixo meus pensamentos serem apenas coisas brancas, mas então a mulher que agora tem cabelos pretos e usa óculos invadem meus pensamentos, não pedindo permissão, apenas se apoderando do que não te pertence.

Por que estou pensando tanto nela?

— Anton? — Vicki me chama, e levanto minha cabeça.

— Oi. — Falo, e ela indica que posso descer.

— Você conseguiu relaxar muito hoje. — Ela diz, apertando meus ombros.

— Me sento bem melhor. — Aviso, beijando seu rosto em agradecimento.

— Eu vou um pouco na casa do Storm ver o Asger. — Ela informa.

— Se cuide. — Passo a mão pelo cabelo dela e saio da sala.

Antes não queria que ela se envolvesse com o Asger, mas depois que conversei com ele, descobri que ele gosta realmente dela, os dois não tem um relacionamento, mas ela parece feliz, então decidir não interferir nisso, conheço o Asger desde criança, ele é irmão do Storm, mas não é como ele, isso me deixa mais tranquilo.

Subo para meu quarto, dou uma risada quando piso nos degraus de vidros, me faz lembrar da Erin, ela tem medo de subir as escadas assim, é tão engraçado de ver como ela sobe com todo o cuidado do mundo.

Quando pego meu celular, tem uma mensagem do Knut, ele disse que precisamos comprar ternos. Ele conta que a Cora não é mais acompanhante de luxo, e cria roupas para vender. Respondo rapidamente que vou querer muitos ternos.

E certamente isso parece bom, pois a verei novamente.

Ela não é mais acompanhante de luxo.

Não podia estar feliz com isso, mas eu estou.

Depois recebo uma mensagem, essa faz meu coração se alegrar e apertar ao mesmo tempo.

Cora não tem um companheiro, mas quem foi o merda que a abandonou com um filho?

Eu o mataria da mesma forma que mataria o homem que a sequestrou, mas deixo meu sangue apaziguar, porque amanhã cedo, eu a verei mais uma vez, isso vale a pena, mesmo que ela me odeie.

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