
Antes esquecida, agora inesquecível
Capítulo 3
Lançando um olhar ansioso através da janela, Rylan examinou a calçada, seus olhos se aguçando ao reconhecer uma figura familiar. "Senhor Evans, a senhora Evans chegou."
Derek ergueu a cabeça e, através do vidro escurecido, observou Allison descendo com elegância de um táxi.
Ela trajava um vestido vermelho sofisticado, que terminava audaciosamente acima dos joelhos e delineava suas curvas com perfeição.
O vestido, adornado por pregas delicadamente moldadas em formato de rosa, ondulava suavemente a cada passo.
Sua silhueta esguia, somada à cascata de cabelos longos e escuros que caíam sobre as costas, lhe conferia um charme natural, transformando a calçada em sua própria passarela.
Sem conseguir se conter, Rylan murmurou, admirado: "Parece que ela saiu de um conto de fadas."
O olhar cortante de Derek cortou o espaço entre eles, impondo silêncio com firmeza. Uma pergunta o atravessou como uma farpa — quem ela pretendia seduzir depois que se divorciasse dele?
Antes que ele pudesse refletir mais, o celular vibrou contra o banco.
Com um deslizar ágil, Derek atendeu a chamada e, após ouvir algumas palavras desconexas do outro lado da linha, seu semblante enrijeceu. Um olhar sombrio e carregado já começava a se formar em seus olhos enquanto ele declarava com firmeza: "Vamos para a residência dos meus avós."
Com os olhos arregalados, Rylan questionou: "E a senhora Evans?"
"Ela virá conosco."
Allison já havia notado o longo Lincoln de luxo estacionado à beira da calçada. Será que ele realmente esperava que ela o chamasse para sair do carro?
Enquanto ela se aproximava, preparada para bater à janela, a porta traseira se abriu abruptamente e um braço firme a puxou para dentro com determinação.
O carro arrancou no mesmo instante, o ronco do motor preenchendo o ar com intensidade.
A aceleração repentina lançou Allison para frente, fazendo com que perdesse o equilíbrio e caísse sobre o colo de Derek.
Sua mão tocou algo rígido, que se moveu sob seus dedos antes que ela pudesse identificar o que era.
Ruborizada, ela se afastou rapidamente, mas no impulso, acabou batendo a cabeça contra o teto do automóvel. Ela fez uma careta, segurando a cabeça, sua postura normalmente graciosa se desmoronando.
"Imaginei que estivéssemos a caminho de formalizar nosso divórcio. Então para onde exatamente estamos indo?", indagou ela, a voz tensa de desconforto.
Rylan se endireitou no banco dianteiro, tomado por um súbito entusiasmo. Estaria Derek reconsiderando sua decisão? Talvez, ao longo dos anos de convivência, ele tivesse desenvolvido sentimentos pela esposa.
Entretanto, Derek permanecia alheio ao incidente anterior. Com o semblante fechado, respondeu: "Você saberá assim que chegarmos."
Em seguida, estendeu a mão até o bolso interno do paletó, retirou uma bala de menta, a desembrulhou com lentidão deliberada e a colocou na boca, como se buscasse apaziguar alguma inquietação interna.
Percebendo que ele não forneceria explicações adicionais, Allison abaixou a cabeça em silêncio e começou a digitar em seu celular.
A viagem se estendeu por mais de uma hora até que, por fim, chegaram ao destino.
A propriedade abrangia uma vasta extensão de terra, onde construções de estilo clássico se harmonizavam com um paisagismo elaborado — pontes ornamentais, riachos sinuosos, gazebos e trilhas intricadas compunham o cenário que remetia às tradicionais residências europeias.
Após enviar uma mensagem, Allison ergueu o olhar e foi surpreendida pela visão familiar diante de si.
"Por que me trouxe até aqui?", ela indagou, visivelmente confusa.
Nesse dia, a família Evans se reuniria para um jantar comemorativo, celebrando o terceiro aniversário de casamento deles.
No entanto, Derek havia sido categórico na noite anterior ao proibi-la de comparecer ali. Por isso, tê-la levado até ali, justamente hoje, a deixava perplexa.
Ao chegar à vila à beira do lago, Derek desceu imediatamente do veículo, segurou com firmeza o pulso de Allison e a conduziu diretamente para o andar superior.
Ofegante, o mordomo os seguiu, falando com urgência: "Senhor Evans, sua avó recobrou a consciência esta manhã, mas logo perdeu os sentidos novamente. Desde então, ela se encontra em coma. Por sorte, seu avô descobriu isso a tempo. O doutor Jackson já está com ela."
Tomado pela preocupação, ele continuou, sua voz vacilante: "É a segunda vez que ela sofre esse tipo de colapso, com sangramento nasal e bucal. O doutor Jackson suspeita de falência múltipla dos órgãos. A situação é extremamente delicada..."
No segundo andar, a maioria dos membros da família Evans aguardava diante do quarto principal.
Glenn e sua esposa, Jane, tinham três filhos.
O primogênito, Eric Evans, exercia funções de alta responsabilidade no setor militar, raramente afastando-se da base.
O filho do meio, Michael Evans, pai de Derek, havia ocupado cargos de liderança do Grupo Evans, mas atualmente desfrutava da aposentadoria.
E o caçula, Roger Evans, prefeito de Oregend, não estava presente devido a compromissos oficiais.
Vendo Derek, sua madrasta, Pamela Evans, lhe lançou um olhar severo e comentou com escárnio: "Há quem não conheça compaixão. Estão sempre colocando os próprios interesses acima da família e sequer aparecem em momentos críticos como este."
Ao ver Allison logo atrás de Derek, ela soltou um estalo com a língua, sinalizando clara reprovação. "Ora, vejam só quem resolveu aparecer. Ainda sem a separação oficializada, e já se comportando como uma estranha."
Em seu vestido de seda refinado, ela cruzava os braços em uma atitude desafiadora, mesmo a maquiagem impecável não conseguindo disfarçar as marcas nítidas de amargura em seu rosto.
Dirigindo-se a Derek com um suspiro resignado, Michael comentou: "Derek, sua avó sempre tinha um carinho imenso por você. Se você tivesse demorado mais alguns minutos, talvez não tivesse conseguido vê-la ainda com vida. Toda essa busca incansável por construir um império... para que serve, afinal? Talvez esteja na hora de aliviar esse peso que carrega."
Cansado dos constantes confrontos, Derek se aproximou de Glenn e, em tom baixo, perguntou: "Qual é a condição dela?"
O velho, com os traços abatidos pela exaustão e os cabelos e a barba brancos, parecia encolher diante da porta cerrada do quarto, enquanto suas mãos tremiam de maneira quase imperceptível.
"O doutor Jackson não está otimista." Glenn segurou o pulso de Derek com uma firmeza que contrastava com sua aparência debilitada e murmurou: "Derek, estamos perdendo Jane."
A força contida nesse gesto silencioso trazia consigo um presságio difícil de ignorar.
O semblante de Derek se tornou rígido, e sua resposta veio em um tom grave e entrecortado: "Não. A vovó é uma pessoa forte. Ela não se renderá tão facilmente."
Allison cumprimentou as pessoas reunidas perto da porta antes de se posicionar logo atrás de Derek. Ela permanecia imóvel, as mãos entrelaçadas com força, o olhar carregado de apreensão fixo na entrada do quarto.
Jane sempre expressava, assim como Glenn, uma ternura genuína.
O fato de Derek permitir sua presença nesse momento, mesmo às vésperas do divórcio, era sinal claro da gravidade da situação.
Minutos depois, a porta foi aberta lentamente e o médico, Simon Jackson, surgiu.
"A condição era extremamente crítica. Empregamos todos os recursos disponíveis, mas… lamento profundamente. Está na hora de iniciar os trâmites para o funeral."
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